Trump anuncia que os EUA devem administrar a Venezuela

Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao jornal americano The New York Times, Donald Trump afirmou que a Venezuela deve seguir sendo administrada pelos Estados Unidos “por muitos anos”. Com isso, as bacias de petróleo do país devem continuar sob controle dos estadunidenses. 

“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, afirmou Trump para o jornal.

Além disso, ao ser questionado sobre o período em que os EUA pretendem permanecer no controle venezuelano, o presidente americano completou: “Só o tempo vai dizer”. 

Nicolás Maduro preso 

No último sábado (3), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e preso por militares norte-americanos em Caracas, capital venezuelana. Além de Maduro, sua esposa, Cilia Flores, também foi alvo da operação que transportou o presidente e a primeira-dama de navio até Nova York, nos Estados Unidos. 

Algumas horas após serem capturados, Donald Trump divulgou, através da sua rede social, Truth Social, uma imagem em que Nicolás Maduro aparece vestindo um moletom cinza, óculos escuros e um fone de ouvido, enquanto segurava uma garrafa de água. 

Após a prisão, a presidência da Venezuela passou a ser comandada pela vice-presidente, Delcy Rodríguez, que, apesar de ser apoiadora do regime de Maduro, contou com o apoio de Trump para assumir o mais alto cargo do executivo venezuelano. 

Ainda, em entrevista para o jornal The New York Times nesta quinta-feira (8), o presidente americano elogiou a administração feita por Delcy desde a prisão de Maduro. “Está nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto”, enfatizou Trump. 

A entrevista 

Além da temática sobre a invasão na Venezuela, os jornalistas do The New York Times abordaram outros temas com o presidente americano nesta quinta-feira (8). A entrevista, que foi concedida no Salão Oval da Casa Branca, também tratou sobre a questão da morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, moradora de Minneapolis, pelos agentes do ICE (Serviço de Imagração e Alfândega dos EUA), nesta quarta-feira (7). 


Falas de Donald Trump sobre a Venezuela (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Donald Trump assistiu ao vídeo que mostra o momento em que a estadunidense foi baleada pelo agente enquanto dirigia. Neste momento, o presidente americano teria acusado a mulher de “tentar atropelar um policial”, por isso, segundo ele, o mesmo teria reagido a tiros. 

No entanto, os jornalistas presentes teriam confrontado Trump afirmando que o vídeo não mostrava nenhuma tentativa de atropelamento por parte da americana baleada. A repercussão da morte de Renee gerou revolta por todo o país, elucidando sobre o modus operandi dos policiais que atuam pelo ICE, que atua reprimindo imigrantes que residem em território estadunidense.

Papa Leão XIV pede soberania da Venezuela após prisão de Nicolás Maduro

O papa Leão XIV afirmou neste domingo (4) que acompanha com profunda preocupação os desdobramentos políticos recentes na Venezuela. O pontífice também afirmou defender a soberania venezuelana após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o líder da Igreja Católica falou após a oração dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano. Ainda assim, Leão XIV destacou que o bem-estar do povo venezuelano deve prevalecer sobre os interesses políticos ou militares.

Apelo por soberania e direitos humanos

Ainda segundo o papa, a Venezuela deve permanecer como um país independente, com respeito pleno aos direitos humanos fundamentais. Além disso, o líder católico pediu a superação da violência e a abertura de caminhos voltados à justiça e à paz duradoura.

Nesse sentido, o pontífice ressaltou que soluções pacíficas devem ser primordiais para guiar qualquer ação internacional envolvendo o país sul-americano. Por isso, Leão XIV afirmou que a soberania nacional precisa ser preservada em meio à escalada de tensões.

Reações internacionais e posicionamento do Brasil

Anteriormente, a China criticou as apreensões de navios feitas pelos Estados Unidos, classificando-as como violações do direito internacional. Em seguida, autoridades chinesas alertaram que tais práticas comprometem a estabilidade das relações globais.

