Rússia nega atrasos nas negociações de paz, mas intensifica ataques à Ucrânia

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou nesta terça-feira (1) que a Rússia esteja retardando negociações de paz em relação à guerra na Ucrânia. A declaração foi uma resposta direta à crítica do enviado especial de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para a Ucrânia, que havia acusado Moscou de estagnar os avanços diplomáticos.

“Ninguém está atrasando nada aqui”, afirmou Peskov aos jornalistas, reforçando que a Rússia “é naturalmente favorável a alcançar os objetivos da operação militar especial por meios políticos e diplomáticos”.

Apesar do discurso conciliador, a realidade nos campos de batalha contradiz a fala do Kremlin. Na madrugada de domingo (29), a Ucrânia sofreu o maior ataque aéreo desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, mais de 500 armas aéreas foram lançadas contra o país em poucas horas — incluindo 477 drones e iscas, além de 60 mísseis. Embora a maioria tenha sido interceptada, os danos causados marcam uma escalada agressiva no conflito.

Discurso de paz, ações de guerra

Peskov disse ainda que Moscou é grata à equipe de Trump pelos esforços de mediação e que não tem interesse em prolongar o conflito. No entanto, enquanto o Kremlin insiste na retórica da paz, a Rússia continua bombardeando alvos em território ucraniano diariamente, inclusive áreas civis.


Soldados testam drone militar na região pró-Rússia de Donetsk (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


A seção de direitos humanos da ONU divulgou, na segunda-feira (30), um relatório alarmante: as vítimas civis e as violações de direitos humanos aumentaram significativamente nos últimos meses, com destaque para os ataques com drones, que vêm se tornando cada vez mais letais. “A escalada é clara”, afirmou o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR), que monitora o conflito.

Paz distante

A guerra, que completa três anos em 2025, parece longe de um fim. As falas do Kremlin contrastam com os dados divulgados por agências internacionais e com a intensidade dos ataques em solo ucraniano.

Embora a Rússia afirme que busca a resolução por vias diplomáticas, a realidade sugere um cenário oposto: um conflito cada vez mais violento, com consequências trágicas para a população civil de ambos os países.

Irã ataca Israel após envolvimento americano no conflito 

O Irã realizou um ataque retaliatório contra Israel na madrugada deste domingo (22), horário local. De acordo com informações do Serviço Nacional de Emergência Médica e Desastres de Israel (MDA), pelo menos 23 pessoas ficaram feridas. As cidades alvos dos bombardeios foram Tel Aviv e Ness Ziona, no centro de Israel, que tiveram prédios residenciais atingidos. 

Novos alertas

No início da ofensiva, as Forças de Defesa israelenses (IDF) emitiram um alerta à população do país para se protegerem em abrigos devido ao novo ataque. Conforme declarou a IDF, a maioria dos mísseis lançados pelo Irã foram interceptados. Em resposta, as forças aéreas israelenses contra-atacaram destruindo instalações militares iranianas nas regiões de Yazd, Isfahan, Ahvaz e Bushehr.


Publicação das Forças de Defesa de Israel (IDF) sobre os últimos ataques realizados pelo Irã (Vídeo: reprodução/X/@idfonline)

Conforme informou o IDF, a Força Aérea e a Marinha israelenses estão trabalhando conjuntamente com as demais autoridades militares do país para bloquear os ataques iranianos. Segundo declaração, na última madrugada, horário local, foram interceptados “30 veículos aéreos não tripulados lançados em direção ao território israelense”. Ao todo, desde a operação conjunta entre as forças de defesa, foram interceptados 500 mísseis vindos do Irã.

Posicionamento da ONU

Após os ataques dos EUA contra instalações nucleares iranianas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um apelo para um cessar-fogo na região. Alertando que os Estados-Membros devem seguir as diretrizes estabelecidas pela Organização. Em sua fala, Guterres pede “para que reduzam a tensão e cumpram suas obrigações sob a Carta da ONU e outras normas do direito internacional.” Israel e os EUA são acusados pela comunidade internacional de promover violações das normas e por não respeitar a soberania iraniana.


