Governo dos Estados Unidos pede ao Google informações de possíveis criminosos

O primeiro caso que foi a público em que isso aconteceu foi no ano de 2017 em que um juiz de Minnesota pediu ao Google informações sobre quem procurou o nome de uma vítima de fraude. O segundo a ser divulgado foi em 2020, onde foi procurado quem pesquisou o endereço de uma testemunha no […]

06 out, 2021

O primeiro caso que foi a público em que isso aconteceu foi no ano de 2017 em que um juiz de Minnesota pediu ao Google informações sobre quem procurou o nome de uma vítima de fraude. O segundo a ser divulgado foi em 2020, onde foi procurado quem pesquisou o endereço de uma testemunha no caso do cantor R Kelly que logo depois foi vítima de incêndio criminoso.

 

O caso mais recente divulgado começou em 2019, quando investigadores federais de Wisconsin pediram ao Google informações sobre qualquer pessoa que pesquisou o endereço e nomes da vítima de tráfico e abuso sexual de menores e de sua mãe. Somente em 2020 os dados da pesquisa foram revelados sendo de um período de 16 dias mas nunca foi divulgado quantas pessoas foram expostas.


Governo dos Estados Unidos pede ao Google informações de possíveis criminosos

(Foto: Pexels / Fracesco Ungaro)


“Temos um processo rigoroso para proteger a privacidade dos usuários ao mesmo tempo em que apoiamos o importante trabalho de aplicação da lei”, diz um porta-voz do Google. O problema na obtenção de dados de pesquisa de termos-chave é a possibilidade de alguém inocente ser envolvido por coincidência.

 

Outro problema, como aponta Jennifer Granick, consultora de vigilância e segurança cibernética da ACLU (União Norte-Americana pelas Liberdades Civis), é a violação da Primeira Emenda dos Estados Unidos que visa proteger a liberdade de expressão. “Essa técnica ameaça os interesses da Primeira Emenda e prejudicará pessoas inocentes, principalmente se as palavras-chave e o prazo não forem específicos. Para piorar as coisas, a polícia está fazendo isso em segredo, sem debate público e regulamentação.”

 

O caso de Wisconsin continuaria em segredo caso não fosse aberto acidentalmente pelo Departamento de Justiça. Nele havia o nome, perfil do Facebook, número de telefone e endereço da vítima configurando uma violação de privacidade de um menor. O governo além de identidade e endereço IP, esperava receber também os CookieIDs dos possíveis criminosos.


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CookieIDs “são identificadores que servem para agrupar todas as pesquisas realizadas a partir de uma determinada máquina, por um determinado período de tempo. Essas informações permitem aos investigadores verificar, mesmo quando o usuário não está conectado a uma conta do Google, se o mesmo indivíduo pode ter conduzido várias pesquisas pertinentes”, escreveu o governo.

 

Logo após a publicação dessas informações, Jennifer Lynch, diretora de litígios de vigilância da Electronic Frontier Foundation, chamou atenção para outros três mandados de palavras-chave do Google para investigar os bombardeios em Austin em 2018 que resultou na morte de duas pessoas.

Foto destaque: Pexels / Brett Jordan

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