Lenacapavir, injeção que previne quase 100% o risco de infecção por HIV, é liberado pela Anvisa

Nesta segunda-feira (12), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o lenacapavir, um medicamento injetável que previne a infecção pelo HIV em quase 100%. Desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences, o medicamento é considerado revolucionário, ao ser aplicado apenas a cada seis meses. O que seria revolucionário comparado aos comprimidos que tem que tomar diariamente.

O fármaco será comercializado no Brasil sob o nome Sunlenca. Nos Estados Unidos, o lenacapavir foi aprovado em 18 de junho de 2025 pela FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos), com o nome comercial Yeztugo. Já na Europa, a Comissão Europeia concedeu autorização de comercialização em 26 de agosto de 2025, sob o nome Yeytuo.

A autorização da Anvisa para o uso do injetável que previne o HIV é destinada à profilaxia pré-exposição (PrEP), ou seja, para prevenir a infecção. O medicamento é recomendado para pessoas que não vivem com HIV, com idade acima de 12 anos, peso superior a 35 kg, e que tenham realizado o teste para HIV com resultado negativo.

Além disso, o lenacapavir também pode ser usado como tratamento para pacientes que já vivem com HIV, especialmente aqueles que já utilizaram outras terapias e apresentam resistência a outras classes de antivirais. Nesse caso, o medicamento funciona como uma opção diferente aos tratamentos que não vêm funcionando e assim, podendo proporcionar uma melhora satisfatória aos pacientes.

O medicamento lenacapavir

lenacapavir atua antes do vírus entrar no organismo, bloqueando a infecção — por isso, é usado como prevenção (PrEP). Já quando é usado em pessoas que já têm HIV, funciona como um tratamento inovador, impedindo que o vírus continue a se multiplicar no corpo.

O primeiro estudo clínico com o lenacapavir, chamado Purpose-1 pelo laboratório Gilead Sciences, analisou o tratamento em 5,3 mil mulheres cisgênero (que se identificam com o gênero atribuído a elas ao nascer) nos países da África do Sul e Uganda. Nenhuma das pessoas que recebeu o medicamento foi infectada durante cerca de dois anos, enquanto 55 diagnósticos de infecção foram observados nos grupos que utilizaram a PrEP oral. Portanto, a eficácia das injeções foi considerada 100% nesse estudo.


Anvisa anuncia a autorização do lenacapavir (Foto: reprodução/Instagram/@anvisaoficial)


O segundo estudo, chamado Purpose-2, envolveu 3,3 mil participantes de diferentes gêneros, incluindo homens cisgêneros e pessoas trans, e de diversas etnias, em 88 centros de pesquisa diferentes, como no Peru, Brasil, Argentina, México, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos.

Ao final do estudo, foram confirmados apenas dois casos de HIV entre os participantes que receberam a injeção de lenacapavir, e nove casos entre os que utilizavam a PrEP oral — um comprimido tomado diariamente por pessoas que não têm o vírus, mas que desejam se proteger dele.

Desde meados do ano passado, julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte de uma estratégia combinada de prevenção do HIV, que combina diferentes ferramentas, como: uso de preservativos (proteção primária); testagem (caso haja dúvidas ou exposição ao vírus) e PrEP (medicamento de pré-exposição).

Autorização da Anvisa 

Os pedidos para aprovação do lenacapavir como tratamento e como PrEP foram protocolados, respectivamente, em novembro de 2024 e março de 2025, e ambos receberam análise prioritária pela Anvisa, devido à sua relevância epidemiológica e ao potencial impacto na saúde pública brasileira.

No Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece uma estratégia de PrEP para o HIV desde 2017, baseada no uso diário de comprimidos de Tenofovir + Emtricitabina, cujo nome comercial mais conhecido é Truvada.

Esses comprimidos também reduzem o risco de infecção a quase zero, mas, como precisam ser tomados diariamente, podem se tornar um fator de complicação, dificultando a adesão ao tratamento. Já o lenacapavir necessita apenas de uma injeção a cada seis meses, facilitando a prevenção e aumentando a adesão.


Médico infectologista explica sobre o medicamento (Vídeo: reprodução/YouTube/@renatocassol)


Antes do lenacapavir, a PrEP mais avançada a oferecer prevenção de longa duração era o cabotegravir, da GSK, também injetável, mas aplicado a cada dois meses. O cabotegravir foi aprovado pela Anvisa em junho de 2024, porém seu custo é muito elevado em território nacional.

