Polícia do RJ defende megaoperação e diz ao STF que seguiu protocolos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro enviou, na última segunda-feira (17), um relatório ao ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal. O objetivo do documento é justificar a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão no fim de outubro. E ficou claro na defesa do órgão que a ação foi necessária porque a região abrigava líderes de facção armada e apresentava risco de confronto com forças de segurança.

Logo após a entrega do relatório, a corporação explicou que a operação foi planejada com base em investigações longas e detalhadas, conduzidas em parceria com o Ministério Público. A intenção, segundo o texto, era cumprir mandados contra suspeitos que estavam escondidos nas comunidades e impedir o avanço das atividades criminosas na região.

A operação foi considerada necessária

A Polícia Civil afirma que meses de investigação mostraram que a área funcionava como base de uma facção que domina partes da Zona Norte. O relatório menciona suspeitos com extensa ficha criminal, apontados como responsáveis por comandar atividades armadas e impor regras locais com violência.


Policiais em megaoperação no Rio de Janeiro (Foto: reprodução/Mauro Pimentel/ Getty Images Embed)


Os investigadores afirmam que esse grupo usava armas de alto calibre, drones, câmeras e rádios para vigiar entradas e saídas das comunidades, dificultando qualquer ação policial. Segundo o documento enviado ao STF, esse cenário levou as equipes a concluírem que a operação era urgente.

A corporação relata que havia 51 mandados de prisão pendentes contra integrantes da organização criminosa. Entre os alvos, estavam líderes considerados estratégicos para a manutenção das atividades do grupo. Além disso, o relatório destaca que a operação foi planejada com supervisão jurídica. Houve comunicação prévia ao Ministério Público e acompanhamento de promotores, seguindo regras estabelecidas pelo próprio Supremo.

Resultado da operação e consequências para a população

De acordo com a Polícia Civil, a ação resultou no cumprimento dos 51 mandados de prisão e em mais de 140 buscas. No total, 17 pessoas foram presas por ordem judicial e outras 83 foram detidas em flagrante. Também houve apreensão de armas, munições, drogas e veículos. Para os moradores, a expectativa é que o aumento de apreensões e prisões ajude a diminuir a circulação de armas e, consequentemente, reduza episódios de violência.

A corporação afirma que o objetivo é trazer mais segurança para quem vive na região, já que a retirada de armamento pesado e líderes criminosos tende a enfraquecer a estrutura local do grupo investigado. A Polícia Civil diz ainda que pretende manter ações de acompanhamento para evitar que a facção retome o controle territorial.

Moraes suspende inquérito sobre retirada de corpos na megaoperação do Rio

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta segunda-feira (10) a suspensão do inquérito instaurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para apurar a remoção de corpos após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha. O ministro também ordenou que o governo estadual preservasse as imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes na operação e as envie ao STF juntamente com os laudos das autópsias das vítimas.

No dia seguinte à operação mais letal da história brasileira, moradores retiraram mais de 70 corpos da área de mata que separa os dois complexos, gesto que motivou a abertura da investigação posteriormente suspensa.

Acusações de fraude

A Polícia Civil do Rio de Janeiro havia anunciado no fim de outubro que investigaria uma possível fraude processual por parte dos participantes da remoção de corpos no Complexo da Penha. O secretário Felipe Curi afirmou que os moradores estariam retirando roupas camufladas usadas por suspeitos mortos durante o confronto. Além disso, reiterou que o foco da investigação não seriam os familiares das vítimas, e sim possíveis ordens de lideranças de uma facção criminosa que supostamente ocultaria vínculos dos mortos com o grupo.

Durante coletiva, a Polícia Civil exibiu um vídeo que, segundo Curi, mostraria moradores retirando peças de roupas dos cadáveres ainda na mata e levando-os para a via pública. O secretário ironizou a diferença entre as imagens captadas durante o confronto — com suspeitos usando camuflados, coletes e armamento — e o estado em que vários corpos apareceram depois, vestindo apenas roupas íntimas ou peças simples.


