Belém se torna o centro do debate climático global com início da Cop30

A capital paraense se tornou, na última quinta-feira (6), o foco das discussões sobre o futuro do planeta com o início da Cúpula dos Líderes, evento que antecede a COP30. A Conferência do Clima das Nações Unidas se inicia oficialmente nesta segunda-feira (10) no coração da Amazônia, que é a maior floresta tropical do mundo e símbolo da biodiversidade global. Em Belém, chefes de Estado e representantes de dezenas de países se reuniram para debater medidas urgentes contra as mudanças climáticas.

O primeiro dia do encontro foi marcado por altas temperaturas, chuva leve no fim da tarde e um clima político intenso. Os líderes debateram os obstáculos para diminuir as emissões de gases que intensificam o efeito estufa e conter o aquecimento global, que já atingiu patamares críticos.

ONU solicita medidas urgentes

Na cerimônia inaugural do evento, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, proferiu um apelo veemente por medidas efetivas, declarando que a comunidade internacional não conseguiu honrar o compromisso estabelecido no Acordo de Paris (COP21), que visa restringir o aumento da temperatura a 1,5ºC em comparação com a era pré-industrial.

“Chega de discussões. É hora de agir”, declarou Guterres.

Segundo relatório divulgado pela ONU nesta quinta-feira, a temperatura média global entre janeiro e agosto de 2024 ficou 1,42ºC acima da média histórica, superando o limite estabelecido no acordo. O líder classificou o resultado como uma “falha moral e uma negligência mortal” das nações que não cumpriram suas metas ambientais.

Lula reforça compromisso com o meio ambiente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais oradores da sessão de abertura e defendeu que ainda há tempo para reverter o cenário climático.

Em seu discurso, o presidente destacou o papel do Brasil na liderança ambiental e defendeu medidas conjuntas e justas para combater o desmatamento e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. “Estou convencido de que, apesar das dificuldades e contradições, é possível planejar e agir de forma justa para frear o aquecimento global”, afirmou.

Durante a agenda do dia, Lula também se reuniu com o Príncipe William e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, mas, segundo a imprensa britânica, o Reino Unido não deve participar do fundo climático proposto pelo Brasil.


 

Cobertura da Cop30 (Vídeo: reproduçã0/ YouTube/G1)


Do lado de fora da conferência, grupos indígenas realizaram protestos pedindo ações mais efetivas. Entre eles, um artista paraense chamou atenção ao expor esculturas que retratavam líderes mundiais descansando em redes, em uma crítica simbólica à lentidão das ações e à ausência de resultados concretos nas políticas climáticas.

Belém, sede da COP30 em 2025

A reunião de líderes realizada na última semana serviu como uma prévia do que Belém viverá em 2025, a cidade amazônica será palco oficial da COP30. O evento irá reunir representantes e chefes de Estado de diversos países, reforçando o papel do Brasil como protagonista nas discussões globais sobre o clima.

Para o governo federal, o evento é visto como uma oportunidade estratégica para reafirmar os compromissos do país com o desenvolvimento sustentável e evidenciar a importância da Amazônia na regulação climática do planeta. A expectativa é que, até o próximo ano, o Brasil apresente avanços concretos na redução do desmatamento e na transição para uma economia mais verde e inclusiva.

Ano de 2025 pode estar entre os 3 mais quentes desde 1850, diz ONU

Às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que se inicia na próxima segunda (10) em Belém do Pará, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), filiada à ONU, divulgou um relatório sobre os efeitos catastróficos do aquecimento global. O documento publicado hoje (06) revelou que 2025 será o segundo ou terceiro ano mais quente desde o início dos registros, que ocorreu em 1850, atrás apenas de 2024.

Se comparado a 2024, este ano foi marcado pela desintensificação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na região do Equador, o que explica porque o período anterior foi mais quente. Apesar disso, a OMM indicou que, entre junho de 2023 a agosto de 2025, houve 26 meses seguidos de recordes mensais de calor, com exceção de fevereiro de 2025. Da mesma forma, o período de 2015 a 2025 registrou os 11 anos mais quentes da série histórica. A explicação para essas temperaturas superlativas é a sistemática queima de combustíveis fósseis, apontou o documento.