O alto valor também pode ser um possível entrave para o lenacapavir no Brasil. Além disso, é necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) defina o preço máximo do medicamento. Portanto, ainda não há previsão de lançamento nem de valores, que só poderão ser definidos após essa etapa, permitindo a venda em território nacional.

O injetável é comercializado nos Estados Unidos, custando mais de 28 mil dólares por pessoa ao ano (cerca de R$ 150 mil). Com esse alto valor, nenhum sistema de saúde conseguiu implementar o lenacapavir até o momento.

O laboratório Gilead Sciences chegou a anunciar alguns acordos com fabricantes para produzir e vender versões genéricas do medicamento em 120 países com alta incidência de HIV e recursos limitados. Entretanto, o Brasil e outros países da América do Sul, Ásia e Europa ficaram de fora desse primeiro acordo.

Autores de um estudo estimaram que o remédio poderia ser vendido por apenas 25 dólares (cerca de R$ 135) e ainda gerar lucro.

Ainda não há valor ou data definida para o início da comercialização do medicamento. Quando iniciar a comercialização, ficará a cargo de analisar e tentar implementar um plano para levar o medicamento ao SUS. O órgão responsável por essa análise é a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e, pelo Ministério da Saúde, assim, implementar o remédio gratuitamente no SUS.

Seguro-desemprego passa por reajuste

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou a tabela anual com as regras para o cálculo do seguro-desemprego, após atualização com base no salário mínimo atual e no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Desta forma, os beneficiários receberão a partir de R$ 1.621.

Como calcular o seguro-desemprego em 2026

Segundo as novas regras do MTE, esta é a forma de calcular o seguro-desemprego:

  • Salário até R$ 2.222,17 = Multiplicar o salário médio por 0,8;
  • Salário de R$ 2.222,18 até R$ 3.703,99 = O que exceder a R$ 2.222,17, multiplicar por 0,5 e somar com R$ 1.777,74;
  • Salário acima de R$ 3.703,99 = O valor será invariável de R$ 2.518,65.

O salário médio para cálculo deverá ser a soma da remuneração dos três meses antes da demissão dividida por três.

Ademais, segundo a lei, caso o cálculo resulte em um valor menor que o salário mínimo vigente, o beneficiário receberá R$ 1.621. Para os que receberam um salário acima de R$ 3.564,96, o benefício será no valor máximo de R$ 3.703,99.



Beneficiários do seguro-desemprego

Poderão receber o benefício do seguro-desemprego quem atuou no regime CLT e foi dispensado sem justa causa, incluindo os domésticos, bem como para as situações de dispensa indireta, quando o trabalhador comete uma falta grave obrigando que o trabalhador rompa o vínculo contratual.

Além destas situações, pescadores profissionais durante o período de defeso, trabalhador resgatado de situação análoga à escravidão, e quem foi suspenso por participar em programa de qualificação profissional oferecido pelo empregador também poderão receber o benefício.

Quem não pode receber

Não receberão o seguro-desemprego quem receber o benefício de prestação continuada da Previdência, a menos que seja por auxílio-acidente e pensão por morte. O recebimento de outro benefício trabalhista ao mesmo tempo não é permitido, assim como ter participação societária em empresas.

O benefício será anulado caso a carteira do trabalhador seja assinada logo após a demissão ou durante o recebimento do seguro-desemprego.

Duração do benefício

O número de parcelas do seguro-desemprego varia conforme o tempo de trabalho:

  • Quem trabalhou ao menos 6 meses receberá 3 parcelas;
  • Quem trabalhou ao menos 12 meses receberá 4 parcelas;
  • Quem trabalhou mais de 24 meses receberá 5 parcelas.

Com o número do CPF e o requerimento do seguro-desemprego, entregue ao trabalhador assim que a demissão sem justa causa ocorre, o benefício pode ser solicitado através do Portal Gov.br, pelo aplicativo “Carteira de Trabalho Digital”, e com agendamento no telefone 158 nas unidades das Superintendências Regionais do Trabalho.

TCU concede prazo de 30 dias ao Banco Master em meio a disputa entre regulação, Justiça e mercado

Em novembro de 2025, começou um dos episódios mais complexos e disputados do ambiente financeiro e jurídico brasileiro nos últimos meses. O caso envolve o Banco Master, que sofreu uma liquidação extrajudicial decretada diretamente pelo Banco Central (BC). A medida foi adotada após o BC identificar o descumprimento de normas regulatórias, indícios de irregularidades em operações de crédito, além de problemas de liquidez e outros fatores que, segundo o órgão regulador, comprometeriam a solidez da instituição e colocariam em risco o sistema financeiro.

