Petroleiro tenta driblar sanções ao adotar bandeira russa, mas é capturado pelos EUA

A madrugada desta quarta-feira (7), trouxe um episódio incomum no Atlântico Norte. Forças militares dos EUA abordaram o petroleiro Marinera, antigo Bella 1, e assumiram o controle do navio vinculado à Venezuela, cumprindo um mandado federal por violação de sanções.

A operação começou ainda de madrugada. O Reino Unido deu apoio logístico, cedendo bases e oferecendo vigilância aérea. O navio estava sob acompanhamento das autoridades americanas há semanas, depois de tentativas anteriores de abordagem no Caribe.

Tentativa de driblar sanções

O Marinera estava na lista de sanções desde 2024, por transportar petróleo iraniano que poderia financiar grupos como o Hezbollah. Fazia parte do que os EUA chamam de “frota fantasma”. No mês passado, diante de uma nova tentativa de abordagem perto da Venezuela, a tripulação pintou uma bandeira russa no casco e mudou o nome da embarcação. A ideia era se proteger e escapar da fiscalização com apoio de Moscou.


Navio petroleiro é interceptado pelo Exército dos EUA no Caribe após navegar com bandeira falsa (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


Mesmo com a nova identificação, os Estados Unidos consideraram o navio sem bandeira válida. Os documentos apresentados não refletiam a real propriedade nem o destino do navio, o que configurou descumprimento das sanções.

Reação da Rússia e segundo navio apreendido

Moscou reagiu rapidamente. Classificou a apreensão como violação do direito marítimo e questionou a legalidade do uso da força sobre um navio registrado sob sua bandeira. Segundo autoridades russas, o Marinera tinha permissão temporária para navegar com bandeira russa e a abordagem aconteceu em alto mar, fora de águas territoriais.


EUA apreendem petroleiro em operação no Atlântico Norte e Mar do Caribe (Vídeo: reprodução/X/@hoje_no)


No mesmo dia, os EUA anunciaram a captura de outro petroleiro, o M/T Sophia, no Mar do Caribe. O navio estava envolvido em atividades ilegais, segundo fontes oficiais, e foi interceptado em operação separada. Agora, o Sophia segue escoltado rumo ao território norte-americano.

A apreensão do Marinera e do Sophia reforça a pressão dos EUA sobre redes que tentam driblar sanções no setor petrolífero venezuelano e aliados próximos. Segundo autoridades americanas, as ações fazem parte de um esforço contínuo para garantir que regras internacionais de transporte marítimo sejam respeitadas.

Pressão de Trump sobre a Groenlândia desafia princípio central da Otan

A escalada de declarações do governo dos Estados Unidos sobre a Groenlândia acendeu alertas em capitais europeias e colocou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) diante de um impasse sem precedentes. A campanha de pressão conduzida por Donald Trump inclui, de forma explícita, a possibilidade de anexação de um território ligado diretamente a um país-membro da aliança.

O episódio expõe um risco inédito para a organização formada por 32 países: a chance de um de seus integrantes, justamente o maior financiador, ameaçar outro aliado. A Otan nasceu para garantir defesa coletiva, não para arbitrar conflitos internos dessa natureza.

Uma fissura no coração da aliança

A Groenlândia é um território semiautônomo, mas política externa e defesa estão sob responsabilidade da Dinamarca. Isso transforma qualquer ameaça ao território em uma questão direta entre aliados da Otan, neste caso, entre Copenhague e Washington. A premiê dinamarquesa Mette Frederiksen reagiu de forma objetiva às declarações americanas ao alertar que um ataque entre membros da aliança paralisaria a organização. O tratado da Otan não prevê como lidar com uma ruptura desse tipo.


Dinamarca alerta que anexação da Groenlândia acabaria com a Otan (Vídeo: reprodução/YouTube/Jovem Pan News)


Desde o primeiro mandato, Trump sustenta uma postura crítica em relação a parceiros europeus. Questionou compromissos de defesa mútua, pressionou por aumento de gastos militares e ameaçou retirar proteção de países considerados inadimplentes. Agora, avança ao desafiar de forma inédita um parceiro da aliança.

