Miu Miu transforma o avental em símbolo de poder e reflexão sobre o trabalho feminino no verão 2026

A Miu Miu apresentou, no verão 2026, uma coleção que se destaca não apenas pela forma, mas pela profundidade de seu discurso. O desfile conduzido por Miuccia Prada transforma a passarela em um espaço de reflexão sobre esforço, propósito e valor — conceitos que dialogam diretamente com a pergunta central da coleção: qual é a importância do trabalho, e sobretudo, do trabalho feminino?

Mais do que um exercício estético, a proposta de Prada é um manifesto silencioso sobre o fazer — sobre as mãos que costuram, cuidam, limpam e criam, sustentando o mundo com gestos cotidianos e, muitas vezes, invisíveis. 

Peça carregada de significados

A narrativa se estabelece logo no primeiro look, desfilado pela atriz Sandra Hüller, com o avental como protagonista. O símbolo do trabalho doméstico e artesanal ganha novo significado: transforma-se em emblema de resistência, dignidade e poder.

O avental, presente em cozinhas, oficinas, ateliês e hospitais, torna-se o símbolo do fazer feminino — uma ponte entre o privado e o público, o utilitário e o estético. Ao trazê-lo para o universo do luxo, Prada questiona a hierarquia das roupas e o que a sociedade escolhe valorizar.

O trabalho, em sua forma mais pura, é apresentado como ato de resistência e criação. A coleção celebra o gesto, o processo e o esforço, transformando a moda em espaço de reconhecimento e dignidade. Em tempos em que o luxo busca novos significados, o olhar de Prada aponta para o real: para as mãos que constroem, lavam, costuram, cozinham e cuidam.


Atriz Sandra Hüller no desfile Miu Miu verão 2026 (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/Peter White)  

Entre o utilitário e o poético

Na passarela, o avental assume múltiplas identidades. Bordado com cristais, confeccionado em renda, lona crua ou couro industrial, ele revela a dualidade entre fragilidade e força, entre leveza e rigidez, entre o gesto de cuidar e o de criar. Cada versão carrega uma história — uma memória ancestral do trabalho feminino, muitas vezes não contada, mas essencial para a sustentação do mundo.


Desfile Miu Miu verão 2026 (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/ Victor Virgile) 

As referências às fotógrafas Dorothea Lange e Helga Paris, conhecidas por documentar a dignidade do cotidiano, reforçam o caráter político da coleção. Assim como suas imagens eternizam a beleza nas mãos calejadas e nos rostos marcados pelo tempo, Prada traduz essa estética em tecidos e cortes que homenageiam o real. A passarela torna-se um espelho da vida — e o luxo, um espaço de crítica e empatia.

Ao reconfigurar o lugar do avental, Miuccia Prada também propõe um novo tipo de glamour: aquele que nasce da imperfeição e do esforço. O luxo não está mais na opulência, mas na autenticidade; não na ostentação, mas no reconhecimento do humano. O avental, esse objeto cotidiano e aparentemente banal, transforma-se em símbolo de poder silencioso, uma bandeira da resistência feminina através do tempo.


Desfile Miu Miu verão 2026 (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/ Peter White)

Um gesto revolucionário

No fim, o desfile da Miu Miu é mais do que uma coleção — é uma homenagem. Uma celebração das mulheres que, com trabalho e cuidado, sustentam lares, comunidades e indústrias. O avental, agora elevado à categoria de luxo, é o instrumento de uma revolução simbólica: a valorização do fazer feminino como gesto de arte e sobrevivência.

Em uma era em que a moda busca sentido, Miuccia Prada oferece uma resposta poderosa: reconhecer o trabalho — e principalmente o trabalho das mulheres — como o verdadeiro fundamento da beleza. Se o avental é hoje um objeto de desejo, talvez o gesto mais transformador seja enxergar, enfim, o valor de quem sempre o vestiu.

Israel e Hamas retomam negociações no Egito para definir retirada de tropas de Gaza

Delegações de Israel e do Hamas retomaram nesta terça-feira (7) as negociações indiretas no Egito, em Sharm El-Sheikh, com foco na criação de um mecanismo para a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza. O encontro acontece após a retomada inicial das conversas na segunda-feira (6), e é mediado por representantes do governo egípcio e do Catar.

O objetivo central do diálogo é encerrar quase dois anos de conflito, que já resultou em milhares de mortes e uma grave crise humanitária. Além da retirada militar, as negociações incluem a libertação de reféns e prisioneiros, em um esquema de troca que busca equilibrar interesses israelenses e palestinos.

