Lula promete rigor total em apuração de fraude no INSS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as investigações sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não farão distinções. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (18/12), durante um encontro com jornalistas, em Brasília.

Segundo o presidente, qualquer pessoa eventualmente envolvida no esquema será alvo de apuração, sem exceções por vínculos pessoais ou políticos. Lula afirmou que a responsabilidade deve alcançar todos os níveis. “Se tiver filho meu metido nisso, será investigado”, declarou, ao reforçar a necessidade de rigor institucional.

Investigações avançam e revelam novos elementos

No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da operação que investiga irregularidades em benefícios previdenciários. A princípio, a apuração identificou transações financeiras atribuídas ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ainda de acordo com os investigadores, os pagamentos teriam como destinatária Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Fábio Luís da Silva, filho do presidente. Roberta é herdeira de um banqueiro e mantém relação histórica com quadros ligados ao Partido dos Trabalhadores.


Operação contra fraude já prendeu oito pessoas (Vídeo: reprodução/YouTube/Band Jornalismo)


Até o momento, contudo, as autoridades não indicaram participação direta do presidente ou de familiares no esquema investigado. A Polícia Federal segue analisando a origem dos recursos e a finalidade das transferências. Como o INSS integra a administração federal, os processos relacionados às suspeitas tramitam na Justiça Federal. As investigações concentram-se em possíveis descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões, prática que teria afetado milhares de beneficiários em diferentes regiões do país.

Ressarcimento e ações recentes do INSS

Enquanto as apurações avançam, o governo federal iniciou, em agosto, o ressarcimento das vítimas dos descontos irregulares. Até agora, mais de R$ 1 bilhão foi devolvido aos beneficiários prejudicados. Dados oficiais indicam que cerca de 1,6 milhão de aposentados e pensionistas já receberam os valores integrais, com correção monetária. O Executivo afirma que os pagamentos continuarão até a conclusão de todos os casos identificados.

Além disso, em outubro, o INSS passou a alertar aproximadamente 4 milhões de beneficiários que ainda não realizaram a prova de vida. Os comunicados foram enviados por meio de extratos bancários impressos e digitais. O procedimento segue sendo obrigatório para garantir a regularidade dos pagamentos. Por fim, em novembro, o instituto anunciou a antecipação de benefícios para moradores de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, atingidos por um tornado. A medida buscou garantir assistência imediata às famílias afetadas pela tragédia.

Perícia confirma fraude em assinaturas de Ana Hickmann

Nesta quarta-feira (17), a equipe de Ana Hickmann informou atualizações sobre a acusação de fraude e uso não autorizado do nome da apresentadora. Um novo laudo pericial confirmaria a falsificação de assinaturas da apresentadora em diversos contratos bancários, permitindo que a investigação continuasse seguindo.

De acordo com comunicado da assessoria à imprensa, a perícia judicial teria concluído que as assinaturas presentes em contratos com o Banco Safra não tem a grafia correspondente à da própria Ana Hickmann, além de destacar que laudos prévios já haviam identificado outras falsificações em documentos de outros bancos, como o Banco do Brasil e o Itaú.

Resultados da perícia

No texto divulgado pela assessoria, a equipe de Ana Hickmann afirma que os resultados da perícia comprovam que terceiros utilizaram o nome da artista sem o seu consentimento prévio. O comunicado também, além de reforçar a tese de fraude, sustenta que a apresentadora foi lesada pelas ações e não teria nenhuma responsabilidade sobre os contratos e ações.

Durante o lançamento da nota de sua assessoria, Ana estaria em viagem de família com filho e Edu Guedes, seu atual marido. A viagem foi para a Amazônia, e foi marcada por um carrossel de fotos publicado pela apresentadora justamente no dia do lançamento da nota da assessoria.


Viagem de Ana Hickmann (Foto: reprodução/Instagram/@ahickmann)


Cláudia Helena dos Santos, ex-assistente pessoal de Ana, é a principal suspeita das falsificações. Essa teoria ganhou mais força após um áudio de Bruna Petineli, ex-diretora financeira da empresa da apresentadora, vazar e exibir material que estaria afirmando que as assinaturas eram falsificadas a pedido de Alexandre Correa, o ex-marido da apresentadora. As defesas de Cláudia e Alexandre ainda não se manifestaram sobre as acusações e o laudo.

