Delcy Rodríguez equilibra aliança com EUA e soberania

A vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumiu papel central no governo após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelo governo Trump (EUA). Desde então, suas declarações e decisões têm chamado atenção por apresentarem sinais diferentes sobre o rumo do país. Enquanto reforça a lealdade ao antigo governo, também enfrenta pressões internas e externas para mudanças na condução política.

O cenário é de instabilidade e incerteza. A Venezuela vive um momento delicado, com a população acompanhando cada movimento do novo comando. As ações do governo interino e os discursos de Delcy indicam um esforço para manter controle interno e, ao mesmo tempo, lidar com a influência dos Estados Unidos e de outros países.

Sinais contraditórios em meio à crise

Desde que passou a liderar o país, Delcy Rodríguez tem buscado demonstrar que a Venezuela continua soberana e que não está submetida a decisões externas. Em pronunciamentos públicos, ela reforça a ideia de resistência e continuidade, destacando a importância de preservar a autonomia nacional mesmo diante da pressão internacional.

Em um de seus discursos, Delcy foi direta ao defender o governo anterior e a figura de Nicolás Maduro. “Ninguém aqui se rendeu. Houve uma luta e uma luta por esta pátria. Temos dignidade histórica, compromisso e lealdade ao presidente Maduro, que foi sequestrado”, afirmou. A fala mostra o tom firme adotado pela vice-presidente, que tenta manter a base aliada mobilizada e reforçar a imagem de unidade.

Ao mesmo tempo, o governo anunciou algumas medidas que foram interpretadas como gestos de abertura. Entre elas, a liberação de parte de presos políticos e estrangeiros, o que gerou expectativa dentro e fora do país. A iniciativa foi vista como um sinal de tentativa de diálogo, mas não deixou claro se haverá mudanças mais profundas na política interna.

Essas ações contrastam com outras decisões que mantêm práticas rígidas de controle. A presença de forças de segurança em pontos estratégicos e a vigilância sobre manifestações continuam, o que reforça a percepção de que o governo ainda atua de forma cautelosa e centralizadora. Para muitos observadores, isso mostra que a Venezuela vive um momento de transição cheio de contradições.

A população acompanha com atenção esses movimentos. Parte espera por mudanças que tragam mais estabilidade e abertura, enquanto outra mantém apoio ao discurso de resistência. O clima é de expectativa, com dúvidas sobre quais caminhos serão realmente seguidos nos próximos meses.


Vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Jesus Vargas)


Repercussão internacional e discurso de resistência

No cenário internacional, as atitudes de Delcy Rodríguez também geram reações. Países e organismos acompanham a situação venezuelana e cobram posicionamentos mais claros sobre democracia, direitos e eleições. A vice-presidente, por sua vez, insiste que o país tem o direito de decidir seus próprios rumos sem interferência externa.

O discurso de lealdade a Maduro e de crítica à atuação estrangeira busca fortalecer a imagem de independência. Ao afirmar que ninguém se rendeu, Delcy tenta mostrar que o governo não aceita imposições e que segue fiel aos princípios defendidos nos últimos anos. Essa postura agrada parte de seus apoiadores, mas também amplia o debate internacional.

Ao mesmo tempo, há uma tentativa de reduzir tensões. A libertação de presos e a sinalização de possíveis diálogos indicam que o governo interino pode buscar algum tipo de aproximação para evitar isolamento. Esse movimento é acompanhado com cautela, já que ainda não há garantias de mudanças estruturais.

A economia também pesa nesse cenário. Como ministra do Petróleo, Delcy sabe da importância do setor para o país. A relação com outros países e possíveis acordos são essenciais para manter a atividade e gerar recursos. Isso faz com que o discurso de soberania conviva com a necessidade de negociações.

Dentro da Venezuela, o sentimento é de incerteza. Muitos aguardam definições sobre eleições, reformas e o futuro político. As mensagens do governo, por vezes firmes e por vezes conciliadoras, aumentam a sensação de que ainda não há um caminho totalmente definido.

A situação segue em desenvolvimento. Novas decisões, discursos e ações devem marcar os próximos dias. A atuação de Delcy Rodríguez continuará sob observação, tanto pela população venezuelana quanto pela comunidade internacional, que busca entender se os sinais contraditórios representam uma estratégia ou apenas reflexo de um momento de transição.