Entre outros números alarmantes, o relatório apontou o aumento da concentração de gases de efeito estufa e do degelo das calotas polares e a preocupante incidência de eventos climáticos extremos.

Planeta ultrapassa 1,5ºC

Embora a temperatura média global da superfície terrestre, desde janeiro deste ano, tenha sido menor do que a do período passado (1,42 °C. em 2025, contra 1,55 °C, em 2024), especialistas já consideram praticamente impossível que a população global limite o aquecimento global, nos próximos anos, a 1,5 °C. Em outras palavras, a humanidade fracassou em impedir que o planeta aqueça mais de 1,5 °C nos quase 300 anos desde que houve a Revolução Industrial, o que, se à primeira vista pode parecer inofensivo, na realidade, representa riscos fatais e sofrimento para centenas de milhões de indivíduos.

O limite de 1,5ºC foi estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015 para evitar impactos extremos do clima, como secas, elevação do mar e colapso de geleiras.

Em cada ano em que se ultrapassar o limiar de 1,5 °C, as economias serão severamente afetadas, as desigualdades se agravarão e ocorrerão danos irreversíveis“, declarou secretário-geral da ONU, António Guterres, hoje em Belém.


O presidente Lula e o secretário-geral da ONU, António Guterres (Foto: reprodução/Wagner Meier/Getty Images Embed)


Especialistas alertam, porém, que, embora o aumento térmico já seja uma realidade, é possível e fortemente encorajado que se trabalhe para que, ao final do século XXI, esse aumento esteja controlado.

Ainda é totalmente possível e essencial reduzir as temperaturas para 1,5 °C até o final do século“, disse Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

2025 é marcado por eventos climáticos extremos

O aumento térmico presenciado já deixou, ainda neste ano, impactos destrutivos ao redor do mundo, à medida que influencia as dinâmicas climáticas planetárias e gera desequilíbrios catastróficos. A destruição da natureza afeta a economia, alimentação, saúde e tira milhares de vidas a cada ano.

As enchentes no Texas (Estados Unidos), em julho, deixaram 135 mortos, o pior desastre do tipo em quase meio século. 

Na região do Mar Mediterrâneo, uma onda de calor entre junho e agosto fez os termômetros atingirem 50,5 °C na Turquia e gerou incêndios que afetaram a agricultura e turismo. 

Na África, milhares de pessoas perderam suas casas devido a ciclones e inundações em Moçambique, República Democrática do Congo e África do Sul, enquanto que cerca de 1,5 milhão de paquistaneses e indianos tiveram de se deslocar por conta de enchentes na Ásia.

No Brasil, a Amazônia e o Centro-Sul sofreram com seca prolongada, ocasionando incêndios florestais e submetendo a risco os serviços de abastecimento de água e energia.

Para que os próximos anos não continuem a registrar recordes negativos, o documento da OMM divulgado hoje clamou pela priorização de energias renováveis.

 

Relatório aponta que mais de 3 milhões de pessoas morrem por conta do calor e poluição

Na quarta-feira (29/10), foi publicado na revista científica “The Lancet” o relatório da “Lancet Countdown on Health and Climate Change”. Esse relatório é sobre os impactos do calor e poluição, se utiliza de estudos de pares, que é quando é avaliado por outros especialistas antes da publicação. A colaboração é entre a University College London e é produzida em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A revista serve para divulgar descobertas científicas e médicas confiáveis, baseadas em estudos revisados por pares, como citado acima. Esse relatório conta com a contribuição de 128 especialistas de mais de 70 instituições acadêmicas e agências da ONU. O ano de 2024 foi o mais quente da história e o primeiro a ultrapassar a marca de 1,5 °C de aumento na temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais, isso tudo por conta do aquecimento global. Esse estudo discute os efeitos do aquecimento global e a relação de mortes desde os anos 1990 até 2024.