Resgate de corpos em megaoperação no Rio (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Wagner Meier)


“Parece que entraram num portal e trocaram de roupa. Então nós temos imagens de pessoas que retiraram esses corpos da mata e colocaram em via pública e (foram) tirando as roupas desses marginais”

Moradores, por outro lado, argumentam que cortaram partes das vestimentas para facilitar a identificação feita por parentes. Segundo relatos no local, familiares pediam que os registros dos corpos fossem feitos sem as camuflagens, para que lesões ficassem mais visíveis no reconhecimento.

Números da operação

Felipe Curi confirmou 119 mortes na Operação Contenção, como foi chamada: sendo de 115 suspeitos e quatro policiais. A operação também resultou em 113 prisões, dez adolescentes apreendidos e na apreensão de 118 armas, incluindo 91 fuzis, além de artefatos explosivos.

O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, afirmou que a decisão de levar o confronto para a área de mata foi adotada como uma forma de proteger moradores. Segundo ele, a letalidade elevada era “previsível, mas não desejada”. Repetindo declarações do governador Cláudio Castro, Santos afirmou que as únicas vítimas do ponto de vista oficial foram os policiais mortos.

Contradição nos dados oficiais: relatório do Rio ao STF aponta menos presos em megaoperação do que o anunciado

Uma discrepância significativa nos números de detidos durante a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no último dia 28, colocou em xeque a comunicação oficial do Governo do Rio de Janeiro. No documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o governador Cláudio Castro informou ao ministro Alexandre de Moraes a detenção de 99 pessoas — sendo 82 em flagrante e 17 com mandados judiciais, incluindo dez adolescentes. Contudo, logo após a ação, as autoridades estaduais haviam divulgado as prisões de 113 suspeitos em coletiva de imprensa.

A Polícia Civil, por meio de nota, tentou justificar a diferença apontando uma “duplicação das informações iniciais”, alegando que alguns indivíduos presos em flagrante já possuíam mandados de prisão expedidos contra eles. A explicação, no entanto, não aplaca a crítica de entidades da sociedade civil. Passada mais de uma semana da megaoperação que resultou em 121 mortes — a mais letal da história do estado —, órgãos como a Defensoria Pública ainda não tiveram acesso à lista oficial com os nomes dos detidos.

OAB-RJ e especialistas cobram transparência

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) manifestou-se por meio de nota, ressaltando a importância do princípio da transparência e a necessidade de ampla divulgação dos dados da Operação Contenção à sociedade e aos órgãos competentes. A entidade, que instituiu um Observatório de Investigações para acompanhar os desdobramentos, afirmou que adotará “medidas cabíveis para a obtenção de informações precisas e consistentes sobre os fatos”.

Em tom crítico, Rodrigo Mondego, coordenador na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, classificou a inconsistência como uma “amostra de como o governo não age de forma profissional”. Ele questionou a falha de registro e apuração, dado o número de agentes envolvidos, incluindo policiais civis, que têm o dever de investigar.


Visita de Alexandre de Mores no RJ para analisar informações da megaoperação (Vídeo: reprodução/YouTube/


Detalhes do Relatório e Desvantagem Bélica

O relatório de 26 páginas entregue ao STF detalha ainda que, dos 99 detidos, 29 são provenientes de outros estados e 17 possuíam mandados de prisão em aberto. Curiosamente, o objetivo declarado da Operação Contenção era capturar cem procurados, um número próximo ao de prisões efetivas no documento final. Além disso, entre os 115 suspeitos mortos identificados, 59 possuíam mandados de prisão. No entanto, o governo não esclareceu se estavam entre os alvos prioritários da ação.

O governador Cláudio Castro defendeu o “uso proporcional da força” diante do que classificou como ameaça do Comando Vermelho (CV). O documento enumera táticas de “guerrilha urbana” e uso de “armas de uso restrito” pela facção criminosa contra os 2,5 mil policiais empregados.

O governo admite uma desvantagem bélica das forças de segurança, que estariam limitadas a fuzis 7,62 e 5,56, enquanto os criminosos dos complexos possuiriam um arsenal estimado em 800 a mil fuzis, incluindo armamentos de “altíssima potência” como os fuzis .30 e .50 — que, conforme especialistas, não podem ser utilizados pelas polícias brasileiras. Essa disparidade bélica, somada a elementos como túneis, minas terrestres e drones com capacidade de lançamento de granadas, dificultaria o avanço policial, apesar do planejamento, inteligência e suposto “respeito absoluto à lei”. Por fim, o número de armas apreendidas também apresentou variação, subindo de 118 para 122 no documento final (96 fuzis, 25 pistolas e um revólver), aumentando a lista de inconsistências nos dados oficiais da Operação Contenção.