Já no sábado, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva condenou o que chamou de ataque à Venezuela. Segundo Lula, a ação ultrapassa limites aceitáveis nas relações entre países soberanos. Consequentemente, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência para discutir possíveis respostas diplomáticas. Enquanto isso, analistas apontam risco de agravamento do isolamento internacional venezuelano.

Histórico de tensões entre Washington e Caracas

A tensão entre Estados Unidos e Venezuela se intensificou após a chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999. Desde então, nacionalizações e disputas sobre o petróleo ampliaram o desgaste entre os dois países. Posteriormente, sanções econômicas americanas agravaram a crise interna venezuelana ao longo dos anos.


Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)


Em agosto de 2025, os EUA elevaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações sobre Maduro. Além disso, Washington não reconheceu a reeleição do presidente para um terceiro mandato. Como resultado, ações militares e operações marítimas passaram a ocorrer com maior frequência no Caribe e no Pacífico.

Lula diz que ataque dos EUA a Venezuela é “inaceitável” e “com grande perigo”

Neste sábado (3), após o presidente dos EUA informar que capturou Maduro, Lula condenou o que para ele é um “ataque à Venezuela”. Conforme disse então o governante atual das terras brasileiras, a ação militar está ultrapassando o que se vê como aceitável na relação entre os dois países. Ainda neste mesmo dia, foi convocada uma reunião de emergência com a participação de ministros visando definir como será a resposta do país, mediante o ocorrido no momento. Apesar de os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos da América estarem com um relacionamento amigável agora, ainda assim o petista pensa que as coisas podem se resolver no diálogo.

Entenda a situação

Donald Trump divulgou neste 3° dia de 2026 que havia realizado com sucesso o ataque de grande escala contra o líder da Venezuela e seu país, capturando consequentemente o líder do país junto à sua esposa. Conforme foi divulgado pela Associated Press, aparentemente ocorreram várias explosões em Caracas, além de moradores de diferentes bairros relatarem certos tremores próximos de suas moradias. Alguns locais na cidade em questão ficaram sem energia elétrica. Aqueles que moram próximo dos locais que explodiram comentaram como essa situação acabou atingindo eles.

O governo venezuelano já deixou claro quanto ao país estar sendo atacado pelo governo estadunidense. Maduro chegou a assinar, ordenando o estado de comoção exterior em todo o território do local em questão. As informações passadas pelos venezuelanos são de que o interesse maior do líder das terras do tio Sam é com petróleo e os minerais da Venezuela.


Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Anna Moneymaker)


Possíveis soluções

Conforme Lula informa, é necessário buscar tentar resolver de forma mais branda o problema em questão. Ele sugeriu que a ONU tentasse responder de forma rigorosa a essas questões. Ele está visando tentar resolver essa situação da melhor forma possível, visando a resolução da relação entre os países, procurando que a América do Sul se mantenha em paz.

A ideia é que na reunião que ocorrerá entre os ministros no Brasil, se busque uma resolução para esse conflito entre os países em questão, espera-se que se chegue a um consenso.

EUA pressionam, mas Maduro rejeita saída imediata proposta por Trump

A crise entre Estados Unidos e Venezuela ganhou novos contornos depois que Nicolás Maduro descumpriu o ultimato do presidente norte-americano Donald Trump para deixar o poder. Segundo fontes consultadas pela CNN Brasil, o republicano havia oferecido ao líder venezuelano e à sua família passagem segura para fora do país, numa tentativa de mediar uma transição rápida e controlada.

O telefonema, ocorrido em 21 de novembro, foi tratado como uma das últimas tentativas diplomáticas de Washington para reduzir tensões no Caribe, onde os EUA intensificaram operações navais em resposta a denúncias de narcotráfico e instabilidade regional.

Maduro, no entanto, recusou a proposta e impôs condições consideradas inviáveis pelos norte-americanos: anistia total a ele e a altos membros do regime, suspensão imediata das sanções e arquivamento das acusações que enfrenta no Tribunal Penal Internacional (TPI). A Casa Branca avaliou as exigências como incompatíveis com qualquer cenário de responsabilização futura.

