IPC confirma fome em Gaza: meio milhão de pessoas em catástrofe alimentar

O Sistema Internacional de Classificação de Insegurança Alimentar, Integrated Food Security Phase Classification (IPC), uma iniciativa envolvendo agências da ONU e ONGs internacionais para analisar situações relacionadas a nutrição e segurança alimentar de populações, confirmou nesta sexta-feira (22) que a região de Gaza está sofrendo com fome extrema — a escala mais grave da avaliação, sinalizando um colapso humanitário que afeta meio milhão de pessoas e exige ação urgente da comunidade global.

O que é o IPC e qual sua importância

O IPC é uma iniciativa apoiada pela ONU e por 19 organizações humanitárias, com o objetivo de mensurar crises alimentares no mundo usando uma escala padronizada de cinco fases — da segurança alimentar (fase 1) até fome ou catástrofe (fase 5). A classificação de fome (fase 5) exige que ao menos 20% dos domicílios enfrentem escassez extrema de alimentos, 30% das crianças sofram de desnutrição aguda e a taxa de mortalidade diária ultrapasse 2 por 10 mil habitantes. O IPC não declara fome oficialmente, mas oferece análise técnica que embasa decisões de órgãos como ONU, governos e ONGs.

Por que Gaza foi classificada como em situação crítica

Segundo o relatório, mais de 500 mil pessoas em Gaza já vivem sob condições de “catástrofe” e fome, especialmente na cidade de Gaza, com projeções de expansão para Deir al-Balah e Khan Younis até o fim de setembro. A situação é impulsionada por quase dois anos de conflito intenso, bloqueios que interrompem a entrada de alimentos, destruição de 98% das áreas agrícolas e deslocamentos em massa. Em julho, mais de 12 mil crianças foram diagnosticadas com desnutrição aguda — o pior número já registrado — e espera-se que mais de 640 mil pessoas enfrentem fome até setembro.


Criança sofre de desnutrição e recebe atendimento em hospital palestino (Foto: reprodução/Hassan Jedi/Getty Images Embed)


A gravidade da crise e o que isso significa

Líderes mundiais como António Guterres declararam que a fome em Gaza é “uma catástrofe man-made” e uma “falha da humanidade”. O alerta técnico do IPC funcionou como marco para intensificar pressões por cessar-fogo imediato, acesso humanitário irrestrito e escalada de ajuda emergencial. No entanto, autoridades israelenses contestam o relatório, questionando metodologia e dados levantados.

Crise humanitária

A confirmação da fome em Gaza pelo IPC representa um apelo urgente — não apenas técnico, mas moral. Fome é evitável, mas exige vontade política, acesso seguro a ajuda e resposta humanitária à altura da tragédia vivida pela população. Cada dia importa.

COP30 enfrenta baixa adesão de países e ONU solicita subsídios ao Brasil

Aconteceu hoje pela manhã (22/8) uma reunião entre os representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e a organização da COP30, com o objetivo de encontrar uma solução para a alta especulação hoteleira e imobiliária na cidade de Belém, estado do Pará, sede da conferência internacional. Flexibilizar os pacotes de hospedagem e o aumento dos subsídios para todos os países, e não somente os menos desenvolvidos, estavam na pauta.

Luta contra o esvaziamento

O impasse entre a ONU e o Brasil gira em torno dos subsídios oferecidos por ambos os países convidados para o evento. De um lado, a ONU solicitou que, além do aumento do valor oferecido para subsidiar as diárias, o governo brasileiro pagasse parte destas hospedagens dos países em desenvolvimento, o que fora prontamente negado. De outro, o Brasil confirma que tentará buscar apoio sem, contudo, se valer do uso de recursos públicos.

Apenas 47 países dos 196 convidados confirmaram presença na conferência, ou seja, apenas 23,98%, o que representa uma margem muito pequena, tendo em vista o porte, a importância e o significado da COP30 para o mundo. Tudo isso devido ao preço abusivo e impraticável da rede hoteleira e imobiliária de Belém, que acabou causando um recuo nestas confirmações, gerando comoção e pressão internacional sobre a organização do evento, enfrentando a Conferência das Partes ou COP30 um momento delicado.


