Gaza: EUA propõem cessar-fogo de 60 dias com troca de prisioneiros e reféns

A Reuters, agência de notícias internacional, na manhã desta sexta-feira (30), divulgou o conteúdo conseguido com exclusividade sobre o plano dos EUA para um cessar-fogo de 60 dias em Gaza. De acordo com a agência, na proposta consta a libertação de 28 reféns israelenses, em troca da libertação de mais de 1.200 prisioneiros palestinos. Além da devolução de restos mortais por ambos os lados. 

Ainda, segundo a Reuters, o acordo tem o aval do presidente americano Donald Trump, do Egito e do Catar, que são os países mediadores, e inclui o envio de ajuda humanitária por parte de organizações sem fins lucrativos e organizações multilaterais. Entre elas a Organização das Nações Unidas (ONU).

A previsão para que a proposta seja colocada em prática depende da assinatura e da concordância do grupo Hamas. O grupo informou que analisará e oferecerá uma resposta entre hoje, sexta-feira (30) e amanhã, sábado (31). As operações militares israelenses serão cessadas na região, tão logo o acordo seja aceito pelas partes envolvidas. 

Enviado especial ao Oriente Médio 

Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para assuntos estratégicos no Oriente Médio, se reuniu na data de ontem, quinta-feira (30), com autoridades israelenses a fim de apresentar o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, desenvolvido pelo governo de Donald Trump em cooperação com países do Oriente Médio. 

Conforme a mídia local israelense noticiou, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou a proposta e já comunicou aos familiares dos reféns que estão em posse do grupo Hamas. Ao todo são 58 reféns mantidos em Gaza. Destes, 28 serão libertados nessa primeira fase e, os demais, quando houver um cessar-fogo permanente na região. 

Apelo internacional

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA) tem feito duras críticas à situação vivida pela população de Gaza. De acordo com relatos, a proibição de entrada de ajuda humanitária por Israel tem desencadeado uma situação insustentável para os moradores. O comissário geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, declarou que a “ajuda humanitária nunca deve ser politizada


Publicação sobre a situação em Gaza (Foto: reprodução/X/@UNRWA)

Além de organizações ligadas diretamente ao assunto, diversos países condenam os ataques contra Gaza e a proibição da entrada de ajuda humanitária no local. A comunidade internacional tem acompanhado e se manifestado constantemente para que seja encontrada uma forma que promova a Paz, sobretudo na região. Seja com a criação de um Estado Palestino ou um cessar-fogo permanente.

Segundo relatos diários, apesar da entrada de caminhões com suprimentos terem sido autorizados a poucos dias pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, devido a escassez, a população local não consegue as condições necessárias para se manter. Além de denúncias de que, nem todos os moradores conseguem acesso a esta ajuda.

Encontro em Washington D.C

O Ministério da Defesa de Israel publicou em suas redes sociais na data de ontem, quinta-feira (30), o encontro entre o Diretor Geral, Major Amir Baram, e autoridades da Casa Branca em Washington D.C, nos EUA. A reunião contou com a presença do Subsecretário de Defesa para Política dos EUA, Elbridge Colby e ocorreu no mesmo dia da apresentação do acordo de cessar-fogo por Witkoff a Netanyahu.

Em sua primeira viagem de trabalho aos EUA desde que assumiu o cargo em março (2025),  Baram, informou que na reunião foram discutidos assuntos referentes ao fortalecimento da segurança, da cooperação estratégica entre os dois países e medidas conjuntas para enfrentar e solucionar os atuais desafios. 


Publicação sobre o encontro entre Amir Baram e autoridades do governo Trump (Foto: reprodução/X/@MoDIsrael) 

As forças de defesa tanto de Israel quanto dos EUA têm realizado reuniões permanentes para discutir assuntos estratégicos. Não somente os relacionados ao cessar-fogo na Faixa de Gaza, assim bem como, a transferência de conhecimentos tecnológicos entre eles. Uma vez que a “Cúpula Dourada” a ser desenvolvida pelo governo Trump será baseada no “Domo de Ferro” israelense.  

