Marco Rubio revoga vistos americanos de Alexandre de Moraes, aliados e familiares

O secretário de Estado do governo dos Estados Unidos, Marco Rubio, revogou nesta sexta-feira (18) os vistos americanos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, de seus aliados na Corte, bem como de seus familiares imediatos. 

Em publicação no X (antigo Twitter), Rubio disse que “o presidente Trump deixou claro que seu governo responsabilizará estrangeiros responsáveis pela censura de expressão protegida nos Estados Unidos. A caça às bruxas política do Ministro da Suprema Corte da Justiça Federal Brasileira Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão vasto que não apenas viola os direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil para atingir americanos”


O anúncio da revogação foi feito por meio de rede social (Foto: reprodução/X/@SecRubio)

O Departamento de Estado dos EUA publicou uma nota dizendo que “esta política de restrição de visto está de acordo com a Seção 212 (a) (3) (C) da Lei de Imigração e Nacionalidade, que autoriza o Secretário de Estado a tornar inadmissível qualquer estrangeiro cuja entrada nos Estados Unidos ‘teria consequências adversas potencialmente graves para a política externa’”

O anúncio não deixa claro quem seriam exatamente os aliados de Moraes. A BBC News Brasil questionou o Departamento de Estado americano sobre quem seriam as pessoas específicas além de Moraes afetadas pela sanção, contudo a resposta foi que não haveria nada mais a ser compartilhado sobre o assunto. 

Eis o CUSTO MORAES para quem sustenta o regime.

Eduardo Bolsonaro

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, reagiu com satisfação à medida do governo americano em publicação no X e deu a entender que as ações não vão parar por aí.

O que motivou a ação do governo americano

A decisão ocorreu algumas horas após a Polícia Federal (PF) realizar buscas e apreensões, além de determinar o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno entre 19h e 6h do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Donald Trump. 

Bolsonaro passou a usar o dispositivo nesta sexta-feira, por ordem do STF e a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), assinado por Paulo Gonet. 

Moraes justificou as medidas cautelares pela caracterização de crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e atentado à soberania por parte de Bolsonaro.

A determinação é resultado do inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro no governo Trump a fim de promover retaliação e sanções contra o governo brasileiro e os ministros do STF, em um esforço para interromper o prosseguimento da ação penal sobre a tentativa de golpe, da qual o pai é réu. 


Há indícios do envolvimento dos Bolsonaros, pai e filho, no ataque americano à soberania brasileira (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)

O deputado está de licença de seu mandato parlamentar desde março deste ano, quando foi morar nos Estados Unidos. O período de licença se encerra neste domingo (20). 

A PGR esclareceu que havia um risco concreto de fuga e de intimidação a autoridades brasileiras por parte do ex-presidente. Além de usar tornozeleira eletrônica, Bolsonaro está proibido de acessar embaixadas ou manter contato com diplomatas de outros países.

Aliados de Bolsonaro pedem sanções contra Moraes

Bolsonaristas solicitam há meses ao governo dos EUA o uso da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, porém a revogação do visto não representa a aplicação deste dispositivo legal. 

A lei em questão entrou em vigor em 2012, com o apoio de republicanos e democratas, durante o governo de Barack Obama. O objetivo da lei é punir indivíduos que violarem os direitos humanos, de acordo com a Casa Branca. 

A Lei Magnitsky também é conhecida como “pena de morte financeira” porque impõe fortes sanções a estrangeiros: não podem ter conta bancária nos EUA, nem portar cartão de crédito de nenhuma das grandes operadoras norte-americanas. Além disso, instituições financeiras globais podem ser obrigadas a congelar ativos, fechar contas e cancelar os cartões de crédito do indivíduo sancionado. 

O nome da lei tem origem em uma homenagem a Sergei Magnitsky, advogado russo que foi preso e supostamente torturado em uma prisão por investigar crimes relacionados à lavagem de dinheiro e corrupção na Rússia. Magnitsky morreu no cárcere e o caso inspirou legisladores americanos a sancionar e punir os envolvidos nessa investigação e na morte do advogado. 

Após operação da PF contra o pai, Eduardo Bolsonaro critica Moraes e defende tarifaço dos EUA

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro se pronunciou ao meio dia de hoje (18), diretamente dos Estados Unidos, através das redes sociais, sobre a imposição de medidas restritivas a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Há tempos denunciamos as ações do ditador Alexandre de Moraes — hoje, escancaradamente convertido em um gangster de toga, que usa o Supremo como arma pessoal para perseguições políticas”, publicou Eduardo Bolsonaro no X.

