O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (8) que o país votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, conhecido como UE-Mercosul. A princípio, a posição será levada à reunião de embaixadores do bloco, marcada para esta sexta-feira, em Bruxelas.
Ainda segundo Macron, a decisão já foi comunicada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Com isso, a França reafirma seu papel como principal foco de resistência ao tratado comercial.
França lidera oposição dentro do bloco
Além da França, a Irlanda, a Hungria e a Polônia também mantêm posição contrária ao acordo. Ainda assim, a Itália, antes reticente, passou a sinalizar apoio condicionado. Já Macron, reiterou que não aceitará qualquer tentativa de acelerar ou impor a ratificação do tratado e afirmou que o texto atual não garante proteção suficiente aos agricultores franceses.
Comunicado de Emmanuel Macron contra acordo (Foto: reprodução/Instagram/@emmanuelmacron)
No mês passado, o presidente já havia exigido novas salvaguardas para o setor agrícola. Na ocasião, afirmou que “as contas não fecham” para a França. Entre produtores rurais, o acordo é visto como ameaça direta. Logo, agricultores temem concorrência com produtos sul-americanos mais baratos e com regras ambientais diferentes.
Como resposta, o governo francês suspendeu temporariamente importações agrícolas específicas. A medida atinge produtos tratados com agrotóxicos proibidos na União Europeia. A lista inclui frutas, batatas e outros itens sul-americanos. A suspensão vale por um ano, mas ainda depende do aval da Comissão Europeia. Mesmo assim, agricultores organizaram protestos em Paris nesta quinta-feira. Os atos ocorreram em áreas turísticas e ruas centrais da capital francesa.
Assinatura do acordo pode ocorrer na segunda-feira
Apesar da oposição francesa, o acordo pode avançar para a fase final. O Conselho da União Europeia se reúne nesta sexta-feira para decidir sobre a autorização. Para isso, a Comissão Europeia precisa do apoio de pelo menos 15 países, sendo assim, esse grupo deve representar, no mínimo, 65% da população do bloco.
UE e Jordânia veem cooperação bilateral (Foto: reprodução/Salah Malkawi/Getty Images Embed)
Caso o aval seja concedido, Ursula von der Leyen poderá assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. Dessa forma, o tratado criaria a maior área de livre comércio do mundo, já que vem sendo negociado desde 1999, prevendo redução gradual de tarifas. Além disso, estabelece regras para comércio industrial, agrícola, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia acesso a um mercado de 451 milhões de consumidores. Os impactos atingem agronegócio, indústria e serviços.
Alemanha, Espanha e possível apoio da Itália
Em outro cenário, Alemanha e Espanha defendem o avanço imediato do acordo, já que para esses países, o pacto fortalece a posição global da União Europeia. Nesse ínterim, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que decisões precisam ser tomadas agora e que o acordo preserva a credibilidade comercial do bloco. O tratado também é visto como resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Além disso, reduz a dependência europeia da China. Já a Itália passou a integrar o cálculo da Comissão Europeia e, segundo fontes diplomáticas, deve votar a favor nesta sexta-feira. Ao passo dos acontecimentos, o apoio italiano veio após promessa de mais recursos ao setor agrícola. A Comissão propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros. A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou a iniciativa como positiva. O ministro da Agricultura também indicou aumento de investimentos entre 2028 e 2034.
Mesmo com resistências concentradas no campo, o tratado abrange indústria, serviços e propriedade intelectual. Por isso, segue recebendo apoio de diferentes setores econômicos. O Itamaraty foi procurado a respeito da fala de Macron, mas não comentou a declaração.