Lista com 99 mortos durante megaoperação é divulgado

Nesta sexta-feira (31), a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou uma lista contendo 99 nomes de suspeitos que morreram durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na última terça-feira (28). 

Entre os mortos, de acordo com o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, 78 tinham histórico criminal por homicídio ou tráfico de drogas, 42 estavam foragidos da Justiça e outros 39 eram residentes de outros estados brasileiros, como: Pará, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso e Paraíba.

Operação Contenção

Na última terça-feira (28), 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, incluindo o BOPE, realizaram uma operação nos complexos do Alemão e da Penha, localizados na zona oeste do Rio de Janeiro. Com objetivo de apreender um dos líderes do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, a Operação Contenção também tinha como finalidade o cumprimento de 180 mandados de busca e apreensão, além de 100 mandados de prisão, que foram expedidos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes. 


Dos 100 mandatos de prisão expedidos para a operação, apenas 20 foram cumpridos (Foto: Reprodução/Instagram/@folhadespaulo)

Ao final, a operação resultou na prisão de 113 suspeitos, incluindo 33 de outros estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco. Além disso, considerada a ação policial mais letal da história brasileira, a megaoperação resultou na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais. 

Criminosos fortemente armados

Após megaoperação realizada na última terça-feira (28), imagens obtidas através de drones registraram a presença de criminosos fortemente armados reunidos para fugir da polícia pela mata, conhecida como Serra da Misericórdia,  área que divide  as duas comunidades. 

As imagens, capturadas por volta das 6h enquanto se iniciava a megaoperação,  registram a presença de homens armados do Comando Vermelho (CV). Primeiro, os drones identificam a ação de 23 membros do CV vestindo roupas camufladas e uniformes característicos utilizados por policiais, dificultando a identificação dos criminosos.  Além disso, mais adiante,  as imagens também capturaram a presença de 83 traficantes fugindo pela Serra da Misericórdia. 

Argentina envia militares à fronteira com Brasil após operação no Rio de Janeiro

O governo da Argentina ordenou o envio de entre 150 e 200 militares para reforçar a segurança na fronteira com o Brasil. A princípio, a medida foi determinada pelo ministro da Defesa, Luis Petri, após a megaoperação policial ocorrida no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos. Os militares atuarão na cidade de Bernardo de Irigoyen, que faz divisa com Dionísio Cerqueira (SC) e Barracão (PR).

Segundo fontes do Ministério da Defesa argentino, tropas especializadas em montanha começaram o reconhecimento da região. Elas estão preparadas para atuar em áreas de fronteira seca e devem receber apoio de drones, radares e dois helicópteros. Acima de tudo, a decisão integra um plano de segurança ampliado do governo Javier Milei, que colocou as forças em alerta máximo para conter uma possível fuga de criminosos brasileiros.

Operação no Rio gera tensão regional

A megaoperação contra o Comando Vermelho mobilizou cerca de 2.500 agentes nos complexos do Alemão e da Penha. Há pouco, o governo fluminense confirmou 121 mortos, sendo quatro policiais e 117 suspeitos. A ação, batizada de “Operação Contenção”, foi considerada a mais letal da história do estado do Rio. Consequentemente, tiros, arrastões, comércios fechados e suspensão de expediente marcaram dois dias de tensão.


Cláudio Castro em coletiva (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


Durante coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro afirmou que os policiais mortos foram as “únicas vítimas verdadeiras” do confronto. O comentário provocou críticas de entidades de direitos humanos e gerou reação política em Brasília.

Pressão sobre o governo e resposta do STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião emergencial com ministros para discutir os impactos da operação. Logo após, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Castro compareça a uma audiência para explicar as ações das forças de segurança. A decisão atendeu a pedidos do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Enquanto o governo argentino reforça as fronteiras, autoridades brasileiras enfrentam questionamentos sobre a proporcionalidade do uso da força. O episódio traz à tona o debate sobre segurança pública e coordenação internacional diante da violência nas grandes cidades.