Calor e poluição causadores de mortes

O relatório aponta que as ameaças das alterações climáticas à saúde atingiram níveis sem precedentes. A revista “The Lancet” usa essas informações para destacar uma crítica à incapacidade de conter os efeitos do aquecimento global, que, por conta dele, levou a um aumento de 23% nas mortes relacionadas ao calor desde os anos 1990, falecendo 546 mil pessoas anualmente. Ela informa que dos 20 indicadores utilizados para analisar os riscos para a saúde e os impactos das alterações climáticas, 13 estabeleceram novos e preocupantes recordes no último ano. E um dos principais destaques do relatório é o aumento no número de dias de calor extremo anualmente, e como isso já impacta a saúde da população, levando à morte. O levantamento informa que cada pessoa esteve exposta, em média, a um recorde de 16 dias de calor extremo em 2024. Em locais como o norte da América do Sul e partes da África Subsaariana, o período de onda de calor superou os 40 dias.


Pessoa sofrendo com o calor (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Simplelmages)


O Brasil sofreu, em média, 15,6 dias de onda de calor extrema. Esse cenário é muito preocupante. Entre os anos de 2012 e 2021, o país registrou uma média anual de 3,6 mil mortes provocadas pelo calor, valor estimado de 4,4 vezes maior do que o observado na década de 1990. E, com isso, aproximando-se da média do mundo. Desses 94%, não teriam acontecido se não fossem por conta das mudanças climáticas. Também podemos ressaltar no relatório que as condições climáticas mais quentes e secas também contribuem para o aumento dos incêndios florestais. No Brasil, de 2020 a 2024, as pessoas enfrentaram uma média de 41 dias por ano, classificadas por esse estudo como de alto risco de incêndios florestais, isto é, um aumento de 10% em relação ao período de 2003 a 2012. Já outra forma de se combater esse problema é a transição energética, que surge como uma solução importante. O relatório comprova que cerca de 160 mil vidas são salvas anualmente como resultado da produção de energia por fontes renováveis.

COP30

A COP (Conference of the Parties) é uma reunião anual da ONU onde líderes mundiais, cientistas, ativistas e empresas discutem metas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Também discutem formas de proteger o meio ambiente e limitar o aquecimento global a 1,5 °C, que era a temperatura na era pré-industrial, isso tudo seguindo o Acordo de Paris de 2015. Esse ano, a reunião ocorrerá em Belém do Pará, no Brasil, no mês de novembro. E, pela primeira vez na história, a COP será realizada na Amazônia, tendo forte simbolismo, já que a região é essencial para o equilíbrio climático do mundo.


Vídeo do governo promovendo a COP30 que vai ocorrer em Belém (Vídeo: Reprodução/Youtube/governo do Brasil)


Para concluir, os incêndios florestais provavelmente estarão na agenda da COP30, considerando especialmente que o local do encontro fica na Amazônia, e esses incêndios causam mortes e poluição atmosférica. A COP 30 vai repercutir os números e as informações trazidas pelo relatório da Lancet Countdown on Health and Climate Change, e com esse relatório podemos afirmar a gravidade que tem esse aumento de temperatura para a saúde da população mundial. Esses dados da Lancet dão um direcionamento na criação de estratégias de alerta precoce para o calor e incêndios, isso é, não somente cortando as emissões, mas também preparando que os compromissos tenham impactos reais, utilizando-se de energias renováveis, entre outras formas. E, portanto, auxiliando o debate e assim, encontrar um equilíbrio para diminuir esse impacto que tem afetado tanto a saúde das pessoas.

ONU alerta para nível histórico de concentração de dióxido de carbono na atmosfera

De acordo com registros da ONU (Organização das Nações Unidas), o nível de concentração de dióxido de carbono, o CO2, na atmosfera terrestre foi o maior já registrado na história no ano de 2024, com um aumento considerável em relação aos anos anteriores. O relatório com esses dados foi divulgado nesta quarta-feira (15) pela ONU e pela OMM (Organização Meteorológica Mundial).

No relatório, a ONU afirmou que esse é o maior nível de CO2 já registrado na atmosfera terrestre desde 1957, quando se iniciaram as medições modernas sobre a concentração desse gás. Em 2023, a OMM havia afirmado que esse foi o ano mais quente já registrado na história.

Efeitos do aumento da concentração

Segundo a OMM, os novos recordes foram dos três principais gases responsáveis pelo efeito estufa, sendo eles: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. O aumento desses gases, principalmente o CO2, foi causado pelas ações humanas e pelo aumento dos incêndios florestais. 