Pressões diplomáticas e desafios humanitários

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mantém influência nas negociações, afirmou que o Hamas está aceitando propostas significativas. O plano dos EUA inclui a retirada gradual das tropas, o desarmamento do Hamas e a formação de uma administração interina supervisionada por um corpo internacional, com vistas a estabilizar a região.

Apesar do avanço das negociações, ataques aéreos israelenses continuam sendo registrados em Gaza. Segundo a Defesa Civil local, pelo menos sete palestinos morreram em bombardeios recentes, destacando a urgência de um acordo que garanta proteção à população civil.


Faixa de gaza após o inicio do conflito entre Israel e Hamas (Foto:reprodução/Getty Imagens Embed/Omar Al- Qattaa) 

O Egito, anfitrião das conversas, enfrenta um dilema humanitário: permitir a passagem de refugiados ou reforçar o bloqueio na fronteira, equilibrando segurança e responsabilidade internacional. O Catar, por sua vez, desempenha papel diplomático estratégico, intermediando contatos entre as partes e oferecendo garantias de segurança.

Especialistas internacionais alertam que, mesmo com o avanço das negociações, o sucesso depende da implementação prática dos acordos, da confiança entre as partes e da manutenção de um corredor humanitário que permita ajuda essencial à população civil.

Caminhos para uma trégua duradoura

Analistas apontam que, para que a paz seja sustentável, é necessário que o acordo contemple:

  • Retirada coordenada das tropas israelenses;
  • Liberação equilibrada de reféns e prisioneiros;
  • Estabilização política com supervisão internacional;
  • Garantia de assistência humanitária imediata à população de Gaza.

O êxito das negociações em Sharm El-Sheikh pode ser um passo decisivo para reduzir tensões na região, mas a história recente demonstra que o caminho para a paz será lento e exigirá comprometimento contínuo de todas as partes. 

Tarcísio faz declarações sobre a crise do Metanol

O estado de São Paulo concentra mais de 82% dos casos do país de intoxicação por metanol em bebidas: 15 confirmados e 164 em análise. A situação acende alertas sanitários, movimenta poderes e provoca reações intensas no debate público — sobretudo diante das falas recentes do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Falas de Tarcísio geram polêmica 

A crise provocada pelas intoxicações por metanol em São Paulo ganhou contornos políticos após as declarações do governador. Em meio ao aumento de casos e mortes causadas por bebidas adulteradas, Tarcísio adotou um tom leve e irônico — que gerou reações negativas de autoridades sanitárias, opositores e especialistas em comunicação pública. Durante coletiva após reunião com a indústria de bebidas, o governador disse, em tom de brincadeira: “No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar.”

Embora a declaração tenha caráter cômico, ela suscitou críticas. Num momento em que mortes já foram registradas — inclusive o óbito de uma mulher de 30 anos em São Bernardo do Campo — há quem enxergue descaso diante da gravidade do tema.  Tarcísio tentou relativizar, afirmando que não “se aventuraria nessa área” pois “não é sua praia”, e que a iniciativa privada demonstrou “vontade enorme de colaborar” nas investigações.


Governador Tarcísio de Freitas (Foto:Reprodução/Getty Imagens Embed/Ton Molina)

Repercussão imediata e críticas

Após a repercussão negativa, o governador tentou esclarecer suas declarações, afirmando que a frase foi “mal interpretada” e que o governo está empenhado em investigar os casos. “De maneira alguma quis ironizar. Tenho total respeito pelas famílias e pelas vítimas. O que eu disse foi apenas que o Estado não fabrica bebida, e que o problema vem de falsificação criminosa. Estamos combatendo isso com rigor”, afirmou.

Ele também reforçou a parceria com o setor privado: A indústria de bebidas demonstrou vontade enorme de colaborar. Todos estão mobilizados para encontrar a origem do metanol. Não é momento de politizar a tragédia.”

Mesmo assim, a fala seguiu repercutindo. Para alguns parlamentares da oposição, a ironia foi  desrespeitosa. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) criticou o governador nas redes sociais: “É inaceitável que um governador se porte dessa maneira!”

As hipóteses investigadas

A Polícia Civil de São Paulo trabalha com duas linhas principais:

  1. Reutilização de garrafas — hipótese de que garrafas reaproveitadas, sem descarte adequado, foram higienizadas com metanol de forma incorreta.
  2. Injeção deliberada de metanol — possibilidade de adulteração consciente, usando a substância para aumentar o volume das bebidas.

