Secretário-geral da ONU faz discurso na Cúpula de Líderes

Nesta quinta-feira, dia 06 de novembro, António Guterres – o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) – discursou na Cúpula dos Líderes da COP 30, em Belém, evento que reúne autoridades que participarão da conferência. Durante o discurso, António Guterres fez críticas aos combustíveis fósseis e ao investimento neles, além de criticar o fracasso mundial da manutenção da temperatura global, que deveria aquecer menos de 1,5°C. O secretário-geral da ONU foi responsável pelo primeiro discurso da Cúpula dos Líderes da COP 30, evento que antecede a COP, e que marca a abertura do evento principal. 

O discurso

Durante o seu discurso na Cúpula dos Líderes, António Guterres falou que o aumento da temperatura global pode trazer efeitos socioeconômicos negativos, e que, para tentar reverter a situação climática atual, as nações deverão se unir e trabalhar juntas. “Precisamos de uma mudança fundamental de paradigma para limitar a magnitude e a duração dessa ultrapassagem e reduzi-la rapidamente”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas em seu discurso.


Sala de imprensa da COP 30 (Vídeo: Reprodução/Instagram/@portalg1)


Além disso, o português António Guterres também cobrou os países mais ricos, afirmando que eles deveriam ter ações com mais eficácia em relação à justiça climática. O secretário-geral da ONU também apontou que os obstáculos que são enfrentados para a mudança da situação climática são de cunho político, e pediu que a COP 30, que acontece em Belém, seja a virada de chave em relação à crise climática.

A COP 30

A Conferência das Partes, ou Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, acontecerá entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém, capital do estado do Pará. O evento internacional já tem a confirmação de participantes de 170 nações diferentes, e reunirá países como a China, a Espanha, a França, o Reino Unido e o Chile. Além das delegações dos países, outras organizações também participarão da COP 30.

Brasil se prepara para COP30 com 191 países credenciados

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, já tem 191 países credenciados, incluindo a Argentina de Javier Milei. O credenciamento, embora não garanta presença, representa um sinal de interesse político e diplomático. Até o momento, 143 delegações confirmaram presença na 30ª conferência climática, que será realizada em Belém–PA em novembro de 2025. A informação foi confirmada pela organização do evento e ressalta a expectativa de recorde de participação internacional.

A presença da Argentina, porém, gera incerteza. O presidente Javier Milei tem se posicionado contra parte da agenda climática global. No ano passado, ele retirou sua equipe técnica da COP29, no Azerbaijão, e chegou a ameaçar a saída do país do Acordo de Paris. Similarmente, a postura repete a estratégia adotada por Donald Trump nos Estados Unidos. Mesmo assim, o Brasil vê a adesão argentina como um gesto diplomático relevante.

EUA ficam fora e China ganha espaço nas negociações

Enquanto a Argentina chega à lista, os Estados Unidos permanecem fora. À primeira vista, o governo norte-americano decidiu não enviar representantes de alto nível para as negociações da COP30. A decisão coincide com a extinção do Office of Global Change, órgão do Departamento de Estado que coordenava a diplomacia climática do país. Consequentemente, a ausência norte-americana pode alterar o equilíbrio político da conferência e abrir espaço para maior protagonismo da China, que já sinalizou interesse em ampliar acordos de energia limpa e cooperação ambiental com países da América Latina.


Trump diz preferir a poluição causada pelo petróleo à energia eólica (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Durante o G20 de 2024, no Rio de Janeiro, a delegação argentina já havia criado impasses sobre o tema climático, dificultando consensos. O histórico retoma a dúvida sobre o engajamento efetivo de Milei na conferência.

Hospedagem e custos entram na pauta da COP30

Até setembro, 79 delegações já haviam confirmado a hospedagem em Belém. Contudo, o custo das diárias se tornou tema de debate entre a Organização das Nações Unidas (ONU), o governo brasileiro e o governo do Pará. Após negociações, ficou definido que as diárias não poderão ultrapassar US$ 600. A ONU também revisou o valor da Diária de Subsistência (DSA) para países em desenvolvimento, que passou de US$ 144 para US$ 197, visando equilibrar custos operacionais.

A capital Belém foi escolhida como sede durante a COP28, em Dubai. É a primeira vez que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas será realizada em uma cidade amazônica, reforçando a centralidade do Brasil no debate ambiental global.

