Lula condena bombardeio em Gaza e acusa Israel de agir por vingança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas, neste domingo (25), a um ataque aéreo realizado por Israel na Faixa de Gaza, que resultou na morte de nove dos dez filhos de uma médica palestina. Além das crianças, outros familiares também foram mortos no bombardeio. O episódio reacendeu as tensões internacionais em torno da ofensiva israelense em Rafah, no sul de Gaza.

Presidente Lula fala em genocídio contra palestinos

Além de comentar o assunto em uma publicação no X, o presidente também divulgou seu posicionamento por meio de uma nota oficial da Presidência da República. No texto, Lula chamou o bombardeio de um ato vergonhoso e covarde. Ele afirmou que o episódio representa toda a crueldade e a falta de humanidade de um conflito em que um Estado com grande poder militar atinge uma população civil desprotegida, provocando a morte diária de mulheres e crianças.

“Esse episódio simboliza, em todas as suas dimensões, a crueldade e desumanidade de um conflito que opõe um Estado fortemente armado contra a população civil indefesa, vitimando diariamente mulheres e crianças inocentes”, continuou Lula.

Segundo o presidente, as ações de Israel em Gaza já não são mais autodefesa, combate ao terrorismo ou resgate de reféns. Agora, são atos de vingança. Lula afirmou que há um genocídio em curso, com o objetivo de tirar dos palestinos as condições mínimas de sobrevivência e expulsá-los de sua terra.

O presidente brasileiro também reforçou a necessidade de um cessar-fogo imediato e duradouro. Ele já havia feito críticas semelhantes em ocasiões anteriores, cobrando a responsabilização da comunidade internacional pela falta de medidas concretas para proteger civis.


Mais de 20 países se reuniram para discutir a criação do Estado da Palestina (vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

Governo defende Palestina como Estado soberano

O governo brasileiro defende firmemente o reconhecimento da Palestina como Estado e sua entrada na ONU (Organização das Nações Unidas). Para o Itamaraty, essa é uma condição essencial para a construção de uma paz duradoura e justa entre israelenses e palestinos.

O ministro Mauro Vieira representou o Brasil em uma conferência em Madri sobre a solução de dois Estados para o Oriente Médio. Ele pediu ação urgente contra o massacre em Gaza e alertou que a história cobrará por quem ignorar essa tragédia.

Ataque antissemita mata duas pessoas em Washington

Na noite da última quarta-feira, um atentado trágico abalou a capital dos Estados Unidos. Dois funcionários da Embaixada de Israel em Washington foram assassinados a tiros ao saírem de um evento no Museu Judaico da Capital. As vítimas, Yaron Lischinsky, cidadão israelense, e Sarah Lynn Milgrim, americana, estavam deixando uma recepção organizada pelo Comitê Judaico Americano para jovens diplomatas quando foram atacadas por Elias Rodriguez, de 31 anos, natural de Chicago. Ao ser detido no local, Rodriguez teria gritado “Palestina Livre”, o que levou as autoridades a tratarem o caso como um possível crime de ódio e ato de terrorismo com motivações antissemitas.

Dados informados pela polícia

A comoção foi imediata. A Polícia Metropolitana de Washington aumentou a presença de agentes em locais sensíveis da cidade, como sinagogas, escolas judaicas e o Centro Comunitário Judaico. “Estamos lado a lado com nossa comunidade judaica”, declarou a chefe de polícia Pamela A. Smith, durante uma coletiva. A prefeita da cidade, Muriel Bowser, também tomou providências rápidas, convocando uma reunião emergencial com líderes religiosos, vereadores e representantes das forças de segurança para reforçar as medidas de proteção.


Imagens do local após o ataque (Foto: reprodução/x/@g1)

Internacionalmente, o impacto também foi significativo. França, Itália e Alemanha, em solidariedade e alerta, reforçaram a segurança em consulados israelenses, centros religiosos e monumentos relacionados à cultura judaica. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou o ataque em suas redes sociais, classificando-o como um ato antissemita e reafirmando que “o ódio e o radicalismo não têm lugar nos Estados Unidos”.

Falas do primeiro ministro

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também se pronunciou, expressando solidariedade às famílias das vítimas e cobrando justiça das autoridades americanas. Segundo o embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, os dois funcionários mantinham um relacionamento e planejavam uma viagem a Jerusalém, durante a qual Lischinsky pretendia pedir Sarah em casamento. A tragédia interrompeu abruptamente os sonhos do casal e reacendeu preocupações globais sobre segurança em tempos de tensão crescente.

