Avião de carga de grande porte cai nos Estados Unidos e causa nove mortes

Um avião de carga de grande porte caiu nesta terça-feira (4) em Louisville, no estado de Kentucky, nos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pelo governador Andy Beshear, nove pessoas morreram e dez estavam feridas. O avião, que realizava um voo de carga, saía da cidade norte-americana em direção a Honolulu, no Havaí.

Equipes de emergência foram acionadas para conter as chamas e realizar resgates na área onde o avião caiu. De acordo com Beshear, os trabalhos se estenderam durante toda a noite e ainda continuavam na manhã desta quinta-feira (5).

O que se sabe sobre o avião

A aeronave envolvida no acidente era um modelo McDonnell Douglas MD-11 e pertencia a UPS, uma das maiores empresas do setor logístico do mundo. Produzido a 34 anos, o MD-11 é um avião de transporte de grande porte e inclusive já realizou voos no Brasil.

De acordo com imagens que circulam nas redes, o avião chegou a subir levemente do solo no aeroporto Muhammad Ali, mas logo em seguida caiu e explodiu. Segundo a Agência Federal de Aviação dos EUA (FAA) o destino do voo era Honolulu, no Havaí.

A quilômetros de distância da cidade era possível visualizar uma coluna de fumaça, provocada pelo incidente. Ao cair, o avião causou um incêndio, devido ao combustível a bordo, que atingiu vários prédios de uma área industrial.


Momento em que avião cai no estado de Kentucky (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)


Vítimas e consequências

Segundo o governador do Kentucky, o número de mortes subiu para 9 nesta manhã e ainda pode aumentar. O número de feridos está na marca de 10, de acordo com ele. O hospital UofL Health, para onde os feridos foram encaminhados, informou que durante a manhã que eles ainda estavam hospitalizados, e dois estavam em estado crítico, causado por queimaduras.

As decolagens de terça à noite haviam sido canceladas no aeroporto Muhammad Ali. Pouco antes das 10h de hoje (pelo horário de Brasília) a pista foi aberta novamente para pousos e decolagens, de acordo com a administração do aeroporto e o prefeito de Louisville, Craig Greenberg. Entretanto, as autoridades da cidade pediram que os moradores evitem passar por um raio de 7,5 km do aeroporto.

Ouro sobe acima de US$ 4 mil com dúvidas comerciais e compras de bancos centrais

O ouro encerrou em alta nesta segunda-feira (3), sendo negociado acima do nível de US$ 4 mil. O impulso ocorre devido às novas compras de banco centrais e pela persistente incerteza de investidores acerca das taxas de juros e da política comercial dos Estados Unidos.

As declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) são uma das causas das incertezas entre os investidores. O crescente nível de juros dos EUA junto às políticas comerciais entre o país norte-americano e outros países tem causado dúvidas, o que acarretou que o ouro tivesse uma alta e se mantivesse como o principal metal de refúgio na economia.

Mercado do ouro

As negociações de dezembro do ouro na divisão de metais da Nymex (bolsa de Nova York), encerraram o pregão em alta de 0,44%, a US$ 4.014,00 por onça-troy, significando um avanço do metal no mercado global.

De acordo com o banco holandês ING, um dos fatores que o mercado vem analisando é o acordo comercial entre os EUA e a China. Oficializado na semana passada, o acordo recente entre as duas potências trouxe um respiro temporário ao mercado, entretanto, não ajudou efetivamente nas principais divergências.


A situação comercial entre EUA e China é um dos fatores que impulsionaram o ouro (Foto: reprodução/Getty Images Embed/FREDERIC J.BROWN)


A situação atual aumenta a busca pelo ouro, mas os novos cortes de juros pelo Fed em dezembro mantém as expectativas reduzidas, segundo o ING.

Expectativas sobre os juros

Para o Saxo Bank, o momento atual é incerto, mesmo que os principais motivos pela alta do ouro “permanecem intactos”. Embora esses fatores permaneçam em uma posição de persistência, o ouro enfrenta obstáculos de curto prazo diante da política monetária cautelosa do Fed. De acordo com o banco dinamarquês, quando o momento de correção de juros acabar, os mesmos motivos que alimentaram a alta do metal devem retornar, com previsão para 2026.