ONU pede investigação rápida em megaoperação no Rio de Janeiro

A operação policial lançada nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, resultou em pelo menos 64 mortos até o momento, incluindo suspeitos, policiais civis e militares. O número já é considerado recorde em confrontos recentes na cidade. A ONU divulgou nota afirmando estar horrorizada com a escala da ação e reforçando que operações desse tipo devem ser acompanhadas de apuração imediata para garantir a proteção dos direitos humanos.

Além disso, a organização internacional destacou que é fundamental avaliar os impactos sobre a população civil, considerando que moradores relataram bloqueios de ruas, interrupção de serviços básicos e medo generalizado. A entidade cobrou que se realizem investigações rápidas e eficazes, lembrando que o Brasil possui compromissos internacionais em matéria de direitos humanos.

A operação e seus desdobramentos

Segundo informações iniciais, a ação contou com milhares de agentes, uso de blindados, drones e barricadas estratégicas. O governador Cláudio Castro afirmou que a operação visa conter a expansão da facção Comando Vermelho (CV) e que se trata da maior ação desse tipo nos últimos 15 anos.


Polícia Civil lamenta falecimento de policiais que participaram da megaoperação (Reprodução/X/@PCERJ)

No entanto, críticos apontam que o uso de força intensa em áreas densamente povoadas aumenta os riscos para civis e questionam se houve planejamento adequado para minimizar danos. Especialistas em segurança pública e direitos humanos chamaram atenção para a necessidade de protocolos claros, sobretudo em operações que envolvem tantas vidas.

Repercussão local e internacional

Nas comunidades, o clima foi de medo e tensão. Moradores relataram tiros, fumaça e interrupções em escolas e transporte. A situação se espalhou rapidamente nas redes sociais, gerando debates sobre o impacto das operações policiais em áreas vulneráveis.

Internacionalmente, a nota da ONU gerou atenção imediata, com órgãos de mídia repercutindo a preocupação global. A pressão sobre o governo fluminense aumentou: agora, além de justificar a operação, as autoridades precisam demonstrar transparência e responsabilidade em relação às vítimas e às consequências da ação. O episódio levanta um alerta sobre como equilibrar combate ao crime e proteção da população em áreas sensíveis.

Maduro pede paz e critica ações militares dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira (23) que o país “quer paz” e fez um apelo, em inglês, para que não haja uma “guerra maluca” na região. A fala ocorre em meio às recentes ações militares dos Estados Unidos no Caribe, que ele classificou como uma ameaça direta à soberania venezuelana.

Nos últimos meses, Washington enviou destróieres, barcos de guerra, forças especiais e até um submarino para águas internacionais próximas à América do Sul. Desde setembro, as forças americanas já realizaram nove ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas — dois deles no Oceano Pacífico — que resultaram em pelo menos 37 mortes.

Maduro acusou os Estados Unidos de usar o combate ao narcotráfico como desculpa para tentar derrubar seu governo e tomar o controle do petróleo venezuelano.

Trump fala em ampliar operações em terra

No mesmo dia, Donald Trump afirmou que pretende autorizar ações militares em solo contra cartéis de drogas. Ele não citou a Venezuela diretamente, mas informou que a proposta será debatida com o Congresso americano.

A declaração foi feita um dia após o nono bombardeio da frota americana contra uma embarcação no Pacífico, que, segundo o Departamento de Guerra, transportava drogas. Três pessoas morreram na ação.

Trump também disse a jornalistas que não precisa de autorização do Congresso para seguir com as ofensivas e reforçou que as operações continuarão.


Governo americano continua a mandar mais tropas para a costa venezuelana (Foto: Reprodução/X/@AdameMedia)

ONU condena ataques e aponta violações

Analistas e entidades internacionais vêm criticando a postura dos EUA. Um grupo de especialistas da ONU declarou que os bombardeios violam o direito internacional e configuram “execuções extrajudiciais”.

De acordo com o relatório, os ataques ferem a soberania dos países da região e as obrigações dos EUA de evitar o uso da força em águas internacionais. Mesmo com a justificativa de combater o tráfico, o grupo afirmou que as ações não têm base legal e infringem o direito do mar.