A perícia já confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras no estado. Além disso, mais de 7 mil garrafas suspeitas foram recolhidas recentemente. Tampas, rótulos, lacres e selos estão sob análise. Tarcísio afirmou que pedirá à Justiça a destruição dos materiais apreendidos.

O risco invisível ao consumidor

O metanol é uma substância extremamente perigosa: metabolizado pelo fígado, forma compostos tóxicos que afetam o cérebro, nervos, fígado e rins. Pode causar cegueira, insuficiência respiratória, coma e morte. O agravante é que não há cheiro, cor ou sabor perceptível que denuncie sua presença em uma bebida.

As autoridades recomendam:

  • Desconfiar de preços muito baixos;
  • Verificar se há lacre e selo fiscal adequados;
  • Comprar apenas em pontos de venda confiáveis;
  • Exigir nota fiscal sempre.

Em caso de sintomas — como visão turva, náuseas ou dores abdominais — é essencial buscar atendimento médico imediato, informando a origem da bebida. 

Responsabilidade em tempos de crise

A crise das intoxicações por metanol em São Paulo vai muito além de uma questão sanitária. Ela expõe falhas históricas de fiscalização, negligência preventiva e a fragilidade de uma comunicação pública que deveria proteger, e não confundir. A tragédia mostra o quanto o Estado ainda reage mais do que antecipa — e como a população se torna refém de um sistema que só se mobiliza depois que vidas são perdidas.

Com isso, ao ironizar a gravidade da situação, Tarcísio de Freitas acaba transmitindo a ideia de que o problema é menor do que realmente é, enfraquecendo a confiança pública e diminuindo o senso de urgência da população diante de um perigo real.

Mais do que uma gafe ou um “tom mal interpretado”, as declarações do governador revelam um descompasso entre linguagem política e responsabilidade institucional. Em tempos de desinformação e medo, cada palavra dita por uma autoridade tem o poder de acalmar ou agravar uma crise.

Gracyanne Barbosa se emociona após cirurgia no joelho e fala sobre recuperação

A influenciadora e musa fitness Gracyanne Barbosa passou por um momento delicado em sua rotina de saúde: recentemente, ela realizou uma cirurgia no joelho e compartilhou com seus seguidores um desabafo emocionante sobre o processo de recuperação. Conhecida por sua disciplina e força física, a artista revelou que, mesmo para ela, lidar com limitações temporárias tem sido um desafio emocional significativo.

Desabafo emocionante

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Gracyanne aparece visivelmente emocionada, comentando sobre a dificuldade de aceitar que precisa desacelerar e pedir ajuda. “Mesmo com toda a minha força e dedicação, estou tendo que aprender a aceitar minha fragilidade”, declarou. 

A artista reforçou que o apoio de profissionais de saúde tem sido fundamental neste momento, mas que lidar com a frustração de ficar temporariamente afastada das atividades físicas é um aprendizado diário.


   Gracyanne fala sobre sua recuperação (Vídeo: reprodução/X/@Metropoles)

Apoio de fãs e reabilitação

A postagem da influenciadora rapidamente gerou uma onda de carinho e mensagens de incentivo. Seguidores e familiares deixaram comentários de apoio, demonstrando solidariedade e preocupação com a recuperação. Gracyanne agradeceu publicamente o suporte recebido, ressaltando que cada palavra de encorajamento ajuda a manter a motivação durante o processo de fisioterapia e reabilitação.

Segundo relatos da própria Gracyanne, ela tem se dedicado com disciplina à reabilitação. A rotina inclui exercícios específicos para fortalecer a musculatura ao redor do joelho e evitar complicações futuras. Apesar do desafio físico e emocional, a musa fitness afirmou que está determinada a recuperar totalmente sua mobilidade e voltar às atividades normais quanto antes.


  Musa fitness mostra detalhes da sua recuperação (Vídeo: reprodução/X/@GraOficial)

Reflexão sobre saúde e autocuidado

A influenciadora aproveitou para falar sobre a importância do autocuidado e da paciência nos momentos de recuperação. “Às vezes pensamos que podemos tudo, mas o corpo também precisa de atenção e respeito“, refletiu. O episódio reforça a mensagem de que mesmo pessoas acostumadas com intensidade física podem passar por momentos de vulnerabilidade, e que reconhecer essa limitação é parte do processo de fortalecimento.