Trump anuncia que os EUA devem administrar a Venezuela

Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao jornal americano The New York Times, Donald Trump afirmou que a Venezuela deve seguir sendo administrada pelos Estados Unidos “por muitos anos”. Com isso, as bacias de petróleo do país devem continuar sob controle dos estadunidenses. 

“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, afirmou Trump para o jornal.

Além disso, ao ser questionado sobre o período em que os EUA pretendem permanecer no controle venezuelano, o presidente americano completou: “Só o tempo vai dizer”. 

Nicolás Maduro preso 

No último sábado (3), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e preso por militares norte-americanos em Caracas, capital venezuelana. Além de Maduro, sua esposa, Cilia Flores, também foi alvo da operação que transportou o presidente e a primeira-dama de navio até Nova York, nos Estados Unidos. 

Algumas horas após serem capturados, Donald Trump divulgou, através da sua rede social, Truth Social, uma imagem em que Nicolás Maduro aparece vestindo um moletom cinza, óculos escuros e um fone de ouvido, enquanto segurava uma garrafa de água. 

Após a prisão, a presidência da Venezuela passou a ser comandada pela vice-presidente, Delcy Rodríguez, que, apesar de ser apoiadora do regime de Maduro, contou com o apoio de Trump para assumir o mais alto cargo do executivo venezuelano. 

Ainda, em entrevista para o jornal The New York Times nesta quinta-feira (8), o presidente americano elogiou a administração feita por Delcy desde a prisão de Maduro. “Está nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto”, enfatizou Trump. 

A entrevista 

Além da temática sobre a invasão na Venezuela, os jornalistas do The New York Times abordaram outros temas com o presidente americano nesta quinta-feira (8). A entrevista, que foi concedida no Salão Oval da Casa Branca, também tratou sobre a questão da morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, moradora de Minneapolis, pelos agentes do ICE (Serviço de Imagração e Alfândega dos EUA), nesta quarta-feira (7). 


Falas de Donald Trump sobre a Venezuela (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Donald Trump assistiu ao vídeo que mostra o momento em que a estadunidense foi baleada pelo agente enquanto dirigia. Neste momento, o presidente americano teria acusado a mulher de “tentar atropelar um policial”, por isso, segundo ele, o mesmo teria reagido a tiros. 

No entanto, os jornalistas presentes teriam confrontado Trump afirmando que o vídeo não mostrava nenhuma tentativa de atropelamento por parte da americana baleada. A repercussão da morte de Renee gerou revolta por todo o país, elucidando sobre o modus operandi dos policiais que atuam pelo ICE, que atua reprimindo imigrantes que residem em território estadunidense.

Petroleiro tenta driblar sanções ao adotar bandeira russa, mas é capturado pelos EUA

A madrugada desta quarta-feira (7), trouxe um episódio incomum no Atlântico Norte. Forças militares dos EUA abordaram o petroleiro Marinera, antigo Bella 1, e assumiram o controle do navio vinculado à Venezuela, cumprindo um mandado federal por violação de sanções.

A operação começou ainda de madrugada. O Reino Unido deu apoio logístico, cedendo bases e oferecendo vigilância aérea. O navio estava sob acompanhamento das autoridades americanas há semanas, depois de tentativas anteriores de abordagem no Caribe.

Tentativa de driblar sanções

O Marinera estava na lista de sanções desde 2024, por transportar petróleo iraniano que poderia financiar grupos como o Hezbollah. Fazia parte do que os EUA chamam de “frota fantasma”. No mês passado, diante de uma nova tentativa de abordagem perto da Venezuela, a tripulação pintou uma bandeira russa no casco e mudou o nome da embarcação. A ideia era se proteger e escapar da fiscalização com apoio de Moscou.


Navio petroleiro é interceptado pelo Exército dos EUA no Caribe após navegar com bandeira falsa (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


Mesmo com a nova identificação, os Estados Unidos consideraram o navio sem bandeira válida. Os documentos apresentados não refletiam a real propriedade nem o destino do navio, o que configurou descumprimento das sanções.

Reação da Rússia e segundo navio apreendido

Moscou reagiu rapidamente. Classificou a apreensão como violação do direito marítimo e questionou a legalidade do uso da força sobre um navio registrado sob sua bandeira. Segundo autoridades russas, o Marinera tinha permissão temporária para navegar com bandeira russa e a abordagem aconteceu em alto mar, fora de águas territoriais.


