A vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumiu papel central no governo após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelo governo Trump (EUA). Desde então, suas declarações e decisões têm chamado atenção por apresentarem sinais diferentes sobre o rumo do país. Enquanto reforça a lealdade ao antigo governo, também enfrenta pressões internas e externas para mudanças na condução política.
O cenário é de instabilidade e incerteza. A Venezuela vive um momento delicado, com a população acompanhando cada movimento do novo comando. As ações do governo interino e os discursos de Delcy indicam um esforço para manter controle interno e, ao mesmo tempo, lidar com a influência dos Estados Unidos e de outros países.
Sinais contraditórios em meio à crise
Desde que passou a liderar o país, Delcy Rodríguez tem buscado demonstrar que a Venezuela continua soberana e que não está submetida a decisões externas. Em pronunciamentos públicos, ela reforça a ideia de resistência e continuidade, destacando a importância de preservar a autonomia nacional mesmo diante da pressão internacional.
Em um de seus discursos, Delcy foi direta ao defender o governo anterior e a figura de Nicolás Maduro. “Ninguém aqui se rendeu. Houve uma luta e uma luta por esta pátria. Temos dignidade histórica, compromisso e lealdade ao presidente Maduro, que foi sequestrado”, afirmou. A fala mostra o tom firme adotado pela vice-presidente, que tenta manter a base aliada mobilizada e reforçar a imagem de unidade.
Ao mesmo tempo, o governo anunciou algumas medidas que foram interpretadas como gestos de abertura. Entre elas, a liberação de parte de presos políticos e estrangeiros, o que gerou expectativa dentro e fora do país. A iniciativa foi vista como um sinal de tentativa de diálogo, mas não deixou claro se haverá mudanças mais profundas na política interna.
Essas ações contrastam com outras decisões que mantêm práticas rígidas de controle. A presença de forças de segurança em pontos estratégicos e a vigilância sobre manifestações continuam, o que reforça a percepção de que o governo ainda atua de forma cautelosa e centralizadora. Para muitos observadores, isso mostra que a Venezuela vive um momento de transição cheio de contradições.
A população acompanha com atenção esses movimentos. Parte espera por mudanças que tragam mais estabilidade e abertura, enquanto outra mantém apoio ao discurso de resistência. O clima é de expectativa, com dúvidas sobre quais caminhos serão realmente seguidos nos próximos meses.
Vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Jesus Vargas)
Repercussão internacional e discurso de resistência
No cenário internacional, as atitudes de Delcy Rodríguez também geram reações. Países e organismos acompanham a situação venezuelana e cobram posicionamentos mais claros sobre democracia, direitos e eleições. A vice-presidente, por sua vez, insiste que o país tem o direito de decidir seus próprios rumos sem interferência externa.
O discurso de lealdade a Maduro e de crítica à atuação estrangeira busca fortalecer a imagem de independência. Ao afirmar que ninguém se rendeu, Delcy tenta mostrar que o governo não aceita imposições e que segue fiel aos princípios defendidos nos últimos anos. Essa postura agrada parte de seus apoiadores, mas também amplia o debate internacional.
Ao mesmo tempo, há uma tentativa de reduzir tensões. A libertação de presos e a sinalização de possíveis diálogos indicam que o governo interino pode buscar algum tipo de aproximação para evitar isolamento. Esse movimento é acompanhado com cautela, já que ainda não há garantias de mudanças estruturais.
A economia também pesa nesse cenário. Como ministra do Petróleo, Delcy sabe da importância do setor para o país. A relação com outros países e possíveis acordos são essenciais para manter a atividade e gerar recursos. Isso faz com que o discurso de soberania conviva com a necessidade de negociações.
Dentro da Venezuela, o sentimento é de incerteza. Muitos aguardam definições sobre eleições, reformas e o futuro político. As mensagens do governo, por vezes firmes e por vezes conciliadoras, aumentam a sensação de que ainda não há um caminho totalmente definido.
A situação segue em desenvolvimento. Novas decisões, discursos e ações devem marcar os próximos dias. A atuação de Delcy Rodríguez continuará sob observação, tanto pela população venezuelana quanto pela comunidade internacional, que busca entender se os sinais contraditórios representam uma estratégia ou apenas reflexo de um momento de transição.