Ártico, poder e intimidação

A cobiça americana sobre a Groenlândia não é recente, mas ganhou outra dimensão. O território é estratégico pela abertura de novas rotas marítimas no Ártico, acelerada pelo degelo, e pela presença de minerais raros essenciais à indústria tecnológica e militar.

O governo americano também aponta a atuação de Rússia e China como justificativa. Os EUA já mantêm uma base militar em Pituffik, o que reforça a presença estratégica sem necessidade de anexação formal. Mesmo assim, integrantes do entorno de Trump passaram a mencionar a possibilidade de uso da força. As declarações alimentaram a desconfiança entre aliados europeus e ampliaram o clima de instabilidade.


Mapa do Ártico com destaque para a Groenlândia (Foto: reprodução/X/@portalcamaquars)


Europa busca reação possível

Analistas de segurança avaliam que o impacto da crise vai além da Groenlândia. Uma ruptura interna enfraqueceria a Otan e abriria espaço para adversários explorarem a desunião ocidental. A diretora do Programa de Segurança Internacional do Chatham House, Marion Messmer, afirma que as ameaças precisam ser levadas a sério e que países europeus ainda dispõem de instrumentos para pressionar Washington, como restrições logísticas e revisão de acordos militares.

Por enquanto, a resposta oficial segue cautelosa. Líderes europeus reafirmaram apoio à Dinamarca e à Groenlândia, mas a estratégia americana, que combina diplomacia e ameaça de força, mantém a crise aberta e expõe as tensões internas da aliança.

EUA apresentam plano em três fases para a Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), Marco Rubio, apresentou nesta quarta-feira (7) um plano estratégico de três fases para a Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas. A proposta combina medidas econômicas, políticas e sociais, culminando em uma transição de poder que, segundo o governo Trump, visa estabilizar o país, promover sua recuperação e preparar o terreno para um novo governo com maior participação democrática.

Estratégia em três etapas

O plano detalhado por Rubio — marcado por grande controvérsia — foi descrito como um esforço para evitar que a Venezuela mergulhe no caos político e econômico após a recente operação militar americana que resultou na captura de Maduro e de sua esposa.

A primeira fase do plano foca na estabilização imediata do país. Rubio afirmou que medidas como a apreensão e venda no mercado internacional de petróleo venezuelano sob sanções são parte dessa etapa, que ele descreve como uma espécie de “quarentena” econômica para a Venezuela. Segundo ele, entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo serão vendidos a preço de mercado, gerando receitas que os EUA pretendem controlar e administrar de forma a beneficiar a população venezuelana, não o antigo regime.

Segundo Rubio, isso é crucial para evitar uma espiral de desordem e permitir um ponto de partida financeiro e institucional para os próximos passos. A retenção e uso desses recursos têm sido um ponto forte de crítica por opositores da estratégia americana, que questionam a legalidade e os efeitos dessa abordagem econômica.

A segunda etapa, denominada de recuperação, combina fatores econômicos e sociais. Rubio explicou que os Estados Unidos querem garantir que empresas americanas e ocidentais tenham acesso justo ao mercado venezuelano, enquanto se cria um ambiente propício à reconstrução da sociedade civil.

Essa fase inclui planos para iniciar um processo de reconciliação nacional, que envolveria a anistia de opositores detidos e a reintegração de líderes políticos que resistiam ao regime chavista. A intenção, de acordo com o secretário americano, é que vozes diversas contribuam para a reconstrução institucional e social do país, com a participação de forças políticas antes marginalizadas.

A etapa final do plano, chamada de transição, ainda carece de detalhes mais específicos segundo Rubio, que prometeu mais informações “nos próximos dias”. No entanto, ele afirmou que essa fase será dedicada à transição efetiva de poder político para uma nova configuração que, nas palavras dos EUA, devem conduzir a Venezuela a uma estrutura mais democrática e com maior participação de diferentes setores políticos.


EUA anunciam plano de três fases para Venezuela e controle de vendas de petróleo (Vídeo: reprodução/YouTube/VEJA+)


Reações e controvérsias

A estratégia dos EUA tem gerado debates intensos tanto internamente quanto no cenário internacional. Legisladores democratas nos Estados Unidos criticaram o plano, acusando a administração Trump de agir sem consulta ao Congresso e de, essencialmente, apropriar-se do petróleo venezuelano sem a devida transparência ou justificativa legal clara.

