Trump afirma manter contato diário com a China em meio a tensões internacionais

O presidente americano Donald Trump, em entrevista a jornalistas na Casa Branca, na última quarta-feira (23), informou que seu contato com autoridades chinesas é diário e que mantém uma boa relação com o país asiático. 

A declaração de Trump ocorre em meio à guerra comercial deflagrada pelo governo americano após as tarifas impostas a dezenas de países em todos os continentes serem anunciadas. As taxas variam de 10% a 245%, sobre a importação de produtos diversos. 

No caso da China, a tarifa inicial era de 34%. Em meio às retaliações tarifárias entre EUA e China, atualmente as taxas impostas aos chineses pelos americanos podem chegar a até, 245%.

De acordo com um documento explicativo divulgado pelo Governo Trump recentemente, o aumento da taxa ao país asiático ocorre devido à soma tarifária aplicada pelos EUA à China. No caso, são 125% de tarifa recíproca, 20% relacionado à crise do fentanil e uma tarifa que varia de 7,5% a 100% sobre determinados produtos, relacionados à Seção 301  da Lei de Comércio Americana.

Apesar das conversas diárias com o governo de Xi Jinping, Donald Trump diz que as tarifas serão reduzidas, mas que não chegarão a zero e que, apesar de manter uma boa relação com o líder chinês, entende que a China possui um comércio “muito unilateral”. Ainda assim, espera chegar a um acordo ou definir um preço em breve. 

Respeito mútuo 

Apesar das declarações do presidente Donald Trump de que mantém conversas amistosas com o presidente chinês Xi Jinping diariamente, Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA, vê a guerra tarifária entre os dois países com preocupação. 

Em declaração aberta, na data de ontem, quarta-feira (23), Bessent ressaltou que “America First” não significa “América sozinha ou isolada” e fez um apelo ao respeito e colaboração comercial entre os países. 

Ainda, segundo  Bessent, a China precisa mudar e sabe disso. Informando que os EUA estão dispostos a ajudar pois é necessário reequilíbrio. 


Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA em declaração no IIF (Vídeo: reprodução/X/@SecScottBessent)

Além de Bessent, Jerome Powell, presidente do Banco Central Americano (FED), também avalia que as políticas tarifárias de Donald Trump precisam de equilíbrio para não sobrecarregar o sistema financeiro do país. 

Resposta chinesa

 Enquanto os EUA estão otimistas com um possível acordo comercial e tarifário com a China, Lin Jian, Vice-diretor do Departamento de Informação do Ministério de Relações Exteriores da China, declarou em suas redes sociais que o Governo Trump estão “empurram as relações internacionais de volta para a lei da selva”. 

Para Jian, os EUA violam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao utilizar “tarifas como armas” e que a China, “não busca apenas os seus interesses”, mas  “as regras do sistema internacional”.  


Publicação de Lin Jian sobre a política tarifária de Donald Trump (Foto: reprodução/X/@SpoxCHN_LinJian)

Em outra publicação, Lin Jian, declara que os EUA perderam o apoio popular, isolando-se da comunidade internacional e que os países precisam se unir para defender o multilateralismo e as boas relações comerciais. 

Em meio a guerra comercial entre EUA e China, o presidente Xi Jinping anunciou a flexibilização tarifária à investidores estrangeiros de diversos setores visando o fortalecimento do comércio interno e do setor industrial chinês.

Michelle Obama revela motivo de ausência na posse de Donald Trump

Ex-primeira dama dos Estados Unidos Michelle Obama quebrou o silêncio nesta quarta-feira (23) sobre sua ausência na posse de Donald Trump no início do ano. Em entrevista ao seu podcast, ela afirmou que dizer “não” foi um ato de autonomia pessoal. A decisão, segundo ela, visava preservar o próprio bem-estar, mesmo diante das especulações sobre uma possível crise no casamento com Barack Obama.