Entre os dirigentes do Fed há uma divergência nas próximas decisões. O diretor do Fed, Stephen Miran, mencionou nesta segunda-feira (3), que pretende defender a redução de 50 pb (pontos-base) na próxima reunião monetária em dezembro. Já o presidente da distrital de Chicago, Austan Goolsbee, mencionou que ainda não tomou uma decisão acerca do encontro.

OpenAI fecha contrato de US$ 38 bilhões com a Amazon em serviços de nuvem

Nesta segunda-feira (3), foi anunciado o acordo entre a OpenAI e a Amazon, avaliado no valor de US$ 38 bilhões. A parceria entre as companhias permite que a OpenAI compre serviços de computação em nuvem da Amazon, fortalecendo não somente a gigante de tecnologia, mas também o posicionamento da empresa de Jeff Bezos na corrida da IA.

Além do investimento em peso, a parceria marca um passo significativo para a OpenAI em seus planos de treino e execução de inteligência artificial. O impulso em tecnologia ocorre após a reestruturação da empresa, que possibilitou uma autonomia operacional e financeira maior do que antes.

Parceria entre OpenAI e Amazon

No acordo anunciado, a OpenAI se comprometeu a investir um valor de US$ 1,4 trilhão no desenvolvimento de 30 gigawatts de recursos em computadores. Além disso, a parceria vai permitir que a criadora do ChatGPT utilize milhares de processadores gráficos da Nvidia no treinamento e execução dos modelos de IA da gigante.

Segundo o presidente-executivo e cofundador da OpenAI, Sam Altman, o avanço da IA exige “uma computação massiva e confiável”. Altman afirmou que a parceria entre as duas empresas fortalece o sistema de computação e que isso tornará possível o avanço da inteligência artificial, permitindo que todos tenham acesso.


Sam Altman, presidente-executivo e cofundador da OpenAI (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Justin Sullivan)


A transação representa a confiança da empresa de tecnologia na nuvem da Amazon. Ao mesmo tempo, o acordo ocorre em um momento em que alguns investidores acreditavam que a unidade de nuvem da Amazon poderia estar ficando para trás em relação às rivais Microsoft e Google.

Tecnologia de ponta

Para dar suporte aos seus avanços, a OpenAI passará a utilizar centenas de milhares de chips da Amazon, que incluem aceleradores de IA – sendo eles, os chips GB200 e GB300 da Nvidia -, instalados em clusters de dados. Esses conjuntos de dados foram construídos para nutrir as respostas do ChatGPT e treinar os próximos modelos da OpenAI.

Paralelamente, a Amazon já trabalha junto a OpenAI por meio da oferta de modelos na Amazon Bedrock. O serviço disponibiliza diversos modelos de inteligência artificial para empresas que utilizam a infraestrutura da Amazon. O mais novo acordo entre as duas empresas as posicionam em um lugar estratégico no mercado, permitindo que disputem intensamente a corrida da IA.

Governo do Rio divulga 121 óbitos durante megaoperação no estado

Em nova divulgação nesta quarta-feira (29), o governo do Rio de Janeiro confirmou o total de 121 mortos na megaoperação contra o CV (Comando Vermelho). De acordo com o governo, 4 eram policiais e os outros 117 suspeitos. A operação foi realizada nos complexos do Alemão e da Penha ontem (28).

Nesta manhã, moradores do complexo da Penha encontraram e levaram 74 corpos para a Praça São Lucas, com objetivo das famílias os reconhecerem, de acordo com apuração do G1.

Números divulgados

Em primeiro balanço, realizado até às 15h desta terça-feira (28), o número divulgado era de 64 mortos, com 4 sendo policiais. Contudo, nesta manhã, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro confirmou somente 58 mortos, afirmando que 54 eram criminosos, pois estavam na área de mata. Ele não comentou acerca do balanço divulgado no dia anterior.

Já em coletiva hoje, a cúpula de segurança do Rio divulgou uma nova atualização: 121 mortos, entre eles, 4 policiais e 117 suspeitos. O número não contabiliza os 74 corpos encontrados pelos moradores na mata e levados para a praça. O secretário da Polícia Civil, o delegado Felipe Curi, difere da informação dada pelos moradores, falando apenas em 63 corpos achados.