As condições e o colapso das negociações

Além da renúncia imediata, a sugestão dos EUA incluía a possibilidade de um governo interino comandado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, até que novas eleições fossem convocadas. Fontes afirmam que a opção foi rapidamente descartada por Caracas, que teme perder controle interno sobre Forças Armadas e setores estratégicos do Estado.

Com o fracasso das tratativas, o prazo dado por Trump expirou sem qualquer sinalização de saída por parte do líder venezuelano. Como resposta, Washington anunciou novas medidas de pressão, incluindo a restrição ao espaço aéreo venezuelano e o fortalecimento de alianças regionais para monitoramento militar.


Força militar americana pressiona a Venezuela (Vídeo: reprodução/X/@g1) 


No governo norte-americano, a percepção é de que Maduro continua apostando no desgaste externo para reforçar alianças internas, especialmente junto ao alto comando militar, pilar decisivo de sua permanência no poder.

Enfraquecimento diplomático e risco de escalada regional

A deterioração das relações entre os países ocorre num momento de aumento das acusações de Washington contra o chamado Cartel de los Soles, apontado pelos EUA como uma rede criminosa ligada ao tráfico de drogas e supostamente associada ao regime venezuelano. A classificação do grupo como organização terrorista estrangeira marcou um dos momentos mais críticos do governo Trump em relação à Venezuela.

Caracas reage acusando os EUA de tentativa de interferência externa e “operação de mudança de regime”, discurso que Maduro tem reforçado em pronunciamentos recentes. Ele também afirmou que continuará “defendendo a soberania” e denunciou pressões internacionais que, segundo ele, visam fragilizar o país e seus recursos petrolíferos.

Especialistas ouvidos por veículos internacionais alertam que a convergência entre crise interna, instabilidade econômica e ameaças externas cria um ambiente de risco elevado para toda a América Latina. A preocupação envolve desde fluxos migratórios até possíveis choques militares indiretos em regiões estratégicas do Caribe.

Impactos para a América Latina

Com o fim das conversas diretas, não está claro qual será a estratégia dos EUA. Embora ações militares diretas não tenham sido anunciadas, fontes em Washington não descartam novas sanções econômicas e um cerco diplomático mais rígido à cúpula do governo venezuelano.

Maduro continuará apostando na resistência interna e no apoio das Forças Armadas, enquanto tenta ampliar alianças internacionais para contrabalancear o peso norte-americano, especialmente com países como Rússia, China e Irã.

Enquanto isso, a população venezuelana segue inserida em um contexto de incerteza política, inflação persistente e acesso limitado a serviços básicos, cenário que pode pressionar ainda mais países vizinhos com novos fluxos migratórios. 

Maduro sinaliza abertura para diálogo direto com Donald Trump

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira (17) que está disposto a se reunir com Donald Trump para um diálogo direto, caso o presidente dos Estados Unidos manifeste interesse. A declaração foi feita durante um pronunciamento transmitido pela TV estatal, no qual Maduro destacou que “quem quiser falar com a Venezuela vai conversar, cara a cara, sem problema algum”.

A sinalização acontece em um momento de forte tensão entre Caracas e Washington. Nos últimos dias, o governo norte-americano ampliou a pressão militar na região, enquanto acusações sobre envolvimento de autoridades venezuelanas com organizações criminosas continuam a influenciar o cenário diplomático.

Sinalização ocorre após fala de Trump

A abertura ao diálogo veio depois de Donald Trump declarar que “poderia haver conversas” com o governo venezuelano. A fala foi interpretada como uma mudança de tom, já que o líder norte-americano vinha endurecendo sua postura nas últimas semanas. Maduro respondeu prontamente, afirmando que, se há disposição por parte dos Estados Unidos, ele também está aberto a negociar.


Trump diz estar disposto a conversar com Maduro (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews)


Segundo o presidente venezuelano, a postura de Caracas é guiada por “diplomacia de paz”, apesar das acusações e das ações externas. Ele reforçou que conversas diretas poderiam ajudar a “restabelecer pontes” entre os dois países, há anos marcados por rompimentos diplomáticos, sanções econômicas e disputas políticas.