Para muitos especialistas, o empenho da Casa Branca em encontrar uma solução para a guerra travada entre Israel e o grupo Hamas, deve-se muito ao fato de que, não é interessante para os EUA que o seu parceiro estratégico no Oriente Médio envolva-se em um conflito permanente, com desdobramentos condenados pela comunidade internacional. No entanto, todo o esforço para um cessar-fogo na região que leve a acordos de Paz entre as partes envolvidas, devem ser incentivados.

Alemanha e Ucrânia anunciam parceria para a fabricação de misseis de longo alcance

Os líderes da Alemanha e Ucrânia se encontraram nesta quarta-feira (28) e anunciaram que pretendem desenvolver em conjunto uma produção industrial de míssil de longo alcance, com o objetivo de proteger dos avanços militares da Rússia. O anúncio foi dado pelo atual chanceler alemão, Friedrich Merz. 

O assunto foi debatido em uma visita do atual presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Berlim. O encontro é resultado de uma aproximação maior da Ucrânia com países europeus da União Europeia, após as discussões infrutíferas e as tensões de Zelensky com o presidente dos EUA, Donald Trump.


Reunião de lideranças alemãs e ucranianas (vídeo: reprodução/X/UkrReview)

Europa ocidental mais próxima

“Queremos viabilizar armas de longo alcance, também queremos viabilizar a produção conjunta e não falaremos sobre os detalhes publicamente, mas intensificamos a cooperação”, disse Friedrich Merz.

O acordo bélico permitiria uma cooperação alemã-ucraniana para a armar o exército da Ucrânia contra a ofensiva russa. A negociação também está prevista para a fabricação de drones, a conversa inclui a implementação das instalações de fabricação.

A Ucrânia vive um de seus momentos mais delicados desde a invasão por tropas russas ao país do Leste Europeu no ano de 2022. Desde as crises da tomada da Criméia pela Rússia em 2014, os conflitos entre ambos os países foram intensificados no decorrer dos anos e, a retirada do apoio estadunidense para as forças ucranianas foi um duro golpe em Zelensky.

A paz distante

 As conversas para encerrar o conflito ainda não resultaram em um acordo de cessar-fogo, e neste final de semana, a Rússia realizou três noites consecutivas de ataques aéreos intensos contra a Ucrânia. Além disso, Moscou mobilizou cerca de 50 mil soldados na área próxima à região de Sumy, no norte da Ucrânia, conforme informou Zelensky aos jornalistas.

O líder da Rússia, Vladmir Putin, ainda fez acusações contra a Ucrânia de realizar ataques de drones em solo russo. Os ataques estariam sendo feitos através das armas que o Ocidente forneceria para o exército ucraniano.

China lança drone “nave-mãe” que dispara 100 drones kamikazes

A nova aeronave militar não tripulada da China, conhecida como Jiu Tian ou “High Sky“, foi apresentada no Salão Aeroespacial de Zhuhai em novembro de 2024 e deve realizar sua primeira missão até o fim de junho deste ano. O drone é desenvolvido pela estatal AVIC e fabricado pela Xian Chida Aircraft Parts Manufacturing. A inovação foi criada com o objetivo de reforçar o poder militar chinês e atraiu atenção global por ser capaz de lançar até 100 drones kamikazes em uma única operação, sendo considerada uma resposta direta ao avanço tecnológico dos Estados Unidos na área.

De acordo com a emissora estatal chinesa CCTV, o veículo aéreo será testado em breve antes de ser oficialmente integrado às forças armadas. Especialistas apontam que o modelo representa um marco na corrida por supremacia tecnológica e militar, sobretudo na região da Ásia-Pacífico, onde a disputa entre China e EUA se intensifica.