Cidade de Belém (Foto: reprodução/Rafa Neddermeyer/cop30.br)


O maior evento do mundo, criado para discutir os mais diversos temas relacionados às mudanças climáticas, atualmente em sua 30ª edição, prevista para o mês de novembro tem, na escassez de hospedagem da cidade sede, seja nos aluguéis para temporada, como em hotéis, seu grande “Calcanhar de Aquiles“.

Em virtude de tudo isso, a alteração da sede da conferência chegou a ser solicitada por um grupo de 25 países, capitaneado pelo Grupo Africano de Negociadores à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Força-tarefa do Brasil

O governo brasileiro vai escalar um grupo técnico, o qual ficará responsável por contatar diretamente os países ainda pendentes de confirmação, para entender, com mais precisão, quais seriam suas necessidades e/ou dificuldades.

Apesar de não divulgar os nomes, 39 países, sendo a maioria países em desenvolvimento, obtiveram êxito na contratação de hospedagens pela plataforma fornecida pelo governo brasileiro. Os outros 8 países: Noruega, Japão, Egito, Espanha, Portugal, República do Congo, Singapura e Arábia Saudita fizeram suas reservas diretamente com os hotéis.  

Após morte de Senador Miguel Uribe, ONU cobra segurança nas eleições colombianas

Morre, nesta segunda-feira (11), o senador e pré-candidato à Presidência da Colômbia, Miguel Uribe, que havia sido baleado com dois tiros na cabeça e um na perna durante um atentado ocorrido em 7 de junho, em Bogotá, e estava internado desde então. O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou que irá insistir nas investigações.

ONU e nota de pesar

Por meio de um comunicado, o secretário-geral António Guterres emitiu uma nota de pesar pela morte do senador, dizendo estar “profundamente triste”. Em nota, ele pediu que o ataque seja totalmente investigado e que a justiça prevaleça, ressaltando que as autoridades precisam adotar medidas para garantir a segurança e viabilizar eleições pacíficas. O anúncio do falecimento foi feito pela esposa de Miguel, Maria Claudia Taratoza, em suas redes sociais.


Foto destaque: Secretário Geral da ONU António Guterres em entrevista (reprodução/Instagram/@ONUNews)

Pré-candidato

Miguel Uribe tinha 39 anos e estava em Bogotá para um comício no dia do atentado. O senador, que era oposição ao atual governo colombiano, era um dos principais favoritos nesta corrida eleitoral. Após o ataque, Miguel foi socorrido e levado ao Hospital Fundación Santa Fé de Bogotá, onde passou por diversas cirurgias ao longo dos dois meses de internação. Ontem, o pré-candidato entrou novamente em coma e não resistiu. Ele deixa a esposa e um filho.

A tragédia de Uribe não é a primeira na família: ele era filho de Diana Turbay, jornalista sequestrada e assassinada em 1991 por narcotraficantes ligados a Pablo Escobar, e neto de Julio César Turbay Ayala, presidente da Colômbia entre 1978 e 1982.


Foto destaque: Senador Miguel Uribe e esposa Maria Claudia (reprodução/Instagram/@maclaudiat)

Segundo a Procuradoria-Geral da Colômbia e a Polícia Nacional, responsáveis pela investigação do atentado, seis pessoas foram presas até o momento. Entre elas, um menor de 15 anos, apontado como autor dos disparos, e Elder José Arteaga Hernández, conhecido como “Chip”, suspeito de ser o líder da operação.

Estudo revela 40 profissões mais impactadas pela Inteligência Artificial

Analisando o cenário de mercado estadunidense, a Microsoft lançou um estudo informando que, as profissões dependentes de tarefas repetitivas vinculadas a dados, ou então da área de produção de conteúdo, linguagem, matemática, computação ou comunicação, estão mais propensas a serem mais abaladas pelas linguagens de Inteligência Artificial.

Já, segundo a pesquisa, profissões voltadas a operação de máquinas e atividades físicas, serão pouco afetadas.

Pesquisa de profissões e Inteligência Artificial

O estudo da empresa, intitulado “Working with AI: Measuring the Occupational Implications of Generative AI” (“Trabalhando com IA: Medindo as Implicações Ocupacionais da Inteligência Artificial Generativa”, em tradução livre), foi publicado em 22 de julho, em um pré-print sem revisão de outros especialistas.