O ataque ocorreu em uma área central e simbólica de Washington, próxima ao Capitólio, ao Departamento de Justiça e ao escritório local do FBI, o que evidencia o nível de audácia e risco envolvido. A investigação continua, e o mundo observa atento os desdobramentos deste crime que reforça a urgência no combate ao extremismo e ao ódio religioso.

Europa intensifica pressão sobre Israel por fim da guerra em Gaza

Após quase dois anos de ofensiva contínua em Gaza, Israel enfrenta uma reação inédita de aliados tradicionais. O Reino Unido suspendeu acordos comerciais e sancionou colonos extremistas, enquanto França e Canadá cogitam sanções diretas. 

A União Europeia iniciou uma reavaliação do Acordo de Associação, vigente desde 2000, que visa fornecer estrutura jurídica e institucional adequada para o diálogo político e a cooperação econômica entre UE e Israel, o que até pouco tempo era considerado impensável. A escalada militar e o bloqueio prolongado à ajuda humanitária intensificaram o isolamento diplomático, com organizações internacionais alertando para o risco iminente de genocídio.

Divisões internas e dependência dos EUA

Internamente, Israel vive um impasse: apesar do apoio governamental à continuidade da guerra, cresce a pressão popular por um cessar-fogo que permita a libertação dos reféns. Pesquisas indicam que mais de 60% da população apoia o fim das operações.

Mesmo assim, o governo de Netanyahu mantém sua postura firme, apoiado principalmente pelos Estados Unidos — seu aliado mais influente. Embora haja sinais de distanciamento pontual da administração de Trump, como negociações unilaterais com grupos do Oriente Médio, não há indícios de sanções americanas.


Israel diz à UE que exerça pressão “onde deve ser” depois de Bruxelas decidir rever laços comerciais. (Vídeo: reprodução/YouTube/Euronews)

Impasse europeu

A União Europeia, maior parceira comercial de Israel, pressiona com a ameaça de suspender parcialmente o acordo bilateral. Embora a suspensão total exija unanimidade entre os 27 países-membros, sanções pontuais podem ser impostas por maioria simples, afetando setores estratégicos israelenses como a tecnologia e as exportações.

No entanto, os especialistas veem a medida como simbólica e de impacto limitado, a menos que venha acompanhada por atitudes mais severas. O impasse tem revelado não apenas o desgaste diplomático, mas também a dificuldade de conciliar os interesses econômicos, a segurança e os direitos humanos em um cenário de guerra prolongada.


Ataque em Washington mata dois funcionários da embaixada de Israel

Os funcionários da embaixada de Israel que foram assassinados a tiros na saída de um evento no Museu Judaico de Washington, nos Estados Unidos, na noite desta quarta-feira (21), estavam prestes a formalizar o noivado. A morte de Yaron Lischinsky e Sarah Milgrim provocou reações imediatas de autoridades e reforçou o alerta internacional sobre a escalada de violência política.

O suspeito foi identificado como Elias Rodriguez, de 30 anos. Ele não tinha histórico criminal e a polícia acredita que tenha agido sozinho. A investigação segue em andamento e não há indicação de que haja risco de novos ataques relacionados ao caso.

Primeiros momentos após tensão

Por volta das 21h08, no horário local, a polícia foi acionada após diversas ligações alertando sobre um tiroteio próximo ao Museu Judaico, em Washington. Segundo a chefe do Departamento de Polícia Metropolitana, Pamela A. Smith, os agentes que chegaram ao local encontraram um homem e uma mulher já inconscientes e sem sinais vitais.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Emergência da cidade também foram acionadas e tentaram reanimar as vítimas, mas os ferimentos eram graves demais. Ambos morreram no local.


Ataque em Washington mata dois funcionários da embaixada de Israel (Vídeo: reprodução/UOL)

De acordo com o relato das autoridades, o suspeito estava andando de um lado para o outro em frente ao museu pouco antes do crime. Ele se aproximou de um grupo de quatro pessoas e disparou contra duas delas — um casal que trabalhava na embaixada de Israel e estava prestes a anunciar o noivado, segundo confirmou o embaixador israelense nos EUA.

Após os disparos, o atirador entrou no museu, onde foi contido pela equipe de segurança do evento. Já algemado, ele indicou onde havia deixado a arma, que foi encontrada pelas autoridades pouco depois.