Gracyanne encerrou seu desabafo com otimismo, destacando que planeja retomar suas atividades físicas gradualmente, sem pressa, respeitando os limites do corpo e seguindo orientações médicas. A musa fitness também sinalizou que pretende compartilhar sua evolução com os fãs, incentivando outros a valorizarem o autocuidado e a resiliência em momentos de adversidade.

Mariah Carey revela motivo de nunca dançar nos palcos: “Me traumatizou na infância”

Durante participação no programa “Watch What Happens Live”, Mariah Carey abriu o jogo sobre um tema que há tempos entra em debate entre fãs e críticos: a ausência de coreografias em suas performances. A cantora afirmou que, desde cedo, enfrenta uma barreira em relação à dança — algo que, segundo ela, chegou a ser traumático. 

Voz e movimento: prioridades conflitantes

A artista, vencedora de cinco Grammys, explicou que sempre foi questionada pela postura “estática” em seus shows.  Na conversa com o apresentador Andy Cohen, Mariah falou: Desde quando comecei, eu pensava: ‘Não sei como vou fazer isso’. Porque, realmente, eu não faço ideia do que é essa coisa de dançar.”

Cohen chegou a pontuar que o público nem sempre considera que cantar ao vivo, com técnica vocal exigente, já demanda energia e controle — o que pode dificultar movimentos mais elaborados no palco.

Trauma infantil e ausência de ensinamentos

Durante a entrevista, a cantora relatou que nunca teve contato formal com a dança em sua infância: “Nunca me ensinaram. Acabou me traumatizando na infância.” 

Mesmo em momentos de sua carreira em que tentou inserir coreografias, ela disse que nunca se sentiu realmente confortável com isso:  “Existem momentos, tipo no clipe de ‘Honey’, de ‘Heartbreaker’, coisinhas pequenas.” 

Por trás da diva pop

Além de trazer à tona esse episódio íntimo, a cantora adiantou outros planos durante a entrevista: uma série roteirizada baseada em sua autobiografia “The Meaning of Mariah Carey” (2020) e um documentário sobre sua vida. Ela mencionou que já há envolvimento com o cineasta Lee Daniels para a adaptação.

A artista explicou que o projeto terá um olhar íntimo, revisitando desde sua infância marcada por dificuldades até os bastidores de sua ascensão como uma das maiores vozes da música pop. Segundo Mariah, a ideia é ir além dos sucessos e dos números impressionantes, trazendo momentos pouco conhecidos, vulnerabilidades e histórias que ajudaram a moldar sua trajetória. 

Ela afirmou ainda que o documentário pretende mostrar “a pessoa por trás do ícone”, destacando não apenas a diva dos palcos, mas também a mulher que enfrentou desafios pessoais e profissionais ao longo de mais de três décadas de carreira. 


 

 Matéria sobre o documentário e serie da Mariah Carey (Foto: reprodução/X/@POPLine)

Episódios que reforçam a decisão artística

Além da declaração na entrevista, veículos especializados apontam que a opção por não dançar pode ter sido influenciada por eventos específicos na trajetória da cantora. A revista Rolling Stone Brasil sugeriu que um acidente sofrido por Mariah em gravações pode ter reforçado sua aversão a movimentos intensos no palco. 

Em outro texto da Veja, é mencionado que, ao longo dos anos, ela passou a priorizar a performance vocal e a estética de palco, em detrimento de coreografias mais elaboradas — o que, segundo a publicação, seria uma escolha consciente. 

Ao transformar sua vulnerabilidade em narrativa, Mariah mostra que, mais do que seguir padrões da indústria, prefere ditar o próprio ritmo. Sua decisão de priorizar a música em vez da dança não diminuiu seu impacto cultural: pelo contrário, consolidou sua imagem como uma das maiores intérpretes da história do pop.

 

Protestos da Geração Z no Marrocos deixam mortos e feridos em confrontos contra gastos da Copa

Os protestos que começaram no último sábado, no final de setembro, ganharam intensidade ao longo dos dias e tiveram seu ponto mais violento na noite de quarta-feira (1º), quando ocorreram as primeiras mortes confirmadas. 

Em Lqliaa, a cerca de 470 km de Rabat, duas pessoas morreram e outras ficaram feridas após policiais abrirem fogo contra manifestantes que, segundo autoridades locais, tentavam roubar armamentos. Já na região metropolitana da capital, grupos incendiaram carros e edifícios e depredaram lojas. 