Declaração de António Guterres sobre os últimos acontecimentos envolvendo o conflito entre Israel/EUA e o Irã (Foto: reprodução/X/@UN_News_Centre)

Para António Guterres a escalada do conflito no Oriente Médio entra em um momento delicado e a diplomacia deve ser utilizada para evitar uma “espiral de caos” na região. Além de Guterres, altos funcionários da ONU, demais organizações multilaterais e autoridades de grandes potências mundiais também demonstraram preocupação com o envolvimento do governo de Donald Trump no conflito entre Israel e Irã.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse não haver sinais de vazamentos de radiação até o momento e continuará monitorando a situação de perto.  Contudo, Grossi convocou uma reunião de emergência para a próxima segunda-feira (23), junto ao Conselho de Diretores da AIEA para realizar avaliações adicionais nas instalações. 

Irã cobra ação da ONU após ataques à instalação nuclear

Em carta aberta direcionada à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), Mohammad Eslami, informou ontem, quinta-feira (19), que tomará medidas legais contra a agência. A ação, segundo informou, deve-se à inação do órgão em fiscalizar os ataques realizados por Israel às instalações nucleares iranianas nas regiões de Arak e Khondab.

Críticas à AIEA

Em comunicado, Eslami critica o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, acusando-o de trair o regime de não proliferação nuclear, informando que Grossi precisa “cumprir seus deveres constitucionais, encerrando imediatamente essa inação”. As falas seguem condenando as ações realizadas por Israel, alegando serem “contrárias às regulamentações internacionais”.


Críticas feitas pelo Irã à AIEA (Foto: reprodução/X@EnglishFars)

 O ministro das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, também utilizou suas redes sociais para criticar e acusar Rafael Grossi de traição ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Em suas falas, Baqaei declara que Grossi “transformou a AIEA em uma ferramenta de conveniência para que membros não pertencentes ao TNP” fossem privados de direitos básicos.


Declaração de Esmaeil Baqaei, em relação ao diretor geral da AIEA, Rafael Grossi (Vídeo: reprodução/X/@IRIMFA_SPOXa)

Conforme publicação, autoridades iranianas acusam Grossi de elaborar um relatório tendencioso e instrumentalizado pelos EUA, referente a investigações por parte da AIEA, sobre armamento nuclear desenvolvido pelo Irã ou não. Esmaeil Baqaei alerta que as ações de Grossi tiveram consequências terríveis à população iraniana, exigindo que o diretor da agência seja responsabilizado.

Resposta da AIEA

Em discursos publicados em suas redes sociais, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informa realizar o monitoramento de instalações nucleares iranianas constantemente. Declara, ainda, que técnicos da Agência estão no país para avaliar a situação de perto assim que possível. Grossi declara, inclusive, que viajará ao Irã para avaliar as instalações nucleares e confirmar se estão sendo utilizadas para fins não armamentistas.


Discurso do diretor diretor-geral da AIEA perante o Conselho de Governadores da ONU (Vídeo: reprodução/Instagram/@grossirafaelmariano)


Desde o início da ofensiva de Israel contra o Irã, e ataques mútuos, a AIEA se diz apreensiva com uma possível radiação nuclear afetando o meio ambiente e a população local. Em nota, a Organização das Nações Unidas (ONU) informa que outras instalações nas cidades iranianas de Tesa Karaj e Teerã, atingidas por Israel, já haviam sido monitoradas pelo órgão como parte do Plano de Ação Conjunta Global (Jcpoa). 

O Jcpoa é um acordo firmado em 2015 com o Irã, a fim de retirar as sanções impostas ao país em troca da não proliferação de armas nucleares, que limita a capacidade para enriquecimento de urânio, além do monitoramento por vários órgãos internacionais às suas instalações nucleares.

A preocupação tanto do Conselho de Segurança da ONU quanto da AIEA é a de que haja vazamento radioativo nos locais atingidos pela ofensiva israelense. A vice-comissária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Nada Al-Nashif, solicitou negociações urgentes para acabar com os ataques, evitando uma escalada militar a nível global e danos irreversíveis às pessoas e ao meio ambiente.

Brasil fica fora de acordo da ONU contra poluição nos oceanos

Durante a Conferência da ONU sobre os Oceanos, em Nice, na França, 95 países assinaram um novo compromisso global contra a poluição plástica marinha. O documento, intitulado “Apelo de Nice”, busca conter os danos crescentes causados pelo plástico nos ecossistemas aquáticos.