Tensões aumentam com ofensiva militar e crise humanitária

Enquanto isso, a pressão internacional sobre Israel segue crescendo. Após dias de bloqueio, caminhões com ajuda humanitária conseguiram entrar na Faixa de Gaza, onde a situação segue crítica. A liberação parcial dos carregamentos, porém, não ameniza os impactos e entidades exigem um cessar-fogo imediato e mais acesso para assistência aos civis.

O episódio acende um novo alerta sobre o risco crescente de violência ligada a tensões políticas internacionais. A embaixada de Israel em Washington emitiu nota lamentando a perda dos funcionários e prestando solidariedade às famílias.

Protestos israelenses bloqueiam ajuda humanitária na Faixa de Gaza

Uma briga generalizada ocorreu nesta quarta-feira na passagem Kerem Shalom, fronteira entre o Estado de Israel e a Faixa de Gaza. O conflito foi iniciado por manifestantes israelenses que queriam impedir a entrada de ajuda humanitária para a população Palestina em situação de vulnerabilidade social. 


Escalada de tensões aumente entre Israel e territórios palestinos (vídeo: reprodução/X/@ReutersAsia)

Briga entre manifestantes

Portando bandeiras e cartazes, houve uma tentativa de barrar os caminhões que continham alimentos e produtos de higiene. Os caminhões foram enviados em território da Palestina por parte da Organização das Nações Unidas (ONU), com a pretensão de auxiliar uma região devastada pela guerra e marcada até mesmo pela falta de diversos recurso básicos para sobrevivência.

Os manifestantes gritavam em direção aos veículos; “Estamos aqui para bloquear a ajuda que está indo diretamente para o Hamas em Gaza”. Alegando que todos os suprimentos enviados para a população carente era destinado ao grupo terrorista do Hamas.

Em sentido contrário, a presença de grupos contrários a sanções para Gaza, protestaram contra a presença do primeiro grupo. Houve uma discussão acalorada entre os dois grupos, sendo necessária a intervenção policial e retirando o grupo contrário ao envio de alimentos e causando bastante polêmica em todo Estado de Israel.

Interferência externa

No período da manhã nesta quarta-feira, o Papa Leão XIV realizou um apelo para que autoridades israelense permitissem a ajuda humanitária no território isolado de Gaza. O apelo do papa coincidiu com as denúncias feitas pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) contra Israel, que acusou o país de limitar a entrada em Gaza de ajuda “ridiculamente insuficiente”, apenas para “evitar a acusação de que está matando de fome as pessoas”. 

Na última terça-feira (20), a ONU afirmou ter recebido autorização de Israel para que cerca de 100 caminhões de ajuda humanitária pudessem entrar na Faixa de Gaza. Porém, nenhuma assistência sequer havia sido distribuída aos palestinos até o início desta quarta-feira.

“Cúpula Dourada”: Trump anuncia construção de escudo antimísseis para proteger os EUA

O presidente Donald Trump, em entrevista a repórteres da Casa Branca, na data de ontem, terça-feira (20), apresentou um projeto idealizado desde o início de sua posse presidencial. Trata-se do “Golden Dome”, escudo antimísseis no valor de US$175 bilhões de dólares, previsto para conclusão até o final de seu mandato, em janeiro de 2029.

O “escudo” visa proteger os EUA de ataques, sejam terrestres ou espaciais, de grandes potências, incluindo China e Rússia. Será integrado aos sistemas de defesa já existentes no país e ficará a cargo do vice-chefe de operações espaciais do Pentágono, general Michael Guetlein.

“Ele interceptará mísseis, incluindo aqueles lançados do outro lado do mundo ou do espaço.” Donald Trump

Ainda, segundo Donald Trump, o Canadá, parceiro comercial e país fronteiriço dos EUA, tem interesse em participar do projeto, por querer proteção também ao seu território.

O “Golden Dome”, ou “Cúpula Dourada” em tradução livre, precisa ser aprovado pelo Congresso dos EUA antes de ser sancionado pelo presidente americano e é inspirado no “Domo de Ferro” israelense.

Apresentação do Golden Dome 

De acordo com informações publicadas em suas redes sociais, o governo Trump anunciou que a construção do sistema de defesa será incluída no “Projeto Grande e Belo”, visando garantir a segurança dos EUA.


Publicação sobre a apresentação do Golden Dome  (Vídeo: reprodução/Instagram/@potus)


Conforme declarou o general Michael Guetlein, o sistema terá capacidade para destruir mísseis balísticos, de cruzeiro e hipersônicos. Segundo ele, a construção do projeto é necessária, uma vez que, os “inimigos dos EUA”, possuem um sistema armamentístico cada vez mais moderno, capaz de atingir o país em uma hora. 