ONU alerta para nível histórico de concentração de dióxido de carbono na atmosfera

De acordo com registros da ONU (Organização das Nações Unidas), o nível de concentração de dióxido de carbono, o CO2, na atmosfera terrestre foi o maior já registrado na história no ano de 2024, com um aumento considerável em relação aos anos anteriores. O relatório com esses dados foi divulgado nesta quarta-feira (15) pela ONU e pela OMM (Organização Meteorológica Mundial).

No relatório, a ONU afirmou que esse é o maior nível de CO2 já registrado na atmosfera terrestre desde 1957, quando se iniciaram as medições modernas sobre a concentração desse gás. Em 2023, a OMM havia afirmado que esse foi o ano mais quente já registrado na história.

Efeitos do aumento da concentração

Segundo a OMM, os novos recordes foram dos três principais gases responsáveis pelo efeito estufa, sendo eles: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. O aumento desses gases, principalmente o CO2, foi causado pelas ações humanas e pelo aumento dos incêndios florestais. 

Os níveis de concentração de CO2 impactam o clima atual e dos próximos séculos, podendo ter efeitos a longo prazo. Esses altos níveis aumentam a temperatura global da Terra, o que é prejudicial para muitos ecossistemas. As organizações também alertaram para a diminuição de absorção de dióxido de carbono por ecossistemas terrestres e pelos oceanos, o que pode virar um “ciclo vicioso”.

Ainda de acordo com o relatório, as taxas do crescimento de concentração de CO2 triplicaram desde a década de 60, tendo um aumento de 0,8 ppm para 2,4 ppm entre 2011 e 2020. Nos últimos dois anos, 2023 e 2024, houve um aumento de 3,5 ppm na concentração média global de CO2, sendo o maior nível desde o início das medições em 1957.

Fenômenos naturais e incêndios florestais

O aumento dos níveis de concentração de CO2 na atmosfera terrestre se deve à baixa absorção do dióxido de carbono e pelo aumento dos incêndios florestais ao redor do mundo, que liberam altas concentrações de gás CO2 para a atmosfera. Os ecossistemas terrestres e os oceanos têm absorvido menos CO2.


Incêndios florestais se tornaram recorrentes nos últimos anos, agravados pelas secas (Foto: reprodução/Lynsey Addario/National Geopraphic Image Collection)

Os oceanos têm dificuldade para absorver o CO2, que é armazenado por esses ecossistemas de forma temporária, devido à menor solubilidade em águas mais quentes. A temperatura do oceano também aumentou devido à escala da temperatura média global. Os incêndios florestais são intensificados com as constantes secas, que também dificultam a absorção desses gases.

Por conta desses desequilíbrios ambientais e do aumento da temperatura global, alguns fenômenos naturais têm se intensificado, como El Niño e La Niña, fenômenos esses que estão sofrendo mudanças por conta das mudanças climáticas. O aumento da temperatura global, ocasionado pelos gases do efeito estufa, podem ocasionar mais desastres naturais e intensificar tempestades. 

Israel nega maus-tratos a Greta Thunberg durante detenção

O governo de Israel negou neste domingo (5), que esteja maltratando a ativista sueca Greta Thunberg, detida em uma prisão do país depois que seu barco foi parado a caminho da Faixa de Gaza. O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que as acusações de maus-tratos a Greta Thunberg e outros detidos da flotilha “Hamas–Sumud” são falsas. Segundo o governo, todos os direitos legais dos detidos estão sendo respeitados e Greta não fez nenhuma reclamação, porque os supostos abusos “simplesmente nunca aconteceram”.

Acusações de maus-tratos e repercussão internacional

No sábado, dois ativistas que estavam na flotilha com Greta Thunberg e foram detidos com ela, afirmaram que a ativista estaria sofrendo maus-tratos durante a detenção. Ao chegarem à Turquia após a deportação, disseram à agência Reuters que viram Greta sendo empurrada e obrigada a usar uma bandeira israelense, mas não apresentaram provas.

O governo de Netanyahu, que mantém um bloqueio terrestre, marítimo e aéreo em Gaza, interceptou todos os barcos que tentavam chegar à região e está realizando a deportação dos ativistas, que considera “provocadores”. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, “a própria Greta e outros detidos se recusaram a agilizar a deportação e insistiram em prolongar sua permanência sob custódia”.