ONGs apontam cortes internacionais após megaoperação no Rio

Após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha que resultou em dezenas de mortes, ONGs brasileiras começaram a mover esforços para pressionar organismos internacionais. A mobilização busca financiamento externo e denúncias contra as violações consideradas graves nas comunidades afetadas do Rio de Janeiro. Organizações presentes no manifesto incluem Anistia Internacional Brasil, Conectas, Justiça Global, Observatório de Favelas, Instituto Papo Reto e outros movimentos que atuam em comunidades periféricas.

Críticas nacionais e articulação internacional

Vinte e sete organizações de direitos humanos divulgaram uma nota conjunta classificando a ação como “matança produzida pelo Estado brasileiro”. Elas acusam o governo estadual, liderado por Cláudio Castro, de adotar uma lógica de guerra, enfatizando o uso excessivo da força e mortes entre civis como política de segurança.

Além das acusações internas, surgem mobilizações para alcançar organismos internacionais. As ONGs buscam cortes e sanções diplomáticas como forma de responsabilizar o Brasil por violações alegadas de direitos humanos. Ao colocar os olhos fora das fronteiras nacionais, essas entidades pretendem gerar pressão externa sobre autoridades públicas para que haja investigação, reparação e revisão das táticas de segurança.


Operações no Rio são alvo de ONGs que buscarão cortes internacionais (Foto: reprodução/José Lucena/TheNews2/Estadão)

Repercussões políticas e resposta oficial

O Governador Cláudio Castro rejeitou críticas e tratou acusações de ONGs como tentativas de politizar a operação. Ele afirmou que, se necessário, excederia competências para cumprir “a missão de servir e proteger o povo”. Por outro lado, ONGs reforçam que discursos de combate ao crime não justificam vidas perdidas e demandam formas de segurança pública baseadas em direitos, planejamento e controle judicial. A ação nas favelas, para essas entidades, reforça padrões históricos de violência contra populações periféricas.

Internacionalmente, a atuação gera repercussão: a Organização das Nações Unidas, a ONU, expressou horror e pediu investigações independentes após os relatos da operação. Organismos de direitos humanos globais monitoram o caso como indicativo de abusos policiais em grandes operações urbanas.

Governo do Rio divulga 121 óbitos durante megaoperação no estado

Em nova divulgação nesta quarta-feira (29), o governo do Rio de Janeiro confirmou o total de 121 mortos na megaoperação contra o CV (Comando Vermelho). De acordo com o governo, 4 eram policiais e os outros 117 suspeitos. A operação foi realizada nos complexos do Alemão e da Penha ontem (28).

Nesta manhã, moradores do complexo da Penha encontraram e levaram 74 corpos para a Praça São Lucas, com objetivo das famílias os reconhecerem, de acordo com apuração do G1.

Números divulgados

Em primeiro balanço, realizado até às 15h desta terça-feira (28), o número divulgado era de 64 mortos, com 4 sendo policiais. Contudo, nesta manhã, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro confirmou somente 58 mortos, afirmando que 54 eram criminosos, pois estavam na área de mata. Ele não comentou acerca do balanço divulgado no dia anterior.

Já em coletiva hoje, a cúpula de segurança do Rio divulgou uma nova atualização: 121 mortos, entre eles, 4 policiais e 117 suspeitos. O número não contabiliza os 74 corpos encontrados pelos moradores na mata e levados para a praça. O secretário da Polícia Civil, o delegado Felipe Curi, difere da informação dada pelos moradores, falando apenas em 63 corpos achados.

O secretário da Polícia Civil também afirmou que mais 113 suspeitos foram presos em outros 33 estados, incluindo Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco.


Secretário da Polícia Civil, Felipe Curi (Foto: reprodução/Getty Images Embed)

Corpos na Praça São Lucas

De acordo com o ativista Raull Santiago em entrevista para o G1, ele nunca viu nada parecido com o que aconteceu nos complexos ontem, classificando a operação como “brutal e violenta”. 74 corpos, todos homens, foram encontrados em uma região de mata no complexo da Penha e levados para a Praça São Lucas.

