ONU reativa sanções contra o Irã após dez anos de suspensão

As sanções da ONU contra o Irã voltaram a vigorar neste sábado (27), encerrando uma década de suspensão. A medida foi acionada pelo mecanismo conhecido como “snapback”, previsto no Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA), que permite reativar restrições caso Teerã descumpra suas obrigações.

A iniciativa partiu das potências europeias, Reino Unido, França e Alemanha, que acusam o Irã de violar quase todos os compromissos assumidos no tratado, especialmente no que diz respeito à transparência de seu programa nuclear e à cooperação com inspetores internacionais.

Como foi a votação da ONU

O chamado mecanismo de “snapback”, aprovado pelo Conselho de Segurança na sexta-feira (26), reativa as sanções da ONU impostas entre 2006 e 2010. Na reunião, China e Rússia apresentaram uma proposta para estender por mais seis meses a validade da resolução que sustenta o acordo nuclear de 2015 com o Irã que vence em 18 de outubro.

A ideia era prolongar o prazo até abril de 2026, mas a medida não avançou: apenas quatro dos 15 membros apoiaram o texto, enquanto nove votaram contra e dois se abstiveram.

França, Alemanha e Reino Unido foram contrários ao projeto, reforçando acusações de que Teerã descumpriu compromissos firmados em 2015, cujo objetivo era evitar que o país desenvolvesse uma arma nuclear. O Irã rejeita essas alegações e sustenta que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos.


Votação do Conselho de Segurança da ONU sobre sanções ao Irã (Foto: reprodução/Leonardo Munoz/AFP)


Após a votação, o embaixador francês na ONU declarou que o reestabelecimento das sanções não deve ser interpretado como o fim da via diplomática. Já o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, pediu ao presidente do concelho que considerasse a decisão inválida e acusou as potências europeias, junto aos Estados Unidos, de criarem um cenário de instabilidade.

Em seu discurso, classificou a medida como “ilegal, imprudente e frágil” e alertou que a postura ocidental estaria dificultando qualquer possibilidade de diálogo.

No dia anterior, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, havia dito que o país estava pronto para responder a qualquer cenário, caso as sanções fossem de fato restabelecidas, mas manteve certo otimismo de que a decisão poderia ser revertida.


Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante coletiva de imprensa, em Nova York (Foto: reprodução/AP/Angelina Katsanis)


Ainda na quinta-feira (25), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores criticou Washington, chamando de contraditórias as declarações sobre negociações diplomáticas. “Não é possível bombardear um país e ao mesmo tempo alegar disposição para o diálogo”, disse no X.

Qual é a situação do programa nuclear iraniano?

Depois da ofensiva israelense contra o Irã, que se estendeu por 12 dias em junho, e dos bombardeios dos Estados Unidos à usina nuclear de Fordow, o real estado do programa nuclear iraniano permanece incerto.

Trump afirmou que a usina de Fordow foi totalmente destruída, enquanto outras análises indicam que o local sofreu sérios danos, mas que o impacto real teria sido apenas o atraso de cerca de dois anos no programa nuclear iraniano.

Segundo o chanceler do Irã, boa parte do urânio enriquecido permanece soterrada sob os escombros. Ainda não há clareza, porém, sobre a situação do maquinário em Isfahan, responsável por enriquecer urânio em nível militar e convertê-lo em metal.

Desde os ataques de junho, inspetores internacionais não conseguiram retomar as visitas às instalações nucleares iranianas.

Trump anuncia que Israel e Irã chegam a acordo por cessar-fogo

Nesta segunda-feira (23), foi comunicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através de suas redes sociais que Israel e Irã chegaram a um acordo para cessar-fogo “completo e total” entre os países, para encerrar de vez o conflito que vem causando mortes e destruição nos últimos dias. O cessar-fogo está previsto para iniciar cerca de 6h após o horário atual (cerca de 1h da manhã pelo horário de Brasília).