Já alguns congressistas republicanos apoiaram a remoção de Maduro, mas também alertaram para a necessidade de que os EUA demonstrem motivações altruístas e um compromisso claro com a democratização efetiva da Venezuela, em vez de parecerem explorar seus recursos naturais em benefício próprio.

Além disso, a operação americana em solo venezuelano e a subsequente estratégia foram fortemente criticadas por países como Rússia, China e França, que consideraram a ação uma violação da soberania venezuelana e um precedente perigoso para a política internacional.

Impactos regionais e geopolíticos

A ação e o plano dos EUA têm reverberado por toda a América Latina, levantando preocupações sobre estabilidade regional, fluxos migratórios e o equilíbrio de poder geopolítico. A Venezuela, já enfrentando uma grave crise humanitária e econômica antes da intervenção, agora se encontra no epicentro de um novo capítulo de intervenção estrangeira, que pode redefinir suas relações com potências globais e com seus próprios cidadãos.

Analistas observam que, se o plano chegar a se concretizar conforme descrito, ele representaria uma das estratégias mais audaciosas dos Estados Unidos na América Latina em décadas, com implicações profundas para as políticas de energia, economia e direitos humanos na região.

Anvisa determina proibição de venda de fórmulas da Nestlé

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou no site do gov e Diário Oficial da União nesta quarta-feira (07/01), um comunicado sobre a medida de proibição da comercialização, da distribuição e do uso de alguns lotes de fórmulas infantis.

A Anvisa alertou a suspensão do uso de fórmulas infantis da marcas: Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, fabricadas pela empresa Nestlé Brasil Ltda.

Produtos e Lotes

A Anvisa disponibilizou o nome, data e lote dos produtos que não devem ser consumidos, confira abaixo:

  • Nestógeno 0–6 meses (800 g) 

Lotes: 5341046041, 5342046041, 5343046041, 5344046041 / Validade 01/03/2027

  • NAN Supreme Pro 0–6 meses 400 g: 

Lotes: 5321046041, 5321046043 /  Validade 01/08/2027

  • NAN Supreme Pro 0–6 meses 800 g: 

Lotes: 5319046041, 5320046041, 5321046041 / Validade 01/08/2027

  • NAN Supreme Pro 6–12 meses 800 g: 

Lotes: 5324046041, 5325046041, 5326046041 / Validade 01/08/2027

  • NANLAC Supreme Pro 1–3 anos 800 g:

Lotes: 5327046041, 5327046043, 5328046041, 5336046041, 5337046041, 5338046041 / Validade 01/10/2027 – 01/12/2026

  • NANLAC Supreme Pro 1–3 anos 800g:

Lotes: 5327046041, 5327046043, 5328046041, 5336046041, 5337046041, 5338046041 / Validade 01/11/2027 – 01/12/2026

  • NANLAC Supreme Pro 1–3 anos 1,6 kg:

Lotes: 53360460V4, 53370460V1, 53380460V1, 53390460V1, 53390460V2, 53430460V2 / Validade 01/11/2027

  • NAN Science Pro Sensitive 800 g:

Lote: 5323046041 / Validade 01/08/2027

  • Alfamino 400 g:

Lotes: 51060017Y1, 51540017Y1, 52720017Y2 / Validade 16/04/2027 – 03/06/2027 – 29/09/2027


Estande da Nestlé durante a 8ª Exposição Internacional de Importação, em Xangai (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Hector Retamal)


Fórmulas Nestlé

Segundo a Anvisa, a medida de proibição ocorreu após identificar um risco de contaminação por cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. A toxina foi identificada em um ingrediente proveniente de um fornecedor global de óleos terceirizados.


Post sobre proibição de venda de fórmula infantil (Foto: reprodução/instagram/@anvisaoficial)


A toxina pode causar dois tipos de reação: vômito e diarreia. A substância causa efeitos de sonolência excessiva, lentidão de movimentos e do raciocínio, náuseas e cólicas.