O secretário da Polícia Civil também afirmou que mais 113 suspeitos foram presos em outros 33 estados, incluindo Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco.


Secretário da Polícia Civil, Felipe Curi (Foto: reprodução/Getty Images Embed)

Corpos na Praça São Lucas

De acordo com o ativista Raull Santiago em entrevista para o G1, ele nunca viu nada parecido com o que aconteceu nos complexos ontem, classificando a operação como “brutal e violenta”. 74 corpos, todos homens, foram encontrados em uma região de mata no complexo da Penha e levados para a Praça São Lucas.

Nas imagens, os corpos aparecem estirados no chão e sem camisas, para que as famílias pudessem os reconhecer, segundo reportagem do G1. Corpos contavam com ferimentos de bala e rostos desfigurados, além de um que havia sido decapitado.

Durante coletiva mais cedo, o governador do Rio de Janeiro não comentou acerca dos corpos encontrados. Castro ainda disse que a operação foi um “sucesso”, além de se solidarizar com as vítimas dos quatro policiais mortos, os chamando de “guerreiros”. “De vítima ontem lá, só tivemos esses policiais”, completou o governador. Segundo ele, a contabilidade do governo estadual só é feita a partir de corpos que entram no IML.

Presidente Lula convoca reunião com ministros após megaoperação no Rio

O presidente Lula convocou nesta quarta-feira (29) uma reunião de emergência com os ministros do governo no Palácio da Alvorada para tratar da situação em que se encontra o Rio de Janeiro, após a megaoperação da polícia ontem (28). De acordo com balanço oficial feito pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o número de mortos já passa de 130.

A megaoperação – considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro – foi realizada nos complexos da Penha e do Alemão, como forma de combater o CV (Comando Vermelho). O número de mortos durante a ação da polícia ultrapassa o número somado das operações em Jacarezinho (2021), com 28 óbitos, e Vila Cruzeiro (2022), com 24.

Reunião no Palácio da Alvorada

O encontro, convocado pelo presidente Lula, reúne ministros do governo federal para debater a situação alarmante causada pela megaoperação da polícia no Rio de Janeiro. A pauta será tratada na residência oficial da Presidência da República, o Palácio da Alvorada – onde o próprio presidente reside.

Foram convocados os integrantes do primeiro escalão do governo de Lula. Então incluídos: o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin; a ministra de Relações Exteriores, Gleisi Hoffman; o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

Em entrevista durante a tarde desta terça-feira (28), após o início da megaoperação, Lewandowski negou ter recebido qualquer solicitação de ajuda do governador Cláudio Castro para a ação policial nos complexos.


Lewandowski comenta sobre a megaoperação no Rio de Janeiro (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)

Megaoperação no Rio

A operação da polícia, realizada no dia 28 nos complexos do Alemão e da Penha – localizados na Zona Norte do RJ -, teve como alvo o Comando Vermelho. Conforme informado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o número de óbitos total já está em 132, com 128 sendo civis e 4 policiais. A ação contou com mais de 2.500 agentes, com objetivo principal de cumprir 100 mandados de prisão contra membros e líderes do CV.

Contudo, o número atualizado não bate com o que foi divulgado pelo governo do Rio de Janeiro na terça (28). De acordo com o governo, a operação teria sido terminada com 64 mortos, onde 4 eram policiais.

Nesta manhã, a Praça da Penha acordou com uma fila de corpos estirados no chão, levados pelos moradores do complexo. O total de corpos chegava a 74, mas de acordo com o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, eles não constavam no número oficial que estava sendo divulgado. Segundo ativistas e moradores da região, os corpos foram retirados de uma área de mata do Complexo da Penha, durante toda a madrugada de hoje.

EUA firmam parceria de US$ 1 bilhão com AMD em projetos de supercomputadores e IA

A mais nova parceria entre os Estados Unidos e a AMD (empresa multinacional de tecnologia) foi oficialmente fechada no valor de US$ 1 bilhão, visando a construção de dois supercomputadores. A nova tecnologia promete impulsionar pesquisas em energia nuclear, tratamento do câncer, inteligência artificial e até segurança nacional.

Segundo o secretário norte-americano de Energia, Chris Wright, as máquinas que serão produzidas devem atuar em experimentos complexos, os quais consomem grandes quantidades de processamento massivo de dados. Wright ainda afirmou que os supercomputadores irão atuar na administração do arsenal de armas nucleares dos Estados Unidos.