A intensificação da crise também reacende debates sobre o impacto das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que continuam afetando setores essenciais da economia venezuelana, como petróleo, energia e importação de insumos básicos. Essas medidas não apenas pressionam o governo Maduro, mas também têm efeitos diretos sobre a população, criando um cenário no qual a abertura de um diálogo com Washington poderia aliviar ao menos parte das restrições que agravam a crise humanitária no país. Para o governo venezuelano, esse ponto é central e frequentemente usado como argumento para reforçar a importância de uma negociação direta.

Conflito, pressões e expectativas

A fala de Maduro serve para tentar demonstrar abertura diplomática e reduzir tensões internacionais, principalmente diante do aumento da pressão militar norte-americana no Caribe. Ao mesmo tempo, é improvável que um diálogo se estabeleça rapidamente, dada a complexidade das disputas que envolvem Washington e Caracas.

Além do impacto diplomático, a possível aproximação entre Trump e Maduro também gera reações significativas dentro da América Latina. Governos da região acompanham com atenção qualquer mudança no diálogo entre EUA e Venezuela, já que a crise venezuelana tem efeitos diretos sobre fluxos migratórios, segurança fronteiriça e acordos econômicos.

Países como Colômbia e Brasil, que historicamente atuam como mediadores, avaliam que um eventual canal de conversa entre os dois presidentes pode redefinir estratégias regionais e exigir reposicionamentos políticos diante de novos cenários. Ainda assim, a troca de declarações reacende a possibilidade mesmo que remota de uma conversa inédita entre os dois líderes, algo que poderia redefinir o quadro geopolítico regional

Depois das ameaças de Trump, Maduro recorre a Rússia e China para reforçar defesa

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou cartas aos governos da Rússia e da China, além de buscar apoio junto ao Irã, para reforçar sua defesa militar diante de uma presença crescente das forças dos Estados Unidos no Caribe. Segundo documentos internos norte-americanos obtidos pelo jornal “The Washington Post”, Maduro requisitou equipamentos como radares, reparos de aviões e até mísseis.

A iniciativa ocorre em um momento de forte tensão entre Caracas e Washington, com o governo dos Estados Unidos justificando sua operação na região como combate ao narcotráfico. Já o governo venezuelano entende a manobra como uma ameaça direta à sua soberania.

Pressão dos Estados Unidos e resposta venezuelana

Nos últimos meses, os Estados Unidos aumentaram a presença de navios de guerra e aviões militares perto da costa da Venezuela, no mar do Caribe. O governo do presidente Nicolás Maduro acredita que essa movimentação não é apenas uma operação comum, mas uma forma de pressão para tentar enfraquecer ou derrubar seu governo. Por isso, Caracas vê essa ação como uma ameaça direta e um risco para a segurança do país.

Diante dessa situação, Maduro decidiu reagir. Ele ordenou exercícios militares na região e afirmou publicamente que a Venezuela não aceitará ser atacada ou intimidada. Mesmo enfrentando dificuldades econômicas e com seu exército precisando de mais estrutura, Maduro diz que o país está se defendendo de um “cerco” internacional e, por isso, busca apoio de aliados para tentar se proteger.

Além das medidas internas, o governo venezuelano também tem usado discursos e transmissões oficiais para reforçar a narrativa de que o país está sendo ameaçado. Maduro afirma que sua intenção é garantir a segurança da população e evitar conflitos, mas também acusa os Estados Unidos de tentar interferir em assuntos internos da Venezuela. Esse posicionamento busca fortalecer o apoio interno e legitimar a cooperação com outros países, mostrando que o governo está preparado para reagir a qualquer tentativa de pressão externa.