A Nestlé informou o recall de lotes de fórmulas infantis vendidos em mais de 30 países, incluindo Europa, Ásia e Américas. A marca afirmou, que nenhuma doença havia sido confirmada em relação aos produtos recolhidos, e que a medida tem caráter preventivo.

 

Governo Trump lança site com sua versão sobre invasão do Capitólio

Em site dedicado a canais ligados à Casa Branca, o governo Trump lançou uma página unicamente criada para contar sua versão da invasão republicana ao Capitólio dos Estados Unidos em Washington, que ocorreu em uma quarta-feira, no dia 06 de janeiro de 2021, que ficou marcado na história dos Estados Unidos.

O acontecimento da invasão completou 5 anos nesta terça-feira, e agora o governo Trump decidiu contar a versão da narrativa sob a visão própria deste dia.

A página se encontra em domínio oficial da Casa Branca e a versão começa explicando que as versões contadas até o momento não são verdadeiras: “os democratas inverteram a realidade com maestria após 6 de janeiro”.

Versão Governo Trump

O governo Trump afirma no site que a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, é a principal responsável pelas falhas de segurança no dia da invasão, os democratas “encenaram a verdadeira insurreição” e afirma que não existem evidências de uma rebelião armada com intenção de derrubar o governo, que na época era comandado pelo ex-presidente Joe Biden.

O site descreve o acontecimento, antes contado por outras versões como “narrativa de gaslighting”, que permitiu que cidadãos patriotas americanos inocentes fossem perseguidos  e silenciados.


Invasão do Capitólio, 06/01/2021 (Foto: reprodução/Jon Cherry/Getty Images Embed)


O portal acusa Nancy Pelosi de gastar cerca de US$ 20 milhões em um comitê com um único propósito: impedir que Trump tentasse a reeleição. 

O site revela um relatório interino divulgado em dezembro de 2024 que aponta falhas de segurança e isenta Trump, critica a atuação do FBI e de outras agências federais na data, e que em 20 de janeiro de 2025, Trump concedeu indultos e comutações de pena a quase 1,6 mil réus ligados ao caso. 

Invasão ao Capitólio

O acontecimento ocorreu em 6 de janeiro de 2021, em que apoiadores do ex-presidente Donald Trump atacaram o prédio do Capitólio, em uma tentativa de mudar os resultados das eleições, já que  Joe Biden tinha sido eleito presidente ao invés de Trump. Militares da Guarda Nacional foram acionados para auxiliar na segurança do prédio.

Cerca de cinco pessoas foram mortas, entre elas quatro manifestantes e um policial, e dezenas foram presas. Além disso, mais de 100 policiais foram feridos. 

Jovem perdido no Pico Paraná no primeiro dia de 2026 revela suas estratégias de sobrevivência

Na tarde da terça-feira (6), o jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, recebeu alta do Hospital Municipal de Antonina, onde realizou exames médicos e passou por procedimentos de reidratação.

Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga, com o objetivo de ver o primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto do estado. Ele acabou se perdendo na trilha por cinco dias e percorreu cerca de 20 km até encontrar uma fazenda, de onde conseguiu buscar resgate.

Roberto contou como conseguiu sobreviver durante os cinco dias em que ficou perdido no Pico Paraná. Ele utilizou algumas estratégias, como seguir o rio, fazer jejum e determinar a passagem do tempo pelo som dos grilos, que foram fundamentais para a sua sobrevivência.  

Estratégias do jovem Roberto Farias Tomaz

Uma das melhores ações do jovem foi seguir o curso do rio, que, ao final, o levou a encontrar uma fazenda localizada em Cacatu, Antonina. Além disso, Roberto afirmou que sua última refeição foi uma ameixa que tinha na bolsa e um pedaço de panetone. Depois disso, ele não se alimentou mais, nem com alimentos encontrados na mata, por medo de comer algo venenoso.  


Vídeo do momento que o jovem Roberto encontra a fazenda (Vídeo: reprodução/Youtube/Terra Brasil)


Em depoimento, o jovem Roberto contou um dos momentos mais tensos que enfrentou: ao chegar a um penhasco com uma cachoeira de mais de 30 metros à sua frente, acabou pulando nela e seguiu em frente.