Planos para a iniciativa

As pesquisas feitas pelos supercomputadores devem acelerar a descoberta de medicamentos, através de simulações de tratamentos do câncer. De acordo com o secretário de Energia, é esperado que entre os próximos cinco ou oito anos, a maioria dos cânceres estejam em “condições controláveis”, ou seja, não avancem tanto quanto hoje para o estado terminal.

Além disso, a tecnologia também deve atuar nas pesquisas de energia nuclear e energia de fusão. Cientistas e empresas estão realizando experimentos que buscam recriar a reação nuclear responsável pela criação do Sol, colidindo átomos leves em um gás de plasma. À Reuters, Wright declarou que estão tentando refazer o mesmo fenômeno, mas que mesmo com os progressos, ainda é necessário uma tecnologia mais avançada que inclui a computação dos sistemas de inteligência artificial, que a iniciativa produzirá.


Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Thomas Kronsteiner)

Computação e IA

Entre os planos para a parceria, estão incluídos dois sistemas. O primeiro computador, batizado de Lux, deve ser entregue em seis meses. Ele irá utilizar os chips de inteligência artificial MI355X da própria AMD, além de CPUs e chips de rede fabricados pela multinacional. A presidente da AMD, Lisa Su, afirmou que a implementação do Lux foi a mais rápida entre os supercomputadores.

Já o segundo computador, intitulado Discovery, será mais avançado, baseado na série MI340 de chips de inteligência artificial da AMD. Ele deve ser entregue em 2028, com previsão de operação para 2029. A iniciativa entre o governo e a empresa privada marca um avanço nos experimentos, utilizando novas tecnologias que prometem entregar resultados de pesquisas complexas através do uso da computação e da IA.

Astrofotógrafo registra imagem em alta definição da “galáxia do coração”

Uma imagem de tirar o fôlego registrada por Ronald Brecher mostra com impressionante definição a chamada Nebulosa do Coração (Heart Nebula). O registro revela detalhes magníficos da estrutura da formação cósmica, localizada na constelação Cassiopeia, ao lado de outras nebulosas.

O fotógrafo Ronald Brecher, responsável pela captura inovadora, divulgou a imagem através de uma postagem em seu site, onde também explicou o processo. Ele utilizou duas paletas de cores, chamadas de Hubble e Foraxx, para chegar ao resultado que divulgou. Segundo Brecher, ele nunca havia fotografado a nebulosa de forma completa utilizando uma paleta de cores de banda estreita, apelidando o trabalho de “divertido de processar”.

A fotografia

Brecher ainda divulgou que para produzir essa imagem utilizou a câmera astronômica QHY367C junto ao telescópio Sky-Watcher Esprit 70 EDX, em um processo que demorou mais de 40 horas para ser finalizado. O astrofotógrafo conduziu o trabalho durante setembro deste ano, no Canadá.

O desenvolvimento do pré-processamento da captura incluiu o uso de filtros, redução de ruído e ajustes de contraste, além do uso das paletas de cores para processamento de dados. Esse meticuloso trabalho feito por Ronald Brecher foi capaz de mostrar ao resto do mundo estruturas evidenciadas nunca vistas antes da Nebulosa do Coração, sendo um avanço extremamente importante para os estudos das galáxias.


A região destacada em vermelho mostra a região da Nebulosa do Coração, próxima da constelação de Cassiopeia (Foto: reprodução/Instagram/@astronomia_na_escola)

Nebulosa do Coração

A nuvem de gás é identificada através do código IC 1805, para a diferenciar tecnicamente de outras nebulosas. Localizada a aproximadamente 7.500 anos-luz do nosso planeta, ela está inserida na constelação Cassiopeia, em uma região chamada de Braço do Perseu. Essa região cósmica ainda abriga outras nebulosas, como a Nebulosa da Alma (IC 1848) e a Nebulosa Cabeça de Peixe (IC 1795). Além disso, milhares de estrelas relativamente jovens também estão inseridas nesta região, devido a forte emissão de gases cósmicos que acontece por ali.