Nesta quinta-feira (2), o primeiro-ministro Aziz Akhannouch informou que o número de mortos subiu para três, sem detalhar onde ocorreu o novo óbito. O Ministério do Interior divulgou ainda que os protestos já deixaram 354 feridos — sendo 28 civis e 326 membros das forças de segurança — e pelo menos 409 manifestantes presos. O movimento, batizado de GenZ 212, em referência ao código telefônico do país, cresceu rapidamente nas últimas semanas e já alcançou cidades como Rabat, Casablanca, Agadir e Oujda. 

Estopim: mortes em hospital público e falta de infraestrutura

O Marrocos vive uma onda de protestos de grandes proporções, marcada pela mobilização espontânea e descentralizada de jovens da chamada “Geração Z”, que utilizam plataformas digitais como TikTok, Instagram e Discord para convocar manifestações e compartilhar denúncias de descaso social. 

O estopim da revolta, segundo organizações locais, foi a morte de oito mulheres grávidas em um hospital público de Agadir, evento que expôs a precariedade dos serviços de saúde e a carência estrutural de profissionais, medicamentos e equipamentos; para os manifestantes, esse episódio simbolizou a negligência do Estado em áreas essenciais, contrastando diretamente com os altos investimentos direcionados para obras relacionadas à Copa do Mundo de 2030, da qual o Marrocos será um dos países-sede.


Matéria sobre os protestos da Gen Z (Foto: reprodução/X/@BandJornalismo)

Confrontos violentos e vítimas em Lqliaa

A situação ganhou contornos ainda mais dramáticos quando, na cidade de Lqliaa, próxima a Agadir, manifestantes tentaram invadir uma guarnição da gendarmaria, resultando em um confronto violento que envolveu incêndios, ataques ao prédio e tentativas de roubo de armamentos. 

A resposta das forças de segurança foi imediata, com uso de gás lacrimogêneo, dispersões forçadas e disparos de armas de fogo, que culminaram em pelo menos duas mortes confirmadas e dezenas de feridos, evidenciando a gravidade do cenário e a escalada da repressão estatal.

De acordo com balanços oficiais e de organizações civis, mais de 400 pessoas já foram detidas desde o início das manifestações, incluindo menores de idade, enquanto aproximadamente 300 indivíduos ficaram feridos em diferentes cidades, entre manifestantes e policiais

 Além disso, os protestos deixaram um rastro de destruição, com veículos incendiados, agências bancárias depredadas e prédios públicos e privados afetados, provocando forte repercussão nacional e internacional.

Governo nega relação com Copa e promete reformas

O governo marroquino, pressionado pela repercussão negativa, afirmou em comunicados oficiais que reconhece a gravidade das demandas sociais e manifestou intenção de abrir canais de diálogo com os manifestantes, prometendo investimentos em saúde e educação. 

Ao mesmo tempo, no entanto, negou que os bilhões destinados à construção e renovação de estádios para a Copa estejam comprometendo os serviços básicos da população, alegando que parte significativa dos problemas foi herdada de administrações anteriores e não pode ser resolvida de forma imediata.

Organizações internacionais e entidades de defesa dos direitos humanos criticaram duramente o que consideram uso excessivo da força pelas autoridades, pedindo apuração das mortes, revisão das prisões e garantias do direito de protestar de forma pacífica.

Especialistas alertam que a persistência dos jovens nas ruas, aliada ao uso das redes sociais como ferramenta de mobilização em tempo real, pode aumentar a instabilidade no país caso não haja respostas concretas, ao passo que reformas estruturais e políticas inclusivas poderiam representar um caminho para reduzir tensões e restaurar a confiança da população. 

Rapper Hungria é internado em Brasília após suspeita de bebida adulterada

O rapper Hungria foi internado nesta quinta-feira (2), em Brasília, depois de apresentar sintomas que levantam suspeita de intoxicação causada por bebida adulterada. A equipe médica e a assessoria do artista confirmaram que ele já recebe tratamento e não corre risco iminente.

Sintomas e boletim médico

De acordo com informações do Hospital DF Star, Hungria deu entrada na unidade hospitalar com um quadro de cefaleia intensa, náuseas, vômitos, turvação visual e acidose metabólica. Os sintomas são compatíveis com casos de intoxicação por substâncias tóxicas, como o metanol, frequentemente encontrado em bebidas falsificadas.