EUA apreendem petroleiro em operação no Atlântico Norte e Mar do Caribe (Vídeo: reprodução/X/@hoje_no)


No mesmo dia, os EUA anunciaram a captura de outro petroleiro, o M/T Sophia, no Mar do Caribe. O navio estava envolvido em atividades ilegais, segundo fontes oficiais, e foi interceptado em operação separada. Agora, o Sophia segue escoltado rumo ao território norte-americano.

A apreensão do Marinera e do Sophia reforça a pressão dos EUA sobre redes que tentam driblar sanções no setor petrolífero venezuelano e aliados próximos. Segundo autoridades americanas, as ações fazem parte de um esforço contínuo para garantir que regras internacionais de transporte marítimo sejam respeitadas.

EUA apresentam plano em três fases para a Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), Marco Rubio, apresentou nesta quarta-feira (7) um plano estratégico de três fases para a Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas. A proposta combina medidas econômicas, políticas e sociais, culminando em uma transição de poder que, segundo o governo Trump, visa estabilizar o país, promover sua recuperação e preparar o terreno para um novo governo com maior participação democrática.

Estratégia em três etapas

O plano detalhado por Rubio — marcado por grande controvérsia — foi descrito como um esforço para evitar que a Venezuela mergulhe no caos político e econômico após a recente operação militar americana que resultou na captura de Maduro e de sua esposa.

A primeira fase do plano foca na estabilização imediata do país. Rubio afirmou que medidas como a apreensão e venda no mercado internacional de petróleo venezuelano sob sanções são parte dessa etapa, que ele descreve como uma espécie de “quarentena” econômica para a Venezuela. Segundo ele, entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo serão vendidos a preço de mercado, gerando receitas que os EUA pretendem controlar e administrar de forma a beneficiar a população venezuelana, não o antigo regime.

Segundo Rubio, isso é crucial para evitar uma espiral de desordem e permitir um ponto de partida financeiro e institucional para os próximos passos. A retenção e uso desses recursos têm sido um ponto forte de crítica por opositores da estratégia americana, que questionam a legalidade e os efeitos dessa abordagem econômica.

A segunda etapa, denominada de recuperação, combina fatores econômicos e sociais. Rubio explicou que os Estados Unidos querem garantir que empresas americanas e ocidentais tenham acesso justo ao mercado venezuelano, enquanto se cria um ambiente propício à reconstrução da sociedade civil.

Essa fase inclui planos para iniciar um processo de reconciliação nacional, que envolveria a anistia de opositores detidos e a reintegração de líderes políticos que resistiam ao regime chavista. A intenção, de acordo com o secretário americano, é que vozes diversas contribuam para a reconstrução institucional e social do país, com a participação de forças políticas antes marginalizadas.

A etapa final do plano, chamada de transição, ainda carece de detalhes mais específicos segundo Rubio, que prometeu mais informações “nos próximos dias”. No entanto, ele afirmou que essa fase será dedicada à transição efetiva de poder político para uma nova configuração que, nas palavras dos EUA, devem conduzir a Venezuela a uma estrutura mais democrática e com maior participação de diferentes setores políticos.


EUA anunciam plano de três fases para Venezuela e controle de vendas de petróleo (Vídeo: reprodução/YouTube/VEJA+)


Reações e controvérsias

A estratégia dos EUA tem gerado debates intensos tanto internamente quanto no cenário internacional. Legisladores democratas nos Estados Unidos criticaram o plano, acusando a administração Trump de agir sem consulta ao Congresso e de, essencialmente, apropriar-se do petróleo venezuelano sem a devida transparência ou justificativa legal clara.

Já alguns congressistas republicanos apoiaram a remoção de Maduro, mas também alertaram para a necessidade de que os EUA demonstrem motivações altruístas e um compromisso claro com a democratização efetiva da Venezuela, em vez de parecerem explorar seus recursos naturais em benefício próprio.

Além disso, a operação americana em solo venezuelano e a subsequente estratégia foram fortemente criticadas por países como Rússia, China e França, que consideraram a ação uma violação da soberania venezuelana e um precedente perigoso para a política internacional.