Michelle Obama em entrevista ao podcast

Em uma recente entrevista, Michelle Obama revelou os motivos que a levaram a não comparecer à posse de do atual presidente, quando seu marido, o ex-presidente Barack Obama, participou do evento sozinho. A ausência da ex-primeira-dama gerou rumores de uma possível crise conjugal, nunca confirmada. Agora, Michelle compartilha sua perspectiva sobre essa escolha pessoal e simbólica.

Durante seu podcast IMO, Michelle classificou a decisão como “a escolha certa para mim”. Sem entrar em detalhes políticos, ela explicou que queria, pela primeira vez, tomar uma decisão que refletisse seus próprios sentimentos, sem ceder à pressão externa.

“Precisei de tudo o que estava ao meu alcance para não fazer o que era percebido como certo, mas fazer o que era certo para mim”, afirmou.

Com determinação, ela evitou qualquer preparação para o evento, inclusive decidindo não providenciar uma roupa.

“Eu pensei: se não vou, preciso dizer à minha equipe que não quero nem ter um vestido pronto”


Foto destaque: Barack e Michelle Obama (reprodução/Instagram/@michelleobama)

Os desafios de saber falar não

Michelle ainda refletiu sobre o desafio de dizer “não”, algo que, segundo ela, precisa ser aprendido.

“É um músculo que você precisa desenvolver. E acho que sofremos porque começamos a treinar tarde para isso”

Em outra participação, no podcast Work in Progress, da iHeart Radio, Michelle abordou pela primeira vez os boatos sobre um possível divórcio com Barack Obama. Ela atribuiu os rumores à sua autonomia recente, afirmando que, ao priorizar a si mesma, as pessoas presumiram uma crise conjugal.

“É a primeira vez na minha vida que todas as minhas escolhas são para mim”

A ex-primeira-dama destacou a pressão social que muitas mulheres enfrentam ao tomar decisões que podem decepcionar os outros. Segundo ela, esse processo de autonomia e autoconhecimento tem sido uma jornada de libertação pessoal.

Lula diz que Brasil não está mais “de costas” para América do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do presidente do Chile, Gabriel Boric, criticou a política migratória dos Estados Unidos que se tornou mais rigorosa sob o governo de Donald Trump. Após assinatura de atos com Boric, Lula afirmou em discurso que Trump trata os latino-americanos como inimigos.

Depois de ajudar a construir a riqueza americana, aparece um presidente que trata eles (os imigrantes) como inimigos. Latino-americano agora é tudo inimigo. Vai todo mundo embora, que os Estados Unidos é dos Estados Unidos”

Lula falou que o Brasil, antes de costas para a América do Sul, só olhava para a União Europeia e para os Estados Unidos, no entanto, esta posição mudou. De acordo com o presidente, os vizinhos sul-americanos também olhavam “por cima” do Brasil e miravam nos EUA.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: reprodução/Vinícius Schmidt/Metrópoles)

Era como se nós fôssemos possíveis inimigos. Eu conto sempre que o presidente Chávez (Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela), antes de ser presidente, ele era da Academia Militar da Venezuela, e como acadêmico e professor, ele me dizia que, durante muito tempo, as aulas que ele dava para os militares da Venezuela eram de que o Brasil era o inimigo. Era com o Brasil que a América do Sul tinha que se preocupar, não era nem com os espanhóis, que foram colonizadores, e muito menos com os Estados Unidos ou os ingleses. Era o Brasil. E isso aconteceu em outros países”

De acordo com o presidente, enquanto o Brasil e a América do Sul estavam de costas um para o outros, bajulavam países mais ricos e desprezavam os pobres. Lula afirmou ser uma pessoa “obcecada pela integração”. “Hoje, uma pessoa, se tiver um parente muito pobre, não convida nem para o aniversário, nem para o batizado. Porque se convoca, normalmente, aquela pessoa que tem mais posse.”, disse.