Drone chinês carrega até seis toneladas de munição

Com uma envergadura de 25 metros e autonomia de voo de até 7 mil quilômetros, o Jiu Tian impressiona não apenas pelo alcance, mas também pela capacidade de carga. Até 16 toneladas podem ser transportadas — seis delas destinadas exclusivamente aos drones menores, que são lançados de compartimentos laterais na fuselagem da aeronave.


Representação visual de como vai funcionar os drones foram publicadas nas redes sociais (Vídeo: reprodução/X/@xinfolive)

Além do potencial de realizar ataques coordenados, o drone é projetado para escapar de sistemas tradicionais de defesa aérea, o que levanta alertas no cenário geopolítico internacional. Comparações têm sido feitas com modelos como o RQ-4 Global Hawk e o MQ-9 Reaper, ambos fabricados pelos EUA.

Tecnologia também será usada para fins civis

Apesar de seu foco militar, o governo chinês informou que o Jiu Tian poderá ser utilizado em ações de controle de fronteiras, resgates em áreas de risco, vigilância ambiental e monitoramento marítimo. Com isso, o país amplia não só sua presença estratégica em zonas sensíveis, mas também sua capacidade de resposta em emergências civis.

O drone Jiu Tian se junta a uma frota crescente de veículos não tripulados da China, que inclui modelos como o CH-7 e o Wing Loong-X. A expectativa é que a aeronave fortaleça ainda mais a posição chinesa no cenário de defesa global, ao mesmo tempo, em que amplia o uso de tecnologias autônomas em operações militares e civis.

Trump acusa Putin de “brincar com fogo”; Rússia alerta para risco de 3ª Guerra Mundial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (27) que o líder russo, Vladimir Putin, está “brincando com fogo” em relação ao conflito na Ucrânia. Em uma publicação em rede social, Trump alertou que, se não fosse por sua intervenção, “coisas realmente ruins” já teriam acontecido à Rússia. Horas depois, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, respondeu mencionando o risco de uma Terceira Guerra Mundial, afirmando que esse seria o único desastre verdadeiramente grave.

As declarações ocorrem após a Rússia realizar, entre domingo (25) e segunda-feira (26), os maiores ataques aéreos desde o início da guerra, com centenas de drones e mísseis lançados contra a Ucrânia. Trump já havia chamado Putin de “louco” no fim de semana, sugerindo que o líder russo mudou de comportamento.

Discurso de Trump se torna mais agressivo contra Putin

Nos últimos dias, Trump tem endurecido seu tom em relação a Putin. Além de chamá-lo de “louco“, o presidente americano já havia feito uma cobrança direta em abril, dizendo: “Vladimir, PARE!“. Suas declarações mais recentes mostram um distanciamento em relação às ações do Kremlin, apesar de, durante sua campanha eleitoral, Trump ter prometido encerrar a guerra “em 24 horas” — algo que ainda não se concretizou.

A escalada retórica coincide com o aumento da violência no conflito. No domingo, a Rússia lançou 367 drones e mísseis, enquanto na segunda-feira foram 355 ataques apenas com drones, marcando uma intensificação sem precedentes nos bombardeios.

Rússia culpa Ucrânia por provocar escalada e envolver Europa no conflito

Nesta terça, Putin acusou a Ucrânia de intensificar os ataques em território russo, classificando-os como “provocativos“. Segundo o porta-voz presidencial Dmitry Peskov, os bombardeios ucranianos não contribuem para as negociações de paz e representam uma tentativa de envolver a Europa diretamente no conflito.


Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy pede novas sanções internacionais (Vídeo: reprodução/Instagram/@zelenskiy_ooficial)


Peskov afirmou que o fornecimento de armas por países europeus à Ucrânia configura uma “participação indireta” na guerra. Na segunda-feira, aliados da Ucrânia autorizaram o uso de mísseis de longo alcance contra alvos dentro da Rússia, medida que já havia recebido aval dos EUA e do Reino Unido no final de 2024.