Impactos regionais e geopolíticos

A ação e o plano dos EUA têm reverberado por toda a América Latina, levantando preocupações sobre estabilidade regional, fluxos migratórios e o equilíbrio de poder geopolítico. A Venezuela, já enfrentando uma grave crise humanitária e econômica antes da intervenção, agora se encontra no epicentro de um novo capítulo de intervenção estrangeira, que pode redefinir suas relações com potências globais e com seus próprios cidadãos.

Analistas observam que, se o plano chegar a se concretizar conforme descrito, ele representaria uma das estratégias mais audaciosas dos Estados Unidos na América Latina em décadas, com implicações profundas para as políticas de energia, economia e direitos humanos na região.

Embaixador brasileiro diz que captura de Maduro foi “sequestro” e critica intervenção

Na terça-feira (6), durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos, o representante do Brasil na OEA, embaixador Benoni Belli, afirmou que a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, foi um “sequestro”.  

As declarações do embaixador Benoni Belli reafirmam a posição do Brasil de condenar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, tanto pela captura de Nicolás Maduro quanto pelo bombardeio à capital do país, Caracas.  

Reunião da OEA 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) visa a promoção da cooperação entre os países do continente americano e o fortalecimento de princípios comuns. No entanto, foi necessária a convocação de uma reunião dos países-membros após a intervenção dos Estados Unidos no país latino-americano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.  


Presidente dos EUA Donald Trump sobre a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)


Como citado anteriormente, o representante do Brasil é o embaixador Benoni Belli e, durante a reunião, ele afirmou que a defesa da soberania nacional, com base no direito internacional, é essencial. O embaixador também declarou que, caso esse caminho seja mantido, os países de menor poder financeiro e militar se tornariam coadjuvantes de seus próprios destinos.

Além disso, alertou que as relações de cooperação passariam a ser de subordinação e que a sociedade enfrentaria um colapso da ordem internacional, que tenderia a ser regida pela lei da selva, do mais forte.

Posição do Brasil e fala de Lula

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se pronunciou em suas redes sociais sobre a intervenção dos Estados Unidos em solo venezuelano. Lula condenou a ação militar e cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para o presidente do Brasil, o ataque a Caracas, capital da Venezuela, e a captura de Nicolás Maduro ultrapassam uma linha considerada inaceitável, constituindo uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e, assim, estabelecendo um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.


Presidente do Brasil, Lula, sobre a intervenção dos EUA na Venezuela (Foto: reprodução/X/@lulaoficial)


Na última segunda-feira (5), durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil, representado pelo embaixador na ONU, Sérgio Danese, manteve o alinhamento com o discurso do presidente do país e condenou a intervenção norte-americana.

Nesse sentido, Danese comentou que aceitar tais ações por parte dos Estados Unidos, de tamanha gravidade, poderia conduzir a um cenário marcado por violência, desordem e erosão do multilateralismo mundial.

Trump mira novos países após Venezuela

Após a controversa operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom de sua política externa e passou a apontar potenciais novos “alvos” em diferentes regiões do mundo. O movimento — criticado por aliados e condenado por adversários — indica um reposicionamento agressivo da estratégia americana, com implicações geopolíticas profundas e riscos de escalada de conflitos.

A expansão da retórica de Trump e os possíveis próximos passos

Poucas horas depois de comandar uma ofensiva na Venezuela que chocou a comunidade internacional, Trump começou a mencionar uma série de outros países que poderiam, segundo ele, estar sob maior escrutínio ou até sob ameaça de ação — seja diplomática, econômica ou militar. Entre os nomes mais citados nas últimas declarações presidenciais e reportagens estão Colômbia, Groenlândia, México, Irã e Cuba.



Colômbia: tensão com governo de Petro

O presidente americano não poupou críticas ao líder colombiano Gustavo Petro, chamando-o de “doente” e afirmando que um eventual ataque contra o país “soaria bem” — palavras que acenderam alerta de escalada na região. A Colômbia, tradicional aliada dos EUA no combate ao narcotráfico, tem uma relação complexa com Washington, marcada por cooperação mas também por desconfianças mútuas.

A retórica de Trump inclui ainda acusações a Petro de permitir a prosperidade de cartéis de drogas, o que intensificou a tensão bilateral. Embora não exista até o momento um plano militar formal, a simples sugestão de ação já elevou o clima de incerteza na América Latina.

Groenlândia: interesse estratégico e reação internacional

Mais ao norte, Trump voltou a mencionar a necessidade estratégica de os EUA “controlarem” a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca rico em recursos naturais e posicionado no Ártico — uma região cada vez mais disputada por potências globais.