O presidente venezuelano Nicolás Maduro (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Frederico Parra)


Aliança estratégica com Rússia, China e Irã

A Venezuela mantém uma parceria antiga com Rússia e China em áreas como comércio, energia e defesa. Agora, com a tensão crescente com os Estados Unidos, Maduro pediu apoio militar direto a esses países, incluindo equipamentos e suporte técnico. “Os pedidos a Moscou foram feitos por meio de uma carta destinada ao presidente russo Vladimir Putin e que deveria ser entregue durante uma visita de um assessor sênior à capital russa neste mês”, diz o “The Washington Post”. Essa movimentação reforça a tentativa do governo venezuelano de mostrar que não está isolado internacionalmente.

Apesar dessa aproximação, especialistas afirmam que ainda não se sabe se Rússia e China vão fornecer todo o apoio solicitado, já que ambos também enfrentam desafios e prioridades em outras regiões. Mesmo assim, o pedido de Maduro mostra que ele aposta nessas alianças para tentar proteger a Venezuela e evitar um conflito maior na América do Sul. O movimento também serve como sinal para outros países da região de que a Venezuela pretende resistir a pressões externas e buscar respaldo diplomático, mostrando que possui parceiros capazes de equilibrar a influência dos Estados Unidos na América Latina.

A situação deixa claro que a Venezuela está tentando se posicionar como um país que não será pressionado, reforçando suas defesas e suas alianças estratégicas. Ao mesmo tempo, o cenário evidencia como a tensão entre os Estados Unidos e aliados da Venezuela pode impactar a estabilidade política e a segurança em toda a América do Sul nos próximos meses. O desfecho dessa negociação ainda é incerto, mas demonstra que Caracas está determinada a buscar apoio internacional para se proteger e fortalecer sua posição no continente.

 

Governo Trump envia maior porta-aviões do mundo ao Caribe e eleva tensão militar com a Venezuela

O grupo de ataque USS Gerald Ford, liderado pelo maior porta-aviões já construído, amplia a presença militar dos EUA perto da costa venezuelana em meio a uma nova escalada de tensões entre Donald Trump e Nicolás Maduro. A ordem foi dada nesta sexta-feira (24) pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth.

Escalada no Caribe e o reforço do poder naval pelos EUA

O governo dos Estados Unidos enviou ao mar do Caribe o grupo de ataque USS Gerald Ford, em um dos maiores movimentos militares americanos na região desde o início das tensões com a Venezuela. A ação envolve o porta-aviões mais moderno e poderoso do mundo, acompanhado por destróieres, caças e helicópteros de ataque.

Segundo o Pentágono, a frota inclui três destróieres (USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill), três esquadrões de caças F-18 e dois de helicópteros MH-60. O porta-aviões, incorporado à Marinha dos EUA em 2017, é capaz de transportar até 90 aeronaves e operar com alta autonomia. O envio da frota foi descrito pela imprensa americana como uma grande expansão da campanha de pressão militar sobre Caracas.


Maduro em discurso diz que Venezuela quer paz (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Jesus Vargas)

Confronto diplomático e risco de operação militar

A movimentação ocorre após semanas de aumento de hostilidades entre Washington e Caracas. Desde agosto, os EUA classificaram cartéis sul-americanos como organizações terroristas e acusaram o presidente Nicolás Maduro de liderar o Cartel de Los Soles, aumentando a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões (cerca de R$ 269 milhões).

Por sua vez, Maduro afirmou que o verdadeiro objetivo da ofensiva americana é retirá-lo do poder. Em um discurso em inglês, pediu: “No crazy war, please. A Venezuela quer paz.” Enquanto isso, o presidente Donald Trump confirmou que autorizou operações secretas da CIA contra alvos ligados ao chavismo e disse que ações terrestres contra cartéis devem ocorrer “em breve”.

Relatórios da ONU enfraquecem a justificativa dos EUA para tais operações, apontando que a maior parte das drogas que causam overdoses no país, como o fentanil, vem do México — não da Venezuela. Mesmo assim, o poderio naval americano foi deslocado para o Caribe, intensificando o clima de guerra na América do Sul.

Com o USS Gerald Ford a caminho da região, cresce o temor de que a disputa entre Trump e Maduro evolua de uma guerra de narrativas para um confronto militar direto.