O presidente americano comentou em suas redes sociais que o cessar-fogo deve ser completo e total, com duração de cerca de 12h. O primeiro país a iniciar o cessar-fogo será o Irã, e após 12h, Israel também entrará com as medidas. Passadas 24 horas, o conflito será considerado encerrado.

O anúncio

Trump chamou o conflito como “a guerra dos 12 dias”, e comentou que o conflito poderia ter se prolongado por meses, ou até mesmo por anos, mas não durou, nem vai durar. O presidente fez o anúncio através de suas redes sociais no mesmo dia em que a base americana instalada em Doha, no Catar, sofreu ataques de mísseis balísticos vindos do Irã. No entanto, a defesa aérea do Catar confirmou que os mísseis foram interceptados, sem que houvesse vítimas.

Embora Trump tenha dito que os países chegaram a um acordo, nenhum deles se manifestou de maneira oficial para confirmar a informação.


Comunicado de Donald Trump sobre o cessar-fogo através do Truth Social (Foto: reprodução/X/@hoje_no)

Início do conflito

O conflito se iniciou no dia 12 de junho, quando os primeiros ataques partiram de Israel, com a premissa de que o Irã estaria desenvolvendo uma arma nuclear, algo que nenhum país poderia possuir. Desde então, ataques a bases militares, instalações nucleares e até mesmo uma emissora de TV foi alvo do conflito.

Em meio ao caos que se instalava no Oriente Médio, os Estados Unidos intervieram no conflito, quando no domingo (22) foi iniciada a operação “martelo da meia-noite”. Segundo o governo americano, foram utilizadas cerca de 75 armas guiadas de precisão e mais de 125 aeronaves americanas. 

O principal alvo do governo eram as fontes do epicentro do programa nuclear iraniano, a principal delas localizada em Fordow, uma instalação de enriquecimento nuclear que fica enterrada sob uma montanha. Após a operação, foi confirmado pelo governo que a operação teria sido um sucesso, destruindo as instalações iranianas e freando o avanço nuclear do país.


Emissora de Rádio e TV Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB) destruída após ataque de Israel na última segunda-feira (16) (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Catar foi crucial nas negociações

De acordo com uma fonte envolvida nas negociações pelo cessar-fogo ouvida pela Reuters, Donald Trump e seu vice-presidente, JD Vance, discutiram a proposta juntamente com o emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani. De acordo com a fonte, Trump afirmou ao emir que Israel já havia concordado com o pedido de cessar-fogo, e pediu para Al-Thani ajudar a negociação com o Irã pelo fim da guerra.

Ainda de acordo com a Reuters, o primeiro-ministro do Catar teria realizado uma ligação com as autoridades iranianas na cidade de Teerã, o Irã concordou com a proposta apresentada pelos americanos, a fim de selar a paz.

Catar diz ter direito de resposta após ataques do Irã

Mediante aos últimos ataques realizados pelo Irã, em retaliação a investida sofrida pelos Estados Unidos no último sábado (21) contra instalações nucleares iranianas, os iranianos enviaram mísseis em direção a Doha, no Catar, em ataque à base militar americana de Al Udeid. Nesta segunda-feira (23), o Catar se reserva ao direito de responder ao Irã, mediante ao acordo internacional.

As Forças Armadas iranianas confirmaram mais cedo o ataque, e o chamaram de ‘devastador e poderoso’. Os mísseis foram disparados em direção à base militar norte-americana. Após os bombardeios realizados pelos EUA contra instalações nucleares iranianas, Teerã teria ameaçado iniciar uma retaliação contra os americanos.


Vídeo detalha o lançamentos dos misseis iranianos em direção à base americana, localizada em Doha. (Vídeo: Reprodução/X/@GloboNews)

O ataque à base americana no Catar

Foi confirmado que os mísseis direcionados à base americana foram interceptados pelo sistema de defesa do Catar. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, publicou em suas redes sociais um comunicado anunciando que a defesa aérea do país frustrou com sucesso o ataque e interceptou os mísseis iranianos direcionados à Al Udeid. Foi confirmado que não houve nenhuma vítima ou ferido durante o ataque.