Embora agora o discurso oficial seja mais focado na importância de um acordo ou compra, e não numa invasão, líderes dinamarqueses e groenlandeses rejeitam veementemente qualquer ameaça de anexação. A primeira-ministra da Dinamarca alertou que um ataque a um território da OTAN poderia significar o fim da própria aliança militar.

México: relações comerciais e combate ao crime

No caso do México, Trump voltou a criticar o governo de Claudia Sheinbaum por não “fazer o suficiente” para lidar com os cartéis de drogas e a violência nas fronteiras. Ele chegou a oferecer apoio militar ao país, proposta que foi rejeitada e vista por autoridades mexicanas como um desrespeito à soberania nacional.

O México, parceiro crucial em comércio e segurança regional, agora enfrenta uma interlocução mais ríspida com Washington, que pode afetar desde acordos econômicos até cooperação em imigração e combate ao crime organizado.

Irã: alerta e retórica militar

Em um contexto mais distante geograficamente, Trump renovou advertências ao Irã, afirmando que o país enfrentaria uma resposta “muito forte” caso sua liderança reprimisse violentamente protestos internos ou desafiasse interesses americanos.

Essa postura reforça um padrão de confrontos anteriores, incluindo ataques dos EUA a instalações iranianas que já ocorreram no ano anterior. A persistente retórica de Trump mantém as tensões altas no Oriente Médio, região crítica para a estabilidade global.

Cuba: colapso econômico e pressão

Embora Trump tenha declarado que Cuba poderia “cair por si só” devido à perda de apoio petrolífero da Venezuela, ele também insinuou que a ilha estaria sob maior pressão diplomática e econômica. A política americana em relação a Havana historicamente variou entre isolamento e tentativas de mudança de regime, e agora voltou a ganhar destaque na agenda de Washington.

A menção a Cuba, um país com profundas ligações políticas e históricas na América Latina, reacende temores de novos embates na região caribenha e engrossa o coro de líderes que veem a retórica dos EUA como uma ameaça direta à soberania nacional.

Repercussões e riscos geopolíticos

A ampliação das ameaças de Trump logo após a operação na Venezuela gerou críticas internacionais e levantou questões sobre a legalidade e legitimidade da política externa dos EUA. Governos europeus, latino-americanos e organizações multilaterais expressaram preocupação com o que consideram uma postura unilateralista e agressiva, capaz de desestabilizar alianças e relações diplomáticas estabelecidas.

Especialistas alertam que a escalada verbal pode não se traduzir imediatamente em ações militares, mas já altera profundamente o ambiente geopolítico, com potenciais impactos em comércio, segurança regional e cooperação internacional.

Cuba entra no radar dos EUA após ataque na Venezuela

Após recente ação militar americana na Venezuela, no último sábado (03), governo brasileiro passa a avaliar Cuba como o país com maior risco de sofrer uma intervenção dos Estados Unidos em seguida. A nova leitura do Brasil é que o ataque estabeleça um precedente perigoso no continente americano, ampliando a tensão geopolítica da América Latina.

No entendimento de vários diplomatas e analistas brasileiros, o ataque dos EUA contra a Venezuela teria rompido barreiras que impediam a intervenção direta nos países sulamericanos. Com a proximidade estratégica entre Nicolás Maduro e Miguel Díaz-Canel, presidentes da Venezuela e de Cuba, nas últimas duas décadas, o país passa a se tornar o novo centro das preocupações – especialmente com a confirmação da morte de militares cubanos durante o ataque dos Estados Unidos.

Cooperação histórica entre Cuba e Venezuela

A parceria entre os dois países se inicia logo nos primeiros anos do governo Hugo Chávez na Venezuela, com programas sociais que começam na saúde e na educação e logo se expandem para outros setores em necessidade no Estado Venezuelano. Com o agravamento de crises internas e o abandono de muitos membros das Forças Armadas desde então, Maduro passou a colocar agentes cubanos em posições estratégicas – como na guarda presidencial e na segurança do Palácio de Miraflores, sede da presidência venezuelana.