Integração sul-americana

Lula apoiou a integração dos países da América do Sul e disse que para se liderar um país, deve-se manter relações com outros chefes de Estado independente de suas posições políticas

Eu não quero saber se o meu adversário ali do lado ou se o meu oponente do outro lado, se ele é presidente, se é de direita ou de esquerda. Eu quero saber que ele é presidente de um país e eu quero manter com ele uma relação de chefe de Estado. E por isso eu preciso criar instituições sólidas que, independentemente do governo, funcionem”

Questões migratórias no governo Trump

Desde o começo de seu mandato, Donald Trump intensificou medidas contra a imigração ilegal nos Estados Unidos. Trump prometeu deportar um número recorde de imigrantes sem documentos que vivem no país.


Presidente americano Donald Trump (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)

 A postura do republicano mostra que o presidente busca cumprir suas promessas de campanha em relação às questões migratórias.

Trump muda versão do surgimento da Covid-19 em publicação no site da Casa Branca

Após os “tarifaços” do atual governo de Donald Trump tomarem conta dos noticiários, chegou a vez de resgatar assuntos relacionados à pandemia de Covid-19, que assolou o mundo em 2020. Uma atualização realizada nesta sexta-feira (18) no site da Casa Branca muda a versão, até então oficial, acerca das origens do vírus Sars-Cov-2.

Dados disponíveis coletados e analisados por especialistas que visitaram a cidade chinesa de Wuhan confirmaram a origem animal do vírus e que este teria sido transmitido de animais para humanos, o que deflagrou sua disseminação a níveis mundiais.


Mercado de Wuhan, China (Foto: Reprodução/Getty images embed)


Segundo a atual versão do site da Casa Branca, alterada nesta sexta, o vírus teria surgido a partir do vazamento de um laboratório de Wuhan, a partir de um incidente laboratorial e não de forma natural como constava anteriormente na versão descrita pelo governo de Joe Biden. 

“Lab Leak – a verdade sobre as origens da Covid-19”

O título acima descrito e uma fotomontagem de Donald Trump no meio da palavra “Lab Leak”, ilustram uma página inteira da Casa Branca sobre o assunto. O texto, organizado em ordem numérica, mostra desde a origem a um mapa determinando a distância entre o laboratório e o mercado municipal (Wuhan), local onde houve a disseminação do vírus. 


Organização Mundial da Saúde (Foto: Reprodução/Fabrice Coffrini/Getty images embed)


A publicação tem notadamente o objetivo de refutar o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado em 2021 que descartava um vazamento em laboratório, em especial pelo fato de as investigações terem resultados inconclusivos devido à falta de dados pedidos a China. O texto do relatório, no entanto, indica que os dados disponíveis demonstram que a Covid-19 deve ter surgido provavelmente de morcegos.

Narrativa preferida dos democratas

Em meio a acusações que sugerem a ocultação de outras versões por parte do então infectologista assessor médico de Biden, Anthony Fauci, o presidente Donald Trump ainda acusa o ex-presidente de se utilizar de uma narrativa de favorecimento aos democratas quando defende a teoria de que o vírus tenha surgido de forma natural. Ele alega também que o infectologista se baseou em apenas um estudo para tomar atitudes de combate ao vírus.

“A publicação ‘A Origem Proximal do Sars-Cov-2’ – que foi usada repetidamente por autoridades de saúde pública e pela mídia para desacreditar a teoria do vazamento de laboratório – foi motivada pelo Dr. (Anthony) Fauci a promover a narrativa preferida de que a Covid-19 se originou naturalmente”, diz a publicação. 

Após o relatório inicial, pesquisadores chineses retomaram as análises e divulgaram em 2023 que havia material genético de animais selvagens em amostras do mercado de frutos-do-mar, confirmando a hipótese de que o vírus tenha sido transmitido de animais para humanos. Outros estudos também indicam essa probabilidade, quase indicando um consenso. 