Embora o presidente Lula tenha participado da conferência e destacado a urgência do tema, o Brasil optou por não aderir ao acordo. O chefe de Estado afirmou que o país está formulando uma estratégia própria e prometeu foco no tema durante a COP30.

Pressão do setor petroquímico e contradições no discurso ambiental

Especialistas apontam que a decisão brasileira ainda reflete pressões do setor petroquímico e conflitos de interesse com a exploração de petróleo. O jornalista André Trigueiro, em comentário na GloboNews, afirmou que o Brasil “se lambuza de óleo” ao priorizar interesses energéticos, o que enfraquece sua posição ambiental internacional.

Além do Brasil, outros grandes emissores de poluição plástica também ficaram fora do pacto. No entanto, nenhum dos dez países mais poluentes — incluindo China, Índia e os demais integrantes do BRICS — assinou o acordo. O Brasil, inclusive, figura como o oitavo maior poluidor dos oceanos por descarte inadequado de plástico.

Assim, a ausência dos principais produtores de petróleo e grandes economias evidencia o desafio de alinhar compromissos ambientais com interesses comerciais. Portanto, a urgência por medidas concretas continua a pressionar governos globalmente.


Presidente Lula participa da 3ª Conferência das Nações Unidas. (Reprodução/YouTube/@LulaOficial)

Participação brasileira no tratado ambiental segue ambígua

O Tratado Global Contra a Poluição Plástica, promovido pela ONU e anunciado em setembro de 2023, foi discutido entre 13 e 19 de novembro daquele ano em Nairóbi, no Quênia.

O Brasil, representado pelo Ministério do Meio Ambiente, manteve-se neutro nas negociações e pouco contribuiu para o texto-base. Segundo ambientalistas, a postura do país estaria alinhada aos interesses da indústria petroquímica, setor ainda relevante para a economia nacional.


Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na Conferência UNOC3 das Nações Unidas (Foto: reprodução/Ludovic Marin/AFP/Getty Images Embed)


Crise climática agrava insegurança alimentar na América Latina

Em maio de 2024, a ONU divulgou um relatório alertando para o impacto direto de eventos climáticos extremos na produção agrícola da América Latina e do Caribe. Logo, tempestades e secas têm elevado o preço dos alimentos e ampliado a insegurança alimentar.

Apesar do cenário crítico, o relatório também apontou sinais de melhora: de 2022 para 2023, cerca de 2,9 milhões de pessoas deixaram de passar fome na América Latina, única região global com essa tendência.

Ainda, no final de 2024, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou o “colapso climático” e pediu ações urgentes para limitar o aquecimento global e proteger populações vulneráveis.

ONU exige investigação sobre mortes de palestinos durante busca por ajuda em Gaza

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu nesta semana uma investigação independente sobre as mortes de palestinos que tentavam receber ajuda humanitária no sul de Gaza. Em declaração oficial, seu porta-voz afirmou que Guterres considera “inaceitável” que civis tenham que arriscar suas vidas por comida.

O secretário-geral também exigiu que os responsáveis sejam identificados com urgência e devidamente responsabilizados pelos atos. Segundo ele, a situação exige respostas rápidas e transparentes, especialmente diante do agravamento da crise humanitária no território.

Cruz Vermelha relata vítimas de tiros e estilhaços

No domingo (1), o hospital de campanha do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Gaza recebeu 179 feridos, entre eles mulheres e crianças. De acordo com a organização, a maioria apresentava ferimentos por bala ou estilhaços. Vinte e uma pessoas não resistiram e morreram ao chegar à unidade.


ONU exige investigação após mortes em ponto de distribuição de comida em Gaza (Vídeo: reprodução/YouTube/Jornal da Band)

Relatos dos feridos à Cruz Vermelha indicam que todos estavam a caminho de um ponto de entrega de alimentos e suprimentos. O grupo extremista Hamas responsabilizou Israel pelos disparos contra civis e afirmou que ao menos 31 pessoas morreram na ocasião. Já as Forças Armadas de Israel negaram as acusações, alegando que não abriram fogo contra os civis.