Deportações em massa e o papel de Greta Thunberg

A interceptação dos cerca de 40 barcos da flotilha e a detenção de mais de 450 ativistas geraram condenação internacional. Na sexta-feira, o governo do Brasil denunciou Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU por conta da ação.



Greta e mais 170 ativistas foram deportados (Foto: reprodução/X/@VEJA)

Até o momento, Israel já deportou pelo menos 170 ativistas de diversas nacionalidades, incluindo brasileiros, norte-americanos e cidadãos da Europa, Oriente Médio, Ásia e África. O governo israelense afirma que quer concluir todas as deportações “o mais rápido possível”, mesmo diante de tentativas de obstrução.

Greta Thunberg é uma ativista sueca conhecida mundialmente por seu trabalho em defesa do meio ambiente e pelo combate às mudanças climáticas. Nascida em 3 de janeiro de 2003 em Estocolmo, ela começou sua trajetória ao fazer protestos solitários em frente ao Parlamento sueco em 2018, exigindo ações mais firmes contra o aquecimento global. Esse movimento deu origem ao “Fridays for Future”, um movimento internacional de estudantes que organizam greves e manifestações pelo clima.

ONU reativa sanções contra o Irã após dez anos de suspensão

As sanções da ONU contra o Irã voltaram a vigorar neste sábado (27), encerrando uma década de suspensão. A medida foi acionada pelo mecanismo conhecido como “snapback”, previsto no Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA), que permite reativar restrições caso Teerã descumpra suas obrigações.

A iniciativa partiu das potências europeias, Reino Unido, França e Alemanha, que acusam o Irã de violar quase todos os compromissos assumidos no tratado, especialmente no que diz respeito à transparência de seu programa nuclear e à cooperação com inspetores internacionais.

Como foi a votação da ONU

O chamado mecanismo de “snapback”, aprovado pelo Conselho de Segurança na sexta-feira (26), reativa as sanções da ONU impostas entre 2006 e 2010. Na reunião, China e Rússia apresentaram uma proposta para estender por mais seis meses a validade da resolução que sustenta o acordo nuclear de 2015 com o Irã que vence em 18 de outubro.

A ideia era prolongar o prazo até abril de 2026, mas a medida não avançou: apenas quatro dos 15 membros apoiaram o texto, enquanto nove votaram contra e dois se abstiveram.

França, Alemanha e Reino Unido foram contrários ao projeto, reforçando acusações de que Teerã descumpriu compromissos firmados em 2015, cujo objetivo era evitar que o país desenvolvesse uma arma nuclear. O Irã rejeita essas alegações e sustenta que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos.


Votação do Conselho de Segurança da ONU sobre sanções ao Irã (Foto: reprodução/Leonardo Munoz/AFP)


Após a votação, o embaixador francês na ONU declarou que o reestabelecimento das sanções não deve ser interpretado como o fim da via diplomática. Já o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, pediu ao presidente do concelho que considerasse a decisão inválida e acusou as potências europeias, junto aos Estados Unidos, de criarem um cenário de instabilidade.

Em seu discurso, classificou a medida como “ilegal, imprudente e frágil” e alertou que a postura ocidental estaria dificultando qualquer possibilidade de diálogo.

No dia anterior, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, havia dito que o país estava pronto para responder a qualquer cenário, caso as sanções fossem de fato restabelecidas, mas manteve certo otimismo de que a decisão poderia ser revertida.


Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante coletiva de imprensa, em Nova York (Foto: reprodução/AP/Angelina Katsanis)


Ainda na quinta-feira (25), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores criticou Washington, chamando de contraditórias as declarações sobre negociações diplomáticas. “Não é possível bombardear um país e ao mesmo tempo alegar disposição para o diálogo”, disse no X.

Qual é a situação do programa nuclear iraniano?

Depois da ofensiva israelense contra o Irã, que se estendeu por 12 dias em junho, e dos bombardeios dos Estados Unidos à usina nuclear de Fordow, o real estado do programa nuclear iraniano permanece incerto.

Trump afirmou que a usina de Fordow foi totalmente destruída, enquanto outras análises indicam que o local sofreu sérios danos, mas que o impacto real teria sido apenas o atraso de cerca de dois anos no programa nuclear iraniano.