Entenda o caso

Ana Hickmann acusa Alexandre Correa de forjar 48 assinaturas em seu nome. Segundo a defesa da apresentadora, Claudia Helena dos Santos realizava as imitações de forma recorrente, basicamente criando uma nova assinatura que pudesse ser atribuída à patroa.

As assinaturas teriam sido utilizadas em contratos com os bancos Safra, Itaú e Daycoval. Na época das primeiras acusações, Alexandre e Cláudia negaram o envolvimento com o caso, com o ex-marido afirmando que não havia como provar se as assinaturas eram ou não da apresentadora. Cláudia também disse que nunca havia assinado documentos em nome de Ana: “Qual interesse eu teria de assinar um contrato em nome da Ana para o dinheiro ir para a empresa dela? Nenhum”.

Cláudia também havia declarado que nunca havia desviado valores, e que seu sigilo bancário já tinha sido analisado. Ana Hickmann, de acordo com sua ex-assistente, teria pedido anteriormente para que Cláudia escolhesse de qual lado ela ficaria no conflito, e ela teria respondido que estaria ao lado da verdade. O caso continua em investigação, aguardando novos desdobramentos.

PF faz nova ofensiva contra fraudes em contas de jogadores e treinadores de futebol

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (13/11), no Rio de Janeiro, uma nova etapa da Operação Fake Agents, com o objetivo de desarticular um esquema que teria autorizado saques irregulares do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em nome de jogadores, ex-jogadores e treinadores de futebol. Entre os alvos, estão bancários suspeitos de facilitar movimentações ilícitas.

De acordo com os investigadores, o montante movimentado de forma fraudulenta entre 2022 e 2024 chega a aproximadamente R$ 7 milhões. A investigação apontou que o golpe começou a se desenhar após um alerta de banco privado quanto à abertura de contas falsas com documentos de atletas.

Como funcionava o esquema e quem são as vítimas

O esquema investigado envolvia a abertura de contas bancárias em nome de atletas, inclusive estrangeiros com passagem pelo futebol brasileiro, para movimentação irregular de FGTS. Em um dos casos destacados, o nome de Paolo Guerrero foi usado para fraude de cerca de R$ 2,2 milhões.

A ação desta fase cumpriu mandados em três residências de funcionários da Caixa Econômica Federal localizadas nos bairros da Tijuca, Ramos e Deodoro, além de uma agência no Centro do Rio. Entre as vítimas identificadas, estão nomes como Ramires, Raniel, João Rojas e Christian Titi (Christian Chagas Tarouco).


SBT Rio comenta sobre a operação Fake Agentes (Vídeo: reprodução/X/@sbtrio)


Líder do esquema e suspeitas de corrupção bancária

As investigações apontam que uma advogada, Joana Costa Prado de Oliveira, atuava como chefe do grupo que coordenava as fraudes, usando procurações, documentos de atletas e contatos internos na Caixa. A profissional teve sua carteira da OAB suspensa preventivamente.

Funcionários bancários são suspeitos de liberar valores, enquanto documentos falsos eram usados para dar aparência legal às movimentações. As autoridades acreditam que o uso combinado de influência, falsificação e contas controladas criou uma estrutura sofisticada que permitiu os desvios.

Implicações e medidas cabíveis

Os responsáveis pelo esquema podem responder pelos crimes de falsificação de documento público, estelionato e associação criminosa, entre outras infrações que venham a ser comprovadas.

Para os atletas e treinadores afetados, o golpe levanta preocupação, não só pelo prejuízo financeiro, mas pela invasão de seus nomes e documentos em fraudes. Há também impacto reputacional e necessidade de maior fiscalização por parte de clubes e instituições financeiras.

A investigação da PF, apoiada pela Inteligência da Caixa, busca restaurar a segurança dos sistemas bancários e restabelecer a confiança de quem trabalha no esporte.