A metodologia da pesquisa ocorreu por meio da análise de 200 mil conversas anônimas de usuários com o Copilot, assistente de IA da Microsoft. Com os dados, foi identificado as tarefas mais solicitadas, o desempenho da ferramenta, e qual porcentagem do trabalho é feito com sua ajuda.

Cada uma das tarefas das ocupações teve sua relevância e importância analisada a partir do O*NET, um banco de dados nacional que define estrutura e escopo de trabalho nos Estados Unidos.

Com esses dados, os pesquisadores geraram o “índice de aplicabilidade da IA”, onde cada profissão recebe uma pontuação, e as que possuem mais pontos refletem os trabalhos que podem, em sua maioria, serem realizadas e automatizada pela Inteligência Artificial.


Segundo a Microsoft, quanto maior índice de aplicabilidade da IA, maior a chance do trabalho humano ser substituído (Foto: Reprodução/Freepik/@DCStudio)

Impacto da IA no mercado de trabalho

Após a lista com inúmeras profissões que podem ser “substituídas” pela Inteligência Artificial, a Microsoft informou que a tecnologia não irá substituir completamente o trabalho humano, mas sim ajudar. Em contrapartida, pesquisas de organizações como a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e da própria ONU, mostram o oposto.

A OIT uniu-se com o Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK) para mostrar que, um em cada quatro empregos no mundo podem ser completamente transformados pela IA generativa, enquanto a ONU advertiu que quase metade dos empregos podem ser afetados.

A seguir, confira as profissões com o maior e menor índice de aplicabilidade da IA.

Profissões com maior índice de aplicabilidade da Inteligência Artificial

  1. Intérpretes e tradutores
  2. Historiadores
  3. Comissários de bordo
  4. Representantes de vendas
  5. Redatores e autores
  6. Atendentes de suporte ao cliente
  7. Programadores de CNC
  8. Operadores de telefonia
  9. Agentes de viagens
  10. Locutores e radialistas
  11. Escriturários de corretagem
  12. Educadores em gestão agrícola e doméstica
  13. Telemarketing
  14. Concierges
  15. Cientistas políticos
  16. Repórteres e jornalistas
  17. Matemáticos
  18. Redatores técnicos
  19. Revisores e editores de texto
  20. Recepcionista
  21. Editores
  22. Professores universitários de negócios
  23. Especialistas em relações públicas
  24. Demonstradores e promotores de produtos
  25. Agentes de vendas de publicidade
  26. Escriturários de novas contas
  27. Assistentes estatísticos
  28. Balconistas de atendimento e aluguel
  29. Cientistas de dados
  30. Consultores financeiros pessoais
  31. Arquivistas
  32. Professores de Economia
  33. Desenvolvedores web
  34. Analistas de gestão
  35. Geógrafos
  36. Modelos
  37. Analistas de pesquisa de mercado
  38. Operadores de telecomunicações de segurança pública
  39. Telefonistas
  40. Professores de biblioteconomia

Profissões com menor índice de aplicabilidade da IA

  1. Operador de draga
  2. Operador de ponte e eclusa
  3. Operador de estação de tratamento de água
  4. Fundidor e moldador
  5. Operador de máquina de instalação e manutenção de trilhos
  6. Piloteira (costureira de peças-piloto)
  7. Lixador e acabador de piso
  8. Auxiliar de enfermagem hospitalar
  9. Operador de embarcação a motor
  10. Operador de equipamento florestal
  11. Operador de máquina de pavimentação, nivelamento e compactação
  12. Empregada doméstica e faxineira
  13. Trabalhador geral em petróleo e gás
  14. Telhadista
  15. Operador de estação de compressão e bombeamento de gás
  16. Ajudante de telhadista
  17. Fabricante de pneus
  18. Assistente cirúrgico
  19. Massagista
  20. Técnico em oftalmologia
  21. Operador de empilhadeira e trator industrial
  22. Supervisor de bombeiros
  23. Mestre de obras e acabador de concreto
  24. Lavador de louça
  25. Alimentador e auxiliar de máquinas
  26. Operador de máquinas de embalagem e enchimento
  27. Preparador de equipamentos médicos
  28. Trabalhador de manutenção rodoviária
  29. Ajudante de produção
  30. Prostodontista (destista especializado em próteses dentárias)
  31. Reparador e troca de pneus
  32. Engenheiro naval
  33. Instalador e reparador de vidros automotivos
  34. Cirurgião bucomaxilofacial
  35. Operador de planta e sistemas (diversos)
  36. Embalsamador
  37. Ajudante de pintor, encanador e funções similares
  38. Trabalhador na remoção de materiais perigosos
  39. Auxiliar de enfermagem
  40. Flebotomista (responsável pela extração do sangue em pacientes)