Os níveis de concentração de CO2 impactam o clima atual e dos próximos séculos, podendo ter efeitos a longo prazo. Esses altos níveis aumentam a temperatura global da Terra, o que é prejudicial para muitos ecossistemas. As organizações também alertaram para a diminuição de absorção de dióxido de carbono por ecossistemas terrestres e pelos oceanos, o que pode virar um “ciclo vicioso”.

Ainda de acordo com o relatório, as taxas do crescimento de concentração de CO2 triplicaram desde a década de 60, tendo um aumento de 0,8 ppm para 2,4 ppm entre 2011 e 2020. Nos últimos dois anos, 2023 e 2024, houve um aumento de 3,5 ppm na concentração média global de CO2, sendo o maior nível desde o início das medições em 1957.

Fenômenos naturais e incêndios florestais

O aumento dos níveis de concentração de CO2 na atmosfera terrestre se deve à baixa absorção do dióxido de carbono e pelo aumento dos incêndios florestais ao redor do mundo, que liberam altas concentrações de gás CO2 para a atmosfera. Os ecossistemas terrestres e os oceanos têm absorvido menos CO2.


Incêndios florestais se tornaram recorrentes nos últimos anos, agravados pelas secas (Foto: reprodução/Lynsey Addario/National Geopraphic Image Collection)

Os oceanos têm dificuldade para absorver o CO2, que é armazenado por esses ecossistemas de forma temporária, devido à menor solubilidade em águas mais quentes. A temperatura do oceano também aumentou devido à escala da temperatura média global. Os incêndios florestais são intensificados com as constantes secas, que também dificultam a absorção desses gases.

Por conta desses desequilíbrios ambientais e do aumento da temperatura global, alguns fenômenos naturais têm se intensificado, como El Niño e La Niña, fenômenos esses que estão sofrendo mudanças por conta das mudanças climáticas. O aumento da temperatura global, ocasionado pelos gases do efeito estufa, podem ocasionar mais desastres naturais e intensificar tempestades. 

Lula confirma envio de convite a Trump para participação na COP30 em Belém

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quarta-feira (13) que enviou uma carta convidando o presidente americano Donald Trump. O convite é para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, também conhecida por COP30, visto que é o 30ª encontro. O evento, marcado para novembro em Belém (PA), reunirá líderes mundiais para discutir medidas urgentes contra o aquecimento global.

A princípio, Lula destacou que a conferência será o momento para países como o Brasil cobrarem ações concretas das nações mais ricas. Ele lembrou que, desde 2009, líderes prometeram US$ 100 bilhões (R$ 537 bilhões) anuais para a preservação das florestas, mas o recurso nunca foi entregue.

Clima político e críticas aos EUA

Além do tema ambiental, Lula reagiu a um relatório do Departamento de Estado dos EUA que aponta retrocessos nos direitos humanos no Brasil. Nesse ínterim, o presidente disse que “ninguém está desrespeitando regras” e acusou a capital Washington de criar “imagens de demônio” contra países com os quais deseja confronto. Ele defendeu o Judiciário brasileiro e rejeitou a acusação de desrespeito à Constituição.

O documento americano também critica a prisão de apoiadores de Jair Bolsonaro, investigado por tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito. Lula rebateu e afirmou que o Brasil não aceitará rótulos injustos no cenário internacional e que o Judiciário brasileiro é um órgão “autônomo” que garante a Constituição brasileira.

BRICS e novos desafios comerciais

Anteriormente, Lula ainda confirmou que pretende convencer países integrantes do BRICS a negociarem sem depender do dólar americano, criando uma moeda própria para o comércio. A decisão surge em meio a tensões comerciais após Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida que o governo avalia retaliar com reciprocidade.


ONU convoca reunião extraordinária com Brasil (Vídeo: reprodução/YouTubee/CNN Brasil)

Na pauta ambiental, o presidente brasileiro prometeu foco na poluição plástica durante a COP30, embora o Brasil não tenha aderido ao “Apelo de Nice” durante a Conferência da ONU sobre os Oceanos, na França. Já o BRICS pediu que países desenvolvidos ampliem o financiamento climático, propondo US$ 1,3 trilhão até o encontro de Belém.