Jogador e técnico da NBA são presos pelo FBI em investigação de fraudes financeiras

Nos últimos dias, a NBA foi surpreendida com uma notícia que abalou o cenário esportivo: o armador Terry Rozier, do Charlotte Hornets, e o técnico Chauncey Billups foram detidos pelo FBI. As prisões fazem parte de uma investigação envolvendo supostos esquemas de fraude financeira que estariam ligados a transações externas ao esporte. A informação já provocou repercussão nos Estados Unidos e levantou questionamentos sobre os impactos dessas ações dentro da liga.

As autoridades federais não divulgaram todos os detalhes da investigação, mas confirmaram que há indícios de que os acusados estariam envolvidos em movimentações irregulares de valores significativos. Apesar de não haver comprovação final de culpa até o momento, o episódio coloca em xeque a imagem de dois profissionais respeitados dentro da NBA e gera expectativa sobre possíveis desdobramentos legais.

Repercussão imediata e reação da liga

A NBA se pronunciou oficialmente, informando que está colaborando com as autoridades e acompanha o caso de perto. Segundo o comunicado, a liga reforça seu compromisso com a integridade do esporte e destaca que quaisquer irregularidades serão tratadas com rigor, independentemente da posição ou fama do envolvido.

Internamente, jogadores e técnicos da liga manifestaram surpresa com as prisões. Rozier e Billups são figuras conhecidas, não apenas pelo desempenho em quadra, mas também por suas trajetórias fora dela. A notícia gerou discussões sobre a importância de programas de educação financeira e acompanhamento de atletas e profissionais dentro do esporte profissional, visando prevenir situações semelhantes.


Postagem no X comenta sobre as prisões (Vídeo:reprodução/X/@DigitalGal_X)

Consequências e próximos passos

As prisões podem gerar impactos diretos nas equipes. Rozier, atuando como armador titular, pode ficar afastado até que haja definição judicial, o que poderia alterar a dinâmica do Charlotte Hornets. Já Billups, técnico do Portland Trail Blazers, precisará lidar com o período de instabilidade e possíveis ausências em compromissos oficiais.

Especialistas apontam que o caso será acompanhado de perto por advogados e por órgãos de fiscalização da liga. Enquanto isso, a NBA continua suas competições normalmente, mas com atenção especial às próximas atualizações do caso. O episódio reforça como a atuação fora das quadras pode interferir diretamente na imagem e na rotina de profissionais do esporte de alto nível.

 

 

MPDFT quer incluir estelionato em caso contra Bruno Henrique

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recorreu de uma decisão do Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) envolvendo o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, e seu irmão, Wander Lima Pinto Júnior. Ambos são acusados de envolvimento em manipulação de resultados no futebol.

O recurso, apresentado nesta terça-feira (12), pede que os dois também sejam denunciados por estelionato. O juiz responsável pelo caso, Fernando Brandini Barbagalo, entendeu que Bruno Henrique não representa risco de fuga e não questionou a decisão de primeira instância.

Se forem condenados por fraude esportiva, os réus podem receber penas que variam de dois a seis anos de prisão, além de multa.

Fiança de R$ 2 milhões

No mesmo documento, o MPDFT solicita a fixação de fiança no valor de R$ 2 milhões. A medida visa garantir que Bruno Henrique não interfira nas investigações e compareça caso seja chamado novamente para prestar depoimento.

A análise do pedido ficará a cargo dos magistrados responsáveis, mas ainda não há prazo para a decisão. Bruno Henrique foi denunciado por fraude esportiva em 16 de julho, há quase um mês.


A petição, enviada nesta terça-feira (12), pede que a dupla também seja denunciada por estelionato ( Foto: reprodução/Instagram/@leodias)


Cartão amarelo investigado

O jogador é investigado por, supostamente, ter recebido um cartão amarelo de forma proposital na partida contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro de 2023. A conduta teria favorecido apostadores ligados ao esquema.

Além do MPDFT, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) também denunciou o atacante, que pode ser suspenso do futebol por, no mínimo, seis meses. O caso ainda será julgado.

Se confirmadas as acusações, o episódio pode se tornar um dos mais recentes casos de manipulação de resultados envolvendo um atleta de destaque no cenário brasileiro, reforçando a preocupação com a integridade esportiva no país. O caso também mobilizou a atenção da imprensa esportiva e dos torcedores, gerando debates sobre ética no esporte.