Segundo o chanceler do Irã, boa parte do urânio enriquecido permanece soterrada sob os escombros. Ainda não há clareza, porém, sobre a situação do maquinário em Isfahan, responsável por enriquecer urânio em nível militar e convertê-lo em metal.

Desde os ataques de junho, inspetores internacionais não conseguiram retomar as visitas às instalações nucleares iranianas.

Neatnyahu critica países que reconhecem o Estado da Palestina

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez um discurso duro na ONU nesta sexta-feira (26), criticando países ocidentais que decidiram reconhecer o Estado da Palestina. Para ele, essa atitude equivale a transmitir a mensagem de que “matar judeus compensa”. A fala foi uma reação direta ao movimento diplomático de nações como França, Reino Unido, Austrália e Canadá, que optaram por apoiar oficialmente a independência palestina em meio à guerra prolongada em Gaza.

Netanyahu afirmou que não haverá reconhecimento de um Estado palestino por parte de Israel, reforçando a posição de seu governo após os ataques de 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas em território israelense. A ofensiva de resposta já deixou mais de 65 mil mortos em Gaza, segundo autoridades locais.

Diplomatas de outros países saíram antes do discurso de Netanyahu

O clima na Assembleia Geral foi tenso. Vários delegados deixaram o salão quando Netanyahu subiu ao palco, enquanto outros o aplaudiram de pé. O premiê acusou líderes mundiais de cederem à pressão de uma mídia parcial e de grupos extremistas, mas afirmou que, nos bastidores, muitos agradecem aos serviços de inteligência de Israel.

Durante seu discurso, Netanyahu também enviou uma mensagem direta aos reféns ainda mantidos em Gaza, garantindo que Israel não os esqueceu e que continuará tentando trazê-los de volta. Ele contou que instalou alto-falantes na fronteira para que suas palavras pudessem ser ouvidas dentro do enclave palestino.


Antes de Netanyahu começar o discurso, diversas delegações saíram do salão da ONU (Vídeo: Reprodução/X/@siteptbr)


Prometeu reforçar a guerra no Oriente Médio

O primeiro-ministro disse estar comprometido em manter a guerra até a destruição completa do Hamas, mas enfrenta críticas internas de famílias dos reféns e de parte da opinião pública israelense, cansada do conflito. Mesmo assim, segue contando com o apoio dos Estados Unidos, que reforçam o veto a uma adesão plena da Palestina à ONU.

Paralelamente, o presidente palestino Mahmoud Abbas agradeceu aos países que reconheceram o Estado palestino e defendeu que sua autoridade assuma o controle de Gaza no pós-guerra, sem a presença do Hamas. Já Donald Trump, aliado de Netanyahu, declarou que não permitirá a anexação da Cisjordânia, sinalizando possíveis tensões no próximo encontro entre os dois líderes.

Netanyahu desafia líderes globais em discurso na ONU

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez um discurso duro na Assembleia Geral da ONU, nesta quinta-feira (26), direcionando críticas à postura de líderes mundiais diante da guerra em Gaza. O chefe de governo acusou a comunidade internacional de abandonar Israel em meio ao conflito e de se curvar diante de pressões externas.

Lideranças internacionais perdem apoio a Israel

Netanyahu lembrou que, após os ataques de 7 de outubro, muitos países condenaram a violência contra Israel, mas a solidariedade se dissipou quando o governo decidiu reagir militarmente. Para o premiê, o apoio inicial não resistiu às pressões políticas e às críticas sobre as consequências humanitárias da ofensiva em Gaza, marcada por milhares de vítimas civis e destruição em larga escala.

O líder israelense argumentou que a mudança de posição internacional representa um enfraquecimento na luta contra o terrorismo e coloca em risco não apenas Israel, mas também a estabilidade global. Em tom irônico, declarou:

Há um ditado familiar, ‘quando as coisas ficam difíceis, os fortes entram em ação.’ Bem, para muitos países aqui, quando as coisas ficaram difíceis, vocês se curvam. E aqui está o resultado vergonhoso desse colapso.”

Benjamin Netanyahu

Ele então acusou os líderes mundiais de travar uma “guerra política e legal contra Israel”, alegando que essa postura reforça campanhas de grupos extremistas e setores antissemitas. Para Netanyahu, a comunidade internacional escolheu criticar Tel Aviv em vez de enfrentar ameaças comuns que, segundo ele, já ultrapassam fronteiras e ameaçam a segurança coletiva.