A troca de acusações e ameaças entre os líderes reforça a tensão global em torno do conflito, com temores de uma escalada ainda maior. Enquanto Trump alerta para consequências graves, a Rússia responde com ameaças de um conflito global, aumentando a preocupação internacional.

Israel anuncia nova fase militar em Gaza sob críticas internacionais

Durante negociações por um possível cessar-fogo, Israel ordenou a evacuação imediata de áreas no sul da Faixa de Gaza. A determinação inclui Khan Younis, cidade densamente habitada por palestinos deslocados. As Forças de Defesa de Israel (IDF) classificaram o local como uma “zona de combate perigosa que já foi alertada diversas vezes”. As instruções direcionam a população civil para Al-Mawasi, estreita faixa litorânea do enclave.

Ofensiva visa controlar grande parte do território

De acordo com um oficial israelense ouvido pela CNN, o objetivo militar é ocupar 75% de Gaza nos próximos dois meses. O plano forçaria mais de dois milhões de pessoas a se concentrarem em uma pequena porção do território, sob forte presença das tropas israelenses. Desde outubro de 2023, o governo de Benjamin Netanyahu afirma que a campanha visa desmantelar o Hamas após os ataques de 7 de outubro.

Com cinco divisões atuando em solo, Israel mantém operações terrestres contínuas em múltiplas frentes. O chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, afirmou: “Vocês estão lutando na frente central do Estado de Israel. Esta é uma guerra prolongada e multiarena.” O movimento é visto por críticos como uma expansão de domínio territorial, agravando o sofrimento civil em meio ao bloqueio e à destruição em massa.

O gabinete de imprensa do Hamas declarou que Israel já domina “efetivamente” 77% da Faixa de Gaza. Segundo o comunicado, o uso de armamento pesado e políticas de retirada forçada impede os civis de retornarem a suas casas. A denúncia reforça a percepção de que a ofensiva não tem se limitado à neutralização de alvos militares, mas à transformação do equilíbrio populacional e geográfico do enclave.


Ataques em Gaza. (Foto: Jack Guez/AFP/Getty Images Embed)


Aliados adotam sanções e revisam acordos

A pressão externa tem aumentado. O Reino Unido suspendeu negociações comerciais e sancionou colonos da Cisjordânia. França e Canadá ameaçaram adotar medidas similares, enquanto a União Europeia reavalia seu Acordo de Associação com Israel. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que as ações “não podem mais ser justificadas com base na luta contra o terrorismo do Hamas”. Já os EUA reiteraram apoio irrestrito a Israel.

Apesar das críticas globais, Washington reforçou sua aliança com Tel Aviv. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, reuniu-se com Netanyahu e elogiou sua liderança na condução do conflito. Segundo nota do governo israelense, a visita reforça o “comprometimento mútuo com a segurança e estabilidade regional”. A postura norte-americana contrasta com o crescente apelo humanitário de diversas entidades internacionais.

A ofensiva planejada aumenta o risco de uma crise humanitária de grandes proporções. Organizações humanitárias alertam para a superlotação de Al-Mawasi e a escassez de recursos básicos. A comunidade internacional acompanha com apreensão o desdobramento das operações, temendo novas violações aos direitos civis. A busca por um cessar-fogo definitivo, porém, ainda parece distante diante da escalada militar em curso.

Criação do Estado da Palestina mobiliza cúpula na Espanha  

A Liga dos Estados Árabes e da Organização de Cooperação Islâmica, além de 20 Ministros de Estado se reuniram neste domingo (25/5), incluindo Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, com o objetivo de discutir a implementação da solução de dois Estados para o conflito Israel-palestino. Dos 193 membros da ONU, mais de 140 já reconheceram a Palestina como Estado, segundo consta na rede social X do Itamaraty.

O encontro, além de propiciar o intercâmbio de opiniões, foi uma preparação para a Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, que será presidida pela França e Arábia Saudita, e contará com 8 grupos de trabalho para discutir o tema.