Segundo levantamento da ONU, Brasil sai oficialmente do Mapa da Fome

O Brasil saiu novamente do mapa da fome, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) em um relatório divulgado na última segunda-feira (28). Assim, de acordo com o levantamento feito pela FAO, agência da ONU especializada em alimentação e agricultura, o risco de subalimentação (situação em que uma pessoa, de forma habitual, consome uma alimentação insuficiente em quantidade e deficiente em elementos essenciais para se manter saudável e com uma vida ativa) está abaixo de 2,5% no Brasil, o que tirou o país do Mapa da Fome.

Anúncio que oficializou o Brasil fora do mapa da fome

O anúncio foi feito durante a 2º Cúpula de Sistema Alimentares da ONU, em Adis Abeba, na Etiópia. Vale ressaltar, que o Brasil já havia saído desta lista no ano de 2014, porém, após um estudo dos dados de 2018 a 2020, a ONU recolocou o país na categoria, mostrando um aumento da insegurança alimentar no período.

A FAO aponta alguns indicadores para o monitoramento da situação alimentar dos países. Um dos mais importantes é o PoU (Prevalence of Undernourishment). O cálculo, segundo o portal Agência Brasil, é feito a partir de três variáveis: a quantidade de alimentos disponíveis no país, considerando produção, importação e exportação; o consumo de alimentos pela população, levando em conta as diferenças de renda; e a quantidade mínima de calorias por dia definida para um indivíduo médio representativo da população.


Post do presidente Lula sobre a saída do Brasil do Mapa da Fome (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


O cenário brasileiro atual

Mesmo fora do Mapa da Fome, o Brasil ainda se encontra em um cenário preocupante: cerca de 35 milhões de pessoas convivem com a dificuldade de se alimentar. Essa situação é classificada pela ONU como insegurança alimentar, quando a falta de recursos obriga as famílias a reduzirem a qualidade ou a quantidade dos alimentos consumidos. Ou seja, em casos mais graves, isso pode significar ficar um dia inteiro, ou mais, sem comer.

Especialistas ouvidos pelo portal de notícias G1 explicam por que o Brasil, mesmo sendo um dos maiores produtores de alimentos do mundo, ainda enfrenta dificuldades para alimentar sua própria população. Um dos motivos apontados é o grande volume de produção voltado à exportação. Outros citam o alto preço dos alimentos aliado à falta de renda. Há ainda quem destaque fatores como as mudanças climáticas, entre outros.

Primeiro-Ministro do Canadá acusa israel de bloquear as ajudas humanitárias a Gaza

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, criticou Israel por violar o direito internacional e impedir a entrega de auxílio financeiro à população de Gaza. O ministro, que usou suas redes sociais, classificou os recentes acontecimentos como um “desastre humanitário em Gaza” e pediu que todas as partes envolvidas no conflito negociem um cessar-fogo.

“O Canadá apela a todas as partes para que negociem um cessar-fogo imediato de boa-fé. Reiteramos nossos apelos para que o Hamas liberte imediatamente todos os reféns e para que o governo israelense respeite a integridade territorial da Cisjordânia e de Gaza”, escreveu Carney.


Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney (foto: reprodução/X/@MarkJCarney)


O Canadá, que sempre defendeu a criação de dois Estados para ambos os países, a fim de garantir a paz e a segurança dos civis palestinos e israelenses, afirmou que fará o possível para que os fóruns aceitem esse acordo e coloquem um fim ao conflito. Ele também anunciou uma conferência de alto nível da ONU na cidade de Nova York, que buscará uma solução favorável para israelenses e palestinos.