Ele informou utilizar algumas estratégias para perceber a aproximação da noite pelo som dos grilos, assim, procurando então um lugar seguro para descansar. Tomaz também subia nas pedras mais altas para conseguir visualizar melhor o caminho.

O desaparecimento de Roberto

Como citado anteriormente, o jovem Roberto subiu a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro de 2025 para assistir ao primeiro amanhecer do sol de 2026. Porém, durante a descida, no dia 1º de janeiro de 2026, ele acabou ficando para trás e se perdeu.

As buscas por Roberto começaram ainda no dia 1º. Desde então, equipes do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), voluntários, montanhistas do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) participaram da procura.


Post do jovem Roberto no hospital após ser encontrado (Foto: reprodução/Instagram/@resgaterobertopicoparana)


No sábado (3), a Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento após a abertura de um Boletim de Ocorrência pela família do jovem Roberto.

Roberto conseguiu se salvar sozinho, utilizando as estratégias mencionadas anteriormente, e solicitou ajuda em uma fazenda. Ele percorreu cerca de 20 quilômetros do local onde se perdeu na trilha do Pico Paraná até encontrar a fazenda, localizada na localidade de Cacatu, em Antonina, próximo ao pé da montanha. Na fazenda, o jovem pôde pedir ajuda e ligar para sua família, informando estar vivo, na manhã de segunda-feira (5). Já na terça-feira (6), ele foi liberado do hospital para ir para sua casa.

Embaixador brasileiro diz que captura de Maduro foi “sequestro” e critica intervenção

Na terça-feira (6), durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos, o representante do Brasil na OEA, embaixador Benoni Belli, afirmou que a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, foi um “sequestro”.  

As declarações do embaixador Benoni Belli reafirmam a posição do Brasil de condenar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, tanto pela captura de Nicolás Maduro quanto pelo bombardeio à capital do país, Caracas.  

Reunião da OEA 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) visa a promoção da cooperação entre os países do continente americano e o fortalecimento de princípios comuns. No entanto, foi necessária a convocação de uma reunião dos países-membros após a intervenção dos Estados Unidos no país latino-americano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.  


Presidente dos EUA Donald Trump sobre a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)


Como citado anteriormente, o representante do Brasil é o embaixador Benoni Belli e, durante a reunião, ele afirmou que a defesa da soberania nacional, com base no direito internacional, é essencial. O embaixador também declarou que, caso esse caminho seja mantido, os países de menor poder financeiro e militar se tornariam coadjuvantes de seus próprios destinos.

Além disso, alertou que as relações de cooperação passariam a ser de subordinação e que a sociedade enfrentaria um colapso da ordem internacional, que tenderia a ser regida pela lei da selva, do mais forte.

Posição do Brasil e fala de Lula

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se pronunciou em suas redes sociais sobre a intervenção dos Estados Unidos em solo venezuelano. Lula condenou a ação militar e cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para o presidente do Brasil, o ataque a Caracas, capital da Venezuela, e a captura de Nicolás Maduro ultrapassam uma linha considerada inaceitável, constituindo uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e, assim, estabelecendo um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.


Presidente do Brasil, Lula, sobre a intervenção dos EUA na Venezuela (Foto: reprodução/X/@lulaoficial)


Na última segunda-feira (5), durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil, representado pelo embaixador na ONU, Sérgio Danese, manteve o alinhamento com o discurso do presidente do país e condenou a intervenção norte-americana.

Nesse sentido, Danese comentou que aceitar tais ações por parte dos Estados Unidos, de tamanha gravidade, poderia conduzir a um cenário marcado por violência, desordem e erosão do multilateralismo mundial.

Trump mira novos países após Venezuela

Após a controversa operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom de sua política externa e passou a apontar potenciais novos “alvos” em diferentes regiões do mundo. O movimento — criticado por aliados e condenado por adversários — indica um reposicionamento agressivo da estratégia americana, com implicações geopolíticas profundas e riscos de escalada de conflitos.