Nas imagens, os corpos aparecem estirados no chão e sem camisas, para que as famílias pudessem os reconhecer, segundo reportagem do G1. Corpos contavam com ferimentos de bala e rostos desfigurados, além de um que havia sido decapitado.

Durante coletiva mais cedo, o governador do Rio de Janeiro não comentou acerca dos corpos encontrados. Castro ainda disse que a operação foi um “sucesso”, além de se solidarizar com as vítimas dos quatro policiais mortos, os chamando de “guerreiros”. “De vítima ontem lá, só tivemos esses policiais”, completou o governador. Segundo ele, a contabilidade do governo estadual só é feita a partir de corpos que entram no IML.

ONU pede investigação rápida em megaoperação no Rio de Janeiro

A operação policial lançada nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, resultou em pelo menos 64 mortos até o momento, incluindo suspeitos, policiais civis e militares. O número já é considerado recorde em confrontos recentes na cidade. A ONU divulgou nota afirmando estar horrorizada com a escala da ação e reforçando que operações desse tipo devem ser acompanhadas de apuração imediata para garantir a proteção dos direitos humanos.

Além disso, a organização internacional destacou que é fundamental avaliar os impactos sobre a população civil, considerando que moradores relataram bloqueios de ruas, interrupção de serviços básicos e medo generalizado. A entidade cobrou que se realizem investigações rápidas e eficazes, lembrando que o Brasil possui compromissos internacionais em matéria de direitos humanos.

A operação e seus desdobramentos

Segundo informações iniciais, a ação contou com milhares de agentes, uso de blindados, drones e barricadas estratégicas. O governador Cláudio Castro afirmou que a operação visa conter a expansão da facção Comando Vermelho (CV) e que se trata da maior ação desse tipo nos últimos 15 anos.


Polícia Civil lamenta falecimento de policiais que participaram da megaoperação (Reprodução/X/@PCERJ)

No entanto, críticos apontam que o uso de força intensa em áreas densamente povoadas aumenta os riscos para civis e questionam se houve planejamento adequado para minimizar danos. Especialistas em segurança pública e direitos humanos chamaram atenção para a necessidade de protocolos claros, sobretudo em operações que envolvem tantas vidas.

Repercussão local e internacional

Nas comunidades, o clima foi de medo e tensão. Moradores relataram tiros, fumaça e interrupções em escolas e transporte. A situação se espalhou rapidamente nas redes sociais, gerando debates sobre o impacto das operações policiais em áreas vulneráveis.

Internacionalmente, a nota da ONU gerou atenção imediata, com órgãos de mídia repercutindo a preocupação global. A pressão sobre o governo fluminense aumentou: agora, além de justificar a operação, as autoridades precisam demonstrar transparência e responsabilidade em relação às vítimas e às consequências da ação. O episódio levanta um alerta sobre como equilibrar combate ao crime e proteção da população em áreas sensíveis.

Presidente Lula convoca reunião com ministros após megaoperação no Rio

O presidente Lula convocou nesta quarta-feira (29) uma reunião de emergência com os ministros do governo no Palácio da Alvorada para tratar da situação em que se encontra o Rio de Janeiro, após a megaoperação da polícia ontem (28). De acordo com balanço oficial feito pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o número de mortos já passa de 130.

A megaoperação – considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro – foi realizada nos complexos da Penha e do Alemão, como forma de combater o CV (Comando Vermelho). O número de mortos durante a ação da polícia ultrapassa o número somado das operações em Jacarezinho (2021), com 28 óbitos, e Vila Cruzeiro (2022), com 24.

Reunião no Palácio da Alvorada

O encontro, convocado pelo presidente Lula, reúne ministros do governo federal para debater a situação alarmante causada pela megaoperação da polícia no Rio de Janeiro. A pauta será tratada na residência oficial da Presidência da República, o Palácio da Alvorada – onde o próprio presidente reside.

Foram convocados os integrantes do primeiro escalão do governo de Lula. Então incluídos: o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin; a ministra de Relações Exteriores, Gleisi Hoffman; o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

Em entrevista durante a tarde desta terça-feira (28), após o início da megaoperação, Lewandowski negou ter recebido qualquer solicitação de ajuda do governador Cláudio Castro para a ação policial nos complexos.