“Nossos adversários modernizaram rapidamente suas forças nucleares, construindo mísseis balísticos capazes de transportar ogivas nucleares e mísseis hipersônicos capazes de atingir os EUA em uma hora, viajando a 9,6 mil km por hora” Michael Guetlein

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, compartilha do mesmo discurso de Guetlein e acrescenta que o sistema antimíssil protegerá o país, também, de drones. Sejam eles “convencionais ou nucleares”.

Projeto Grande e Belo

O projeto idealizado por Donald Trump, “Grande e Belo”, foi anunciado pelo presidente americano em abril (2025), em comemoração aos seus cem dias de mandato. Visa não só cortes fiscais, mas também maior rigor na segurança nacional e reforma nos gastos públicos do país. 

Para Trump, a aprovação deste projeto garantirá a prosperidade econômica dos EUA, trazendo o país novamente à “era dourada” e fortalecendo a segurança do território americano.


Publicação com informações sobre o “Projeto Grande e Belo” (Foto: reprodução/X/@WhiteHouse)

Enquanto a ala conservadora do país apoia cortes mais rigorosos nas contas públicas, a ala de oposição a Trump sinaliza a não aceitação de tais medidas, uma vez que, segundo os Democratas, a população de baixa renda será a mais afetada com as restrições impostas.

Reino Unido anuncia suspensão de comércio com Israel após ofensiva em Gaza

Nesta terça-feira (20), o governo britânico anunciou a suspensão das negociações de livre comércio com Israel, após nova ofensiva na Faixa de Gaza. Além disso, o Reino Unido também sancionou assentamentos da Cisjordânia, onde as ações de Israel também estão sendo pressionadas. 

Nos últimos dias, líderes da França e Canadá, junto ao primeiro-ministro, Keir Starmer, já pressionavam a forma como Israel está conduzindo a guerra, destacando a falta de ajuda humanitária em Gaza.

A nova ofensiva terrestre foi o que desencadeou a decisão britânica, anunciada pelo secretário de Relações Exteriores, David Lammy. 


Matéria da CNN Internacional (Foto: reprodução/ X/ @cnni)

França, Canadá e Reino Unido pressionam Israel 

Nesta segunda-feira (20), o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o premiê do Canadá, Mark Carney, divulgaram uma declaração em conjunto, na qual condenaram as “ações escandalosas” de Israel na condução do confronto em Gaza. 

Na declaração eles ainda acusam a violação do direito internacional humanitário, devido aos excessivos deslocamentos forçados de civis, e reforçam a necessidade de permissão da entrada da ajuda comunitária no território. 

Participação da ONU

Enquanto Israel segue avançando sob o território palestino, com investidas terrestres e aéreas, a Organização das Nações Unidas (ONU) tenta a autorização para a entrada da ajuda comunitária. 

Segundo a própria ONU, Gaza precisa de ao menos 500 caminhões por dia para ajudar uma população de cerca de 2,3 milhões de pessoas. O porta-voz do escritório humanitário da ONU, Jens Laerke, disse durante uma coletiva em Genebra que os caminhões contém suprimentos essenciais para crianças e recém-nascidos, que correm risco de morte. 

A autorização foi concedida por Israel para que cerca de 100 caminhões da ajuda comunitária entrassem na faixa de Gaza. Porém, a ONU afirma que apenas 5 caminhões puderam entrar em Gaza na segunda-feira. 

De acordo com o mais recente relatório do Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas, a ofensiva israelense já causou mais de 53.486 mortes na região. Esse dado foi considerado confiável pela ONU. 

Israel autoriza entrada de 100 caminhões de ajuda em Gaza em meio a ofensiva militar

A Organização das Nações Unidas anunciou nesta terça-feira (20), que Israel liberou a passagem de cerca de 100 caminhões com suprimentos para a Faixa de Gaza. O aval, confirmado pelo porta-voz humanitário Jens Laerke em Genebra, foi dado após forte pressão internacional. “Solicitamos e recebemos aprovação para mais caminhões […] São cerca de 100, bem mais do que os autorizados ontem”, declarou. É a maior remessa desde que o bloqueio se intensificou, mas permanece longe dos 500 veículos diários considerados indispensáveis pela ONU para atender 2,3 milhões de habitantes.