A expansão da retórica de Trump e os possíveis próximos passos

Poucas horas depois de comandar uma ofensiva na Venezuela que chocou a comunidade internacional, Trump começou a mencionar uma série de outros países que poderiam, segundo ele, estar sob maior escrutínio ou até sob ameaça de ação — seja diplomática, econômica ou militar. Entre os nomes mais citados nas últimas declarações presidenciais e reportagens estão Colômbia, Groenlândia, México, Irã e Cuba.



Colômbia: tensão com governo de Petro

O presidente americano não poupou críticas ao líder colombiano Gustavo Petro, chamando-o de “doente” e afirmando que um eventual ataque contra o país “soaria bem” — palavras que acenderam alerta de escalada na região. A Colômbia, tradicional aliada dos EUA no combate ao narcotráfico, tem uma relação complexa com Washington, marcada por cooperação mas também por desconfianças mútuas.

A retórica de Trump inclui ainda acusações a Petro de permitir a prosperidade de cartéis de drogas, o que intensificou a tensão bilateral. Embora não exista até o momento um plano militar formal, a simples sugestão de ação já elevou o clima de incerteza na América Latina.

Groenlândia: interesse estratégico e reação internacional

Mais ao norte, Trump voltou a mencionar a necessidade estratégica de os EUA “controlarem” a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca rico em recursos naturais e posicionado no Ártico — uma região cada vez mais disputada por potências globais.

Embora agora o discurso oficial seja mais focado na importância de um acordo ou compra, e não numa invasão, líderes dinamarqueses e groenlandeses rejeitam veementemente qualquer ameaça de anexação. A primeira-ministra da Dinamarca alertou que um ataque a um território da OTAN poderia significar o fim da própria aliança militar.

México: relações comerciais e combate ao crime

No caso do México, Trump voltou a criticar o governo de Claudia Sheinbaum por não “fazer o suficiente” para lidar com os cartéis de drogas e a violência nas fronteiras. Ele chegou a oferecer apoio militar ao país, proposta que foi rejeitada e vista por autoridades mexicanas como um desrespeito à soberania nacional.

O México, parceiro crucial em comércio e segurança regional, agora enfrenta uma interlocução mais ríspida com Washington, que pode afetar desde acordos econômicos até cooperação em imigração e combate ao crime organizado.

Irã: alerta e retórica militar

Em um contexto mais distante geograficamente, Trump renovou advertências ao Irã, afirmando que o país enfrentaria uma resposta “muito forte” caso sua liderança reprimisse violentamente protestos internos ou desafiasse interesses americanos.

Essa postura reforça um padrão de confrontos anteriores, incluindo ataques dos EUA a instalações iranianas que já ocorreram no ano anterior. A persistente retórica de Trump mantém as tensões altas no Oriente Médio, região crítica para a estabilidade global.

Cuba: colapso econômico e pressão

Embora Trump tenha declarado que Cuba poderia “cair por si só” devido à perda de apoio petrolífero da Venezuela, ele também insinuou que a ilha estaria sob maior pressão diplomática e econômica. A política americana em relação a Havana historicamente variou entre isolamento e tentativas de mudança de regime, e agora voltou a ganhar destaque na agenda de Washington.

A menção a Cuba, um país com profundas ligações políticas e históricas na América Latina, reacende temores de novos embates na região caribenha e engrossa o coro de líderes que veem a retórica dos EUA como uma ameaça direta à soberania nacional.

Repercussões e riscos geopolíticos

A ampliação das ameaças de Trump logo após a operação na Venezuela gerou críticas internacionais e levantou questões sobre a legalidade e legitimidade da política externa dos EUA. Governos europeus, latino-americanos e organizações multilaterais expressaram preocupação com o que consideram uma postura unilateralista e agressiva, capaz de desestabilizar alianças e relações diplomáticas estabelecidas.

Especialistas alertam que a escalada verbal pode não se traduzir imediatamente em ações militares, mas já altera profundamente o ambiente geopolítico, com potenciais impactos em comércio, segurança regional e cooperação internacional.