Novos relatos de mortes aumentam tensão em Rafah

Na segunda-feira (2), equipes médicas relataram novos casos de mortes a tiros na mesma área de distribuição de ajuda, em Rafah, no sul de Gaza. Autoridades de saúde locais, sob controle do Hamas, informaram que três palestinos morreram.

As forças israelenses disseram estar cientes das novas denúncias e anunciaram uma “investigação abrangente”. Segundo o exército, durante a noite foram disparados tiros de advertência para impedir que suspeitos se aproximassem de posições militares, a cerca de um quilômetro do local de entrega de alimentos.

Enquanto o número de mortos aumenta e os relatos se multiplicam, cresce a pressão internacional por uma apuração transparente e a garantia de proteção à população civil em meio à crise.

Lula condena bombardeio em Gaza e acusa Israel de agir por vingança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas, neste domingo (25), a um ataque aéreo realizado por Israel na Faixa de Gaza, que resultou na morte de nove dos dez filhos de uma médica palestina. Além das crianças, outros familiares também foram mortos no bombardeio. O episódio reacendeu as tensões internacionais em torno da ofensiva israelense em Rafah, no sul de Gaza.

Presidente Lula fala em genocídio contra palestinos

Além de comentar o assunto em uma publicação no X, o presidente também divulgou seu posicionamento por meio de uma nota oficial da Presidência da República. No texto, Lula chamou o bombardeio de um ato vergonhoso e covarde. Ele afirmou que o episódio representa toda a crueldade e a falta de humanidade de um conflito em que um Estado com grande poder militar atinge uma população civil desprotegida, provocando a morte diária de mulheres e crianças.

“Esse episódio simboliza, em todas as suas dimensões, a crueldade e desumanidade de um conflito que opõe um Estado fortemente armado contra a população civil indefesa, vitimando diariamente mulheres e crianças inocentes”, continuou Lula.

Segundo o presidente, as ações de Israel em Gaza já não são mais autodefesa, combate ao terrorismo ou resgate de reféns. Agora, são atos de vingança. Lula afirmou que há um genocídio em curso, com o objetivo de tirar dos palestinos as condições mínimas de sobrevivência e expulsá-los de sua terra.

O presidente brasileiro também reforçou a necessidade de um cessar-fogo imediato e duradouro. Ele já havia feito críticas semelhantes em ocasiões anteriores, cobrando a responsabilização da comunidade internacional pela falta de medidas concretas para proteger civis.


Mais de 20 países se reuniram para discutir a criação do Estado da Palestina (vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

Governo defende Palestina como Estado soberano

O governo brasileiro defende firmemente o reconhecimento da Palestina como Estado e sua entrada na ONU (Organização das Nações Unidas). Para o Itamaraty, essa é uma condição essencial para a construção de uma paz duradoura e justa entre israelenses e palestinos.

O ministro Mauro Vieira representou o Brasil em uma conferência em Madri sobre a solução de dois Estados para o Oriente Médio. Ele pediu ação urgente contra o massacre em Gaza e alertou que a história cobrará por quem ignorar essa tragédia.

Protestos israelenses bloqueiam ajuda humanitária na Faixa de Gaza

Uma briga generalizada ocorreu nesta quarta-feira na passagem Kerem Shalom, fronteira entre o Estado de Israel e a Faixa de Gaza. O conflito foi iniciado por manifestantes israelenses que queriam impedir a entrada de ajuda humanitária para a população Palestina em situação de vulnerabilidade social. 


Escalada de tensões aumente entre Israel e territórios palestinos (vídeo: reprodução/X/@ReutersAsia)

Briga entre manifestantes

Portando bandeiras e cartazes, houve uma tentativa de barrar os caminhões que continham alimentos e produtos de higiene. Os caminhões foram enviados em território da Palestina por parte da Organização das Nações Unidas (ONU), com a pretensão de auxiliar uma região devastada pela guerra e marcada até mesmo pela falta de diversos recurso básicos para sobrevivência.

Os manifestantes gritavam em direção aos veículos; “Estamos aqui para bloquear a ajuda que está indo diretamente para o Hamas em Gaza”. Alegando que todos os suprimentos enviados para a população carente era destinado ao grupo terrorista do Hamas.