Ajuda ainda é ‘gota no oceano’, diz ONU

Os veículos transportam alimentos e fórmulas infantis, itens descritos como “vitais” para bebês que correm risco de morte por desnutrição. Tom Fletcher, diretor de ajuda humanitária da ONU, afirmou à “BBC” que a quantidade liberada é “uma gota em um oceano”. Ele teme que até 14 mil recém-nascidos possam falecer nas próximas 48 horas se a assistência não ganhar escala. Na segunda-feira, apenas cinco caminhões cruzaram a fronteira, rompendo um bloqueio que já durava 11 semanas, segundo a agência.

Akihiro Seita, diretor de Saúde da UNRWA, alertou que os indicadores de subnutrição infantil estão “subindo de forma preocupante” e podem se agravar rapidamente se o fluxo de mantimentos não for regularizado. “Se a escassez continuar, o aumento será exponencial, podendo sair do controle”, advertiu. Especialistas destacam que a combinação de bombardeios diários e falta de infraestrutura dificulta a distribuição interna, mesmo quando os carregamentos conseguem entrar em Gaza.

A liberação ocorre à sombra de críticas públicas dos líderes da França, Canadá e Reino Unido, que prometeram “medidas concretas” se Israel não suspender a ofensiva e destravar a ajuda. Em nota conjunta, Emmanuel Macron, Mark Carney e Keir Starmer condenaram “ações escandalosas” e advertiram que o deslocamento forçado de civis viola o direito internacional. “Sempre defendemos o direito de Israel à autodefesa, mas a escalada é totalmente desproporcional”, declararam, sem detalhar quais sanções poderiam ser adotadas.


Bombardeios em Gaza (Foto: reprodução/ Jack Guez/AFP/Getty Images Embed)


Guerra segue com novos bombardeios

Enquanto os caminhões cruzavam a passagem, a ofensiva terrestre e os ataques aéreos continuaram. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, contou ao menos 60 mortos apenas nesta terça. Desde o início do conflito, mais de 53.400 palestinos perderam a vida, número considerado plausível pela ONU. Israel, por sua vez, busca eliminar o Hamas após o atentado de 7 de outubro de 2023, que matou 1.218 pessoas e resultou no sequestro de 251 civis, 57 dos quais permanecem cativos.

Paris, Ottawa e Londres também defenderam uma conferência em Nova York, marcada para 18 de junho, voltada a um arranjo de dois Estados. “Estamos dispostos a reconhecer um Estado palestino como contribuição para essa solução”, afirmaram. O comunicado pressiona Israel a aceitar um plano árabe para a administração de Gaza no pós-guerra, em cooperação com a Autoridade Palestina e Washington. Enquanto isso, a ONU tenta ampliar o corredor humanitário e evitar um colapso total dos serviços de saúde.

Após a entrada, a ajuda será recolhida e redistribuída pelo mecanismo já utilizado pela ONU, explicou Laerke. Contudo, estradas destruídas, falta de combustível e ataques constantes dificultam a logística. Organizações médicas alertam que hospitais funcionam com geradores improvisados e estoques críticos de medicamentos. Sem cessar-fogo sustentável, o fluxo de 100 caminhões, embora significativo, pode se tornar insuficiente em poucos dias, mantendo a população de Gaza à beira de uma crise humanitária sem precedentes.

Países pressionam Israel e ameaçam sanções caso ofensivas em Gaza permaneçam

Líderes de França, Canadá e Reino Unido pediram o fim das ofensivas de Israel na Faixa de Gaza. Caso a ofensiva militar não seja interrompida, ‘medidas concretas’ serão tomadas pelos países em defesa de Gaza. Os líderes dos três países prometem não ficar de braços cruzados enquanto o governo de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, continua com essas ações escandalosas.

A posição dos líderes

Emmanuel Macron, presidente da França e os primeiros-ministros Mark Carney, do Canadá, e Keir Starmer, do Reino Unido, realizaram uma declaração conjunta condenando a linguagem de ódio utilizada pelo governo israelense e advertem sobre a violação do direito internacional humanitário. Os líderes reforçam a pressão sob o governo de Israel para a entrada de ajuda humanitária no país. Nesta segunda-feira (19) foi permitida a entrada de caminhões em Israel, mas a Organização das Nações Unidas considera a quantidade insuficiente.

“Israel sofreu um atentado atroz em 7 de outubro. Sempre apoiamos o direito de Israel de defender os israelenses contra o terrorismo, mas esta escalada é totalmente desproporcional. Se Israel não puser fim à nova ofensiva militar nem interromper suas restrições à ajuda humanitária, adotaremos outras medidas concretas em resposta.”