Intervenção e supervisão

Com a intervenção do Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passou a ser acionado para assegurar, principalmente, a compensação dos investidores com depósitos de até R$ 250 mil, conforme prevê a regulamentação vigente. As estimativas indicam que o processo pode envolver cerca de R$ 41 bilhões, valor que representa uma das maiores operações de cobertura já realizadas pelo FGC na história do país, o que amplia ainda mais a relevância do caso.

Diante da repercussão e do tamanho dos impactos financeiros, o Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou um processo de fiscalização para supervisionar a atuação do Banco Central na condução da liquidação. Embora a competência para uma eventual reversão da medida seja exclusiva do Supremo Tribunal Federal (STF), o TCU possui a atribuição de avaliar a legalidade e a regularidade dos atos administrativos praticados pelo BC, além de produzir informações técnicas que podem ajudar futuras decisões judiciais.

Defesa do caso

Paralelamente, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, juntamente com sua equipe de defesa, tem adotado uma postura jurídica considerada agressiva. Além de atuar em diversas frentes — como o STF, o próprio TCU e até instâncias internacionais —, a estratégia busca reverter a liquidação ou, ao menos, reduzir os danos e impactos negativos sobre o patrimônio do empresário e de seus investidores. A defesa também contesta as acusações de fraude, afirmando que não há fundamentos legais suficientes que justifiquem tais alegações.


Banco Master em São Paulo (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)


A crise envolvendo o Banco Master reacendeu debates importantes sobre a segurança jurídica e a confiança no sistema regulatório brasileiro, especialmente no que diz respeito aos limites de atuação dos órgãos de controle e supervisão, como o Banco Central, o TCU e o Poder Judiciário.

Para alguns especialistas, uma eventual reversão da liquidação ou uma interferência excessiva pode intensificar a incerteza entre investidores e fragilizar mecanismos de supervisão financeira, temas que seguem sendo amplamente discutidos nos meios político, jurídico e econômico do país.

Trump avalia ataque ao Irã enquanto EUA tentam saída diplomática

Com base na publicação desta segunda-feira (12) do jornal norte-americano The Wall Street Journal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está inclinado a autorizar um ataque ao Irã. A publicação é baseada em relatos diretos do alto escalão da Casa Branca, mas, segundo esses mesmos nomes, o que ocorre é uma tentativa de fazer com que o presidente tome as medidas mais diplomáticas disponíveis.

Tensão no Irã

O clima no país iraniano é de tensão, com diversos protestos nas ruas contra o atual líder, Ali Khamenei. Segundo dados oficiais, as manifestações já acumulam cerca de 600 mortes, além de outros 10 mil presos. Recentemente, também, o governo do Irã cortou a distribuição de internet em todo o país.


Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei (Foto: reprodução/Atta Kenare/Getty Images Embed)


Com isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, propaga um discurso que tende à decisão de ataque ao país. No domingo (11), fez uma declaração em que disse considerar “decisões muito fortes” em relação ao Irã. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Trump não tem receio de atacar diretamente o Irã.

Reuniões diplomáticas

Segundo o WSJ, nesta terça-feira (13) irá acontecer uma reunião sobre as decisões futuras envolvendo o Irã. A ideia principal é negociar para que o país interrompa a produção de bombas atômicas, assunto que, inclusive, está em pauta desde o ataque em 2024, no ápice da guerra entre Israel e Irã.

O vice-presidente de Donald Trump, JD Vance, é um entre os vários nomes que constam a favor de convencer o presidente a apostar na negociação com Teerã antes de, de fato, autorizar um ataque militar às bases iranianas.

Apesar de a inclinação do presidente norte-americano ser o ataque, uma negociação diplomática não pode ser descartada, já que o governo do Irã também se colocou à disposição para negociações. Porém, também há relatos de que, caso sofram um ataque, irão revidar contra bases americanas no Oriente Médio.