Por ser uma área fácil de fotografar, não é necessário equipamentos extremamente tecnológicos, como os usados pela Nasa. A partir de telescópios amadores na Terra, é possível que astrofotógrafos registrem essa região do espaço, entretanto, a observação não será tão nítida.

Trump cobra indenização de R$ 1,2 bilhão do governo dos EUA por investigações contra ele

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está cobrando que o Departamento de Justiça o indenize em uma quantia de US$ 230 milhões (R$ 1,2 bilhão) por ter sido alvo de investigações federais no governo anterior, de Joe Biden. As ações de Trump levantam um debate sobre dilemas éticos, já que os funcionários responsáveis pela aprovação do tal pagamento foram indicados pelo próprio Trump ou aliados.

Trump apresentou duas queixas através de um processo administrativo, a primeira em 2023 e a segunda em 2024. O presidente norte-americano defende que ambas as queixas buscam o rescindir por duas investigações que violaram seus direitos, de acordo com o jornal “The New York Times”.

Denúncias contra Trump

Donald Trump afirma que foi alvo de duas investigações federais que teriam violado seus direitos e que, por isso, ele merece ser rescindido. De acordo com funcionários do Departamento de Justiça que conversaram com a Times, Trump acusa o órgão de perseguição e manipulação de documentos durante o governo Biden.


Trump pede indenização do Departamento de Justiça (Vídeo: reprodução/YouTube/@uol)

A primeira foi apresentada em 2023 e se refere à investigação sobre supostas interferências russas nas eleições presidenciais de 2016, quando Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos.  Já a segunda denúncia, que foi apresentada no ano seguinte, Trump acusa o FBI de violar sua privacidade durante as investigações em sua residência na Flórida, um resort de Mar-a-Lago, em 2022. A investigação apreendeu mais de 20 caixas com 100 documentos confidenciais, após Trump deixar o cargo de presidente quando perdeu as eleições de 2020.

Ambas as investigações contra Trump foram encerradas após a sua volta à Casa Branca em 2025. De acordo com Trump, ele foi “prejudicado” pelas investigações e qualquer dinheiro recebido seria doado à caridade. 

Conflito ético

As ações de Trump levantam um questionamento sobre o grave conflito ético em sua gestão. Os funcionários do Departamento de Justiça que ficariam responsáveis pela decisão de aprovar ou recusar os pagamentos ao presidente norte-americano foram nomeados por ele mesmo ou por seus aliados, ou até mesmo já foram advogados de Trump antes de seu segundo mandato. 

O vice-diretor do FBI, Todd Blanche, foi um dos principais advogados de defesa criminal de Trump, e segundo as normas do Departamento de Justiça, o seu cargo o permite ser uma das duas pessoas que podem assinar o acordo. Além disso, Stanley Woodward Jr., o chefe da divisão cível do órgão, foi advogado de assessores de Trump em investigações. O processo aberto por Trump impõe desafios éticos, já que coloca em xeque o alcance do presidente e a independência dos órgãos federais.

STF divulga acórdão que formaliza condenação de Bolsonaro

Nesta quarta-feira (22), o Supremo Tribunal Federal (STF) publicou o acórdão que trata sobre o julgamento do chamado “núcleo 1” do plano de golpe contra o Estado Democrático de Direito, no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus foram condenados em setembro.

Além de formalizar o julgamento, o acórdão abre um prazo de cinco dias para a apresentação de recursos por parte das defesas dos réus. Apesar da possibilidade de recursos, os advogados somente podem contestar aspectos formais da decisão, como contradições ou erros. 

Detalhes do acórdão

O acórdão é um documento cujo objetivo é formalizar os votos dos ministros da Primeira Turma do STF, responsáveis pelo julgamento do núcleo 1 da trama golpista. Os ministros tinham até 60 dias, contados a partir da data do julgamento (11 de setembro), para emitir o documento, que conta com 1.991 páginas. 

No núcleo 1 estão oito réus, incluindo o Jair Bolsonaro, que foram condenados por um plano de golpe contra o Estado. Os réus foram condenados por 5 crimes, que são: golpe de Estado; organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União; e deterioração de patrimônio tombado. Entretanto, somente Alexandre Ramagem não foi condenado pelos dois últimos crimes. 