EUA ampliam triagem em redes sociais de quem solicita visto após passagem por Gaza

Solicitantes de visto dos Estados Unidos que estiveram na Faixa de Gaza a partir de 1º de janeiro de 2007 passam, a partir desta quinta-feira (17/04), a ter suas redes sociais analisadas. A medida foi determinada em todos os consulados norte-americanos por meio de um telegrama interno do Departamento de Estado, assinado pelo secretário Marco Rubio. A decisão foi tomada durante o governo do ex-presidente Donald Trump, com o objetivo de intensificar o controle de entrada de estrangeiros no país.

Segundo o documento obtido pela agência Reuters, todos os pedidos de visto — tanto de imigrantes quanto de não imigrantes — serão submetidos a essa triagem, incluindo aqueles de trabalhadores humanitários e diplomatas. A ordem se estende a qualquer pessoa que tenha estado no enclave palestino, independentemente da finalidade da visita.

Vistos podem ser barrados após análise de segurança

Segundo o telegrama, caso sejam encontradas informações “potencialmente depreciativas” nos perfis analisados, será necessário o envio de um SAO (Security Advisory Opinion). Essa ferramenta consiste em uma investigação interinstitucional que avalia se o requerente do visto representa ameaça à segurança nacional dos EUA.

A decisão foi tomada após a revogação de centenas de vistos pelo governo Trump, incluindo documentos de residentes permanentes legais. A medida foi embasada na Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952, que autoriza a deportação de estrangeiros cuja presença seja considerada prejudicial à política externa americana.

Monitoramento atinge organizações humanitárias

O monitoramento das redes sociais dos solicitantes de visto dos EUA também inclui funcionários de organizações não governamentais que atuam ou tenham atuado em Gaza. Mesmo pessoas com funções diplomáticas podem ter seus pedidos afetados, dependendo da avaliação feita durante o processo.


Emblema do Departamento de Estado dos EUA26/01/2017 (Foto: reprodução/Joshua Roberts)

Até o momento, o Departamento de Estado norte-americano não se pronunciou oficialmente sobre a medida. O telegrama com as diretrizes foi enviado a todas as embaixadas e consulados norte-americanos.

Com postura anti-LGBTQ, governo Trump altera gênero de Erika Hilton em visto de visita

O governo dos Estados Unidos concedeu à deputada federal Erika Hilton (PSOL) um visto de entrada. No documento, o gênero da deputada, que é uma das primeiras parlamentares trans da Câmara, consta como masculino. 

Antes do governo Trump, Erika já havia conseguido um visto para entrar nos EUA. Nessa época, no entanto, a informação sobre seu gênero concordava com sua autodeterminação.


Presidente americano, Donald Trump (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)

Erika participaria do evento Brazil Conference at Harvard & MIT 2025. A conferência ocorreu em Cambridge nesta semana. A Câmara dos Deputados autorizou sua participação como uma missão oficial da parlamentar nos Estados Unidos.

Processo dificultado pelo governo

Em viagens oficiais, a Câmara requisita à embaixada do país que o parlamentar visitará o visto de entrada. De acordo com a equipe de Erika Hilton, o processo, que deveria ser simples e rotineira, foi dificultado desde o começo, após as novas diretrizes do governo dos EUA.


A deputada Erika Hilton se pronunciou através do X (Foto: reprodução/X/@erikakhilton)


Por telefone, a equipe da deputada foi orientada a pedir um visto de turista. O visto então foi concedido e reconhecia o status oficial da visita. Porém, na emissão do documento, que ocorreu no dia 3 de abril, constava que Erika seria do gênero masculino. Ela disse que não preencheu a documentação com essa informação em momento nenhum. A alteração ocorreu por conta de ordem que Donald Trump assinou no primeiro dia de mandato.

Segundo a equipe da parlamentar, não é possível contestar juridicamente o visto, pois se trata de um ato de soberania do governo Trump. Erika vê a situação como um problema, também, diplomático.