ONGs denunciam a situação no Irã após a morte de mais de 500 pessoas em manifestações

Neste domingo (11), o número de mortos nas manifestações contra o regime de Khamenei no Irã ultrapassou 500, segundo grupos de ativistas que monitoram os acontecimentos no país. A situação é descrita como caótica, com relatos de massacre e denúncias de que policiais estariam excedendo os limites no confronto com manifestantes. Iranianos ouvidos por jornais dos Estados Unidos afirmaram que a polícia atirou contra pessoas que participavam dos protestos.

Entenda a situação

Conforme informaram algumas ONGs de direitos humanos, o país está totalmente isolado, sem redes de internet em funcionamento, porque o governo determinou o corte do acesso para toda a população. Elas também afirmaram que há um massacre em curso no país em razão desse corte geral. Já organizações da Noruega relataram uma série de assassinatos nas regiões afetadas, indicando a possibilidade de o número de mortos chegar a 2 mil pessoas. As autoridades policiais esclareceram como ocorreu o conflito, confirmando os acontecimentos dos últimos dias.


Incêndio durante manifestações no Irã (Foto: reprodução/Khoshiran/Getty Images Embed)


Masoud Pezeshian fez um apelo aos cidadãos do país que governa para que se mantenham afastados daqueles que chamou de “terroristas e baderneiros”, afirmando ainda estar em busca de diálogo com os manifestantes. Ele também criticou os Estados Unidos, acusando-os de provocar caos e desordem e de agravar o conflito. Após Donald Trump mencionar uma possível intervenção para tentar resolver a crise, a liderança iraniana afirmou que retaliaria, deixando claro que os primeiros alvos seriam no próprio território em questão.

Conflito com os EUA

Conforme informou o jornal “The New York Times”, membros do governo americano teriam comunicado ao presidente Donald Trump a possibilidade de um ataque militar, e o “Axios” divulgou que o governante dos EUA está avaliando alternativas para apoiar os manifestantes iranianos. Marco Rubio também discutiu com Benjamin Netanyahu uma possível intervenção no Irã.

O regime iraniano já declarou que o país está em guerra, e o conflito se encontra em uma situação complexa, avançando em uma escalada de violência.

No momento, ainda não se sabe como esses conflitos serão resolvidos. Os países buscam uma solução na tentativa de encerrar a guerra.

EUA miram o Estado Islâmico em ofensiva militar na Síria

Os Estados Unidos e forças aliadas lançaram, neste sábado (10), ataques em larga escala contra alvos do Estado Islâmico na Síria. À primeira vista, a ofensiva ocorre como represália a um ataque ocorrido em dezembro, que matou três americanos no país.

Segundo o comando militar dos EUA, a operação atingiu posições do grupo jihadista em diferentes regiões sírias. A princípio, a ação integra a chamada operação Hawkeye, anunciada nas redes sociais oficiais do Exército americano.

Ofensiva responde a ataque mortal em Palmira

De acordo com o comunicado, os bombardeios são resposta direta ao ataque registrado em 13 de dezembro, na cidade de Palmira, conhecida como Tadmor, importante centro comercial da antiguidade na Rota da Seda. Na ocasião, um comboio com forças americanas e sírias foi alvo da ação. 


EUA em apoio à Operação Hawkeye Strike (Foto: reprodução/Exército dos EUA/Getty Images Embed)


Consequentemente, o ataque matou dois soldados do Exército dos Estados Unidos e um intérprete civil. Além disso, outros três militares americanos ficaram feridos durante a ofensiva. Ainda segundo o Exército, o agressor foi morto no local. Posteriormente, o Ministério do Interior da Síria afirmou que o autor integrava forças de segurança sírias e simpatizava com o Estado Islâmico.

Até o momento, o comando militar americano não informou se os novos ataques deixaram mortos. Enquanto isso, o Pentágono e o Departamento de Estado não comentaram oficialmente a operação. Nos últimos meses, a coalizão liderada pelos EUA intensificou ações aéreas e terrestres contra o grupo extremista. Essas operações contam, em muitos casos, com apoio das forças de segurança sírias.

Presença militar americana e cenário político na Síria

Atualmente, cerca de mil militares americanos permanecem em território sírio. Ocasionalmente, a presença tem como objetivo conter o avanço do Estado Islâmico e apoiar forças locais, já que o atual governo da Síria é liderado por ex-rebeldes que derrubaram Bashar al-Assad no ano passado. O conflito encerrou um ciclo de 13 anos de guerra civil. A coalizão no poder reúne grupos que romperam com a Al Qaeda e passaram a combater diretamente o Estado Islâmico. Desde então, a cooperação com os Estados Unidos foi ampliada.