Junho é considerado o 3º mais quente, com recordes de calor

Em comunicado publicado nesta terça-feira (8), foi confirmado pelo observatório Copernicus que junho foi o 3º mês de junho a registrar temperaturas acima do nível pré-industrial. O observatório Copernicus é o programa responsável da União Européia por realizar o monitoramento do clima da Terra, em especial o clima europeu.

De acordo com a divulgação, a temperatura atingida no mês foi de 1,30°C acima da média usada para referência. O nível pré-industrial é usado pelos cientistas como referência para observar e acompanhar a alta da temperatura climática. 

Desequilibrio climático

Enquanto no hemisfério norte se observavam temperaturas acima da média para o verão, no hemisfério sul as temperaturas caíram mais do que o esperado para a temporada. 

Na Argentina e no Chile, as temperaturas caíram drasticamente e registraram uma onda de frio polar. Uma massa de ar frio proveniente da Antártica atingiu a Argentina, afetando diversas cidades com o clima gelado.

Já na Ásia Central, os registros demonstraram valores menores do que o estimado. Mesmo com o clima tão distinto em diferentes partes do planeta, a tendência é que as temperaturas mundiais cresçam cada vez mais e a média se intensifique. Diversos impactos podem ser previstos no cotidiano humano, principalmente na saúde das pessoas e na agricultura, acarretando outros problemas em sistemas que dependem dos dois citados.


Ventilador borrifa água para refrescar as pessoas em Roma, na Itália. (Foto: reprodução/TIZIANA FABI/Getty Images Embed)


Verão europeu e Mediterrâneo quente

A temporada de verão na Europa ocorre entre os meses de junho e setembro, contando normalmente com temperaturas mais altas, especialmente no sul do continente. Entretanto, os marcadores de temperatura ultrapassaram o que seria considerado normal para essa época do ano, sendo junho o ano mais quente da história. 

Na Espanha, a temperatura ultrapassou a marca de 40ºC no fim de junho, enquanto Portugal sofreu com a sensação térmica atingindo 46ºC. 

Paralelamente, os níveis elevados de temperatura do Mediterrâneo também aumentaram e influenciaram diretamente essa onda de calor vista em países europeus. Em destaque, o Mediterrâneo Ocidental registrou 27ºC, a maior temperatura diária do mar já registrada e sendo considerado uma marca histórica, com uma anomalia de 3,7ºC superior a média.

A relação entre os dois fenômenos ocorre devido ao fato de que quanto mais quente a temperatura dos oceanos, mais calor é transferido para a atmosfera através do processo de evaporação.

Reunião do BRICS questiona financiamento climático dos países

O encontro entre os líderes do bloco econômico BRICS ocorreu nesta segunda-feira (7), na cidade do Rio de Janeiro. Durante o encontro foi divulgada uma declaração conjunta pedindo que os países desenvolvidos ampliem substancialmente o financiamento climático. 

Líderes de países como a África do Sul e Índia marcaram presença, enquanto Vladimir Putin não veio, mas participou da reunião remotamente. O grupo pediu através de uma declaração, um valor de US$1,3 trilhão até o acontecimento da COP30 no final deste ano. Além disso, foi citado neste documento pelo bloco também uma “falta de ambição” por parte de países industrializados em diminuir as emissões dos gases estufas, o que atrasa exponencialmente o combate às mudanças climáticas. 

Acordo de Paris e cooperação global

Na declaração, é citado também o Acordo de Paris, um tratado assinado em 2015, durante a COP21 na França. O acordo tem como objetivo limitar o aquecimento global em bem menos de 2ºC acima dos níveis pré-industriais e de concretizar objetivos para que a temperatura mundial não aumente mais que 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. 

O documento faz destaque ao papel do Acordo de Paris no fortalecimento do multilateralismo e na construção de uma base para a cooperação global, em busca de enfraquecer a crise climática. De acordo com o bloco, a responsabilidade pelo financiamento seria dos países desenvolvidos, apoiando os países emergentes – sem gerar impactos negativos em suas economias internas. 