É absurdo que o ódio que Donald Trump nutre e estimula contra as pessoas trans tenha esbarrado em uma parlamentar brasileira indo fazer uma missão oficial em nome da Câmara dos Deputados.”

Postura anti-LGBTQ do governo Trump

A alteração do gênero da deputada no documento é uma postura que a embaixada americana toma em meio às diversas medidas e restrições do governo Donald Trump em relação a transição de gênero, além do banimento de termos como “gay”, “lésbica”, “transgênero”, e “LGBTQ” de sites governamentais.

É uma situação de violência, de desrespeito, de abuso, inclusive, do poder, porque viola um documento brasileiro. É uma expressão escancarada, perversa, cruel, do que é a transfobia de Estado praticada pelo governo americano. Quando praticada nos Estados Unidos, ainda pede uma resposta das autoridades e do Poder Judiciário americano. Mas quando invade um outro país, pede também uma resposta diplomática, uma resposta do Itamaraty”, afirma Hilton.

Com a situação, Erika Hilton se recusou a utilizar o visto e não compareceu ao evento para o qual foi convidada.

Donald Trump pretende oferecer dinheiro para imigrantes saírem dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista exibida na terça-feira (15) que pretende lançar programa para estimular imigrantes a voltarem para seus países de origem. A medida forneceria dinheiro e uma passagem de avião a qualquer pessoa que viva em situação ilegal nos EUA e que escolha se deportar “voluntariamente”.

O presidente americano afirmou que o “programa de autodeportação” que promete implementar fornece não só uma assistência financeira aos imigrantes, mas também a perspectiva de retornar legalmente ao país no futuro.

Vamos lhes dar algum dinheiro e uma passagem de avião, e depois vamos trabalhar com eles. Se forem bons, se os quisermos de volta, vamos trabalhar com eles para trazê-los de volta o mais rápido possível.”

Trump deu poucos detalhes sobre o plano e ainda não há data para implementação.

O republicano disse à Fox que o programa é destinado aos imigrantes ilegais “bons”. Segundo ele, o governo está focado em expulsar “assassinos” dos Estados Unidos.

CBP Home

Na segunda-feira (14), o governo Trump lançou o aplicativo “CBP Home”. A plataforma permite a “autodeportação” de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.


A Embaixada dos EUA recomendou através do Instagram que imigrantes baixem o CBP Home para “evitar as penalidades associadas à permanência ilegal no país.” (Vídeo: reprodução/Instagram/@embaixadaeua)


Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), o app possibilita que imigrantes comuniquem voluntariamente  ao governo a intenção de deixar o país.

A secretária do DHS, Kristi Noem, enfatizou que a plataforma é importante para estrangeiros que possuem o intuito de retornar de forma legal ao país futuramente. O DHS também informou que essa medida ajudará na economia 

Não só é mais seguro, como também economiza o dinheiro dos contribuintes americanos e valiosos recursos da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e da Imigração e Controle de Alfândega (ICE), permitindo que se concentrem em estrangeiros criminosos perigosos”

Pressão contra imigrantes

Donald Trump prometeu deportar um número recorde de imigrantes sem documentos que vivem nos Estados Unidos.


Imigrantes deportados dos Estados Unidos entram em avião (Foto: Karoline Leavitt/Casa Branca)

O presidente utilizou recursos presentes na legislação americana para aumentar o número de prisões e deportações. O governo também pressiona imigrantes a facilitarem suas próprias deportações.

Guerra Comercial: Trump pressiona países a escolherem entre EUA ou China

O presidente Donald Trump, em entrevista à Fox News mexicana, na última terça-feira (15), declarou que países podem ter que escolher entre fazer acordos comerciais com os EUA ou com a China. A escolha por um dos lados levará em conta a suspensão ou não da implementação das “tarifas recíprocas” por 90 dias a parceiros comerciais.