Trump acompanha o retorno dos restos mortais de membros da Guarda Nacional mortos em ataque na Síria (Foto: reprodução/ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP/Getty Images Embed)


No mês passado, Síria e EUA firmaram um acordo de cooperação militar. A decisão ocorreu após a visita do presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, à Casa Branca. Enquanto isso, o governo americano mantém postura mais assertiva na política externa. Recentemente, o presidente Donald Trump anunciou ataques contra uma instalação na Venezuela.

Além disso, Trump assinou uma proclamação que retira os EUA de dezenas de órgãos internacionais. Segundo a Casa Branca, a medida prioriza interesses nacionais. Dessa forma, os ataques na Síria reforçam uma estratégia de ações diretas. Ao mesmo tempo, indicam uma atuação seletiva dos EUA no cenário internacional.

Manoel Carlos, autor que eternizou as “Helenas”, morre aos 92 anos no Rio

A televisão brasileira perdeu neste sábado (10) um de seus principais nomes da dramaturgia. Manoel Carlos, autor de novelas que atravessaram gerações, morreu aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson, que nos últimos anos comprometeu suas funções motoras e cognitivas. A causa da morte não foi divulgada.

Conhecido como Maneco, o escritor construiu uma carreira sólida marcada pela sensibilidade no retrato das relações humanas. Embora tenha nascido em São Paulo, em 1933, sempre se considerou carioca de coração — sentimento que se refletiu diretamente em sua obra, quase sempre ambientada no Rio de Janeiro, cidade que se tornou não apenas cenário, mas personagem de suas histórias. O velório será restrito a familiares e amigos próximos.

Da juventude nos palcos ao protagonismo na televisão

Filho de um comerciante e de uma professora, Manoel Carlos iniciou sua trajetória profissional ainda adolescente, aos 14 anos, como auxiliar de escritório. Paralelamente, alimentava a paixão pelas artes ao frequentar diariamente a Biblioteca Municipal de São Paulo, onde integrava o grupo “Adoradores de Minerva”, ao lado de nomes que se tornariam referências culturais, como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Flávio Rangel e Antunes Filho.

A carreira artística começou no teatro e ganhou projeção na televisão nos anos 1950. Aos 17, atuou no “Grande Teatro Tupi” e, pouco depois, foi premiado como ator revelação. Não demorou para migrar também para as funções de produtor e diretor. Ao longo das décadas seguintes, passou por diversas emissoras — TV Tupi, TV Record, TV Excelsior, TV Rio — e acumulou experiências como roteirista, adaptador e dirigente artístico. Na Record, integrou equipes responsáveis por programas emblemáticos, como “O Fino da Bossa”, “Família Trapo” e atrações comandadas por Hebe Camargo.

A chegada à TV Globo ocorreu em 1972, quando assumiu a direção-geral do “Fantástico”. Seis anos depois, estreou como novelista da emissora com “Maria, Maria” e, em seguida, adaptou “A Sucessora”. A partir daí, consolidou um estilo próprio, inspirado na tradição da radionovela, com diálogos cotidianos e conflitos familiares tratados de forma direta e emocional.


Autor de novelas Manoel Carlos (Vídeo: reprodução/YouTube/Terra)


As Helenas e o retrato da família brasileira

A consagração definitiva veio em 1981, com “Baila Comigo”, novela que apresentou ao público a primeira de uma longa série de protagonistas chamadas Helena. A personagem, vivida por Lílian Lemmertz, inaugurou uma galeria de mulheres que se tornariam marca registrada de Manoel Carlos. De Maitê Proença, em “Felicidade”, a Regina Duarte, em “História de Amor”, “Por Amor” e “Páginas da Vida”, passando por Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e, por fim, Julia Lemmertz, em “Em Família”, as Helenas simbolizaram a visão do autor sobre a mulher: forte, contraditória, vaidosa, capaz de gestos extremos em nome dos filhos.

O próprio Maneco explicava que a escolha do nome vinha de sua paixão pela mitologia grega, onde Helena representa a mulher guerreira e intensa. Em suas tramas, a maternidade frequentemente surgia como eixo dramático, seja no sacrifício extremo de “Por Amor”, seja na comoção coletiva provocada por “Laços de Família”, que abordou a leucemia e marcou época com a cena em que a personagem de Carolina Dieckmann raspa o cabelo.