Em sentido contrário, a presença de grupos contrários a sanções para Gaza, protestaram contra a presença do primeiro grupo. Houve uma discussão acalorada entre os dois grupos, sendo necessária a intervenção policial e retirando o grupo contrário ao envio de alimentos e causando bastante polêmica em todo Estado de Israel.

Interferência externa

No período da manhã nesta quarta-feira, o Papa Leão XIV realizou um apelo para que autoridades israelense permitissem a ajuda humanitária no território isolado de Gaza. O apelo do papa coincidiu com as denúncias feitas pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) contra Israel, que acusou o país de limitar a entrada em Gaza de ajuda “ridiculamente insuficiente”, apenas para “evitar a acusação de que está matando de fome as pessoas”. 

Na última terça-feira (20), a ONU afirmou ter recebido autorização de Israel para que cerca de 100 caminhões de ajuda humanitária pudessem entrar na Faixa de Gaza. Porém, nenhuma assistência sequer havia sido distribuída aos palestinos até o início desta quarta-feira.

Israel autoriza entrada de 100 caminhões de ajuda em Gaza em meio a ofensiva militar

A Organização das Nações Unidas anunciou nesta terça-feira (20), que Israel liberou a passagem de cerca de 100 caminhões com suprimentos para a Faixa de Gaza. O aval, confirmado pelo porta-voz humanitário Jens Laerke em Genebra, foi dado após forte pressão internacional. “Solicitamos e recebemos aprovação para mais caminhões […] São cerca de 100, bem mais do que os autorizados ontem”, declarou. É a maior remessa desde que o bloqueio se intensificou, mas permanece longe dos 500 veículos diários considerados indispensáveis pela ONU para atender 2,3 milhões de habitantes.

Ajuda ainda é ‘gota no oceano’, diz ONU

Os veículos transportam alimentos e fórmulas infantis, itens descritos como “vitais” para bebês que correm risco de morte por desnutrição. Tom Fletcher, diretor de ajuda humanitária da ONU, afirmou à “BBC” que a quantidade liberada é “uma gota em um oceano”. Ele teme que até 14 mil recém-nascidos possam falecer nas próximas 48 horas se a assistência não ganhar escala. Na segunda-feira, apenas cinco caminhões cruzaram a fronteira, rompendo um bloqueio que já durava 11 semanas, segundo a agência.

Akihiro Seita, diretor de Saúde da UNRWA, alertou que os indicadores de subnutrição infantil estão “subindo de forma preocupante” e podem se agravar rapidamente se o fluxo de mantimentos não for regularizado. “Se a escassez continuar, o aumento será exponencial, podendo sair do controle”, advertiu. Especialistas destacam que a combinação de bombardeios diários e falta de infraestrutura dificulta a distribuição interna, mesmo quando os carregamentos conseguem entrar em Gaza.

A liberação ocorre à sombra de críticas públicas dos líderes da França, Canadá e Reino Unido, que prometeram “medidas concretas” se Israel não suspender a ofensiva e destravar a ajuda. Em nota conjunta, Emmanuel Macron, Mark Carney e Keir Starmer condenaram “ações escandalosas” e advertiram que o deslocamento forçado de civis viola o direito internacional. “Sempre defendemos o direito de Israel à autodefesa, mas a escalada é totalmente desproporcional”, declararam, sem detalhar quais sanções poderiam ser adotadas.


Bombardeios em Gaza (Foto: reprodução/ Jack Guez/AFP/Getty Images Embed)


Guerra segue com novos bombardeios

Enquanto os caminhões cruzavam a passagem, a ofensiva terrestre e os ataques aéreos continuaram. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, contou ao menos 60 mortos apenas nesta terça. Desde o início do conflito, mais de 53.400 palestinos perderam a vida, número considerado plausível pela ONU. Israel, por sua vez, busca eliminar o Hamas após o atentado de 7 de outubro de 2023, que matou 1.218 pessoas e resultou no sequestro de 251 civis, 57 dos quais permanecem cativos.