A equipe médica iniciou de imediato o tratamento especializado e informou que o quadro segue em investigação. Apesar da gravidade dos sintomas, a situação do rapper é considerada estável no momento.

Intoxicação por metanol

A assessoria de imprensa do rapper confirmou a internação ainda na manhã desta quinta-feira e reforçou que o cantor não corre risco de morte. A equipe, no entanto, não informou em qual local o artista teria consumido a bebida suspeita.


 

Matéria sobre os riscos da intoxicação por metanol (Foto: reprodução/X/@g1)

Em nota, a assessoria também destacou que o episódio remete a casos semelhantes registrados em São Paulo nas últimas semanas. O estado de São Paulo registrou, até a última quarta-feira (1º), dez casos de intoxicação por metanol. A substância é utilizada ilegalmente na adulteração de bebidas alcoólicas e pode provocar desde sintomas gastrointestinais até complicações graves, como cegueira e morte.

As autoridades de saúde têm reforçado os alertas à população, orientando sobre os riscos de consumir bebidas de procedência duvidosa ou comercializadas de forma irregular. Até a noite de quarta-feira, Brasília não havia registrado oficialmente nenhum caso de intoxicação por metanol. O caso de Hungria, portanto, chama a atenção das autoridades de saúde do Distrito Federal, que acompanham a evolução clínica do cantor.

Repercussão e apoio dos fãs

Hungria, conhecido por sucessos como Coração de Aço e Primeiro Milhão, é considerado um dos nomes mais influentes do rap nacional. A notícia de sua internação gerou grande repercussão nas redes sociais, onde fãs e colegas de profissão manifestaram mensagens de apoio e desejaram rápida recuperação ao artista.

A assessoria de imprensa informou que ele segue sob cuidados médicos, em tratamento contínuo, e deve permanecer em observação até a estabilização completa do quadro. Embora ainda não haja previsão oficial de alta, a expectativa é de que novos boletins sejam divulgados nos próximos dias.

Day Molina estreia em Paris com coleção que homenageia Chico Mendes e exalta a floresta

Na última segunda-feira (29), a estilista e ativista Day Molina, descendente dos povos Aymara e Fulni-ô, fez sua aguardada estreia em Paris, com sua marca Nalimo. A apresentação integrou a agenda do Runway Vision, plataforma que faz parte do calendário independente da Paris Fashion Week (PFW) e que se dedica a dar visibilidade a vozes emergentes, diversas e comprometidas com novas narrativas da moda.

Uma passarela em defesa da floresta

A coleção foi construída como uma homenagem a Chico Mendes, líder seringueiro e ambientalista assassinado em 1988, cuja luta permanece símbolo de resistência na Amazônia. Em cada look, Molina traduziu a força da floresta em matérias-primas sustentáveis e volumetrias impactantes, sem abrir mão do refinamento estético. A estética mistura espiritualidade, resistência política e sofisticação internacional, reafirmando que a moda indígena brasileira é também uma voz global.

Couro certificado de pirarucu e tilápia, látex da seringueira, folhas de vitória-régia e pigmentos vegetais foram aplicados em peças que unem tradição artesanal e design contemporâneo. Silhuetas amplas, bordados manuais e a manipulação cuidadosa das fibras reafirmaram o compromisso da estilista com a valorização do trabalho comunitário e com uma moda que respeita o território.


Roupa usada no desfile da marca Nalimo (Foto: reprodução/Instagram/@molina.ela)


Representatividade na Paris Fashion Week

A presença de Day Molina na PFW é histórica. A estilista, que também atua como ativista pela representatividade indígena, reforça em seu trabalho a ideia de que a moda pode ser uma plataforma de afirmação identitária e de denúncia socioambiental.

No casting, modelos indígenas desfilaram com pinturas corporais inspiradas em tradições ancestrais, ampliando a potência do discurso apresentado na passarela. O desfile foi recebido com entusiasmo pelo público internacional, que reconheceu na coleção não apenas inovação estética, mas também relevância política.

Em entrevista para a Glamour Brasil, Day falou: “Queria falar de justiça climática, sobre aqueles que têm suas vidas ceifadas, suas vozes silenciadas. A Nalimo cumpriu um lindo papel trazendo beleza, mas também a voz de ativismo da natureza e das pessoas que a protegem”.


Roupa usada no desfile da marca Nalimo (Foto: reprodução/Instagram/@molina.ela)


Um novo capítulo para a moda brasileira

A estreia da Nalimo em Paris acontece em um momento em que o mercado global discute sustentabilidade, diversidade e inclusão com cada vez mais força. A coleção se coloca como um manifesto: é possível fazer alta moda com responsabilidade, ética e identidade.