O episódio levantou questionamentos sobre a necessidade de medidas mais rigorosas para coibir fraudes no futebol brasileiro. A investigação segue em andamento, com novos desdobramentos esperados nas próximas semanas.

Descontos ilegais em aposentadorias crescem 2,5 vezes e movimentam bilhões em esquema fraudulento

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que entidades de aposentados e pensionistas aumentaram em 2,5 vezes a quantidade de descontos sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os repasses financeiros para essas associações cresceram 6,5 vezes no mesmo período. Uma investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que, desde 2019, essas entidades descontavam valores de aposentados sem autorização, sob a alegação de oferecer serviços. O esquema pode ter desviado R$ 6 bilhões.

Em março de 2020, 2 milhões de pessoas tinham descontos em folha – 75% vinculados à Contag. Em abril de 2024, o número saltou para 8 milhões. Até esta semana, 1,6 milhão já pediram reembolso dos valores indevidamente cobrados.

Contag liderava esquema com 75% dos descontos iniciais

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag) emergiu como a principal protagonista nos estágios iniciais do esquema de descontos ilegais. Os dados revelam que em março de 2020, a Contag concentrava 1,5 milhão dos 2 milhões de beneficiários com descontos (75% do total). Seu domínio no sistema era tão expressivo que equivalia a 3 em cada 4 descontos realizados naquele período. A entidade manteve posição de destaque mesmo com a explosão posterior no número de associações participantes.

Apesar do crescimento de outras entidades ao longo dos anos, a Contag permaneceu como um caso paradigmático da falha de fiscalização, demonstrando como uma única organização conseguia operar em larga escala sem os devidos controles.

CGU identifica cadastros em massa e falhas graves de fiscalização

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) detectou 42 situações em que uma única associação incluiu mais de 50 mil descontos em um único mês – volume que exigiria até 1.569 filiações por hora, uma operação logisticamente inviável. O relatório apontou que as entidades não tinham estrutura para justificar o volume de descontos e que o INSS falhou na fiscalização do processo.

“Estimando-se a quantidade de filiações/autorizações diárias (considerando 20 dias por mês), e a quantidade de filiações/autorizações por hora (considerando um regime de 8 horas de trabalho diários), para essas dez entidades, seria necessário realizar entre 778 e 1.569 filiações por hora”, avaliou a CGU.

O INSS falhou em exigir comprovação da capacidade operacional, fiscalizar o processo de filiação e validar as autorizações de desconto.

A CGU determinou que mesmo com sistemas eletrônicos, seria impossível validar a autenticidade dos descontos na escala observada, evidenciando que o esquema dependia necessariamente de automação irregular de processos, falta de verificação documental e conivência ou negligência no controle interno.

Biometria facial: medida crucial para frear fraude

A implementação da biometria facial em 2024 representou um divisor de águas no combate ao esquema de descontos ilegais, embora inicialmente tenha sido burlada. A medida foi instituída através de Instrução Normativa assinada em março de 2024 pelo então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto – posteriormente demitido no âmbito da Operação Sem Desconto. O sistema exigia assinatura digital válida, biometria facial do beneficiário e registro biométrico para todos os cadastrados a partir de 2021.

Mesmo com a biometria, servidores do INSS tentaram encontrar brechas para manter cadastros irregulares. A tecnologia, porém, mostrou-se eficaz em identificar inconsistências nos registros, bloquear cadastros sem comprovação biométrica válida e garantir a autenticidade das autorizações.

A redução no número de associados representou uma significativa diminuição no fluxo de recursos para as associações, invertendo a tendência de crescimento constante observada desde 2020. A biometria se mostrou a ferramenta mais eficaz até o momento para proteger os beneficiários, embora o sistema ainda exija aprimoramentos para eliminar completamente as fraudes.

Números do esquema revelam crescimento descontrolado e lucratividade recorde

O esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários apresentou um crescimento exponencial e descontrolado, com números que revelam sua impressionante magnitude e capacidade de arrecadação ilícita. Entre março de 2020 e janeiro de 2025, o número de entidades participantes saltou de apenas 10 para 37 associações, um aumento de 270% na base de organizações envolvidas no sistema.