O Brasil e o Senegal foram convidados pelos dois países que presidirão a Conferência para liderar o grupo de trabalho número 7, cujo objetivo é a promoção do respeito ao direito internacional para a implementação da solução de dois Estados.

A Conferência será realizada em Nova York, entre os dias 17 e 20 de junho.

Atuação de Mauro Vieira

De acordo com o Itamaraty, Vieira defendeu o reconhecimento internacional do Estado da Palestina e sua admissão como membro pleno da ONU (Organização das Nações Unidas), criticando, por sua vez, a inação da comunidade internacional diante da tragédia humanitária na Faixa de Gaza.


Mauro Vieira (Foto: reprodução/X/@ItamaratyGovBr)


Nenhum interesse nacional, nenhuma consideração de política doméstica justificam o silêncio diante de crimes que erodem os alicerces do ordenamento jurídico internacional”.

Mauro Vieira

Cessar-fogo é defendido por Brasil  

Desde o início da guerra entre o Governo de Israel e o Grupo Terrorista Hamas, o Brasil vem se posicionando pela celebração de um acordo que seja capaz de implementar a paz na região, colocando um fim no massacre de civis inocentes na Faixa de Gaza. O Ministro advertiu que a história não admitirá desculpas para essa atitude.


Mauro Vieira com o primeiro-ministro da Palestina, Mohammad Mustafa (Foto: reprodução/X/@ItamaratyGovBr)


Dentre os apontamentos que o Brasil faz, destacam-se as críticas às estratégias militares utilizadas por Tel Aviv, apontando questionamentos acerca dos limites éticos e legais das destas ações promovidas pelo do Governo de Israel, afirmando que estas dificultam a celebração de um acordo, bem como as reivindicações pela saída completa das tropas israelenses de Gaza.

Kiev é alvo de mísseis e drones após troca de prisioneiros entre Rússia e Ucrânia

A capital ucraniana foi atacada na noite de sexta-feira (23) por mísseis e drones russos, segundo as Forças Armadas da Ucrânia. A ação ocorreu no mesmo dia em que Rússia e Ucrânia realizaram a troca de 270 prisioneiros de guerra e 120 civis, totalizando 390 pessoas libertadas por cada lado.

De acordo com Tymur Tkachenko, chefe interino da administração militar de Kiev, destroços de mísseis e drones interceptados caíram em pelo menos quatro distritos da cidade. A Associated Press relatou que disparos de metralhadoras também foram ouvidos por toda a capital durante a ofensiva.

Na manhã deste sábado (24), autoridades ucranianas informaram que seis distritos de Kiev foram atingidos. Quinze pessoas ficaram feridas, entre elas duas crianças que precisaram ser hospitalizadas. Ao todo, três vítimas foram internadas. Ainda segundo os serviços de emergência, dois incêndios foram registrados no distrito de Solomianskyi, e muitos moradores buscaram abrigo nas estações subterrâneas do metrô.

Moradores em alerta e capital danificada

As Forças Armadas da Ucrânia afirmaram que este foi um dos maiores ataques contra Kiev desde o início da guerra, envolvendo 14 mísseis balísticos e cerca de 250 drones. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, declarou nas redes sociais que a noite foi “muito difícil” para o país e pediu novas sanções internacionais como forma de pressionar Moscou a aceitar um cessar-fogo.


Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy pediu novas sanções internacionais para pressionar Moscou a concordar com um cessar-fogo (Vídeo: reprodução/Instagram/@zelenskiy_ooficial)


Rússia avança em vilarejos e intensifica ofensiva

Antes do ataque, o prefeito da cidade, Vitalii Klitschko, já havia alertado sobre a aproximação de mais de 20 drones russos. Pouco depois, o Ministério da Defesa da Rússia informou que suas tropas capturaram os vilarejos de Stupochki, Otradne e Loknia, nas regiões de Donetsk e Sumy, intensificando a ofensiva no leste do país.