A fome em Gaza

Um vídeo publicado nesta quinta-feira (24) pela agência Reuters mostra crianças palestinas em estado grave de desnutrição sendo atendidas em um hospital de Khan Younis, na Faixa de Gaza. Enquanto a ONU e organizações humanitárias pressionam Israel, o governo de Benjamin Netanyahu afirma que o grupo Hamas e a própria ONU dificultam a entrega de alimentos à população.

Mais de cem organizações humanitárias e de direitos humanos alertaram sobre a crescente “fome em massa” que afeta os mais de 2 milhões de palestinos em Gaza. A ONU descreve a situação como um verdadeiro “show de horrores”.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), órgão ligado às Nações Unidas, afirmou nesta semana que a crise alimentar em Gaza atingiu níveis inéditos de desespero, com um terço da população passando vários dias sem se alimentar.

Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou que 21 crianças com até cinco anos morreram de desnutrição em 2025.

“‘As pessoas em Gaza não estão nem mortas nem vivas, são cadáveres ambulantes’, disse-me um colega em Gaza nesta manhã”, afirmou Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina.


Primeiro-Ministro do Canadá acusa israel de bloquear as ajudas humanitárias a Gaza (foto: reprodução/Embed/getty images)


Brasil comunica adesão a ação contra Israel

Nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que o Brasil está em processo de adesão formal à ação movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), vinculada à ONU. Segundo o Itamaraty, a participação brasileira está na “fase final”. A ação foi iniciada em dezembro de 2023, quando o governo sul-africano acusou autoridades israelenses de praticarem “genocídio” contra o povo palestino.

A África do Sul solicitou à Corte Internacional que responsabilize Israel por supostas violações da Convenção sobre o Genocídio e assegure proteção imediata e ampla ao povo palestino. Em comunicado oficial, o governo brasileiro manifestou “profunda indignação diante dos repetidos atos de violência contra civis palestinos, que ocorrem não apenas na Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia”.

O conflito começou em outubro de 2023, após um ataque do grupo Hamas. No dia 7 de outubro, 251 pessoas foram feitas reféns, e Israel acredita que 50 delas ainda estejam na Faixa de Gaza, com cerca de 20 possivelmente vivas. Desde então, mais de 59 mil palestinos morreram e outros 143 mil ficaram feridos em Gaza, segundo dados divulgados pelas autoridades de saúde locais, até esta quarta-feira (23).

Gaza: Funcionários da ONU desmaiam de fome, alerta o chefe da agência para refugiados palestinos

Segundo denúncia feita nesta terça-feira (22) por Philippe Lazzarini, Comissário-geral da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA), funcionários da ONU, incluindo médicos e trabalhadores humanitários, estão desmaiando de fome e exaustão enquanto atuam na Faixa de Gaza. A situação extrema reflete o colapso humanitário no enclave e profissionais encarregados de prestar socorro enfrentam escassez severa de alimentos em condições de trabalho precárias.

Sinal de alerta

Em uma sequência de publicações em suas redes sociais, Philippe Lazzarini chama a atenção para o que ocorre na região. O comissário-geral informa que profissionais do serviço de ajuda humanitária em Gaza se alimentam uma vez ao dia, apenas com “lentilhas” e que esta situação coloca em risco o “sistema humanitário” em sua totalidade. A falta de suprimentos básicos tem feito os profissionais desmaiarem enquanto trabalham. 


Publicação do comissário-geral da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, sobre a situação em Gaza (Foto: reprodução/X/@UNLazzarini)

Outro alerta feito por Lazzarini refere-se à população civil Palestina em geral. Segundo o comissário, essas pessoas “estão como cadáveres ambulantes” e “uma em cada cinco crianças” sofrem de desnutrição severa. O funcionário da UNRWA afirma que a situação piora com o passar dos dias, devido ao esgotamento de suprimentos básicos para atender à população Palestina.

Conforme informou, as crianças em situação de vulnerabilidade necessitam, urgentemente, de ajuda, por estarem “fracas e magras”. Caso contrário, correm risco de morte por desnutrição. Lazzarini segue relatando o cenário, informando que a existência da população Palestina no enclave está “ameaçada”


População Palestina em Gaza à espera de alimentos (Fotos: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)


Por fim, o chefe da UNRWA pede que a ajuda humanitária realizada pela agência entre no enclave. Segundo Lazzarini, há o “equivalente a 6.000 caminhões carregados de alimentos e suprimentos médicos na Jordânia e no Egito”, esperando autorização do exército israelense para acesso à região e à população Palestina.