Paris, Ottawa e Londres também defenderam uma conferência em Nova York, marcada para 18 de junho, voltada a um arranjo de dois Estados. “Estamos dispostos a reconhecer um Estado palestino como contribuição para essa solução”, afirmaram. O comunicado pressiona Israel a aceitar um plano árabe para a administração de Gaza no pós-guerra, em cooperação com a Autoridade Palestina e Washington. Enquanto isso, a ONU tenta ampliar o corredor humanitário e evitar um colapso total dos serviços de saúde.

Após a entrada, a ajuda será recolhida e redistribuída pelo mecanismo já utilizado pela ONU, explicou Laerke. Contudo, estradas destruídas, falta de combustível e ataques constantes dificultam a logística. Organizações médicas alertam que hospitais funcionam com geradores improvisados e estoques críticos de medicamentos. Sem cessar-fogo sustentável, o fluxo de 100 caminhões, embora significativo, pode se tornar insuficiente em poucos dias, mantendo a população de Gaza à beira de uma crise humanitária sem precedentes.

Lula solicita que Trump tome medidas para cessar-fogo em Gaza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com a atual condição vivida por moradores da Faixa de Gaza, em entrevista a jornalistas na última terça-feira (13). Lula chamou a situação de “genocídio” e pediu para que Donald Trump intervenha positivamente para acabar com a guerra em curso entre Israel e Hamas na região. 

Lula, também, solicitou maior intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU), com ajuda humanitária mais eficaz. Além de criticar o desejo de Trump de construir um Resort de luxo no território hoje habitado pelos palestinos. 

“ A única coisa que eu quero é o seguinte: que a ONU possa tomar uma decisão. E Trump contribui para isso… Agora, se ele quiser fazer daquilo um resort, não dá certo.” Presidente Lula

O atual conflito entre o grupo Hamas e o estado de Israel iniciou em 07 de outubro de 2023, após um ataque coordenado pelo grupo contra civis israelenses. O ponto focal do ataque ocorreu em um festival de música, na comunidade de Re’im, ao sul de Israel, próximo à fronteira com a faixa de Gaza. 

Resort de Luxo 

Em fevereiro deste ano (2025), o presidente americano Donald Trump utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo realizado com a ajuda de Inteligência Artificial (IA). Nele, Trump faz a demonstração de como ficaria a Faixa de Gaza após transformar a região em um local turístico no Oriente Médio.


Postagem sobre o possível Resort de luxo na Faixa de Gaza (Vídeo: reprodução/X/realdonaldtrump)


Em um “agora e depois”, Trump intercala cenas da precariedade atual da região, assolada pela guerra entre Israel e o grupo Hamas, com episódios onde é possível ver líderes e personalidades mundiais desfrutando do que ele classifica de “Riviera do Oriente Médio”. 

O vídeo gerou indignação na comunidade internacional, uma vez que, em meio à guerra e todas as consequências advindas dela, enfatiza o luxo e o lucro. Transformando a Faixa de Gaza, território administrado pela Autoridade Palestina desde a década de 1990, em um resort de luxo.

Intervenção da ONU

Em discurso no Conselho de Segurança da ONU, na data de ontem, terça-feira (13), o subsecretário geral para Assistência Humanitária, Tom Fletcher, classificou a atual situação na faixa de Gaza como “atrocidade do século 21” e solicitou ações mais eficazes para deter o que ele chama de “situação desumana”.

“Israel está impondo deliberada e descaradamente condições desumanas aos civis no Território Palestino Ocupado”. Tom Fletcher

O subsecretário ressaltou, ainda, que os palestinos estão sendo deslocados à força e que, atualmente, permanecem confinados em espaços cada vez menores dentro de Gaza. Declarou, também, que comida, água, medicamentos e tendas, há 10 semanas, não entram na região por intervenção de Israel.


Discurso de Tom Fletcher no Conselho de Segurança da ONU (Vídeo: reprodução/X/@UN_News_Centre)

Diante dessa situação, Fletcher solicita apoio internacional para que profissionais ligados à ajuda humanitária possam trabalhar livremente na região em apoio aos civis palestinos. Além de solicitar à ONU que crie mecanismos para que tal ajuda seja destinada aos civis e não ao grupo Hamas. 

