O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma programação especial nesta quinta-feira (8), marcando os três anos dos ataques contra a democracia do dia 8 de janeiro de 2023, quando os prédios dos três Poderes da República foram vandalizados.
Hoje ocorreu a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, parte dos atos promovidos pelo STF desde que o ato antidemocrático ocorreu, a fim de fortalecer o compromisso do Brasil com a democracia, principalmente após os anos de governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de estado.
O golpe de 8 de janeiro
De 2018 a 2022, o cenário político e social no Brasil passou por uma mudança tão desproporcional que preocupa a todos, visto que hoje as pessoas deixam de ouvir uns aos outros por cogitar seu posicionamento político, até mesmo desejando e justificando que atrocidades deveriam acontecer ou ter acontecido por votarem em determinada pessoa, ao invés de outra.
Esse fato e problema social foi mencionado por Fachin na abertura da exposição, ao afirmar que o ato do 8 de janeiro foi premeditado e pautado pela negação de diálogo; em outras palavras, o afastamento social e a reclusão em uma bolha fez com que um grupo de pessoas decidisse que ir até o local dos Três Poderes da República e depredar tudo o que vissem pela frente, seria o melhor modo de “mostrar a verdade” e “recuperar a democracia”.
Presidente do STF, ministro Edson Fachin falou durante ações que marcam o 8/1: “Manifestações politicas são induvidosamente legítimas, mas não amparam ações que coloquem em risco pilares fundamentais da vida em democracia”.
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— GloboNews (@GloboNews) January 8, 2026
Fachin fala sobre as ações do golpe de 8 de janeiro (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)
O presidente da Corte elogiou também o trabalho do ministro Alexandre de Moraes ao conduzir as investigações do golpe antidemocrático, mantendo-se firme em seu ofício, ainda que tivesse que sacrificar questões familiares e pessoais. Os trabalhos de Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça, e do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, também foram mencionados e exaltados por Fachin, sendo esse último indicado para entrar no Supremo após o anúncio da aposentadoria de Luís Roberto Barros.
Retorno dos julgamentos do 8 de janeiro
Com a volta pós-recesso em fevereiro, o tribunal retornará com os julgamentos referente à invasão e vandalismo que ocorreu na sede dos Três Poderes. Ao todo, 1.734 processos foram abertos sobre os atos de 8 de janeiro, com crimes como golpe de Estado, dano ao patrimônio, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito tendo sido apontados.
Até o momento, 1.399 réus foram responsabilizados pelo Supremo Tribunal Federal, estando 179 presos, fora 810 condenações de acusados por participação nos crimes, e houve aval para 564 acordos de não-persecução penal (reparação de danos, prestação de serviços à comunidade ou pagamento de multa ao invés de estabelecer um processo criminal).
Estão em fase final 346 ações penais, além de 98 denúncias realizadas pela Procuradoria-Geral durante a etapa de defesa prévia, em sua maioria devido financiadores das ações ilegais.