Maduro pede paz e critica ações militares dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira (23) que o país “quer paz” e fez um apelo, em inglês, para que não haja uma “guerra maluca” na região. A fala ocorre em meio às recentes ações militares dos Estados Unidos no Caribe, que ele classificou como uma ameaça direta à soberania venezuelana.

Nos últimos meses, Washington enviou destróieres, barcos de guerra, forças especiais e até um submarino para águas internacionais próximas à América do Sul. Desde setembro, as forças americanas já realizaram nove ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas — dois deles no Oceano Pacífico — que resultaram em pelo menos 37 mortes.

Maduro acusou os Estados Unidos de usar o combate ao narcotráfico como desculpa para tentar derrubar seu governo e tomar o controle do petróleo venezuelano.

Trump fala em ampliar operações em terra

No mesmo dia, Donald Trump afirmou que pretende autorizar ações militares em solo contra cartéis de drogas. Ele não citou a Venezuela diretamente, mas informou que a proposta será debatida com o Congresso americano.

A declaração foi feita um dia após o nono bombardeio da frota americana contra uma embarcação no Pacífico, que, segundo o Departamento de Guerra, transportava drogas. Três pessoas morreram na ação.

Trump também disse a jornalistas que não precisa de autorização do Congresso para seguir com as ofensivas e reforçou que as operações continuarão.


Governo americano continua a mandar mais tropas para a costa venezuelana (Foto: Reprodução/X/@AdameMedia)

ONU condena ataques e aponta violações

Analistas e entidades internacionais vêm criticando a postura dos EUA. Um grupo de especialistas da ONU declarou que os bombardeios violam o direito internacional e configuram “execuções extrajudiciais”.

De acordo com o relatório, os ataques ferem a soberania dos países da região e as obrigações dos EUA de evitar o uso da força em águas internacionais. Mesmo com a justificativa de combater o tráfico, o grupo afirmou que as ações não têm base legal e infringem o direito do mar.

Maduro reage às operações secretas da CIA na Venezuela autorizadas por Trump

O presidente venezuelano Nicolás Maduro, nesta quarta-feira (15), criticou as operações secretas da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), autorizadas pelo presidente estadunidense, Donald Trump, no país sul-americano. Mais cedo, durante entrevista coletiva, Trump declarou que a agência realiza ações na Venezuela a fim de combater o crescimento do crime organizado no país e na América Latina.

Maduro classificou as medidas adotadas por Trump como um “golpe de Estado” e “guerra psicológica” e, na manhã desta quinta-feira (16), horário de Brasília, realizou várias publicações relacionadas à força militar venezuelana e ao carisma do povo de seu país. Declarando que a Venezuela é uma nação de “gente decente, honesta, trabalhadora, solidária e humana”.

Críticas a Trump e a opositores

Logo após a confirmação de Donald Trump sobre as ações da CIA no país sul-americano, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela emitiu um comunicado oficial através de suas redes sociais, classificando como “belicosas e extravagantes” as declarações do governo dos EUA. A nota ressalta, ainda, que Trump viola gravemente o Direito Internacional e a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), ao realizar investidas contra a Venezuela.


Publicação do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela sobre ações da CIA no país (Foto: reprodução/Instagram/@cancilleria_ve)

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, seguiu na mesma linha de seu líder, Nicolás Maduro. Sem citar diretamente o governo estadunidense, Rodríguez enfatizou que os venezuelanos carregam a herança de Simón Bolívar e defenderão a Venezuela sob qualquer circunstância. Por isso, alertou: “que nenhum agressor ouse” atentar contra o seu país.

Ataques letais

Desde o início de setembro (2025) o governo dos EUA tem realizado ataques no mar do Caribe contra embarcações, supostamente envolvidas com o narcotráfico na região. Segundo informações, estas investidas resultaram em 27 mortos até o momento. O último ataque letal ocorreu na terça-feira (14), matando seis pessoas. A ação foi autorizada pela Casa Branca, a qual, em suas redes sociais, classificou como “ataque cinético letal contra uma embarcação afiliada a uma Organização Terrorista”.