Mais do que roupas, Molina apresentou uma narrativa: a de que o Brasil indígena e amazônico tem lugar central no futuro da moda. Ao homenagear Chico Mendes, ela atualiza sua luta e lembra que a moda pode ser também ferramenta de resistência.


Jonathan Anderson traz ousadia e tradição em sua primeira coleção feminina para a Dior

A espera chegou ao fim: Jonathan Anderson finalmente revelou sua primeira coleção feminina para a Dior, em um desfile marcado por simbologias, releituras históricas e apostas audaciosas. Após comandar a linha masculina da maison, agora ele assume, pela primeira vez desde Christian Dior, a direção criativa de todas as facetas da casa — feminino, masculino e alta-costura.

Um tributo à herança com olhar contemporâneo

O desfile começou com um vídeo-retrospectiva que homenageou os criadores que moldaram a história da Dior — uma abertura intimista que serviu como ponto de partida para a leitura de Anderson sobre a maison. A cenografia reforçou essa proposta simbólica: no centro da passarela, uma pirâmide invertida dominava o espaço, como um elemento suspenso entre o passado e o presente.

As referências à história da marca aparecem revisadas no styling e nas formas: o primeiro look foi um vestido branco sem alças, com saia escultural em aro (hoop skirt) e laços — gesto que remete à tradição Dior, mas interpretado de modo ousado e moderno. Já o look final fez eco ao icônico vestido Juno de 1949, com recortes scalloped, fechando a apresentação com uma ponte estética entre gerações.


Ultimo look do desfile Dior (Reprodução/Julien De Rosa/Getty Imagens Embed)


As peças que remetem ao romantismo histórico — capas, laços, plissados, saias esculturais — aparecem revisadas com cortes inesperados ou combinadas com elementos mais urbanos ou funcionais, como bolsos cargo ou peças com corte utilitário. Essa tensão entre o ornamentado e o prático cria um jogo visual interessante: o vestido volumoso pode vir acompanhado por acessórios discretos ou corte mais rígido, interrompendo o fluxo do “belo” tradicional.


Desfile Dior (Reprodução/Julien De Rosa/Getty Imagens Embed)


Também há uma espécie de “sobreposição de narrativas”: Anderson não apenas exibe roupas, mas sugere personagens e identidades em movimento. A coleção parece dizer que uma mulher Dior pode ser princesa, artesã, exploradora, aristocrata de cocktail, camponesa moderna — tudo em um só vestuário, conforme o toque, o tecido, o styling. 

Destaques estéticos do desfile

  • A reinterpretação da jaqueta Bar em tecidos como tweed Donegal e cortes que alongam ou torcem a forma habitual.
  • Acessórios que roubam a atenção: o retorno do Lady Dior em versão repensada pela artista têxtil Sheila Hicks, transformada em objeto quase escultórico.
  • Bolsas como o Book Tote com capas de obras literárias, o uso de bordados delicados, ornamentos como “Diorette charms” — todos esses detalhes funcionam para reforçar a sensação de que a coleção é tanto visual quanto intelectual, emotiva. 

Desfile Dior (Reprodução/Julien De Rosa/Getty Imagens Embed)


  • Mistura de tecidos nobres: veludo, tweed, bordados, e também tecidos mais cotidianos ou utilitários para balancear o visual.
  • Proporções desconstruídas: volumes exagerados em certas saias ou capas contrastam com cortes mais retos ou justos em outros momentos.
  • A cor: há uma oscilação entre tons clássicos — neutros, pastéis, off-whites — e toques mais ousados de brilho ou textura para destacar certos looks. 

Desfile Dior (Reprodução/Julien De Rosa/Getty Imagens Embed)


O novo capítulo da Dior

A chegada de Anderson ao comando completo da Dior é vista como um movimento ousado e estratégico. Ele se tornou o primeiro designer, desde o próprio Christian Dior, a coordenar simultaneamente as linhas feminina, masculina e de alta-costura da casa. Em sua trajetória, Anderson já havia passado mais de uma década à frente da Loewe, onde consolidou uma estética autoral marcada pela combinação entre tradição e experimentação.