Jair Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira em Brasília. Ele está proibido de usar redes sociais, de manter contato com diplomatas estrangeiros e de se aproximar de embaixadas, além de precisar usar tornozeleira eletrônica. Ele também deve permanecer em casa no período noturno, das 19h às 7h.

Legislador atribui ação do STF às tarifas de Trump

Na rede social X, Eduardo Bolsonaro disse que a ação da Polícia Federal se deu como uma forma de provocar o presidente americano, Donald Trump, após a imposição de tarifas de 50% a exportações brasileiras aos EUA. 


Eduardo Bolsonaro se manifesta no X diante da operação da PF contra o pai (Foto: reprodução/X/@BolsonaroSP)


Na ocasião, Trump afirmou que o tarifaço, como ficou conhecido, se devia a uma suposta perseguição ao ex-presidente brasileiro, embora especialistas apontem que a política externa de Lula baseada no fortalecimento dos BRICS e aproximação com a China possa ter influenciado a decisão.

A declaração do deputado federal brasileiro se dá em um contexto de crescentes tensões entre a diplomacia americana e brasileira.

Aumenta o cerco contra Jair Bolsonaro

O risco de deixar o país e o suposto atentado à soberania nacional, através de interferência judicial e apoio à sobretaxação americana, fizeram com que o STF autorizasse a operação da Polícia Federal desta sexta-feira. 

Jair Bolsonaro é investigado por tentativa de golpe de Estado. Na segunda-feira (14), a Procuradoria Geral da República apresentou as alegações finais no caso e pediu a condenação do ex-presidente por cinco crimes. O próximo passo é o julgamento pelo Superior Tribunal Federal.

Polícia Federal encontra pen drive em banheiro de Bolsonaro

A Polícia Federal (PF), em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão no dia de hoje (18/7), expedido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, encontrou um pen drive no banheiro da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Em coletiva realizada após colocar a tornozeleira eletrônica na sede da PF, Bolsonaro comentou que desconhece o dispositivo, mas vai questionar a esposa Michelle Bolsonaro se seria dela.

Operação da PF

O ex-presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, esteve na manhã de hoje, (18/7), na sede da Polícia Federal, para colocar a tornozeleira eletrônica, sendo esta, uma dentre a série de determinações estabelecidas pelo Ministro do STF, Alexandre de Moraes, a ele. Além disso, Bolsonaro deve ficar recolhido em seu domicílio, durante o período noturno, está proibido de falar com seu filho, Eduardo, e não poder utilizar redes sociais.

A polícia federal realizou, também na manhã de hoje, uma operação na residência do ex-presidente, e apreendeu um dispositivo pen drive, encontrado no banheiro, além de 14 mil dólares. Bolsonaro se diz surpreso com o fato, e afirma que nunca abriu um pen drive na vida, pois não tem nem lap top em sua residência, desconhecendo, portanto, o dispositivo eletrônico encontrado. Comentou, ainda, que está preocupado com essa situação: “(…) uma pessoa pediu para ir ao banheiro, e voltou com o pen drive na mão”.


Entrevista de Bolsonaro falando que desconhece o pen drive (vídeo: reprodução/X/@ValeriaBnews)

Defesa de Bolsonaro

Advogados de Bolsonaro consideram as medidas cautelares impostas a seu cliente severas, e se dizem surpresos e indignados, uma vez que Bolsonaro, até o presente momento, não se recusou a cumprir nenhuma ordem expedida pela justiça contra ele.

A operação da PF foi iniciada após o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), no curso da ação penal que está em trâmite na Suprema Corte Brasileira, em que o ex-presidente está sendo acusado da prática de alguns crimes contra a soberania nacional, como a tentativa de golpe de estado.

Jair Bolsonaro é alvo de medidas do STF e recebe apoio de Trump em meio a investigações por tentativa de golpe

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se tornou alvo de novas ações da Justiça. Na última sexta-feira (12), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em locais ligados a ele, como sua casa e o escritório político na sede do PL, em Brasília. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou três medidas restritivas: Bolsonaro deve usar tornozeleira eletrônica, está proibido de usar redes sociais e também de ter contato com o filho Eduardo Bolsonaro.