Além de autoridades venezuelanas, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também está apreensivo com a escalada das ações estadunidenses no país vizinho. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15), Petro declarou que, caso a CIA conduza operações em território venezuelano e haja ataque militar, estas investidas podem “respingar” em seu país. Contudo, mesmo diante deste cenário, por se tratar de operações secretas por parte da inteligência dos EUA, Donald Trump não detalhou o que pode advir destas ações e se Nicolás Maduro é um alvo a ser eliminado pela agência.

 

Nicolás Maduro rejeita acusações de narcotráfico e convoca ONU contra ações dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, negou as acusações dos Estados Unidos de que seria traficante de drogas. Em uma carta divulgada neste domingo (21), ele pediu diálogo ao presidente Donald Trump. O documento, datado de 6 de setembro, foi enviado poucos dias depois dos EUA enviarem oito navios de guerra para perto da costa venezuelana e realizarem o primeiro de vários ataques contra barcos que, segundo Washington, levavam drogas. Esse primeiro ataque deixou 11 mortos.

Maduro nega acusações e Venezuela aciona a ONU

Maduro disse que as acusações de envolvimento com o narcotráfico são “absolutamente falsas”. Segundo ele, trata-se da “pior das fake news já inventadas contra a Venezuela, usada para justificar um possível conflito armado que traria consequências graves para todo o continente. Na carta, ele ainda convida Donald Trump a manter a paz por meio do diálogo e do entendimento em todo o hemisfério.

Na sexta-feira (19), o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, pediu que a ONU investigasse o que chamou de “crimes contra a Humanidade” cometidos pelos Estados Unidos no Caribe, após o disparo de mísseis contra lanchas que Washington afirma estarem ligadas ao tráfico de drogas.


Soldados venezuelanos ensinando civis a usarem armas (Vídeo: reprodução/X/@hoje_no)

Segundo Saab, “o uso de mísseis e armas pesadas para matar pescadores indefesos em uma pequena lancha” deve ser investigado pela ONU como crime contra a humanidade.

O chanceler Yván Gil também declarou que a Venezuela solicitou ao Conselho de Segurança da ONU que exija o fim imediato das ações militares dos EUA no Mar do Caribe. Ele afirmou ainda que até as próprias autoridades americanas admitem que houve assassinatos extrajudiciais de civis, com o objetivo de espalhar medo entre os pescadores e a população. Para Gil, é fundamental que a soberania da Venezuela e de toda a região do Caribe seja respeitada.

Escalada de tensões após envio de tropas americanas ao Caribe

Em agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o envio de forças navais para a região Caribenha, alegando que a missão era combater cartéis de drogas no local. A decisão acendeu alertas na Venezuela, onde Nicolás Maduro é acusado de chefiar o chamado Cartel dos Sóis, grupo supostamente ligado a militares do país. Os EUA chegaram a oferecer uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Maduro, mas o governo venezuelano nega qualquer envolvimento dele ou de seus comandantes com o narcotráfico.


Lugares onde os Estados Unidos estão posicionados no Mar do Caribe (Foto: reprodução/X/@Geopol21)

Desde então, os Estados Unidos já destruíram pelo menos quatro barcos acusados de ligação com o tráfico. Em um dos ataques, no início do mês, 11 pessoas morreram, o que levantou dúvidas sobre a legalidade dessas ações, inclusive entre parlamentares que fazem oposição a Donald Trump. A Casa Branca, porém, nega ter planos para derrubar Nicolás Maduro.

Na Venezuela, o governo colocou as Forças Armadas em estado de alerta e lançou uma campanha para que a população se una a milícias voluntárias. Segundo o Palácio de Miraflores, milhões já aderiram. Além disso, nos últimos dias foram convocados exercícios de treinamento com armas de fogo e táticas de combate. No sábado, essas atividades ocorreram em mais de 300 quartéis espalhados pelo país.