O apoio deve ser baseado em doações e acessível às comunidades, como diz a declaração, alertando também contra um possível endividamento das economias dessas nações. É reforçado no documento que todos os recursos arrecadados serão direcionados a reservas conectadas à UNFCCC.


Chefes de Estado e de governo dos países membros do BRICS participam de reunião no Rio de Janeiro (Foto: reprodução/PABLO PORCIUNCULA/Getty Images Embed)


Participação do capital privado e do mercado de carbono

O grupo ressaltou também a relevância do capital do privado e do mercado de carbono na promoção de políticas voltadas ao tema. A participação do capital privado deve acontecer como uma ferramenta no financiamento climático, por meio de linhas de créditos mistos. 

O mercado de carbono, paralelamente, é visto como um recurso estratégico para incentivar a iniciativa privada nos investimentos relacionados a transição para um modelo econômico sustentável.

Global Citizen: Amazônia confirma Anitta, Chris Martin e mais atrações em Belém

Em 1º de novembro de 2025, o Estádio Olímpico do Pará, em Belém, será palco do Global Citizen Festival: Amazônia, uma edição inédita do festival beneficente internacional promovido pela organização Global Citizen.

Criado com o propósito de combater a pobreza extrema e promover a justiça climática, o evento reunirá artistas de renome e lideranças indígenas em uma programação que alia cultura, ativismo e engajamento ambiental.

Artistas confirmados no line-up

Pela primeira vez realizado na Amazônia, o festival marca a ampliação do alcance do movimento Global Citizen, que desde 2015 realiza sua edição principal em Nova Iorque.

A escolha de Belém como sede está diretamente relacionada à realização da COP30, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, também prevista para acontecer na capital paraense em 2025.

Entre os destaques do line-up estão Chris Martin, vocalista do Coldplay e curador do evento, e os brasileiros Anitta, Seu Jorge e Gaby Amarantos. Segundo a organização, outros artistas serão anunciados no decorrer do ano.


Festival beneficente reunirá grandes nomes da música em Belém (Foto: reprodução/Instagram/@glblctzn)


Além das apresentações musicais, o festival contará com a participação de lideranças indígenas, como o Cacique Raoni Metuktire, reforçando a proposta de dar visibilidade às vozes tradicionais da região e destacar sua atuação na preservação ambiental.

Os ingressos serão gratuitos e destinados exclusivamente aos moradores do estado do Pará. Segundo a organização, o evento faz parte da campanha Proteja a Amazônia, uma mobilização global visando arrecadar US$ 1 bilhão para proteger, restaurar e revitalizar a floresta, além de cobrar compromissos concretos dos chefes de Estado presentes na COP30.

Evento usará tecnologias sustentáveis

Com parcerias que incluem Live Nation, Rock World, Re:wild e apoio de entidades como Bezos Earth Fund, Open Society Foundations e o governo do Pará, o Global Citizen Festival: Amazônia promete ser um dos eventos mais sustentáveis já realizados na América do Sul. A organização adota medidas para reduzir o impacto ambiental em áreas como transporte, energia e produção.

O palco principal terá um sistema de bateria móvel recarregável por energia solar, tecnologia implantada pelo Coldplay em sua turnê mundial “Music of the Spheres”. Como parte do legado de inovação sustentável, este item permanecerá no Brasil e poderá ser utilizado em outros eventos ao longo de 2026.


Chris Martin durante show do Coldplay pela turnê “Music of the Spheres” (Foto: Harry Herd/Getty Images embed)


Materiais reutilizáveis e recicláveis auxiliarão na coleta de resíduos. Além disso, os alimentos não consumidos pelo público serão doados à população mais necessitada.

Referente ao transporte, a produção irá contratar equipes locais para conduzir a logística e rastreará a emissão de carbono, visando mitigar o impacto ambiental durante a realização do evento.

Aumento do nível do mar surpreende cientistas da Nasa

O ano de 2024 foi o mais quente desde 1850, quando começaram os primeiros registros de temperatura do planeta. Uma das consequências disso é o aumento do nível do mar, devido ao derretimento das geleiras. O fator alarmante é que em nenhum ano anterior o mar subiu tanto.   