PF cumpriu ordens de mandado na casa de Bolsonaro e na sede do PL

Essas decisões fazem parte do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo o STF, há suspeitas de que Bolsonaro e seus aliados tenham planejado um movimento para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Conversas, documentos e ações que indicariam uma estratégia para desacreditar o sistema eleitoral e convocar as Forças Armadas estão entre as provas analisadas pela Corte.

Na manhã de sexta-feira, a Polícia Federal realizou buscas em locais ligados a Jair Bolsonaro. Entre os alvos estavam a residência do ex-presidente e seu escritório político, que funciona na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília.

Logo após as medidas, Bolsonaro foi levado para instalar a tornozeleira eletrônica. A decisão de Moraes causou forte reação política e movimentou os bastidores em Brasília. Muitos aliados do ex-presidente classificaram as medidas como exageradas.

Trump acusa de “caça as bruxas” condenação de Bolsonaro

Em meio à repercussão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa de Bolsonaro. Em uma postagem nas redes sociais, Trump criticou a atuação da Justiça brasileira e disse que Bolsonaro está sendo perseguido por motivos políticos. Para o republicano, seu aliado brasileiro está sendo alvo de um sistema que quer calar vozes conservadoras.


Trump publicou na noite de ontem (17) uma carta em apoio a Bolsonaro (Foto: reprodução/X/@TrumpDailyPosts)

As falas de Trump reforçam a ligação entre os dois políticos, que já haviam se apoiado mutuamente em outros momentos. Ambos enfrentam acusações relacionadas a ataques contra a democracia: Trump por sua tentativa de reverter o resultado das eleições de 2020 nos EUA, e Bolsonaro por suspeita de tentar impedir a posse de Lula em 2023.

STF autoriza retomada parcial do IOF e governo busca alternativas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (16) a retomada parcial do decreto do governo federal que aumentava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida havia sido suspensa anteriormente, após forte resistência do Congresso Nacional e de setores do mercado financeiro. A decisão foi tomada após uma audiência de conciliação entre representantes do Executivo e do Legislativo, que não resultou em acordo.

Os decretos editados pelo governo tinham como objetivo reforçar o caixa da União para o cumprimento das metas fiscais, elevando o IOF sobre operações de crédito, câmbio e previdência privada. A expectativa era arrecadar cerca de R$ 20,5 bilhões ainda em 2025. No entanto, a reação negativa de parlamentares e agentes econômicos levou o governo a recuar parcialmente, especialmente em relação às remessas para investimentos no exterior. Apesar dos ajustes, o Congresso derrubou os decretos no fim de junho.

Impactos da revogação do IOF

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, alertou que a revogação compromete severamente a meta fiscal, com perdas estimadas em R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 30 bilhões em 2026, o que é um grande problema.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o decreto como uma medida de justiça tributária, voltada a combater a evasão fiscal dos mais ricos e garantir os direitos sociais dos trabalhadores.


Alexandre de Moraes autorizou a retomada parcial do decreto do governo federal que aumentava as alíquotas do IOF (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


Reação da oposição e novas estratégias do governo

A oposição, por sua vez, celebrou a derrubada como uma vitória política. O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), relator do PDL, destacou com entusiasmo o apoio da Câmara como um marco para o partido.

Para compensar a perda de arrecadação, o governo editou uma medida provisória que prevê novas fontes de receita, como taxação de investimentos antes isentos, aumento de tributos sobre apostas online e cortes de gastos públicos. Ainda assim, as novas medidas enfrentam forte e crescente resistência, mantendo o cenário de incerteza fiscal.

Carla Zambelli mantém atividade no Instagram após ter contas suspensas por Moraes

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), foragida da Justiça brasileira, reapareceu nas redes sociais na semana passada, 10 de julho. O retorno público se deu por meio de um novo perfil após o Superior Tribunal Federal determinar que as redes oficiais de Zambelli fossem retiradas do ar.

Página pessoal veicula o discurso de Zambelli sobre os fatos recentes da história política brasileira

Criada em 5 de maio deste ano, a nova conta de Carla Zambelli teve seu primeiro post em 13 de junho, cerca de 10 dias após a cassação do perfil original da ex-deputada. Desde então, Zambelli mantém um contato contínuo com seus apoiadores através da plataforma. Seu perfil conta com mais de 4.800 seguidores.