Bolsonaro passa mal na prisão e é levado ao hospital

O ex-presidente Jair Bolsonaro passou mal durante a madrugada desta terça-feira (6), sofreu uma queda dentro da cela onde está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e bateu a cabeça em um móvel. A informação foi divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que relatou preocupação com o estado de saúde do marido e afirmou que o atendimento médico só ocorreu pela manhã.

Relato feito por Michelle Bolsonaro

Em publicações nas redes sociais, Michelle Bolsonaro afirmou que o ex-presidente teve uma crise enquanto dormia e acabou caindo ao se levantar. Segundo ela, Bolsonaro “não está bem” e apresentou sinais de mal-estar durante a noite. A ex-primeira-dama também relatou que a cela permanece trancada no período noturno, o que teria impedido um atendimento imediato após a queda. O episódio só teria sido percebido oficialmente quando agentes da Polícia Federal foram chamá-lo pela manhã para receber visita.


Stories de Michele Bolsonaro sobre a saúde do marido (Foto: reprodução/Instagram/@michellebolsonaro)


Michelle descreveu o momento como angustiante e disse estar acompanhando de perto a situação médica do ex-presidente. Em tom de preocupação, afirmou que aguardava informações mais detalhadas sobre os primeiros atendimentos realizados e sobre as medidas que seriam tomadas a partir da avaliação clínica inicial.

Atendimento médico e avaliação inicial

Após o episódio, Jair Bolsonaro foi atendido por um médico da Polícia Federal e, posteriormente, avaliado por seu médico particular. De acordo com as informações divulgadas, o ex-presidente sofreu um traumatismo cranioencefálico leve em decorrência da queda. Os profissionais de saúde indicaram que, naquele primeiro momento, não havia sinais de gravidade, mas recomendaram observação clínica para monitorar possíveis complicações.

A Polícia Federal informou, em nota, que o atendimento foi prestado assim que a situação foi comunicada e que os ferimentos constatados foram leves. Segundo a corporação, não houve necessidade imediata de transferência hospitalar, mas o quadro segue sendo acompanhado por profissionais de saúde.



Possibilidade de exames complementares

Mesmo com a avaliação inicial indicando um quadro estável, a equipe médica considera a realização de exames complementares, como tomografia ou ressonância magnética, para descartar lesões mais graves em decorrência da pancada na cabeça. A realização desses exames, no entanto, depende de autorização judicial, já que Bolsonaro está sob custódia da Polícia Federal.

A defesa do ex-presidente já sinalizou a intenção de solicitar ao Supremo Tribunal Federal a liberação para que os exames sejam realizados em um hospital especializado em Brasília. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a autorização ou sobre eventual transferência temporária para uma unidade hospitalar.

Histórico recente de problemas de saúde

O novo episódio ocorre poucos dias após Jair Bolsonaro ter recebido alta hospitalar. No fim de 2025, o ex-presidente passou por procedimentos médicos relacionados a uma hérnia inguinal e também tratou um quadro persistente de soluços, que vinha causando desconforto e exigiu acompanhamento clínico. Ele deixou o hospital no início de janeiro e retornou à custódia da Polícia Federal logo em seguida.

Desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro apresenta um histórico recorrente de internações, cirurgias e complicações de saúde. Ao longo dos últimos anos, essas condições têm sido frequentemente citadas por aliados e pela defesa como motivo de preocupação quanto à sua permanência em regime prisional.

Impactos no cenário jurídico

A saúde do ex-presidente já foi usada anteriormente pela defesa como argumento para pedidos de prisão domiciliar, sob alegação de razões humanitárias. No entanto, o Supremo Tribunal Federal negou as solicitações, entendendo que as condições médicas apresentadas até então não justificavam a mudança no regime de cumprimento da pena.

Com o novo episódio envolvendo queda e traumatismo leve na cabeça, a defesa pode voltar a pressionar o Judiciário por medidas alternativas, dependendo do resultado dos exames e da evolução do quadro clínico. Especialistas avaliam que qualquer decisão nesse sentido dependerá de laudos médicos detalhados e de pareceres técnicos.

Repercussão política e expectativa por novas informações

O caso teve forte repercussão política e nas redes sociais, com manifestações tanto de apoiadores quanto de críticos do ex-presidente. Enquanto aliados demonstraram preocupação com sua integridade física, opositores ressaltaram que o acompanhamento médico faz parte dos procedimentos previstos para presos sob custódia do Estado.