Lewandowski comenta sobre a megaoperação no Rio de Janeiro (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)

Megaoperação no Rio

A operação da polícia, realizada no dia 28 nos complexos do Alemão e da Penha – localizados na Zona Norte do RJ -, teve como alvo o Comando Vermelho. Conforme informado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o número de óbitos total já está em 132, com 128 sendo civis e 4 policiais. A ação contou com mais de 2.500 agentes, com objetivo principal de cumprir 100 mandados de prisão contra membros e líderes do CV.

Contudo, o número atualizado não bate com o que foi divulgado pelo governo do Rio de Janeiro na terça (28). De acordo com o governo, a operação teria sido terminada com 64 mortos, onde 4 eram policiais.

Nesta manhã, a Praça da Penha acordou com uma fila de corpos estirados no chão, levados pelos moradores do complexo. O total de corpos chegava a 74, mas de acordo com o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, eles não constavam no número oficial que estava sendo divulgado. Segundo ativistas e moradores da região, os corpos foram retirados de uma área de mata do Complexo da Penha, durante toda a madrugada de hoje.

Megaoperação na Penha e Alemão, no Rio, tem 64 mortos e 81 presos

Nesta terça (28), antes do sol nascer, as polícias militar e civil, ao todo com 2500 agentes, saíram para cumprir 100 mandados de prisão nos complexos do Alemão e da Penha na zona Norte do Rio de Janeiro. Ao todo, nessa operação, morrem 64 pessoas, 4 delas policiais, e 81 foram presas. Foram apreendidos 93 fuzis, 2 pistolas e 9 motos. Essa operação de hoje faz parte da operação Contenção, é uma iniciativa do governo do estado para combater os avanços do Comando Vermelho (CV) por territórios fluminenses.

Tarde de caos no Rio de Janeiro

Por conta da operação ocorrida pela manhã na zona norte, no Complexo do Alemão e Penha. Traficantes de outras regiões do Rio, em uma forma de represália, sequestraram caminhões e ônibus, atravessando-os no meio das avenidas, também utilizaram lixeiras e pneus queimados para criar uma forma de barricada, criando uma tensão e um cenário de guerra no Rio. As principais linhas que foram obstruídas foram a Linha Amarela, no Grajaú-Jacarepaguá, e na Rua Dias da Cruz, no Méier, entre outros locais.


Post mostrando o caos no transporte do Rio de Janeiro (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)

O Estado do Rio elevou o estágio operacional da cidade para o nível 2, de uma escala de 5. Esse estágio 2 significa para se manter em casa e tentar não sair às ruas. O caos foi estabelecido no Rio, muitos ônibus pararam de circular por medo da represália dos bandidos. O horário do rush (horário de pico) geralmente ocorre ao final da tarde, umas 18h, porém, hoje foi mais cedo, umas 15h. Por conta de tudo ter fechado mais cedo no Rio, as pessoas encontram muita dificuldade para voltar para suas casas.

Megaoperação no Alemão e Penha

Como dito anteriormente, essa megaoperação começou pela manhã da terça-feira. A operação começou. A Polícia Civil afirmou ainda que, em primeira retaliação, os criminosos lançaram bombas com drones. Outros fugiram para a parte alta da comunidade, na mata. Cenas que lembram muito a ocupação que ocorreu em 2010 do Alemão. Nesta operação, foram 81 pessoas presas, entre eles está Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, um dos chefes do Comando Vermelho da região. Outro capturado é Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de um dos altos chefes do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso.


 

 

Vídeo mostrando drones de traficantes atacando os policiais (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)

Para concluir, foram mortas 64 pessoas, 4 delas policiais, o recém-promovido Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, a chefe de investigação da 53ª DP (Mesquita), Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP (Pavuna), Cleiton Searafim Gonçalves, e Herbert, policiais do Bope. Os outros mortos são 60 suspeitos. Dois eram da Bahia, e o outro, do Espírito Santo. Três inocentes foram feridos e estão no hospital, e um policial também foi baleado. Além disso, na operação, 93 fuzis foram apreendidos. A operação segue ainda no Complexo do Alemão e Penha e a Polícia tenta retirar as barricas que tem por toda a região do Rio.