Ainda de acordo com Al Ansari, a extensão do conflito pode acarretar em situações que podem ter consequências catastróficas para a paz e a segurança internacionais. Por fim, o porta-voz faz um apelo para um cessar fogo imediato de todas as ações militares, além de um retorno à mesa de negociações para tratativas, à fim de priorizar soluções diplomáticas.


Em destaque, a nota oficial do governo do Catar após os ataques. (Foto: Reprodução/X/@GuiaPolitics)

Medidas de segurança dos EUA

A Casa Branca e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos monitoram de perto possíveis novas ameaças à base localizada em Doha. Antes do bombardeio direcionado pelo Irã, o Catar havia realizado o fechamento de seu espaço aéreo temporariamente, como medida de segurança provisória de moradores e visitantes.

Foi informado pela Embaixada dos EUA no Catar que, para proteção ao ataque, os funcionários deveriam se abrigar no local.

Irã solicita apoio da Rússia após bombardeios liderados pelos EUA

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, enviou seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, a Moscou nesta segunda-feira (23), buscando reforço político e militar do Kremlin. A iniciativa ocorre após A medida foi tomada após os Estados Unidos conduzirem sua mais intensa operação militar contra a República Islâmica desde a revolução de 1979. Segundo fontes iranianas citadas pela Reuters, Khamenei pretende obter maior comprometimento da Rússia diante das ameaças crescentes por parte dos EUA e de Israel.

Preocupações com mudança de regime

A ação diplomática evidencia o aumento das tensões no Oriente Médio. Pronunciamentos de Donald Trump e de líderes israelenses sobre uma possível eliminação de Khamenei e substituição do regime ampliaram a inquietação entre aliados. “O país não ficou impressionado com o apoio da Rússia até o momento”, afirmaram fontes ouvidas pela Reuters, que também disseram esperar ações mais concretas do Kremlin contra a pressão ocidental.

Apesar de manter relações próximas com Teerã, a Rússia tem demonstrado moderação. Com seu exército envolvido na guerra na Ucrânia, Putin resiste a qualquer confronto direto com Washington. O governo russo confirmou a recepção do chanceler iraniano, mas não revelou detalhes sobre os assuntos discutidos. Em entrevista à agência TASS, Araqchi afirmou que os dois países estavam “coordenando posições sobre a atual escalada no Oriente Médio”, sugerindo alinhamento tático, mas não necessariamente militar.


Pronunciamento de Donald Trump sobre ataques dos Eua (Vídeo: reprodução/YouTube/@bandjornalismo)


Mediação e interesses nucleares

Putin já se ofereceu em outras ocasiões para mediar as tensões entre Teerã e Washington, propondo alternativas diplomáticas para garantir o acesso iraniano à energia nuclear civil. Conforme afirmou o presidente da Rússia, Israel garantiu a segurança dos especialistas russos envolvidos na construção de novos reatores em Bushehr. No entanto, o acordo de cooperação estratégica firmado no início do ano entre os dois países não prevê compromissos de defesa recíproca, o que reduz sua eficácia prática.

Em território russo, determinados grupos têm cobrado que o país adote uma atitude mais alinhada à dos Estados Unidos no caso ucraniano, oferecendo ao Irã armamentos, equipamentos de defesa aérea e suporte via satélite. No âmbito internacional, Rússia, China e Paquistão apresentaram uma proposta no Conselho de Segurança da ONU para um cessar-fogo imediato na região. Durante a sessão, o embaixador russo Vassily Nebenzia criticou os Estados Unidos: “Mais uma vez, somos solicitados a acreditar nos contos de fadas dos Estados Unidos”, declarou.