Até o momento, Jair Bolsonaro permanece na Superintendência da Polícia Federal, em observação. A expectativa é de que novas informações sobre seu estado de saúde sejam divulgadas após a conclusão de exames médicos e avaliações complementares, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Cuba entra no radar dos EUA após ataque na Venezuela

Após recente ação militar americana na Venezuela, no último sábado (03), governo brasileiro passa a avaliar Cuba como o país com maior risco de sofrer uma intervenção dos Estados Unidos em seguida. A nova leitura do Brasil é que o ataque estabeleça um precedente perigoso no continente americano, ampliando a tensão geopolítica da América Latina.

No entendimento de vários diplomatas e analistas brasileiros, o ataque dos EUA contra a Venezuela teria rompido barreiras que impediam a intervenção direta nos países sulamericanos. Com a proximidade estratégica entre Nicolás Maduro e Miguel Díaz-Canel, presidentes da Venezuela e de Cuba, nas últimas duas décadas, o país passa a se tornar o novo centro das preocupações – especialmente com a confirmação da morte de militares cubanos durante o ataque dos Estados Unidos.

Cooperação histórica entre Cuba e Venezuela

A parceria entre os dois países se inicia logo nos primeiros anos do governo Hugo Chávez na Venezuela, com programas sociais que começam na saúde e na educação e logo se expandem para outros setores em necessidade no Estado Venezuelano. Com o agravamento de crises internas e o abandono de muitos membros das Forças Armadas desde então, Maduro passou a colocar agentes cubanos em posições estratégicas – como na guarda presidencial e na segurança do Palácio de Miraflores, sede da presidência venezuelana.

O Ministério do Interior de Cuba lançou comunicado que afirma o falecimento de 32 cubanos que atuavam em missões oficiais a pedido da Venezuela, durante ação militar americana. O presidente Miguel Díaz-Canel confirmou que essas vítimas faziam parte das Forças Armadas Revolucionárias ou o Ministério do Interior, e decretou dois dias de luto oficial no país. Apesar disso, o governo não divulgou detalhes sobre quais funções as vítimas exerciam, nem suas identidades.

Sob uma visão internacional, a admissão de agentes cubanos em território venezuelano teria reforçado a narrativa americana sobre a influência de Havana no aparato de segurança do chavismo, o que aumentaria ainda mais a pressão política e diplomática sob a ilha.

Estados Unidos pressiona Cuba

No cenário político atual dos Estados Unidos, diversas figuras representativas do governo Trump intensificam o discurso anti-Cuba ao longo dos anos. O senador Marco Rubio, que é considerado um dos principais defensores da derrubada de Nicolás Maduro, falou abertamente sobre ver o vim do chavismo como um passo para a transição política em Havana.

Após as ações militares na Venezuela, o presidente Lula veio ás suas redes sociais para se pronunciar contra a invasão americana. Além disso, uma nota conjunta foi lançada á imprensa, incluindo países como Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai – para além do Brasil – para expressar preocupação e rechaço sob os ataques unilaterais dos Estados Unidos.


Posicionamento do Presidente Lula (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Após a captura de Maduro, Trump não se deixou abalar pela reação internacional e deixou claro que a ação na Venezuela também serve como recado para o regime cubano, chegando a chamar Cuba de “nação falida”, e afirmar que os Estados Unidos buscam ajudar o seu povo. O próprio Marco Rubio reforçou o argumento, ao acusar o governo cubano de ter colapsado a economia do seu país por conta da má gestão, além de se opor a qualquer reaproximação diplomática com Caracas.

No entanto, especialistas ponderam que uma intervenção direta em Cuba nas mãos dos americanos enfrentaria maiores obstáculos, ao ser comparado com a Venezuela. O principal destaque é que o regime cubano é mais institucionalizado e tem um apoio popular mais amplo, o que faria da ação militar mais custosa politicamente. Ainda assim, a saída de Maduro enfraquece Havana, pela perda de parceria e do petróleo subsidiado, o que acende um alerta para a política regional.