Além das novelas, Manoel Carlos também se destacou em minisséries como “Presença de Anita” e “Maysa – Quando Fala o Coração”, ampliando seu alcance para além do melodrama tradicional. Ao longo da carreira, suas produções incorporaram temas sociais relevantes, como doação de medula, violência contra a mulher, alcoolismo e inclusão, demonstrando sensibilidade às transformações do país.


As personagens mais conhecidas de Manoel Carlos (Vídeo: reprodução/YouTube/@divadepressao)


Um legado que atravessa gerações

Apesar do sucesso profissional, a vida pessoal do autor foi marcada por perdas. Ele deixa duas filhas, a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, sua colaboradora em diversas obras. Outros três filhos — Ricardo de Almeida, Manoel Carlos Júnior e Pedro Almeida — faleceram ao longo dos anos, em episódios que Maneco sempre tratou com discrição.

Para além dos números de audiência e dos prêmios recebidos, o maior legado de Manoel Carlos talvez esteja na capacidade de transformar histórias íntimas em narrativas universais. Seus personagens falavam de amor, ciúme, inveja e perdão com uma naturalidade que aproximava o público da tela. Ao retratar tragédias sob o “céu azul” do Rio de Janeiro, como ele próprio costumava dizer, Maneco ofereceu à televisão brasileira uma dramaturgia sensível, cotidiana e profundamente humana — marca que seguirá viva na memória cultural do país.

Mercosul e União Europeia fecham acordo histórico

A União Europeia confirmou a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, marcando um novo capítulo nas relações entre os dois blocos. A informação foi divulgada por Chipre, país que exerce a presidência rotativa da União Europeia neste momento. A decisão foi recebida com expectativa positiva por governos e setores econômicos, que veem na parceria uma oportunidade de ampliar o comércio e os investimentos entre as regiões.

O acordo envolve países da América do Sul e da Europa e vinha sendo negociado há anos. Com a confirmação da aprovação, cresce a expectativa de que o Mercosul assine oficialmente o acordo com a União Europeia no dia 17 de janeiro. A medida é considerada estratégica para fortalecer laços econômicos, ampliar mercados e criar novas oportunidades para empresas e produtores.

Aprovação europeia e expectativa de assinatura

Segundo informações divulgadas por Chipre, os países da União Europeia chegaram a um consenso sobre o acordo com o Mercosul. O país ocupa atualmente a presidência rotativa do bloco e foi responsável por comunicar a decisão aos demais integrantes e à imprensa. A confirmação encerra uma etapa importante do processo e abre caminho para a formalização da parceria.

A expectativa agora é que o Mercosul assine o acordo com a União Europeia em 17 de janeiro. A data é vista como decisiva para consolidar o entendimento entre os blocos e permitir que o texto avance para as próximas fases de implementação. A assinatura deve reunir representantes dos países envolvidos e marcar oficialmente o início da nova etapa de cooperação.

O acordo prevê a ampliação do comércio de produtos agrícolas, industriais e de serviços. A proposta é reduzir tarifas, facilitar o acesso a mercados e criar regras mais claras para as trocas comerciais. Com isso, empresas dos dois lados poderão expandir suas operações e alcançar novos consumidores.

Além do comércio, o entendimento também inclui compromissos nas áreas ambiental e social. A União Europeia tem defendido cláusulas ligadas à sustentabilidade e à proteção do meio ambiente, enquanto os países do Mercosul destacam a importância de preservar suas atividades produtivas e gerar desenvolvimento econômico.

Governos da região sul-americana avaliam que o acordo pode impulsionar exportações, gerar empregos e atrair investimentos. Já os países europeus veem na parceria uma forma de garantir fornecimento de produtos e ampliar a presença em mercados emergentes.



Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul (Vídeo: reprodução/YouTube/globonews)


Alckmin celebra e destaca benefícios

No Brasil, a aprovação do acordo foi comemorada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. Ele afirmou que a parceria é positiva para os dois lados e destacou os ganhos econômicos e ambientais envolvidos.

“Este acordo fortalece o multilateralismo, o comércio entre os dois blocos, comércio com regras, promove investimentos, devemos ter mais investimentos europeus no Mercosul, fortalece a sustentabilidade, porque o Brasil assume compromisso de combate às mudanças climáticas. É ganha ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade”, declarou Alckmin.