Ao longo de 21 publicações, a figura pública lamenta comemorar o aniversário longe da família devido a supostas arbitrariedades do Judiciário brasileiro e recebe o apoio de colegas como o Secretário de Segurança e Defesa Civil de Bragança Paulista, Coronel Américo, e o deputado federal Helio Lopes. 


Carla Zambelli se comunica com eleitores pelo Instagram em vídeo publicado em 10 de julho (Vídeo: reprodução/Instagram/@carlazambellireserva)


No vídeo publicado em 10 de julho, Zambelli expõe sua versão sobre o motivo das taxas que o presidente americano, Donald Trump, impôs ao Brasil, atribuindo-as a uma represália frente a um suposto excesso do ministro Alexandre de Moraes.

Carla Zambelli estaria na Itália

A ex-deputada deixou o Brasil após ser condenada a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), juntamente do hacker Walter Delgatti Neto. 

Com a decretação, por Alexandre de Moraes, de sua prisão preventiva, sob risco de continuidade delitiva, Zambelli, que já estava fora do país, entrou na lista de difusão vermelha da Interpol.

Embora o Estado brasileiro ainda não tenha identificado o exato paradeiro de Zambelli, estima-se que a ex-deputada passou por Buenos Aires (Argentina) e Fort Lauderdale (Estados Unidos) antes de embarcar definitivamente para Roma (Itália), onde, é pensado, permanece até hoje.

Trump faz nova ameaça ao governo do Brasil e diz acompanhar de perto o julgamento de Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, novamente faz ameaças ao atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As críticas do americano são principalmente direcionadas ao tratamento que o ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem recebido nos últimos anos.

De acordo com Trump, o julgamento de Bolsonaro, por suposta tentativa de golpe de estado, é injusto e um atentado contra a democracia brasileira.

Uma nova ameaça

O subsecretário para Diplomacia Pública da Secretaria de Estado dos EUA, Darren Beatie, em um post em seu perfil no X (antigo Twitter), expondo as novas ameaças de Trump ao governo brasileiro, após decretar uma taxação de 50% aos produtos importados do Brasil. O americano declarou que as ações do STF contra o ex-presidente, Jair Bolsonaro, eram consideradas antidemocráticas.


Post de Darren Beatie sobre o novo anúncio de Trump (Reprodução/X/@UnderSecPD)

Essa declaração de Trump foi emitida no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República irá apresentar as alegações finais do julgamento do ex-presidente do Brasil, acusado de tentativa de golpe de estado. O americano disse que estará acompanhando a situação de Bolsonaro de perto.

As tarifas de Trump

O presidente Donald Trump, anunciou na última quarta-feira (9), que iria aplicar uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros destinados aos EUA. Essa ação deve entrar em atividade à partir do dia 1° de agosto. O americano enviou uma carta para o presidente Lula, explicando o motivo da taxação.


Donald Trump falando em frente à mídia jornalística (Foto: reprodução/Al Drago/Bloomberg/Getty Images Embed)


Trump afirma que as tarifas impostas são devidas ao julgamento de Bolsonaro, que Trump disse ser um tipo de “caça às bruxas”, e um atentado à democracia brasileira. Ele também declarou que o Brasil está descumprindo os acordos comerciais com os Estados Unidos, algo que foi desmentido.

Bolsonaro enfrenta risco de prisão de até 43 anos após pedido da PGR ao STF

Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta segunda-feira (14) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que Jair Bolsonaro seja condenado a até 43 anos de prisão.
A acusação aponta o ex-presidente como um dos articuladores de uma trama golpista que começou a ser construída em 2021 e resultou nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.

O documento entregue ao STF detalha as penas referentes aos crimes atribuídos a Bolsonaro, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa e incitação ao crime.

PGR detalha crimes e pede pena máxima contra Bolsonaro

No documento enviado ao STF, a Procuradoria-Geral da República sustenta que Jair Bolsonaro desempenhou papel central na articulação de uma rede que, segundo os procuradores, tinha o objetivo de desestabilizar as instituições e minar o resultado das eleições de 2022.

Para o órgão, Bolsonaro se valeu do cargo de presidente para estimular a desinformação sobre o sistema eleitoral e insuflar apoiadores a agir contra o Estado Democrático de Direito. A PGR aponta que, além dos discursos públicos questionando a legitimidade das urnas, houve reuniões estratégicas com militares e aliados para tratar de medidas “fora das quatro linhas da Constituição”. Esses movimentos, de acordo com a denúncia, teriam preparado o terreno para os atos violentos registrados em Brasília no início de 2023.