Luiz Fux, ministro do STF (Foto: reprodução/Getty Images Embed/EVARISTO SA)

O placar do julgamento foi de 4 votos a 1, somente com Fux sendo o voto contrário, propondo a absolvição da maior parte dos réus. Com a publicação do acórdão, abre-se o prazo de 5 dias para que as defesas protocolem seus embargos de declaração. Contudo, os advogados apenas podem contestar contradições, omissões ou erros materiais do veredito, não tendo o poder de mudá-lo. 

Condenação do núcleo 1

No julgamento, que ocorreu no dia 11 de setembro, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a pena de 27 anos e 3 meses de prisão, sendo a maior entre as outras condenações. Os demais receberam penas que variam entre 2 anos a 26 anos, com Mauro Cid tendo a menor entre elas (2 anos). 

Contudo, a prisão domiciliar de Bolsonaro, decretada por Alexandre de Moraes, não tem ligação com o julgamento pela tentativa de golpe. Moraes decretou a prisão domiciliar do ex-presidente devido ao inquérito que investiga seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro. O deputado e o blogueiro Paulo Renato Figueiredo são acusados de coação, devido a atuação dos dois nos Estados Unidos.

Já nesta terça-feira (21), o STF realizou o julgamento do núcleo 4 da trama golpista, intitulado de grupo da desinformação. Todos os sete réus foram condenados pela Primeira Turma, com o placar sendo de 4×1 para a condenação. Novamente, o único voto divergente foi o do ministro Luiz Fux. A maior parte das penas são de mais de 10 anos, variando entre 7 anos a 17 anos de prisão. 

Banco Central argentino fecha parceria de US$ 20 bilhões com Tesouro Americano

Nesta segunda-feira (20), o Banco Central da Argentina anunciou a assinatura de um acordo de estabilização cambial com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. O valor da parceria está avaliado em US$ 20 bilhões. Entretanto, o movimento levanta a questão da dependência argentina em outros países.

De acordo com a nota oficial divulgada pelo BC argentino, a iniciativa tem como objetivo “contribuir para a estabilidade macroeconômica da Argentina, com ênfase especial na preservação da estabilidade de preços e na promoção de um crescimento econômico sustentável.”. A medida oferece um respiro momentâneo de alívio à economia argentina, através de operações bilaterais de moedas.

Acordo entre os países

A iniciativa entre a Argentina e os Estados Unidos consiste na realização de operações bilaterais de swap de moedas entre as duas partes. Um swap de moedas consiste na troca de determinada quantia em uma moeda por outras, entre dois países ou instituições financeiras, com a promessa desse valor ser revertido em uma operação futura. 

No acordo atual, por exemplo, o Banco Central da Argentina recebe dólares dos EUA, e em troca, a Argentina entrega pesos aos EUA ou se compromete em devolver o valor em dólares, após um período acordado entre os países. De acordo com o BC argentino, o acordo permitirá ampliar o conjunto de instrumentos de política monetária e cambial, o que permite que as reservas internacionais da Argentina sejam fortalecidas.

A divulgação da iniciativa movimentou de forma imediata os mercados, com o peso argentino sendo valorizado. Além disso, as ações argentinas que estavam sendo negociadas em Nova York e os títulos internacionais do país tiveram alta, simbolizando sinais de otimismo por parte dos investidores. Apesar do entusiasmos, analistas apontam que o resultado positivo do swap depende da capacidade do governo argentino em implementar reformas estruturais e garantir apoio político interno.


Donald Trump e Javier Milei juntos (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Kevin Dietsch)

Caráter político

Contudo, no cenário político, o acordo figura como um teste de credibilidade para o governo de Javier Milei, que aposta no apoio externo dos EUA. Como relevado pela Forbes Brasil, o acordo entre os países sai da linha do gesto diplomático e se ressignifica como uma tentativa de estabilizar a economia argentina com apoio de Washington. Isso acende o debate sobre o real motivo e a dependência econômica da Argentina no apoio de outros países. 

A transição atraiu críticas por parte da senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts. Ela é autora da Lei de Não Resgate a Argentina – que tem como objetivo proibir que o governo Trump ajude os mercados financeiros e os investidores da Argentina. Em carta enviada ao secretário do Tesouro, Elizabeth julgou a iniciativa, afirmando estar preocupada com os planos de Trump de ajudar outro país em meio a paralisação de seu próprio.