A coleção feminina estreia em uma temporada de alta expectativa — especialmente depois da coleção masculina ser elogiada por unir elementos clássicos da Dior a um espírito mais irreverente. Críticos e observadores de moda esperam agora ver como seu estilo – delicado, conceitual, muitas vezes desconcertante — vai dialogar com o legado da maison, especialmente em peças de forte apelo comercial.

Simone Bellotti reinterpreta o minimalismo na estreia da Jil Sander em Milão

A estreia de Simone Bellotti à frente da Jil Sander, apresentada nesta terça-feira (24), durante o segundo dia da Milão Fashion Week, partiu da reflexão sobre como inserir sua identidade em uma marca conhecida por reduzir e subtrair. Essa resposta se materializou em roupas que, embora respeitem o legado da fundadora, trazem nuances pessoais e contemporâneas.

O legado de Jil e a herança purista

Jil Sander nunca quis ser rotulada como “rainha do minimalismo”. Preferia ser chamada de “purista”, enfatizando a forma, a técnica e a matéria-prima, e não apenas o efeito final. Essa busca pela essência continua sendo a espinha dorsal da marca — e foi justamente esse vocabulário que Bellotti escolheu como base para sua estreia. Em vez de se afastar do passado, o designer italiano decidiu revisitá-lo, adicionando camadas que ampliam a narrativa original.

Bellotti partiu desse vocabulário para construir sua coleção: linhas limpas, silhuetas estruturadas e uma alfaiataria aparentemente simples, mas repleta de detalhes arquitetônicos. Uma saia lápis ganha interesse nas pequenas ancas pontiagudas dos quadris; um vestido básico se reinventa com recortes laterais; e uma malha cropped traduz ausência e subtração. O desfile se apresentou quase como uma aula de matemática — onde equações se transformam em roupas.


Desfile da marca Jil Sander (Foto: reprodução/Gamma-Rapho/Victor VIRGILE/Getty Imagens Embed)


Traços esportivos na alfaiataria

A herança esportiva da marca também esteve presente, sugerindo movimento e energia urbana. Mas Bellotti acrescentou delicadeza e emoção, numa clara lembrança da passagem de Raf Simons pela grife. Silhuetas que acentuam a cintura, tecidos que insinuam romance e uma cartela de cores que equilibra cinzas e pretos com laranja, azul-anil e roxo-berinjela reforçam essa dualidade entre rigor e sentimento. Essa mistura mostra que o essencial pode ser ao mesmo tempo racional e afetivo, trazendo sofisticação e humanidade à coleção.


Desfile da marca Jil Sander (Foto: reprodução/Vittorio Zunino Celotto/Getty Imagens Embed)


Minimalismo como escape

Talvez o gesto mais simbólico tenha sido a inclusão do jeans, tratado não como elemento casual, mas como peça carregada de significado. Em um mundo saturado de estímulos visuais, vestir-se de forma elementar soa como um ato de resistência. O minimalismo, aqui, não é apenas estética, mas uma proposta de escape, um retorno ao que realmente importa. Bellotti parece compreender que a moda contemporânea precisa oferecer espaço para respirar — e a Jil Sander, sob sua condução, se posiciona como refúgio de clareza em meio ao excesso.


Desfile da marca Jil Sander (Foto: reprodução/Vittorio Zunino Celotto/Getty Imagens Embed)


O futuro da Jil Sander sob a visão de Bellotti

A estreia de Simone Bellotti não foi apenas um exercício de continuidade, mas um gesto estratégico que aponta para onde a marca pode caminhar nos próximos anos. Ao mesmo tempo em que honra o legado purista de Jil, baseado na precisão técnica e na obsessão pela forma, Bellotti insere uma camada de emoção e humanidade que reposiciona a grife diante de um cenário global cada vez mais acelerado.

Essa leitura contemporânea do minimalismo sugere uma ruptura sutil, mas poderosa: se nos anos 1990 a simplicidade era um manifesto de disciplina, hoje ela se transforma em ferramenta de escape, um antídoto contra o excesso de estímulos visuais e tendências descartáveis. Bellotti entende que a clareza não precisa ser fria, que a pureza pode ser também afetiva, e que a moda essencial tem espaço para narrativa, romance e movimento.

Ao unir rigor arquitetônico e delicadeza emocional, o designer sinaliza um novo capítulo para a marca alemã — um minimalismo que dialoga com o caos do presente, oferecendo refúgio, sofisticação e relevância. Nesse sentido, a estreia de Bellotti não apenas reforça a identidade da Jil Sander como também a reposiciona no mapa global da moda.