Putin se manifestou por meio de suas redes sociais (Foto: reprodução/x/@darthputinkgb)


Histórico de desconfiança e interesses mútuos

Apesar de manterem colaborações ocasionais, os laços entre Irã e Rússia são permeados por interesses divergentes e uma dose considerável de desconfiança. A compra de armamentos iranianos por Moscou e a assinatura de acordos bilaterais reforçam uma parceria pragmática, mas não necessariamente sólida. Enquanto o Irã pressiona por um engajamento mais firme, Moscou pondera com cautela os possíveis custos diplomáticos e militares de tal envolvimento. Diante de um cenário instável, ambos os países buscam garantir espaço de influência sem comprometer sua segurança nacional.

Israel bombardeia alvos estratégicos no Irã e intensifica tensão regional

Israel realizou, nesta segunda-feira (23), uma série de ataques direcionados contra estruturas simbólicas e estratégicas do regime iraniano. Segundo o ministro da Defesa, Israel Katz, as Forças de Defesa atuaram com “força sem precedentes” para atingir o que classificou como “entidades de opressão” ligadas ao governo do aiatolá Ali Khamenei. Entre os alvos, estão a prisão de Evin, a instalação nuclear de Fordow e um quartel da Guarda Revolucionária. Os bombardeios também afetaram o centro ideológico do regime em Teerã.

Prisão política e instalações militares atingidas

Durante a ofensiva, foram bombardeados locais associados à repressão interna e à estrutura de poder iraniana. “Estamos atacando com força sem precedentes alvos do regime no coração de Teerã, incluindo a sede da Basij, a prisão de Evin para presos políticos, o relógio ‘Destrua Israel’ na Praça da Palestina, entre outros”, declarou Katz. A prisão de Evin é conhecida por abrigar dissidentes, jornalistas e ativistas, além de seu histórico de violações aos direitos humanos. Um vídeo divulgado mostra explosões nas imediações da penitenciária.

O Irã respondeu à ação com o lançamento de mísseis e drones “de norte a sul” contra o território israelense, conforme relatado pela Guarda Revolucionária. Apesar do ataque em larga escala, o Exército de Israel afirmou que até o momento não houve registro de vítimas ou danos significativos. As forças de defesa israelenses seguem mobilizadas para interceptar os projéteis e conter novas ofensivas. A situação elevou o grau de alerta nas principais cidades israelenses e reacendeu temores de um conflito direto e prolongado.


Imagens da prisão iraniana sendo explodida (Vídeo: reprodução/Youtube/@uol)


Fordow e o papel dos Estados Unidos

O bombardeio à instalação nuclear de Fordow ocorre dois dias após os Estados Unidos atacarem a mesma área com bombas antibunker, sinalizando uma atuação conjunta com Israel. Fordow, localizada em Qom, é uma das mais protegidas estruturas nucleares iranianas, construída dentro de uma montanha para resistir a ataques aéreos. De acordo com autoridades americanas, 14 bombas GBU-57 foram lançadas no local. “Os ataques destruíram completamente as capacidades nucleares do Irã”, afirmou o presidente Donald Trump.

Teerã reconheceu os danos nas instalações atingidas, mas afirmou que não há risco imediato à população local. O governo iraniano condenou os ataques e prometeu retaliações, embora até o momento não haja confirmação de novas ações militares. O bombardeio de estruturas nucleares reacendeu o debate internacional sobre os limites da contenção armada e o papel das potências no equilíbrio do Oriente Médio. Ainda é cedo para avaliar os impactos estratégicos da ofensiva, mas analistas apontam para um novo estágio de tensão no conflito Irã-Israel.


Trump diz que ataque destruiu instalações nucleares em Fordow (Foto: reprodução/x/@realdonaldtrump)

Alvos simbólicos e sinal político

Além dos danos materiais, os ataques visaram elementos de alto valor simbólico para o regime iraniano, como a sede de segurança interna da Guarda Revolucionária e o chamado relógio “Destrua Israel”. Esses alvos indicam um esforço claro de Israel para minar não apenas a estrutura bélica do Irã, mas também sua narrativa ideológica. A movimentação militar em Teerã e a resposta iraniana ampliam os riscos de confrontos diretos em uma região historicamente instável. A comunidade internacional observa com apreensão os desdobramentos desse novo capítulo da crise.