Apesar da troca de prisioneiros sinalizar um raro gesto de negociação entre os dois países, os ataques mostraram que a escalada militar continua em ritmo acelerado. A comunidade internacional acompanha com preocupação a intensificação do conflito, temendo novos desdobramentos nas próximas semanas.

Reino Unido anuncia suspensão de comércio com Israel após ofensiva em Gaza

Nesta terça-feira (20), o governo britânico anunciou a suspensão das negociações de livre comércio com Israel, após nova ofensiva na Faixa de Gaza. Além disso, o Reino Unido também sancionou assentamentos da Cisjordânia, onde as ações de Israel também estão sendo pressionadas. 

Nos últimos dias, líderes da França e Canadá, junto ao primeiro-ministro, Keir Starmer, já pressionavam a forma como Israel está conduzindo a guerra, destacando a falta de ajuda humanitária em Gaza.

A nova ofensiva terrestre foi o que desencadeou a decisão britânica, anunciada pelo secretário de Relações Exteriores, David Lammy. 


Matéria da CNN Internacional (Foto: reprodução/ X/ @cnni)

França, Canadá e Reino Unido pressionam Israel 

Nesta segunda-feira (20), o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o premiê do Canadá, Mark Carney, divulgaram uma declaração em conjunto, na qual condenaram as “ações escandalosas” de Israel na condução do confronto em Gaza. 

Na declaração eles ainda acusam a violação do direito internacional humanitário, devido aos excessivos deslocamentos forçados de civis, e reforçam a necessidade de permissão da entrada da ajuda comunitária no território. 

Participação da ONU

Enquanto Israel segue avançando sob o território palestino, com investidas terrestres e aéreas, a Organização das Nações Unidas (ONU) tenta a autorização para a entrada da ajuda comunitária. 

Segundo a própria ONU, Gaza precisa de ao menos 500 caminhões por dia para ajudar uma população de cerca de 2,3 milhões de pessoas. O porta-voz do escritório humanitário da ONU, Jens Laerke, disse durante uma coletiva em Genebra que os caminhões contém suprimentos essenciais para crianças e recém-nascidos, que correm risco de morte. 

A autorização foi concedida por Israel para que cerca de 100 caminhões da ajuda comunitária entrassem na faixa de Gaza. Porém, a ONU afirma que apenas 5 caminhões puderam entrar em Gaza na segunda-feira. 

De acordo com o mais recente relatório do Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas, a ofensiva israelense já causou mais de 53.486 mortes na região. Esse dado foi considerado confiável pela ONU. 

Cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia pode ter mediação realizada e sediada pelo Vaticano

Com a diplomacia que lhe é peculiar, e aplicando ações estratégicas rumo à paz, o Vaticano, mais uma vez, tenta emplacar o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia, propondo uma conversa entre os países em sua sede.

A proposta foi feita na data de hoje pelo Cardeal Pietro Parolin, um dos que chegou a ser cotado como favorito para se tornar Papa, atualmente secretário de Estado. Parolin afirma que a sede do Vaticano poderia ser um local muito adequado para esta conversa.

O convite é reforçado por uma declaração do Papa Leão XIV na mesma data: “a Santa Sé está sempre pronta para ajudar a reunir os inimigos, cara a cara, para conversarem entre si, para que os povos em todos os lugares possam mais uma vez encontrar esperança e recuperar a dignidade que merecem, a dignidade da paz”.


Papa Leão XIV (Foto: reprodução/Christopher Furlong/Getty Images Embed)


Passo a passo para o cessar-fogo

Na data de ontem (15/05), o Papa já havia se encontrado com o Arcebispo-Mor de Kiev, Svjatoslav Shevchuk, representante da Igreja Grego-Católica Ucraniana no Vaticano, na biblioteca do Palácio Apostólico.

Papa Leão XIVrecebe Sviatoslav Shevchuk em audiência privada (Vídeo: reprodução/X/@EWTNVatican)


A audiência privada foi marcada pelo agradecimento que o arcebispo fez ao Pontífice por sua solidariedade ao povo ucraniano. No último domingo (11/05), Leão XIV proferiu palavras pedindo uma paz justa e duradoura, bem como a libertação de todos os prisioneiros e o regresso das crianças afastadas de suas famílias.