O aumento do nível dos oceanos surpreendeu até pesquisadores da Nasa. Em estudos divulgados nesta quinta-feira (13), a agência espacial norte-americana afirma que a elevação do mar atingiu 59 centímetros, em 30 anos, muito além dos 43 que eram esperados.

Cientistas explicaram que essa elevação se deu porque o cálculo de derretimento inverteu. Até 2023, dois terços, ou seja, 66% da subida do nível, vinha do descongelamento das geleiras, enquanto 33% eram atribuídos à expansão térmica do mar, que significa o aumento de um material devido ao calor. Em 2024, os dois terços de crescimento aconteceram diretamente devido à expansão térmica dos oceanos.   

Causas

O aquecimento global é o principal causador desse aumento. A liberação de dióxido de carbono, principalmente pela queima de combustíveis poluentes, geram o efeito estufa, que retem na atmosfera todo calor recebido pelo sol, aumentando a temperatura do planeta. Com os dias sequencialmente mais quentes, menos chuvas e maior consumo de eletricidade, cria-se um círculo sem fim: mais poluição, mais calor e, como resultado, maior derretimento e expansão do mar.  


Ruas alagadas (Foto: reprodução/Chandan Khanna/Getty Images Embed)


Consequências

 Inundações e erosões costeiras, ecossistemas, como manguezais, dunas úmidas e pântanos, serão atingidos drasticamente. Tempestades, tufões e furacões também entram no pacote de consequências do aquecimento global, que trará ainda mais danos a uma região alagada.

O estudo divulgado pela Nasa aponta que se a elevação do nível do mar continuar nesse ritmo, 30% das zonas costeiras serão permanentemente alagadas, e cidades como Rio de Janeiro, Xangai, Hong Kong e Jacarta enfrentarão zonas completamente submersas.

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em agosto, aponta que os riscos de entrada de água salgada em rios e aquíferos são altíssimos e 14 milhões de pessoas que vivem em zonas litorâneas serão diretamente atingidas. 

Groenlândia vem despertando interesse de Donald Trump, entenda

A Groenlândia voltou a chamar a atenção de Donald Trump. Em 2019, o então presidente dos Estados Unidos ofereceu cerca de 100 milhões de dólares pela maior ilha do mundo. Agora, Trump retomou o assunto e afirmou que considera o território fundamental para a segurança nacional dos Estados Unidos. Ele chegou a mencionar a possibilidade de usar força militar para obter o controle da ilha.

Influência do aquecimento global

A Groenlândia, localizada no Ártico, tem ganhado relevância estratégica em meio ao agravamento do aquecimento global. O derretimento das geleiras na região ocorre em ritmo acelerado, cerca de três vezes mais rápido que no restante do mundo. Esse processo transformou a ilha em uma rota estratégica para o tráfego marítimo internacional.

Há poucas décadas, o período de navegação no Ártico durava, no máximo, 20 dias ao ano. Atualmente, esse período foi ampliado para quatro meses, permitindo a passagem de navios durante um tempo consideravelmente maior. Essa mudança atrai o interesse de grandes potências, como China e Rússia, que têm aproveitado as novas rotas para expandir seu comércio marítimo e sua presença no Ártico.

Além da relevância geopolítica, a Groenlândia também desperta interesse por seus abundantes recursos naturais, incluindo minerais raros e petróleo. Para Trump, o controle da ilha poderia fortalecer a posição dos Estados Unidos no cenário internacional, tanto em termos de segurança quanto de acesso a recursos estratégicos.


Foto do derretimento que acontece na Groenlândia (Foto: reprodução/x/@newsliberdade)

Interesse de Donald Trump

As declarações de Trump geraram debates sobre a soberania da Groenlândia, que é uma região autônoma sob jurisdição da Dinamarca. O governo dinamarquês já rejeitou qualquer possibilidade de venda da ilha, enfatizando sua importância histórica, cultural e ambiental.

O interesse renovado de Trump pela Groenlândia ressalta a crescente disputa por influência no Ártico, uma região que, além de ser fundamental para o equilíbrio ambiental global, está se tornando um foco de rivalidade entre as potências mundiais.