Políticos ignoram recomendação do Itamaraty e viajam a Israel

O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de um comunicado divulgado nesta segunda-feira (16), que os prefeitos brasileiros que foram a Israel desconsideraram uma recomendação do Itamaraty para evitarem viagens ao país do Oriente Médio, devido à situação de conflito na região.

Além dos enfrentamentos com o grupo Hamas, que domina a Faixa de Gaza, e com o Hezbollah, baseado no Líbano, Israel também está em confronto com o Irã, após ataques realizados pelo governo de Benjamin Netanyahu contra instalações iranianas.

Autoridades viajaram mesmo sob alertas

Desde outubro de 2023, a Embaixada do Brasil em Israel mantém um alerta orientando que apenas viagens essenciais sejam feitas ao país. Na época, também foi sugerido que os cidadãos brasileiros que já estavam em território israelense considerassem a possibilidade de deixá-lo.

A manifestação do Itamaraty veio após a confirmação de que um grupo composto por 12 autoridades do Brasil deixou Israel com destino à Jordânia, de onde seguirão viagem de volta ao Brasil. O retorno será feito por meio de um voo fretado, com partida prevista da Arábia Saudita.


Nota do Itamaraty sobre autoridades brasileiras que estão em Israel (Foto: reprodução/X/Itamaraty.gov.br)

Segundo a nota divulgada pelo Itamaraty nesta segunda-feira, a retirada das 12 autoridades brasileiras foi viabilizada por meio de uma estreita coordenação entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o chanceler da Jordânia, Ayman Safadi.

Possíveis golpes

A Embaixada do Brasil em Tel Aviv fez um alerta nas redes sociais nesta segunda-feira, orientando os brasileiros que estão em Israel a tomarem cuidado com possíveis golpes divulgados online, que prometem voos de saída do país. A recomendação foi feita devido ao fechamento do espaço aéreo, devido ao conflito com o Irã.

Já o comunicado mais recente, publicado na última sexta-feira (13), reforça que não é recomendável viajar nem para Israel, nem para o Irã. A orientação também pede que os brasileiros que já se encontram nesses países evitem participar de manifestações.

Conheça o líder religioso e político do Irã, Ali Khamenei

Nos últimos dias, ataques conduzidos por Israel contra o Irã resultaram na morte de figuras importantes do regime iraniano. Entre os alvos estariam altos oficiais como Hossein Salami, comandante da Guarda Revolucionária, e Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e considerado o segundo nome mais influente na hierarquia militar do país.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, permanece ileso. Ele ocupa o posto mais alto do poder iraniano há 35 anos.

Quem é Khamenei?

Khamenei concentra em suas mãos tanto a liderança religiosa quanto o controle político do Irã. Ele exerce as funções de chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas, tendo autoridade máxima sobre todas as decisões de governo e diretrizes nacionais.

Khamenei foi profundamente influenciado pelas ideias do aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da oposição conservadora iraniana durante seu exílio. Com o tempo, aproximou-se do movimento liderado por Khomeini, passando a colaborar ativamente com sua organização e a cumprir missões dentro do Irã. Em junho de 1981, ele foi alvo de um atentado a bomba que resultou na paralisia permanente de seu braço direito. Apenas quatro meses após o ataque, foi eleito presidente da República Islâmica do Irã, recebendo 95% dos votos. Assumiu a presidência aos 42 anos e tornou-se o primeiro religioso a ocupar o cargo, marcando o fortalecimento do poder clerical sobre o Estado.