Vídeo detalha a história do conflito desde os primórdios. (Vídeo: Reprodução/YouTube/Toda Matéria)

No dia 18 de junho, uma convenção em Nova Iorque está marcada para a resolução do conflito entre os dois estados. Os líderes prometeram trabalhar com as autoridades e parceiros para alcançarem um consenso sobre o futuro de Gaza, baseado no plano árabe.

Estamos decididos a reconhecer um Estado palestino como contribuição para a realização de uma solução de dois Estados, e estamos dispostos a trabalhar com outros para tal fim.

Números do conflito

Israel busca controlar território palestino para derrotar o grupo terrorista Hamas, que foi responsável por realizar um ataque no dia 7 de outubro de 2023, vitimando 1.218 pessoas e sequestrando outros 251 civis, de acordo com dados oficiais israelenses. Dentre o número de reféns, 34 foram declarados mortos pelo exército israelense, e outras 57 pessoas continuam em cativeiro. Desde o início das ofensivas israelenses, a ONU registra pouco mais de 53 mil mortos no território.

Israel bombardeia Gaza e deixa 80 mortos 

Israel aumentou os bombardeios na Faixa de Gaza nesta semana. Segundo a Defesa Civil, os ataques ocorreram entre terça-feira (13) e quarta-feira (14), e ao menos 80 pessoas foram mortas, entre elas 22 crianças.

O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo grupo Hamas, divulgou nesta quarta-feira, às 7h da manhã, pelo horário de Brasília, que há 70 mortos. No entanto, revelou que há vítimas sob os escombros e nas ruas que ainda não receberam atendimento. Também foi comunicado que mais de cem pessoas ficaram feridas devido aos bombardeios ocorridos nas últimas horas.

Ainda de acordo com os médicos, a maioria dos feridos são crianças e mulheres, que faleceram em decorrência dos ataques aéreos israelenses registrados recentemente na região de Jabalia, no norte de Gaza.

Falas polêmicas do primeiro-ministro israelense

Após a libertação do refém americano-israelense Edan Alexander — que estava sob domínio do grupo terrorista desde outubro de 2023 — o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, revelou que seu exército “completará a ofensiva” para combater o Hamas com “força total”.

Até o momento, o exército israelense não se pronunciou sobre os ataques aéreos ocorridos nesta quarta-feira. Além das explosões de quarta, os bombardeios aéreos de terça-feira atingiram o Hospital Europeu em Khan Younis, no sul da Palestina. Conforme as informações, 16 pessoas foram mortas e mais de 70 ficaram feridas. As artilharias foram ouvidas na mesma região. Segundo as forças militares, os ataques tinham como alvo um “centro de comando do Hamas” que ficaria embaixo do hospital. Porém, as alegações foram desmentidas pelo grupo.


Benjamin Netanyahu conversando com o jovem que foi libertado pelo Hamas (Foto: reprodução/x/@netanyahu)


Benjamin Netanyahu

Por meio de um vídeo publicado no Telegram, Benjamin Netanyahu garantiu que, nos próximos dias, as forças armadas entrarão em Gaza “com toda a força”, mesmo que o grupo terrorista liberte novos reféns.

“Nos próximos dias, entraremos com todas as nossas forças para completar a ofensiva e subjugar o Hamas. O Hamas pode dizer: ‘Chega! Queremos libertar mais dez’. Ok, tragam-nos. Nós os capturaremos e então entraremos. Mas não haverá como impedir a guerra. Podemos fazer um cessar-fogo por um tempo determinado, mas iremos até o fim”, revelou.

Após libertar o refém americano-israelense, o Hamas informou que está de acordo com um cessar-fogo abrangente. Mas o premiê comentou que não permitiu o cessar-fogo nem a troca de detentos para libertar o jovem americano. O grupo afirmou que só autorizou o retorno de Edan Alexander como forma de apaziguar a relação, devido à influência do presidente dos Estados Unidos, e solicitou que o governo americano continuasse com suas medidas para acabar com a guerra.

No entanto, em razão das últimas declarações de Benjamin Netanyahu, os esforços para um possível cessar-fogo frustram as medidas de negociação que vêm sendo realizadas pelas autoridades mundiais.

Minutos antes de publicar o vídeo, o primeiro-ministro compartilhou, em sua conta na rede social X (antigo Twitter), a conversa entre ele e o jovem Edan Alexander, que ficou um ano como refém do grupo Hamas.