Prédio da Previdência Social (Foto: reprodução/Joa Souza/Getty Images Embed)


Paralelamente, a quantidade de beneficiários com descontos em folha expandiu-se de 2 milhões para quase 8 milhões de cadastrados no mesmo período, atingindo seu ápice em abril de 2024. O mês de março daquele ano registrou um recorde histórico, com 796,6 mil novos cadastros realizados em um único mês, marca jamais alcançada antes ou depois dessa data.

Os valores movimentados pelo esquema acompanharam essa escalada vertiginosa. Em termos mensais, os repasses saltaram de R$ 40,4 milhões em março de 2020 para R$ 306,8 milhões em janeiro de 2025, uma multiplicação por 6,5 vezes em cinco anos. Na comparação anual, o período de março a dezembro de 2020 totalizou R$ 412 milhões em descontos, enquanto nos mesmos meses de 2024 o valor atingiu a impressionante marca de R$ 2,9 bilhões, crescimento de 604% em quatro anos. Essa curva ascendente manteve-se constante e exponencial desde 2020, com aumentos mensais consecutivos na maioria dos períodos e picos coincidentes com momentos de menor fiscalização.

A discrepância entre a capacidade operacional real das entidades e os números apresentados é ainda mais reveladora. Enquanto o recorde mensal chegou a quase 800 mil cadastros, a capacidade técnica comprovada por entidade não ultrapassava 50 mil mensais, uma diferença que em alguns casos alcançava 1.500% do volume tecnicamente viável.

Esses números evidenciam como o esquema transformou-se numa máquina de arrecadação ilegal, aproveitando-se sistematicamente das fragilidades do sistema previdenciário para drenar recursos públicos em escala bilionária, até que a implementação da biometria facial em 2024 começasse a frear sua expansão desenfreada.

Tebet não descarta uso de dinheiro público para ressarcir lesados pelo INSS

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, anunciou nesta quinta-feira (8) que o governo federal está trabalhando para compensar aposentados e pensionistas afetados por descontos irregulares no INSS. Ela explicou que, na próxima semana, sua pasta definirá a origem dos recursos para a devolução dos valores.

Inicialmente, o plano prevê a utilização de bens apreendidos para viabilizar o ressarcimento. Entretanto, caso o montante não cubra totalmente os prejuízos, o governo federal poderá complementar a quantia necessária para garantir o pagamento aos beneficiários.

Tebet detalha plano de compensação

Ainda, de acordo com a ministra, o governo está na segunda fase do processo de identificação dos prejudicados por descontos indevidos. Neste momento, está sendo aberto um prazo para que as vítimas possam se manifestar e comprovar que foram lesadas. A partir da próxima semana, as equipes do Orçamento e da Fazenda assumirão a condução da solução para o ressarcimento.

Ressarciremos todos os prejudicados. No entanto, devemos considerar que os recursos não virão apenas da apreensão de bens, pois podem ser insuficientes. Se for necessário, a União complementará o valor, utilizando dinheiro público”, afirmou Tebet.


Simone Tebet garantiu o ressarcimento, mesmo que a União cubra uma parte (Foto: reprodução/Instagram/@simonetebet)


Operação “sem desconto”

Além disso, Tebet também comentou sobre a “Operação Sem Desconto”, da Polícia Federal. Segundo ela, a investigação só foi possível graças à cooperação do governo federal, que incentiva a punição dos responsáveis.

A força-tarefa da Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União, apura um esquema de descontos indevidos no INSS. As investigações indicam que, entre 2019 e 2024, diversas entidades realizaram cobranças sem autorização dos beneficiários, causando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões.

Consignados liberados em 2023 estão sob suspeita

À medida que as investigações avançam, a Polícia Federal questiona a legitimidade dos empréstimos consignados, que totalizaram quase R$ 90 bilhões só em 2023. É importante frisar, mais uma vez, que o montante de quase R$ 90 bi refere-se a todo valor liberado em consignados pelo INSS em 2023, e não que essa seja a quantia desviada.