Conflito entre Israel e Irã (reprodução/Youtube/CNN Brasil)

Ao longo de mais de 30 anos no comando do Irã, Khamenei enfrentou sucessivas manifestações populares, todas duramente reprimidas. Durante seu governo, manteve uma postura conservadora rígida em relação aos costumes e foi acusado de ordenar assassinatos de opositores no exterior, além de perseguir jornalistas e intelectuais críticos ao regime. Na política externa, uma das principais táticas adotadas foi o apoio financeiro e militar a grupos aliados que atuavam como representantes do Irã em confrontos indiretos com Israel. Em vários momentos, Khamenei declarou publicamente sua intenção de eliminar o Estado israelense.

Revolta do Khamenei

Na noite de quinta-feira (12), o Exército de Israel realizou uma série de ataques contra múltiplos alvos em território iraniano. Explosões foram relatadas em Teerã e em várias outras cidades. Segundo as autoridades militares israelenses, a ofensiva teve como principal objetivo conter o avanço do programa nuclear do Irã.

Em resposta, o governo iraniano ameaçou tanto Israel quanto os Estados Unidos, afirmando que ambos iriam sofrer graves consequências pelo ataque. Ali Khamenei, declarou que Israel enfrentaria “um destino amargo”.

Comitiva de políticos brasileiros em Israel deixa o país em meio aos conflitos

Nesta segunda-feira (16), uma comitiva formada por 12 políticos brasileiros optaram por deixar Israel em meio ao conflito com o Irã. O governo israelense cuidou de toda a logística para o transporte dos políticos pela fronteira com a Jordânia. O grupo partiu rumo à Arábia Saudita, onde irão pegar um vôo direto para o Brasil.

Nas últimas semanas, a tensão vêm tomando conta do noticiário quando se fala sobre o conflito entre Israel e Irã. Novos ataques surgem a todo momento e, infelizmente, pessoas perdem a vida todos os dias por conta deste conflito no Oriente Médio. Em meio ao caos, uma comitiva formada por 12 políticos brasileiros está deixando o país. 


– Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em meio aos destroços após ataques do Irã. (Foto: Reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


A motivação do grupo

O grupo estava em Israel para participar da MuniExpo Israel 2025, uma feira internacional de tecnologia voltada para gestão pública, a convite do governo de Israel. A princípio, o grupo estaria no país desde o dia 9 de junho, a fim de tratar compromissos adjacentes. O evento em questão ocorreria entre os dias 17 e 19 de junho, com uma estimativa de retorno do grupo rumo ao Brasil para o dia 20, isso antes dos ataques iniciarem.

Entre os nomes confirmados pela CNN estão o do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. Mersinho Lucena, deputado federal e filho do prefeito, está na cidade de Tabuk, na Arábia Saudita, onde pretende se encontrar com seu pai.

A operação foi deflagrada às 13h, no horário local. Doze dos 18 que estão com ele toparam correr o risco da travessia. De lá, ainda percorrerão a Jordânia em direção a fronteira sul com a Arábia Saudita. Lá eu estarei aguardando por eles.


Vídeo retrata o momento em que políticos brasileiros deixam Israel em direção à Arábia Saudita. (Vídeo: Reprodução/X/@otempo)

Operação retirada

Carlos Viana, senador do Podemos-MG e presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel, está realizando uma força tarefa juntamente com o governo israelense para retirada de outras 35 pessoas convidadas oficialmente pelo governo de Israel. Segundo ele, outros brasileiros que estão no país como turistas estão inclusos no plano de retirada.

Irã reage a ameaças nucleares de Trump

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, prometeu uma resposta “dura” nesta segunda-feira(31)  sobre um possível ataque dos Estados Unidos contra o território iraniano. Mesmo que o presidente americano, Donald Trump, não tenha sido citado em seu discurso, a fala seria uma retaliação às recentes declarações de Trump contra o projeto nuclear iraniano. 