As declarações de Trump geram nova tensão no mercado financeiro global, uma vez que arrastam para o epicentro da guerra comercial estabelecida entre EUA e China, países que possuem acordos em andamento com as duas grandes potências. 

Ao se posicionar por um lado, parceiros comerciais terão que renunciar a parcerias já firmadas ou com o país norte-americano, ou com o país asiático, levando em conta possível  retaliação tarifária. 

A medida é vista como uma forma do governo norte-americano pressionar os demais países em sua escolha, gerando nova tensão mundial no mercado financeiro e, principalmente, no mercado de ações. 

Países latino-americanos na mira

As falas do presidente norte-americano Donald Trump foram direcionadas, principalmente, a países da América Latina, incluindo o Brasil. Uma vez que Trump está preocupado com a influência da indústria chinesa em países do Sul Global.  

A preocupação de Trump tem gerado uma série de ofensivas diplomáticas a países latino-americanos. Onde os EUA procuram retomar o apoio desses países, recebendo seus líderes na Casa Branca para reuniões e acordos. 

A visita do presidente salvadorenho Nayib Bukele à Donald Trump, na última segunda-feira (14), é uma demonstração de que os EUA procuram criar alianças com líderes de países geopoliticamente estratégicos e próximos à Casa Branca, visando, também, brecar a expansão chinesa no continente americano. 


Presidente dos EUA Donald Trump recebe o presidente de El Salvador Nayib Bukele na Casa Branca (Vídeo: reprodução/Instagram/@whitehouse)


Em outra ofensiva diplomática, o governo Trump enviou Pete Hegseth, Secretário de Defesa dos EUA, ao Panamá  para negociar a retomada do Canal do Panamá pelos EUA, em posse do governo panamenho desde 1977, que vem sofrendo grande influência chinesa na última década.


Entrevista de Pete Hegseth, Secretário de Defesa dos EUA, sobre influência da China no Canal do Panamá ((Vídeo: reprodução/Instagram/@petehegseth)


Além desses países, o Brasil, o México e a Argentina também estão na mira dos EUA, para uma ofensiva diplomática, visando afastar a influência comercial e econômica chinesa.

Iniciativa Cinturão e Rota 

Nas últimas décadas, a China tem expandido seus negócios em países em desenvolvimento por meio de sua “Iniciativa Cinturão e Rota” (BRI), ou nova “Rota da Seda”. Um projeto de infraestrutura ambicioso no qual o país asiático pretende se conectar a todos os continentes por meio de parcerias de desenvolvimento econômico. 

Este projeto foi apresentado por Xi Jinping em 2013, quando ainda era secretário-geral do Partido Comunista Chinês. Ganhando força a partir de 2016, com investimento de bilhões de dólares em países da África, Ásia e Europa. Posteriormente, países da América Latina receberam aporte do governo chinês para obras de melhorias em seus portos, aeroportos e rodovias.

China se posiciona contra declarações dos EUA 

Após as declarações do presidente americano Donald Trump de que países deverão “escolher um lado” nas negociações comerciais, Lin Jian, vice-diretor do Departamento de Informação do Ministério de Relações Exteriores da China, utilizou suas redes sociais para comentar sobre o assunto.


Publicação de Lin Jian sobre declarações de Donald Trump (Reprodução/X/@SpoxCHN_LinJian)

Jian enfatiza que a intimidação dos EUA a países latino-americanos vem de longa data, contrastando com a cooperação promovida pela China a estes países. 

Enquanto a atenção do mercado financeiro mundial se volta para os próximos passos da guerra comercial entre EUA e China, o presidente chinês Xi Jinping permanece visitando países do Sul Global em busca de acordos comerciais e parcerias estratégicas. 