Contudo, Tebet — que participo do leilão de concessão da Rota da Celulose, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo, comentou sobre a polêmica entorno desse valor. Ela disse que a PF apura um possível vínculo entre as cobranças indevidas realizadas por associações e a contratação irregular de empréstimos sem autorização de aposentados.

Entretanto, a principal hipótese é que essas práticas fraudulentas estejam interligadas, permitindo que as empresas ampliassem o número de vítimas. Estima-se que cerca de 4,1 milhões de aposentados e pensionistas podem ter sido vítimas do esquema de fraudes no INSS.

Vídeo de Nikolas sobre crise do INSS bate 100 milhões de visualizações

Chegou à marca de 100 milhões de visualizações nas redes sociais, em apenas 24 horas, o vídeo do deputado Nikolas Ferreira no qual ele acusa o governo Lula de omissão diante das fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.  O parlamentar classifica o episódio como o “maior escândalo da história do país”.

 O deputado rebate versão defendida pela esquerda de que o esquema teria origem no governo do ex-presidente Bolsonaro (PL). No vídeo, ele convida seus seguidores a pressionarem os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a instalação de uma CPI que investigue o caso.

Vídeo Viral

Nikolas já utilizou deste formato de publicação anteriormente. Em janeiro deste ano, ele fez um vídeo sobre o monitoramento do Pix, que viralizou, sendo apontado como fator de recuo do governo na medida proposta pela Receita Federal. Após o episódio, o deputado ultrapassou o presidente Lula em número de seguidores.


Nikolas Ferreira viraliza com vídeo sobre crise do INSS (Vídeo: reprodução/Instagram/@nikolasferreiradm)


Deputado segue com o formato que consagrou figura de relevância nas redes.

Investigação e consequências

A repercussão do novo vídeo ocorre logo após o início de uma megaoperação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), no fim de abril, para investigar descontos indevidos aplicados sobre benefícios do INSS. As investigações apontam que o valor descontado chega a R$ 6,3 bilhões, que aconteceram entre 2019 e 2024.

O escândalo já trouxe consequências políticas. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado por decisão judicial e em seguida demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim também como Carlos Lupi, ministro da Previdência, anunciou sua saída.

Após a operação, o governo suspendeu todos os acordos que permitiam descontos diretos em aposentadorias e pensões. Diante das circunstâncias e repercussão do conteúdo de Nikolas Ferreira, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que será necessário produzir conteúdos de resposta para “rebater” o vídeo do deputado com outras publicações.

Fraude no INSS: investigação revela 35 mil reclamações sobre empréstimos consignados

A força-tarefa da Polícia Federal para investigar o esquema de fraudes no INSS apontou nesta segunda-feira (5) um possível novo golpe: os falsos empréstimos consignados.

De acordo com a investigação, em 2023 — ano em que o INSS liberou quase R$ 90 bilhões em empréstimo—, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou 35 mil reclamações. O problema envolve empréstimos consignados concedidos sem solicitação dos beneficiários.

Nesta fase, a investigação avança sobre o Dataprev, órgão responsável pelo controle e processamento dos dados da previdência social. Embora esteja no início, já se considera a possibilidade de que os valores desviados sejam superiores aos anunciado. Apesar disso, o novo presidente do INSS, Gilberto Waller, promete uma devolução “rápida e sem burocracia”.


Gilberto Waller, novo presidente do INSS, promete devolução rápida dos valores descontados indevidamente (Foto: reprodução/X/@gazetadopovo)

Empréstimos sem autorização do aposentado

Segundo as investigações, algumas instituições financeiras e correspondentes bancários aprovavam empréstimos sem o consentimento dos beneficiários, utilizando apenas dados pessoais obtidos de forma irregular e, na maioria das vezes, sem a exigência da biometria.

Em muitos casos, aposentados e pensionistas só descobriam o problema ao perceber descontos inesperados em seus benefícios. Além disso, havia situações em que os empréstimos eram refinanciados sem autorização, aumentando o valor das parcelas e dificultando o cancelamento.