A fala do ministro reforça a visão do governo brasileiro de que o acordo pode gerar benefícios diretos para a população. A expectativa é de que a redução de tarifas torne produtos mais acessíveis e amplie a variedade disponível no mercado. Além disso, o aumento de investimentos europeus no Mercosul pode estimular setores como indústria, infraestrutura e tecnologia.

Alckmin também ressaltou a importância do compromisso ambiental. Segundo ele, o Brasil tem buscado mostrar que é possível crescer economicamente e, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente. O acordo com a União Europeia inclui compromissos nesse sentido, o que pode fortalecer a imagem do país no cenário internacional.

A celebração do vice-presidente acompanha o otimismo de empresários e produtores, que veem na parceria uma chance de ampliar exportações e conquistar novos mercados. Setores como agronegócio, indústria automotiva e alimentos estão entre os mais interessados nos efeitos do acordo.

Por outro lado, alguns segmentos pedem cautela e atenção às regras que serão aplicadas. Há preocupação com a concorrência e com a necessidade de adaptação às exigências europeias, especialmente em áreas como meio ambiente e qualidade dos produtos. Mesmo assim, a maioria das avaliações aponta que os benefícios tendem a superar os desafios.

Com a aprovação confirmada pela União Europeia e a expectativa de assinatura em 17 de janeiro, o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em sua fase mais decisiva. A formalização pode abrir um novo ciclo de cooperação, com impactos diretos na economia, no comércio e nas relações políticas entre os dois blocos.

A próxima etapa será acompanhar os desdobramentos da assinatura e os processos internos de cada país para colocar o acordo em prática. Governos, empresas e consumidores seguem atentos aos próximos passos, diante da importância histórica da parceria. O entendimento entre Mercosul e União Europeia é visto como um dos mais relevantes acordos comerciais dos últimos anos e promete influenciar o cenário econômico internacional.

Maioria dos senadores assina pedido para prisão domiciliar de Bolsonaro

Um grupo de senadores apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido formal para que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) tenha autorizada a prisão domiciliar. O documento foi protocolado pelo senador Wilder Morais (PL-GO) e já conta com a assinatura de 41 dos 81 integrantes do Senado Federal, número que representa a maioria da casa. A solicitação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos que envolvem o ex-chefe do Executivo.

No texto, os parlamentares argumentam que Bolsonaro enfrenta problemas de saúde que exigiriam acompanhamento médico constante, o que, segundo eles, tornaria o regime domiciliar  mais adequado do que a permanência em uma unidade prisional.

Ex-presidente tem histórico com problemas de saúde

O pedido menciona episódios recentes de mal-estar e procedimentos médicos realizados pelo ex-presidente como justificativa para a adoção de uma medida considerada mais humanitária. Bolsonaro tem histórico de complicações de saúde desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018.

Desde então, passou por diversas cirurgias abdominais e internações, além de relatar dores recorrentes e limitações físicas. Aliados afirmam que, nos últimos meses, o ex-presidente voltou a apresentar episódios de indisposição, o que reforçaria a necessidade de acompanhamento médico mais próximo e contínuo.

Responsabilidade direta com a integridade física

Os senadores também citam dispositivos da Constituição Federal, decisões anteriores do próprio STF e tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário. De acordo com o documento, o Estado tem responsabilidade direta pela integridade física de qualquer pessoa sob sua custódia, o que incluiria a adoção de medidas excepcionais em casos de risco à saúde.

A lista de signatários reúne parlamentares de diferentes partidos, como PL, PSDB, PSD, PP, Republicanos, Podemos e União Brasil, além de senadores sem filiação partidária.



Senadores pedem prisão domiciliar para Bolsonaro (Video: reprodução/Youtube/@SBTNews)


Entre os nomes estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Sergio Moro (União Brasil-PR), Eduardo Girão (Novo-CE) e Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), entre outros.

O movimento não tem efeito automático

Apesar da adesão expressiva, o movimento não tem efeito automático sobre a situação jurídica do ex-presidente. O pedido é interpretado nos bastidores como um gesto político de parte do Legislativo, que busca demonstrar preocupação com as condições de saúde de Bolsonaro e, ao mesmo tempo, sinalizar ao Judiciário a necessidade de reavaliação do regime de cumprimento da pena.

Em termos práticos, a manifestação dos senadores não altera por si só a situação do ex-presidente. A solicitação funciona como um posicionamento político dirigido ao Supremo, mas a decisão sobre a concessão de prisão domiciliar depende exclusivamente do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Cabe a ele avaliar se os argumentos apresentados, especialmente os relacionados à saúde, atendem aos critérios legais previstos para a substituição do regime de cumprimento da pena.