O Ministério do Interior de Cuba lançou comunicado que afirma o falecimento de 32 cubanos que atuavam em missões oficiais a pedido da Venezuela, durante ação militar americana. O presidente Miguel Díaz-Canel confirmou que essas vítimas faziam parte das Forças Armadas Revolucionárias ou o Ministério do Interior, e decretou dois dias de luto oficial no país. Apesar disso, o governo não divulgou detalhes sobre quais funções as vítimas exerciam, nem suas identidades.

Sob uma visão internacional, a admissão de agentes cubanos em território venezuelano teria reforçado a narrativa americana sobre a influência de Havana no aparato de segurança do chavismo, o que aumentaria ainda mais a pressão política e diplomática sob a ilha.

Estados Unidos pressiona Cuba

No cenário político atual dos Estados Unidos, diversas figuras representativas do governo Trump intensificam o discurso anti-Cuba ao longo dos anos. O senador Marco Rubio, que é considerado um dos principais defensores da derrubada de Nicolás Maduro, falou abertamente sobre ver o vim do chavismo como um passo para a transição política em Havana.

Após as ações militares na Venezuela, o presidente Lula veio ás suas redes sociais para se pronunciar contra a invasão americana. Além disso, uma nota conjunta foi lançada á imprensa, incluindo países como Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai – para além do Brasil – para expressar preocupação e rechaço sob os ataques unilaterais dos Estados Unidos.


Posicionamento do Presidente Lula (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Após a captura de Maduro, Trump não se deixou abalar pela reação internacional e deixou claro que a ação na Venezuela também serve como recado para o regime cubano, chegando a chamar Cuba de “nação falida”, e afirmar que os Estados Unidos buscam ajudar o seu povo. O próprio Marco Rubio reforçou o argumento, ao acusar o governo cubano de ter colapsado a economia do seu país por conta da má gestão, além de se opor a qualquer reaproximação diplomática com Caracas.

No entanto, especialistas ponderam que uma intervenção direta em Cuba nas mãos dos americanos enfrentaria maiores obstáculos, ao ser comparado com a Venezuela. O principal destaque é que o regime cubano é mais institucionalizado e tem um apoio popular mais amplo, o que faria da ação militar mais custosa politicamente. Ainda assim, a saída de Maduro enfraquece Havana, pela perda de parceria e do petróleo subsidiado, o que acende um alerta para a política regional.

Maduro se declara inocente durante audiência nos Estados Unidos

Nesta segunda-feira (5), ocorreu a audiência de Maduro em Nova Iorque, tendo sido acusado formalmente de crimes como tráfico de drogas e posse de armas durante uma audiência em Nova Iorque, onde o presidente se inocentou de todos os crimes mencionados, dizendo ser “um homem decente”. Assim como o marido, Cilia Flores, também declarou-se inocente quanto às acusações de narcotráfico.

O juiz distrital Alvin Hellerstein foi o responsável por presidir a audiência, tendo garantido que um representante do Consulado da Venezuela visitasse Maduro e Flores, atendendo o pedido do casal. No dia 17 de março, Maduro participará de uma nova audiência, conforme determinado pelo magistrado.

Audiência de Maduro em Nova Iorque

Com algemas nos tornozelos e fones de ouvido, Nicolás Maduro compareceu na sua primeira audiência nos Estados Unidos, tendo se declarado inocente em todos os crimes que responde na justiça estadunidense: narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse de armas e explosivos e conspiração para a posse de armas e explosivos.

O presidente da Venezuela disse ser um homem decente e inocente, além de afirmar ainda ser o presidente do país.


Maduro e sua esposa durante audiência em Nova Iorque (Foto: reprodução/X/@SocialistMMA)


Sequestro de Nicolás Maduro por Trump

Na madrugada do primeiro sábado de 2026, os bairros de Caracas foram atacados pelos Estados Unidos, e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi sequestrado pelo governo de Donald Trump, assim como sua esposa, que segundo advogados, sofreu ferimentos graves durante a operação militar dos EUA no país.

Mark Donnelly acredita que ela possa ter hematomas graves ou uma fratura nas costelas, sendo preciso uma avaliação física. Segundo repórteres da CNN que estavam no tribunal, Flores estava com curativos na cabeça durante a audiência.

Com o sequestro e a prisão de Maduro, as Forças Armadas venezuelanas reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina.

O secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, comunicou que Maduro foi preso por agentes norte-americanos para que responda a acusações criminais que enfrenta no país. O secretário afirmou ainda em entrevistas que os Estados Unidos não governarão a Venezuela, mas sim usarão o bloqueio de petróleo como forma de pressão.