Avisos de Trump

No último domingo (30) Trump, além de ter comentado sobre possíveis tarifas monetárias sobre o país do oriente médio, também incitou ameaças caso não haja logo um acordo nuclear entre os dois países. As falas ocorreram durante uma conferência de imprensa concedida para o veículo de comunicação NBC, em um momento de alta das retaliações dos Estados Unidos com diversas nações do mundo.

Em seu primeiro mandato como presidente em 2018, Trump retirou os Estados Unidos de um acordo realizado com o Irã sobre o programa nuclear iraniano e voltou com as sanções contra a república islâmica. O acordo firmado em 2015 durante a administração de Barack Obama, obrigava a limitação do programa em troca de flexibilização das sanções. 


Discurso do aiatolá Ali Khamenei (Vídeo: reprodução/X/@IranObserver0)

Histórico de tensões

O programa nuclear iraniano tem sido um desconforto para as nações ocidentais, embora o país alega que as motivações do projeto sejam para fins civis, o receio da posse de um poder bélico nuclear predomina. Desde o fim do acordo de 2015 e com as recentes respostas de Khamenei para Trump, uma nova tensão ganha força sobre a região do Oriente Médio. 

O Irã é uma república islâmica desde a Revolução de 1979 com a deposição da dinastia Pahlavi, que governava a nação persa desde 1925. Ao contrário do regime monárquico que tinha apoio direto dos Estados Unidos, a república iraniana adotou uma postura contrária aos interesses ocidentais sobre o país liderados pelo líder xiita, Ruhollah Khomeini, falecido em 1989 e sucedido pelo atual aiatolá, Ali Khamenei.

Conflito no Irã afeta jogo de Cristiano Ronaldo pela Champions da Ásia

O Al Nassr, equipe onde joga o astro português Cristiano Ronaldo, teve sua partida contra o Persepolis, válida pela Liga dos Campeões da Ásia, cancelada devido à escalada de tensões no Irã. A partida, que estava programada para ocorrer no território iraniano, foi suspensa por razões de segurança, em meio a preocupações sobre o agravamento do conflito na região. A confederação responsável pela competição decidiu alterar a data e o local do jogo, evitando expor os jogadores, comissões técnicas e torcedores a riscos iminentes.

Decisão pela segurança dos atletas

A decisão de cancelar o jogo foi tomada após longas consultas entre a confederação asiática de futebol, autoridades locais e internacionais, e organizações de segurança. Com a crescente instabilidade no Irã, ficou claro que realizar uma partida de grande porte, como a da Liga dos Campeões da Ásia, colocaria em risco a segurança de todos os envolvidos. Embora o futebol seja uma ponte de união entre nações, o clima de incerteza e os riscos aumentados fizeram com que a confederação optasse por adiar o confronto.


Cristiano Ronaldo (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Cristiano Ronaldo e seus companheiros de equipe já estavam preparados para a viagem ao Irã, onde enfrentariam o Persepolis. No entanto, a intensificação dos conflitos na região gerou uma mudança repentina nos planos do Al Nassr. A Liga dos Campeões da Ásia, assim como outras competições internacionais, tem enfrentado desafios frequentes com questões geopolíticas e de segurança, impactando diretamente a logística e o calendário dos clubes envolvidos.

Impacto nas competições internacionais

A suspensão da partida no Irã reflete as dificuldades que competições internacionais, como a Liga dos Campeões da Ásia, enfrentam ao organizar jogos em países com instabilidade política e social. As crescentes tensões no Irã não apenas afetam o futebol, mas também preocupam governos e organizações globais, que monitoram de perto a evolução dos conflitos.

Para os fãs de futebol, principalmente aqueles que esperavam a oportunidade de ver Cristiano Ronaldo em ação no Irã, o cancelamento foi um golpe duro. Muitos estavam ansiosos para assistir ao astro português jogar pela primeira vez em solo iraniano. O adiamento da partida gerou reações nas redes sociais, e a Liga dos Campeões da Ásia já está em busca de novas datas e locais para a realização do confronto, priorizando sempre a segurança dos atletas e de todos os envolvidos.