Justiça dos EUA impede Trump de alterar status de 530 mil latinos

Nesta segunda-feira (14), a Justiça dos EUA atestou que o governo Trump não pode cancelar o status legal de mais de 530 mil imigrantes da Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela. A medida anulada entraria em vigor na próxima quinta-feira (24), e permitiria a deportação desses imigrantes residentes nos Estados Unidos.


Justiça dos EUA impede Trump de alterar status de imigrantes no país (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

A decisão foi tomada por uma juíza federal do distrito de Boston, e retrata uma nova adversidade para o governo Trump, que está cumprindo sua promessa de realizar a maior deportação em massa da história do país estadunidense.

Deportação no governo Trump

No mês passado, o governo havia dito que estava trabalhando para revogar o status legal de 532 mil imigrantes, que entraram legalmente no país, através de um programa especial lançado em outubro de 2022 pelo ex-presidente, Joe Biden.

O programa de Biden havia garantido que até 30 mil migrantes entrassem nos Estados Unidos mensalmente, advindos de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, devido seu histórico negativo com os direitos humanos.

O asilo era concedido durante dois anos, que recebiam visto de residência estadunidense, e entraram no país de avião.

Revogação do governo atual dos EUA

Segundo a decisão judicial, o governo Trump atuou para que houvesse uma interpretação errônea da lei de imigração, ao averiguarem a expulsão frenética das pessoas que não possuem cidadania e entraram ilegalmente no país, mas não dos que autorização para estarem lá.

Trump havia proposto que os imigrantes perdem sua proteção legal, garantida pelo país, e entrassem em rota de deportação. Até o presente momento, o governo não se manifestou a respeito da decisão contrária da justiça dos EUA.

O governo atual dos Estados Unidos segue deportando imigrantes, e o presidente inclusive disse em março que logo iria decidir sobre retirar o status de garantia condicional que cerca de 240.000 ucranianos possuem, pois fugiram para os EUA durante o confliito entre Rússia e Ucrânia.

Professores de Harvard enfrentam governo Trump na Justiça

Professores da Universidade de Harvard, diante da crescente pressão federal, moveram uma ação judicial contra o governo Trump. Essa ação ocorreu após a ameaça de corte em bilhões de dólares destinados à instituição por meio de contratos e subsídios federais. Nesse contexto, a iniciativa surge em resposta à criação de uma força-tarefa federal que, por sua vez, exige mudanças internas na universidade.


Matthews Hall, no Harvard Yard, durante as férias de primavera março de 2025, em Cambridge, em Massachusetts (Foto: Reprodução/Scott Eisen/AFP/Getty Images Embed)


O grupo de docentes argumenta, nesse sentido, que essas exigências violam princípios básicos de liberdade acadêmica e representam uma tentativa do Executivo de impor sua agenda política às instituições de ensino superior.

Além disso, a ação, movida com apoio da Associação Americana de Professores Universitários (AAUP), defende que condicionar recursos a mudanças institucionais constitui uma interferência indevida e, consequentemente, compromete a autonomia universitária.

Liberdade acadêmica como eixo central do embate

A disputa judicial gira em torno da proteção garantida pela Primeira Emenda da Constituição americana, que assegura a liberdade de expressão e pensamento. Os professores afirmam que as medidas impostas pelo governo federal têm como objetivo silenciar vozes críticas dentro das universidades. Especialmente em um momento em que crescem os protestos políticos nos campi.

Além disso, especialistas apontam que o uso de financiamento como ferramenta de coerção pode estabelecer um perigoso precedente, não só para Harvard, mas para todas as universidades que dependem de verba pública para manter pesquisas, bolsas e estrutura.

Universidades sob pressão federal

O caso, portanto, levanta um alerta sobre a tensão entre autonomia institucional e ingerência governamental. Com o processo em andamento, o desfecho pode, por consequência, influenciar profundamente o relacionamento entre o Estado e as universidades americanas. Marcando, assim, um novo capítulo na luta pela preservação da independência acadêmica nos Estados Unidos.