Declarações de Trump acirram tensão entre EUA e Colômbia

Após declaração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na qual afirmou que uma operação militar contra a Colômbia “soava bem”, as relações entre os países entraram em clima de tensão. A declaração do presidente veio após uma ofensiva americana em território venezuelano que resultou na captura do, até então, presidente do país, Nicolás Maduro.

Declarações e ofensas

Em coletiva de imprensa, o presidente Donald Trump não mediu esforços para criticar o governo de Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Petro é um líder esquerdista que foi eleito democraticamente pelo país, sem nenhum tipo de vínculo com a direita tradicional colombiana. Trump se referiu ao território colombiano como “um país muito doente” e também afirmou que Petro “é um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”, disse Trump.

Entretanto, as acusações de Trump chegaram sem provas legais ou investigações que possam sustentar tais alegações.

Resposta de Petro

Gustavo Petro, por sua vez, respondeu nesta segunda-feira (5) de forma enfática às declarações de Trump, classificando-as como “ameaças ilegítimas”, e afirmou que irá analisar o caso e responder ao americano de forma formal.

Em suas redes sociais, Petro declarou: “Pare de me caluniar, senhor Trump”, e acrescentou: “Não se ameaça um presidente latino-americano dessa forma.


Placa em defesa de Petro em manifestação (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Petro continua negando veementemente qualquer envolvimento com o narcotráfico e alegou que seu nome não aparece, em nenhum momento, em processos judiciais ligados a esse tipo de crime. O presidente ainda se defendeu apresentando seu histórico no combate às drogas e destacou que o governo vem promovendo apreensões recordes e ações contra cartéis.

O clima se inflamou ainda mais quando Gustavo Petro declarou que estaria disposto a defender a soberania nacional em qualquer circunstância, caso os Estados Unidos avancem com agressões militares. Petro pediu ainda a mobilização da população colombiana em defesa do país, deixando claro que as Forças Armadas devem priorizar a proteção do território colombiano diante de qualquer tentativa externa de intervenção.

Maduro faz declaração em tribunal dos EUA após captura militar na Venezuela

Nesta segunda-feira (05), o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, compareceu a uma audiência no tribunal federal de Manhattan, em Nova York, onde declarou ser inocente das acusações impostas pelos Estados Unidos. Maduro chegou ao tribunal acompanhado de sua esposa, Cilia Flores; ambos estavam algemados. Durante a sessão, fez uma breve declaração formal ao juiz, negando todas as acusações de narcotráfico e outros crimes relacionados.

Operação dos EUA

A operação que levou o presidente venezuelano ao tribunal ocorreu no último sábado (03). Segundo informações preliminares, se tratou de uma operação militar das forças armadas norte-americanas em Caracas, que resultou na detenção e no transporte de Maduro para os Estados Unidos. Os detalhes da ação não foram divulgados oficialmente, porém os ataques militares levantaram questionamentos significativos sobre a legalidade da operação e a soberania venezuelana.


Nicolás Maduro e Cilia Flores (Foto: reprodução/Jesus Vargas/Getty Images Embed)


De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, são acusados de diversos crimes, incluindo conspiração para o narcoterrorismo, tráfico de drogas, posse ilegal de metralhadoras e dispositivos explosivos, entre outras acusações relacionadas ao crime organizado.

Acusação global

O presidente deposto de 63 anos negou veementemente qualquer envolvimento com o narcotráfico, afirmando ao juiz que foi “capturado” de maneira injusta pelos Estados Unidos e que é um ”homem inocente”. Maduro também reiterou que continua sendo o presidente legítimo da Venezuela, apesar das acusações que enfrenta na Justiça norte-americana.

O juiz Alvin K. Hellerstein será responsável por conduzir os procedimentos iniciais do processo, incluindo a garantia dos direitos legais de Maduro, as notificações formais das acusações e a definição de sua situação judicial até o julgamento.

A prisão de Maduro e a operação conduzida pelos Estados Unidos desencadearam uma crise geopolítica, com diversos países aliados da Venezuela saindo em sua defesa: Nações como Rússia e China classificaram a ação como uma grave violação do direito internacional. Até o momento, o governo venezuelano segue afirmando que Nicolás Maduro é o presidente legítimo do país.