Ataque à sede da OMS

O cenário descrito por funcionários de agências de ajuda humanitária, jornalistas de guerra e civis palestinos, voltam os holofotes em direção à Faixa de Gaza. O alto comissariado da ONU informou que suprimentos básicos, com o passar dos dias, tornam-se escassos, colocando em risco a vida da população. 

Em coletiva de imprensa, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, também alertou sobre a situação. Segundo Jasarevic, o exército israelense atacou a sede da organização, na última investida por terra, na cidade de Deir al-Balah, região central da Faixa de Gaza. O fato ocorreu na última segunda-feira (21), em nova escalada do conflito entre Israel e o grupo Hamas, em curso desde de outubro de 2023.


Relato de ataques à sede da OMS em Gaza (Vídeo: reprodução/Instagram/@who)


Conforme dados apresentados pela ONU, há um deslocamento interno da população Palestina. Estima-se que cerca de 1,9 milhão de pessoas vivam em abrigos improvisados, deslocando-se permanentemente a cada investida do exército de Israel. Segundo declarações, famílias são dizimadas a cada dia, à espera de comida, medicamentos e ajuda necessária para a sobrevivência em uma região devastada pela guerra, sem indícios para um cessar-fogo imediato. 

20 países pedem fim imediato da guerra em Gaza no Oriente Médio

Nesta segunda-feira (21), mais de 20 países, incluindo a França, Reino Unido, Japão, Itália, Canadá e outros pediram o fim imediato do conflito em Gaza, fazendo um apelo pela distribuição de insumos básicos de forma justa e emergencial, como água e comida para os civis palestinos afetados pelo conflito, criticando o modelo atual de distribuição de ajuda do governo de Israel.

Apelo internacional

Os 20 países fizeram uma declaração conjunta apelando para o fim do conflito na faixa de Gaza, alegando que mais de 800 palestinos foram mortos quando tentavam buscar ajuda. Na declaração, também criticaram o modelo atual de ajuda imposto pelo governo israelense, chamando de “distribuição de ajuda por gotejamento e assassinato desumano de civis“.


A maioria dos civis mortos estavam nas proximidades da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), fundação que os Estados Unidos e Israel apoiaram para liderar a distribuição de ajuda humanitária na faixa de Gaza, liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Crianças esperam em fila para pegar comida oferecida por cozinhas solidárias em Gaza (Foto: reprodução/REUTERS/Saleh Salem)

Reforçaram que o modelo atual de ajuda é perigoso e que alimenta a instabilidade, além de privar os civis de sua dignidade humana, que tem sido dificultado nos últimos dias para os civis.

Pressão externa e interna

Países que apoiam e são aliados de Israel também estão se posicionando a favor do fim do conflito em Gaza, sendo um deles os Estados Índios, o seu maior aliado. 

A GHF usa empresas privadas de segurança e logística dos Estados Unidos para levar suprimentos básicos para os civis em Gaza, contornando um sistema de ajuda humanitária liderado pela ONU. O governo de Israel alega que o sistema possibilitou que militares libertados do Hamas saqueassem carregamentos de ajuda para civis afetados pela guerra. O grupo Hamas nega a alegação do governo israelense. 

A ONU considera o sistema de ajuda do GHF como inseguro e uma violação dos padrões de imparcialidade humana no conflito.

Brasil apoia ação na ONU contra Israel por genocídio

Em 23 de julho de 2025, em Brasília, o governo brasileiro anunciou formalmente sua adesão à ação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), da ONU, que acusa Israel de cometer genocídio contra o povo palestino. A decisão foi motivada pelas contínuas violações de direitos humanos observadas pelo Itamaraty nas regiões da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, no contexto do conflito iniciado em outubro de 2023. O posicionamento, que faz parte da atual política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi divulgado em nota oficial e reafirmado pelo chanceler Mauro Vieira, durante reunião do Brics e em declarações à imprensa internacional.

Conflito em Gaza e críticas à atuação israelense

A decisão brasileira foi tomada após sucessivas denúncias de massacres contra civis, destruição de infraestrutura civil, ataques a locais religiosos e uso da fome como arma de guerra por parte de Israel. Segundo o Itamaraty, os episódios violam normas do Direito Internacional e da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, adotada em 1948 pela ONU.