PGR pede a prisão de Jair Bolsonaro e mais sete réus por trama golpista (Vídeo: reprodução/YouTube/G1)


Abaixo, veja os crimes citados pela PGR e a pena correspondente a cada um, segundo a legislação brasileira:

Organização criminosa armada

O que é: quando um grupo com quatro ou mais pessoas se junta de forma organizada, divide tarefas para cometer crimes graves e usa ou tem acesso a armas de fogo.

Pena: de 3 a 8 anos de prisão, podendo aumentar para até 17 anos se houver armas envolvidas ou participação de servidores públicos.

Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

O que é: quando alguém tenta acabar com o sistema democrático usando violência ou ameaças, para impedir o funcionamento dos poderes do país.

Pena: de 4 a 8 anos de prisão.

Golpe de Estado

O que é: quando uma pessoa ou grupo tenta, com violência ou ameaças, derrubar o governo eleito e assumir o poder de forma ilegal.

Pena: de 4 a 12 anos de prisão.

Dano qualificado pela violência ou grave ameaça

O que é: quando alguém destrói ou danifica bens de outras pessoas ou do governo usando violência ou ameaça.

Pena: de 6 meses a 3 anos de prisão.

Deterioração de patrimônio tombado

O que é: quando alguém danifica ou destrói bens protegidos pelo governo por terem valor histórico, cultural ou ambiental.

Pena: de 1 a 3 anos de prisão.

Bolsonaro critica PGR e STF inicia prazos

Se condenado, Jair Bolsonaro pode enfrentar o maior bloqueio jurídico de sua trajetória política. Além da possibilidade de cumprir até 43 anos de prisão, ele pode se tornar inelegível por anos, o que impediria qualquer tentativa de voltar a disputar cargos públicos. Especialistas afirmam que o pedido da PGR ao STF é um marco no inquérito da tentativa de golpe, pois demonstra que a Procuradoria vê indícios consistentes contra o ex-presidente.

Pouco antes de a PGR apresentar as alegações finais na ação penal sobre a trama golpista, na tarde desta segunda-feira (14), Bolsonaro usou o X (antigo Twitter) para se posicionar. Em tom crítico, ele afirmou que “o sistema” estaria tentando destruí-lo para atingir a população brasileira.

O sistema nunca quis apenas me tirar do caminho. A verdade é mais dura: querem me destruir por completo — eliminar fisicamente, como já tentaram — para que possam, enfim, alcançar você. O cidadão comum. A sua liberdade. A sua fé. A sua família. A sua forma de pensar. Sem que reste qualquer possibilidade de reação”, escreveu.


Bolsonaro usa a rede X para se defender (Vídeo: Reprodução/X/@jairbolsonaro)

Após o parecer enviado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi aberto o prazo de 15 dias para que os demais réus apresentem suas alegações finais. O primeiro a se manifestar será o tenente-coronel Mauro Cid, que ganhou prioridade por ter fechado um acordo de delação premiada. Em seguida, os outros acusados também deverão protocolar suas defesas dentro do mesmo prazo.

No campo político, o avanço do processo aprofunda o isolamento de Bolsonaro e preocupa aliados sobre o futuro da direita em 2026. Já para opositores, o caso é visto como um teste da resiliência das instituições democráticas após os atos violentos de 8 de janeiro de 2023.

PGR conclui as alegações na investigação contra Bolsonaro na suposta trama golpista

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, formaliza nesta segunda-feira o parecer final que investiga o suposto golpe de Estado articulado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Nesta fase do inquérito, será definido se os réus serão condenados ou absolvidos das acusações às quais estão sendo submetidos.

Os réus apresentam suas defesas


A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresenta suas alegações finais nesta segunda-feira (14). O primeiro a se manifestar será o tenente-coronel Mauro Cid, com prioridade por firmar acordo de delação premiada. Após sua manifestação, abre-se o prazo de 15 dias para que os demais réus apresentem suas alegações finais no processo que apura a suposta tentativa de golpe de Estado.