Benjamin Netanyahu discursando em reunião da ONU (Foto: reprodução/
Michael M. Santiago / Getty images embed)


Discurso de Netanyahu divide a ONU

Na sequência, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu elevou ainda mais o tom de suas críticas, declarando:

Vocês estão apaziguando o seu caminho para fora da jihad, sacrificando Israel. Esta não é uma acusação de Israel. É uma acusação contra você. É uma acusação de fracos líderes que precisam apaziguar o mal em vez de apoiar uma nação cujos bravos soldados guardam você no portão. Eles já estão penetrando seus portões.”

Benjamin Netanyahu

A reação ao pronunciamento foi imediata e dividida entre os presentes. Delegações críticas classificaram o discurso como excessivamente agressivo e distante dos esforços diplomáticos para encerrar a guerra em Gaza. Para esses países, o posicionamento de Netanyahu reforça a escalada militar e dificulta a busca por negociações de paz.

Por outro lado, aliados históricos de Israel ressaltaram a necessidade de proteger a segurança nacional do país diante de ameaças terroristas. Alguns diplomatas afirmaram que o discurso, embora duro, reflete a percepção de isolamento que Israel enfrenta e a urgência em reafirmar sua legitimidade internacional.

A postura do primeiro-ministro evidenciou como o conflito no Oriente Médio continua a dividir a comunidade internacional. Enquanto uns pedem cessar-fogo imediato e acusam Tel Aviv de violações de direitos humanos, outros defendem o direito de Israel de reagir contra ataques. Essa polarização mostra o quanto a guerra em Gaza permanece como um dos maiores desafios diplomáticos da atualidade.

Trump acusa sabotagem na ONU por problemas técnicos e exige investigação

Na última quarta-feira (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua rede social, a Truth Social, para cobrar investigações por supostas sabotagens durante sua participação na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.

Através da rede social, o presidente americano enfatizou os “três eventos muito sinistros” que teriam acontecido com ele em sua aparição no local. Ele classificou os ocorridos como “vergonhosos” e informou que enviou uma carta ao secretário-geral do Órgão enfatizando o envolvimento do Serviço Secreto dos EUA. 

Supostas sabotagens

 Na terça-feira (23), quando Donald Trump fez seu discurso no salão oval da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o republicano disse ter sido alvo de supostas sabotagens que, segundo ele, teriam ocorrido em três momentos distintos. 

O primeiro deles, segundo acusações feitas pelo presidente americano através de sua conta na Truth Social, teria sido no momento em que a escada rolante que levava ele e sua esposa, Melania Trump, ao andar principal dos discursos “parou bruscamente”. 

“É incrível que Melania e eu não tenhamos caído de cara”, escreveu Trump na rede social. O republicano ainda enfatizou que o desligamento da escada rolante teria sido forçado e que as pessoas que fizeram isso deveriam ser presas. 


Trump chegou a improvisar durante seu discurso na Assembleia Geral e falou sobre falha de funcionamento da escada rolante que levava ele à primeira-dama para o salão oval (Foto: reprodução/ Michael M. Santiago/Getty Images Embed)


Além disso, o presidente dos EUA disse que seu teleprompter parou de funcionar enquanto lia seu discurso no salão oval da Assembleia Geral da ONU. “[…] estava diante de uma multidão de milhões de pessoas em todo o mundo, na televisão e líderes importantes no hall, meu teleprompter não funcionou”, escreveu. 

Por fim, a última reclamação do republicano ficou para uma suposta falha de seu microfone enquanto lia o discurso. Segundo ele, as pessoas presentes no auditório do evento só passaram a escutar o que dizia o presidente americano 15 minutos depois do início de sua fala. 

Resposta da ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) se pronunciou após as acusações feitas pelo presidente americano. Sobre a falha na escada rolante, a ONU afirmou que um profissional da Casa Branca, responsável pelas filmagens do presidente americano no evento, teria subido os degraus de costas para filmar a chegada dele e da primeira dama e, ele poderia ter acionado, sem querer, um mecanismo de segurança que para o funcionamento da escada ao atingir o topo. 

Além disso, sobre a falha no teleprompter, a Organização emitiu um comunicado esclarecendo que o comando do equipamento que projetava o discurso de Trump estava sendo operado pela Casa Branca.