Além da adesão formal à ação liderada pela África do Sul, o governo brasileiro voltou a condenar publicamente as ações militares de Israel na região, classificando-as como “carnificina” e “genocídio”, conforme declarou o chanceler Mauro Vieira. Em diversas ocasiões, tanto o ministro quanto o presidente Lula vêm exigindo um cessar-fogo imediato e o envio ininterrupto de ajuda humanitária à população Palestina.

Reações e repercussões diplomáticas

A decisão foi criticada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), que afirmou que o governo Lula abandonou a tradicional neutralidade da política externa brasileira. Em nota, a entidade acusou o Itamaraty de adotar “falsas narrativas” e afirmou que responsabilizar Israel pelas mortes em Gaza é uma distorção dos fatos. A Conib também argumentou que a acusação de genocídio é “falsa e perversa” e desrespeita a memória do Holocausto.


Cidade de Gaza destruida apos as guerras (Foto: reprodução/Unsplash/mhmedbardawil)

Segundo a organização, o Hamas, apontado por diversos países como grupo terrorista, iniciou o conflito ao atacar Israel em outubro de 2023 e utiliza civis como escudos humanos, agravando a crise. Para a Conib, qualquer ruptura no relacionamento histórico entre Brasil e Israel é equivocada e não representa a vontade da maioria dos brasileiros.

Ainda segundo o Itamaraty, a adesão à ação internacional é necessária para combater a impunidade e reafirmar o compromisso do Brasil com o multilateralismo e o respeito ao direito internacional humanitário.

Ajuda humanitária e impasse político no Conselho de Segurança

Mais de 100 organizações humanitárias já alertaram sobre o risco iminente de fome generalizada em Gaza. O Itamaraty também lamentou a paralisia do Conselho de Segurança da ONU, devido ao poder de veto dos membros permanentes. “A comunidade internacional não pode assistir inerte à destruição de vidas civis”, declarou Vieira. Enquanto isso, cresce a pressão para que soluções diplomáticas e jurídicas tragam respostas concretas à população Palestina.

Mortes por desnutrição levam ONU e UE a pressionar Israel por ajuda em Gaza

Na última terça-feira (22), na Faixa de Gaza, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE) pediram formalmente que o governo de Israel facilite a entrada de ajuda humanitária na região. A pressão internacional foi intensificada após relatos de que, somente nas últimas 48 horas, ao menos 20 pessoas teriam morrido de desnutrição. O episódio reforça uma onda de indignação global provocada por imagens de palestinos mortos enquanto tentavam acessar alimentos básicos.

Segundo autoridades das Nações Unidas, mais de mil pessoas já perderam a vida desde 27 de maio, data em que Israel iniciou operações conjuntas com os Estados Unidos para a distribuição de suprimentos. Ainda assim, o esquema montado foi descrito por a ONU como “uma armadilha mortal sádica”, destacando a gravidade do contexto humanitário.


Mãe chora a morte do filho Yehia, de apenas três meses, vítima de desnutrição em meio à crise de fome na Faixa de Gaza (Foto: reprodução/REUTERS/Hatem Khaled)

A porta-voz da Agência da ONU para Refugiados Palestinos afirmou que médicos, jornalistas e trabalhadores humanitários já enfrentam quadros extremos de fome e exaustão. De acordo com comunicado da agência France Presse, profissionais de imprensa não têm mais forças sequer para seguir com as reportagens — e correm risco de morrer se não forem retirados da região.

Reações internacionais expõem mal-estar com Israel

As críticas foram reforçadas por declarações de autoridades internacionais. Durante uma entrevista em Londres, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Lammy, classificou as imagens como “horrorizantes e nojentas”. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que as cenas são “insuportáveis”.

O governo de Israel nega a existência de fome generalizada na Faixa de Gaza e acusa o Hamas de desviar os alimentos destinados à população civil. Em resposta, o Hamas atribuiu ao bloqueio e à escassez de insumos a responsabilidade pelas mortes.

A crise humanitária em Gaza continua sendo acompanhada com preocupação por órgãos internacionais, que pedem acesso seguro, contínuo e desobstruído para o envio de alimentos e suprimentos médicos.