Ministro Alexandre de Moraes (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Alexandre de Moraes, que é relator do STF neste caso, iniciou a contagem do prazo em 27 de junho, e o PGR utilizou esse período para articular seu posicionamento. Mesmo com o Poder Judiciário com recesso em julho, nada impactou os prazos processuais. Inclusive, um dos investigados, o ex-ministro Walter Braga Netto, está preso, preventivamente.
São réus nessa investigação, o ex-presidente Jair Bolsonaro; o tenente-coronel Mauro Cid; o ex-ministro Walter Braga Netto; o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ); o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; e os ex-ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Anderson Torres (Justiça) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa).

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confere aos réus a participação de um “núcleo crucial” da suposta organização criminosa que tentou promover um golpe de Estado. Além deles, outras 23 pessoas são investigadas por participação em três núcleos distintos e respondem a ações penais separadas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Alegações finais para o julgamento

O relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes, após conclusão das alegações finais vai elaborar seu voto e liberar o processo para julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no colegiado responsável pelo julgamento estão os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia que decidirão com base nos fatos e provas reunidos, pela absolvição ou condenação dos acusados.


A previsão do STF é que o julgamento se realize em setembro, quando os requisitos legais já devem estar cumpridos para a apreciação, segundo integrantes da Corte e da própria PGR.

Tarcísio de Freitas afirma não ter intercedido por Bolsonaro no STF

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nega ter procurado os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e solicitado permissão para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viajasse para os Estados Unidos a fim de negociar com o presidente Donald Trump a taxação de 50% imposta sobre os produtos brasileiros na última quarta-feira (9). 

Não houve isso.

Tarcísio de Freitas

O governador garante não ter havido nenhum contato com os ministros do STF, muito menos qualquer pedido para liberar o passaporte do aliado político. 

O documento do ex-presidente, que hoje é réu em ação penal do STF, foi apreendido em fevereiro de 2024 pela Polícia Federal (PF), por ordem da Corte, durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. 

Jair Bolsonaro já tentou a devolução do documento com o ministro Alexandre de Moraes diversas vezes, mas sem sucesso. 

Quem apurou a notícia

A informação de que Tarcísio de Freitas teria feito tal apelo foi publicada com exclusividade na coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, nesta sexta-feira (11), e foi replicada com rapidez nas redes sociais. 


A informação sobre o pedido de Tarcísio foi veiculada no meio da tarde da sexta-feira, dia 11 (Foto: reprodução/X/@monicabergamo)

O tema é manchete na primeira página da Folha de S. Paulo neste sábado (12). Segundo a reportagem, os ministros do STF consideraram o pedido um despropósito e fora do rito institucional. 

Segundo apuração do jornal, Tarcísio se reuniu nesta sexta-feira (11) com o chefe da embaixada dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar. A matéria revela que o governador de São Paulo estaria tentando se colocar como negociador e diminuir o impacto da taxação, que ele vincula à atuação do governo Lula (PT). 


Edição da Folha do dia 12 de julho de 2025 (Foto: reprodução/X/@folha)

Tanto Tarcísio quanto o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro associam a negociação a uma “anistia ampla, geral e irrestrita” dos acusados pela tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. 

Investigação sobre o caso

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, repostou a notícia em sua conta no Instagram e a classificou como “surreal”. Para a ministra, “é muita lambança. Fizeram a caca toda pensando na família Bolsonaro, e cada vez mais se afundam com as espertezas que elucubraram”. Hoffman declarou que as consequências de terem submetido o Brasil a esse vexame não tardarão e que o governo continuará trabalhando na defesa dos interesses soberanos do Brasil com “responsabilidade, mas com determinação e destemor”

Nesta sexta-feira, o Partido dos Trabalhadores (PT) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes uma apuração sobre a participação do governador de São Paulo neste caso. 


O analista de Política da CNN Caio Junqueira explica a situação que envolve Tarcísio de Freitas (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) protocolou uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), também nesta sexta-feira, solicitando a investigação do envolvimento do governador de São Paulo na suposta tentativa de facilitação de fuga de Bolsonaro. 

Boulos solicitou abertura de inquérito penal, com base no artigo 348 do Código Penal. O artigo trata de crime de favorecimento pessoal, isto é, ajudar alguém a escapar de ação da Justiça. Além disso, Boulos acredita que Tarcísio de Freitas possa ter cometido outros crimes, como corrupção passiva, tráfico de influência e improbidade administrativa. 

No documento protocolado, Boulos alega que a participação de Trump seria uma tentativa para “afastar o ex-presidente e réu Jair Bolsonaro da jurisdição pátria do Supremo Tribunal Federal, impedindo a aplicação da lei penal”