Em sua fala, Tom Fletcher, informa que se encontrou com líderes israelenses por diversas vezes para traçarem um plano de cessar-fogo. No entanto, segundo Fletcher, a proposta de representantes de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é um “espetáculo cínico e distração deliberada”, utilizando a fome como “moeda de troca”. Sem, efetivamente, resolver a situação.

Incursão de Israel na Faixa de Gaza 

As forças armadas israelenses têm realizado diversas incursões na Faixa de Gaza nos últimos meses. A ação, segundo informou Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é uma tentativa para a libertação de reféns em posse do grupo Hamas. 

De acordo com Netanyahu, as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão fazendo “um trabalho maravilhoso na Faixa de Gaza” e o “Hamas está sofrendo cada vez mais golpes”.

Em uma postagem nas redes sociais, o IDF informou que, em conjunto com o Shin Bet, Agência de Segurança de Israel, atacou terroristas do grupo Hamas em um complexo localizado sob o Hospital Europeu em Khan Yunis, sul da Faixa de Gaza. Essa ação ocorreu na tarde de ontem, terça-feira (13), horário local.


 Postagem sobre o ataque de Israel no sul da Faixa de Gaza (Vídeo: reprodução/X/@idfonline)

Atualmente, segundo informações, mais de 50 reféns estão em posse do grupo Hamas. Na última segunda-feira (12), o israelense-americano Edan Alexander foi liberto pelo grupo como sinal de um possível acordo de cessar-fogo. Porém, autoridades de Israel informaram que, até que todos os reféns sejam libertados, as ofensivas contra o Hamas seguirão com força total.

Brasil sobe no ranking do IDH e alcança 84ª posição mundial

O Brasil subiu cinco posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Agora, ocupa o 84º lugar entre 193 países e territórios. O novo relatório, divulgado em 6 de maio, considera os dados de 2023. O IDH brasileiro passou de 0,778 em 2022 para 0,786 no ano seguinte.

Embora o país ainda esteja longe dos primeiros colocados, o avanço sinaliza melhorias em áreas fundamentais. Entre os componentes analisados, estão expectativa de vida, acesso à educação e renda nacional bruta per capita. Com base nisso, o Brasil foi classificado como país de alto desenvolvimento humano, faixa que abrange IDHs entre 0,700 e 0,799.


Com IDH de 0,786, Brasil sobe cinco posições no Raking da ONU (Foto: reprodução/X/Poder 360)

Expectativa de vida e educação impulsionam melhora

Diversos fatores explicam a evolução do índice brasileiro. Em 2023, a expectativa de vida ao nascer chegou a 75,8 anos. Além disso, o número de anos esperados de escolaridade atingiu 15,7, enquanto a média de anos efetivamente estudados foi de 8,8. A renda nacional bruta per capita alcançou US$ 17.749.

Esses indicadores mostraram leve crescimento, o que impactou positivamente no resultado final. Entretanto, vale destacar que o aumento do IDH foi modesto: apenas 0,008 ponto em relação ao ano anterior. Isso demonstra que, apesar dos avanços, o ritmo de crescimento tem sido mais lento nas últimas décadas.

Comparações regionais e globais

Na América do Sul, o Brasil ocupa a quarta colocação. Fica atrás de Uruguai (48º lugar, 0,815), Peru (79º, 0,794) e Colômbia (83º, 0,788). Ainda assim, supera países como a Venezuela, que está em 121º, com um IDH de 0,709.

No cenário global, a liderança pertence à Islândia, com 0,972. Logo depois, aparecem Noruega e Suíça, ambas com 0,970. Dinamarca, Alemanha e Suécia também figuram entre os primeiros colocados. Comparado a esses países, o Brasil ainda apresenta desafios significativos.

Crescimento mais lento nas últimas décadas

Mesmo com o progresso recente, a tendência histórica do IDH brasileiro aponta desaceleração. Entre 1990 e 2000, o crescimento médio anual foi de 0,91%. Na década seguinte, caiu para 0,71%. De 2010 até 2023, esse ritmo caiu ainda mais, para 0,42% ao ano.

Portanto, é evidente que o país melhorou em aspectos fundamentais do desenvolvimento humano. Contudo, para avançar no ranking, será necessário acelerar os investimentos em saúde, educação e renda de forma consistente e sustentável.