Assim, a força-tarefa da PF, que investiga o esquema, também identificou conexões entre empresas que aplicavam cobranças indevidas e aquelas que liberavam consignados fraudulentos. A suspeita é de que essas práticas estavam interligadas para ampliar o número de vítimas.

Quase R$ 90 bilhões em empréstimos em 2023

Conforme o andamento das investigações, a Polícia Federal aponta que houve irregularidades em empréstimos consignados no INSS, que somaram quase R$ 90 bilhões só em 2023. O montante sob análise nesta fase da apuração supera os R$ 6 bilhões em cobranças indevidas já identificadas, ampliando a gravidade do escândalo e danificando o governo Lula.

No entanto, o caso já provocou mudanças no governo. O então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, pediu demissão após a repercussão do escândalo, sendo substituído por Wolney Queiroz. O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, também foi afastado pelo presidente Lula.

Oposição quer CPI da “farra do INSS”

Paralelamente às investigações da PF, a oposição reuniu o número necessário de assinaturas — 171 deputados e 27 senadores — para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar um esquema bilionário de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. O pedido será oficialmente protocolado nesta segunda-feira (5).

A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) lideraram a articulação. Elas afirmam que a CPMI terá como foco identificar os responsáveis e garantir que os valores indevidamente descontados sejam devolvidos aos beneficiários.

Por outro lado, o governo sustenta que a Polícia Federal já investiga o caso, reforçando que a CPI pode ser utilizada como ferramenta política contra o Palácio do Planalto. Diante disso, a instalação da CPI depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que precisa dar andamento ao requerimento e apresentá-lo em plenário.










Saiba onde Collor cumpre prisão domiciliar

Vista para o mar de Maceió, piscina privativa, bar, quatro suítes e um quarto de empregada. Esse é o cenário da cobertura duplex onde o ex-presidente Fernando Collor de Mello vai cumprir prisão domiciliar a partir desta quinta-feira, primeiro de maio. A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a defesa apresentar mais de 130 exames médicos que atestam que Collor tem doença de Parkinson desde 2019, além de transtorno bipolar e privação crônica de sono.

O apartamento fica no sexto andar do Edifício Residencial Chateau Larousse, na Avenida Álvaro Otacílio, em uma área valorizada do bairro Jatiúca, em Maceió. O imóvel foi penhorado pela Justiça do Trabalho de Alagoas em novembro de 2024 para garantir o pagamento de uma dívida de 264 mil reais a um ex-funcionário da TV Mar, emissora ligada ao grupo de comunicação de Collor. Avaliado em nove milhões de reais, o apartamento de 600 metros quadrados tem detalhes de alto padrão que constam no processo ao qual o g1 teve acesso.

Como é dividido o apartamento

A estrutura do imóvel é dividida em dois pavimentos. No primeiro andar há varanda, sala de estar, sala de jantar, galeria, gabinete, lavabo, adega, espaço de circulação, três suítes sendo uma delas máster, além de rouparia, despensa, copa, cozinha, área de serviço e o quarto de empregada com banheiro. Uma escada leva ao andar de cima, onde ficam mais uma suíte, um espaço de estar íntimo, dois terraços  um coberto e outro descoberto, jardineiras, dois banheiros, bar e uma piscina com vista para o mar.

Apesar de todo esse luxo, o imóvel não foi declarado por Collor na campanha ao governo de Alagoas em 2022. Na eleição de 2018, no entanto, o apartamento apareceu avaliado em um milhão e oitocentos mil reais, como bem adquirido em 2006.

Sobre a penhora

A cobertura continuará penhorada até fevereiro de 2028, prazo final para o pagamento do acordo. Se houver descumprimento, o imóvel pode ser leiloado. Esta não é a única propriedade bloqueada do ex-presidente. Uma mansão em Campos do Jordão também já foi penhorada por dívida trabalhista.


Fachada do prédio onde está localizado o apartamento de Collor (Foto: reprodução/x/@g1)

Condenado a oito anos e dez meses por corrupção e outros crimes investigados na Lava Jato, Collor estava preso em cela especial desde 26 de abril. Agora, passa a cumprir pena em casa com tornozeleira eletrônica, visitas restritas a advogados e impedimento de deixar o país. Os passaportes estão suspensos.