Delcy Rodríguez equilibra aliança com EUA e soberania

A vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumiu papel central no governo após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelo governo Trump (EUA). Desde então, suas declarações e decisões têm chamado atenção por apresentarem sinais diferentes sobre o rumo do país. Enquanto reforça a lealdade ao antigo governo, também enfrenta pressões internas e externas para mudanças na condução política.

O cenário é de instabilidade e incerteza. A Venezuela vive um momento delicado, com a população acompanhando cada movimento do novo comando. As ações do governo interino e os discursos de Delcy indicam um esforço para manter controle interno e, ao mesmo tempo, lidar com a influência dos Estados Unidos e de outros países.

Sinais contraditórios em meio à crise

Desde que passou a liderar o país, Delcy Rodríguez tem buscado demonstrar que a Venezuela continua soberana e que não está submetida a decisões externas. Em pronunciamentos públicos, ela reforça a ideia de resistência e continuidade, destacando a importância de preservar a autonomia nacional mesmo diante da pressão internacional.

Em um de seus discursos, Delcy foi direta ao defender o governo anterior e a figura de Nicolás Maduro. “Ninguém aqui se rendeu. Houve uma luta e uma luta por esta pátria. Temos dignidade histórica, compromisso e lealdade ao presidente Maduro, que foi sequestrado”, afirmou. A fala mostra o tom firme adotado pela vice-presidente, que tenta manter a base aliada mobilizada e reforçar a imagem de unidade.

Ao mesmo tempo, o governo anunciou algumas medidas que foram interpretadas como gestos de abertura. Entre elas, a liberação de parte de presos políticos e estrangeiros, o que gerou expectativa dentro e fora do país. A iniciativa foi vista como um sinal de tentativa de diálogo, mas não deixou claro se haverá mudanças mais profundas na política interna.

Essas ações contrastam com outras decisões que mantêm práticas rígidas de controle. A presença de forças de segurança em pontos estratégicos e a vigilância sobre manifestações continuam, o que reforça a percepção de que o governo ainda atua de forma cautelosa e centralizadora. Para muitos observadores, isso mostra que a Venezuela vive um momento de transição cheio de contradições.

A população acompanha com atenção esses movimentos. Parte espera por mudanças que tragam mais estabilidade e abertura, enquanto outra mantém apoio ao discurso de resistência. O clima é de expectativa, com dúvidas sobre quais caminhos serão realmente seguidos nos próximos meses.


Vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Jesus Vargas)


Repercussão internacional e discurso de resistência

No cenário internacional, as atitudes de Delcy Rodríguez também geram reações. Países e organismos acompanham a situação venezuelana e cobram posicionamentos mais claros sobre democracia, direitos e eleições. A vice-presidente, por sua vez, insiste que o país tem o direito de decidir seus próprios rumos sem interferência externa.

O discurso de lealdade a Maduro e de crítica à atuação estrangeira busca fortalecer a imagem de independência. Ao afirmar que ninguém se rendeu, Delcy tenta mostrar que o governo não aceita imposições e que segue fiel aos princípios defendidos nos últimos anos. Essa postura agrada parte de seus apoiadores, mas também amplia o debate internacional.

Ao mesmo tempo, há uma tentativa de reduzir tensões. A libertação de presos e a sinalização de possíveis diálogos indicam que o governo interino pode buscar algum tipo de aproximação para evitar isolamento. Esse movimento é acompanhado com cautela, já que ainda não há garantias de mudanças estruturais.

A economia também pesa nesse cenário. Como ministra do Petróleo, Delcy sabe da importância do setor para o país. A relação com outros países e possíveis acordos são essenciais para manter a atividade e gerar recursos. Isso faz com que o discurso de soberania conviva com a necessidade de negociações.

Dentro da Venezuela, o sentimento é de incerteza. Muitos aguardam definições sobre eleições, reformas e o futuro político. As mensagens do governo, por vezes firmes e por vezes conciliadoras, aumentam a sensação de que ainda não há um caminho totalmente definido.

A situação segue em desenvolvimento. Novas decisões, discursos e ações devem marcar os próximos dias. A atuação de Delcy Rodríguez continuará sob observação, tanto pela população venezuelana quanto pela comunidade internacional, que busca entender se os sinais contraditórios representam uma estratégia ou apenas reflexo de um momento de transição.