Acordo celebrado em Istambul

O cessar-fogo ainda não foi possível no encontro entre as Delegações da Rússia e Ucrânia em Istambul, na Turquia, em 16/05, como desejava o Presidente Volodymyr Zelensky da Ucrânia.

Isso pelo fato do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter feito uma série de exigências consideradas descabidas, tais como: proibição da Ucrânia para entrar na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e permanência do controle da Rússia sobre as províncias ucranianas invadidas.

O acordo versou pela devolução de crianças sequestradas e por uma troca de prisioneiros entre os dois países; cada país devolverá 1.000 presos com nacionalidade do país inimigo.


Delegações da Rússia e da Ucrânia durante reunião para tentar um acordo de cessar-fogo, em Istambul, na Turquia, em 16 de maio de 2025 (Vídeo: reprodução/X/@ @SagranCarvalho)


Mesmo não celebrando a paz, com o fechamento deste acordo, vê-se uma luz no final do túnel, uma promessa de paz, pois pela primeira vez, em três anos, os Diplomatas das duas nações tiveram uma conversa.

Lula diz que pediu fim da guerra na Ucrânia em ligação com Putin

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que ligou para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e pediu para que ele acabasse com a guerra na Ucrânia. A declaração foi feita em Pequim, nesta terça-feira (13).

Eu tive a petulância de um dia ligar para o presidente Putin e dizer: pare com essa guerra e volte para a política, porque a política tá precisando muito de mudar o debate pelo crescimento da extrema-direita radicalizada nazista no mundo inteiro”, disse o presidente brasileiro.


De acordo com Lula, a ligação com Putin foi feita antes de sua viagem na última semana para Moscou (Foto: reprodução/Ricardo Stuckert/PR)

Lula ainda revelou estar feliz com o desenrolar das negociações de paz e com resultado de sua viagem. O presidente contou que viu com muito otimismo a proposta de Putin e sua aceitação pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que concordou em se juntar ao russo em Istambul para uma conversa. Lula menciona também a nota que divulgou junto ao presidente chinês, Xi Jinping, em que parabenizam a postura dos dois líderes.


Lula e o presidente chinês Xi Jinping (Foto: reprodução/Ricardo Stuckert/PR)

Ao invés de trocar tiros, trocar palavras”, disse.

Vladimir Putin propôs conversar diretamente com o presidente ucraniano na quinta-feira (15). O encontro será em Istambul, capital turca. Os dois debaterão um possível cessar-fogo entre os dois países.

A proposta de Putin acontece diante da pressão de líderes da Europa e Estados Unidos. Eles desejam que o russo concorde com um cessar-fogo de 30 dias para encontrar caminhos que levem ao encerramento do conflito que já dura três anos.

Proposta russa

O presidente russo expressou o desejo de conversar sobre “as raízes” da guerra com a Ucrânia, com o objetivo de chegar à “uma paz sólida e duradoura”. Putin propôs a Ucrânia a realização de “conversas sérias”. Kiev aceitou discutir.

Em raro pronunciamento televisionado, transmitido no sábado diretamente do Kremlim, Putin afirmou que a Rússia está disposta a dar continuidade as negociações diretas com as autoridades da Ucrânia.

Esse seria o primeiro passo rumo a uma paz firme e sustentável, e não apenas o prelúdio para novas hostilidades armadas após o reabastecimento do Exército ucraniano com armas e pessoal, e a intensa escavação de trincheiras”, disse.

Reação ucraniana

Horas depois, a Ucrânia aceitou a proposta, com a condição de que as hostilidades acabem a partir do dia 12 de maio.

“É um sinal positivo que os russos finalmente comecem a considerar o fim da guerra”, declarou Volodymyr Zelensky. O presidente ainda acrescentou que está pronto para se reunir com Putin.