Itamaraty aprecia negociações do acordo de paz entre Israel e Hamas

O Ministério das Relações Exteriores publicou neste sábado (4) uma nota sobre o plano de paz que o governo dos Estados Unidos anunciou para a Faixa de Gaza. O Palácio do Itamaraty acompanha de perto as negociações e reafirma o entendimento brasileiro de que há apenas uma solução para o estabelecimento da paz entre Israel e Palestina, que é a ‘implementação dos dois Estados”.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o Brasil considera o plano favorável para o fim do conflito na Faixa de Gaza. A declaração foi feita na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, após um questionamento do deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR).

Teor da nota

A publicação oficial destaca que a população de Gaza vem contabilizando mortes, deslocamentos forçados, fome, destruição de lares e infraestrutura primária nos últimos dois anos, desde o início do conflito, em outubro de 2023.

A pasta reconhece o empenho dos países envolvidos na mediação para encerrar o conflito e espera que o plano promova em definitivo o fim dos ataques de Israel à Faixa de Gaza, a liberação dos reféns israelenses, a entrada de ajuda humanitária, a reconstrução do território, sob a liderança da Palestina, a retirada completa das forças militares israelenses e a restauração geopolítica da Palestina.

O governo brasileiro afirma com segurança que a implementação de dois Estados é o caminho viável para a paz. Lado a lado, Palestina e Israel podem viver em paz e segurança, dentro dos limites territoriais já estabelecidos em 1967, com a inclusão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, em que Jerusalém Oriental se torna sua capital. O Brasil entende que é o Conselho de Segurança das Nações Unidas que deve emitir mandatos para a presença da Força Internacional de Estabilização em território palestino.

Posicionamento de Israel e do Hamas

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta sexta-feira (3) que Israel está em preparação para “implementação imediata” da primeira fase do plano de paz. O plano em questão foi projetado pelos Estados Unidos. Israel informou que continuará operando em parceria com os Estados Unidos a fim de encerrar o conflito na região segundo “os princípios estabelecidos por Israel, que são consistentes com a visão do presidente Trump”.


O Hamas se mostrou disposto a negociar a libertação dos reféns israelenses (Foto: reprodução/X/@soupalestina)

Nesta quarta-feira, o Hamas concordou em conversar sobre a proposta de paz com o governo Trump e com Israel. Além de sinalizar a possível liberação dos reféns israelenses, o grupo aceitou o acordo parcialmente nesta sexta-feira (3).

Principais pontos do plano de paz

O documento demanda o cessar-fogo imediato após a aceitação do plano com a troca da libertação de prisioneiros palestinos e de reféns israelenses em 72 horas, além da entrega dos restos mortais de ambos os lados.

O plano de paz contempla a entrada imediata de alimentos, água, energia, hospitais e infraestrutura, o fornecimento de equipamentos pesados para limpeza dos escombros e reabertura de estradas. A distribuição dos itens seria realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), pelo Crescente Vermelho e outras entidades.


O plano de paz foi desenhado pelo governo Trump (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)

Com relação ao novo governo palestino, um comitê tecnocrático e apolítico assumiria a gestão do lugar, um órgão supervisionado pelo “Conselho da Paz”, presidido por Donald Trump.

O plano inclui a desmilitarização e anistia ao Hamas, mediante a entrega de armas, mas toda infraestrutura militar e de túneis seria destruída sob olhos internacionais.

Quanto à segurança internacional e ao futuro político da região, uma Força Internacional de Estabilização ficaria responsável pelo treinamento da Polícia Militar local, após a retirada gradual de Israel do território palestino.

Itamaraty envia resposta à investigação comercial dos EUA

O Itamaraty entregará nesta segunda-feira (18), por meio da Embaixada em Washington, a resposta oficial à investigação comercial aberta pelos Estados Unidos. Quem conduz o processo é o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), órgão responsável por políticas comerciais do país.

Tarifas seletivas e negociações travadas

Desde 15 de julho, quando a investigação começou, o governo americano acusa o Brasil de adotar práticas “desleais” que prejudicariam sua economia. Como reação, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, como carne bovina e café. Itens como suco de laranja e derivados do aço não foram incluídos após a revisão conduzida pelos EUA.

O Ministério das Relações Exteriores informou que uma força-tarefa formada por diferentes órgãos do governo foi criada para elaborar a resposta. O Itamaraty também afirmou, em nota divulgada na semana passada, que “o Brasil não vai desistir de negociar” e ressaltou que o país “é bom em cultivar amizades”.


Matéria sobre as declarações dos Estados Unidos contra o STF (Vídeo: reprodução/X/@JovemPanNews)

Mesmo com esforços diplomáticos, representantes brasileiros relatam que as conversas com os EUA não avançaram. De acordo com eles, Trump impediu que seus assessores diretos negociassem, e as tarifas têm sido usadas seletivamente, atingindo governos que divergem de sua posição e beneficiando os alinhados.

Superávit bilionário e investigação dos EUA

Hoje, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Apesar disso, Trump afirma que a balança comercial é desfavorável para seu país, enquanto dados do governo brasileiro indicam que, nos últimos 15 anos, os EUA registraram um superávit superior a US$ 400 bilhões.

A ação aberta contra o Brasil é sustentada pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que prevê investigações sobre práticas estrangeiras vistas como desleais. Entre os pontos em análise estão o funcionamento do Pix, tarifas consideradas preferenciais, regras de combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual e a comercialização do etanol brasileiro. Se o resultado confirmar que há práticas desleais, Washington poderá ampliar tarifas, cortar benefícios comerciais ou impor novas restrições.

Itamaraty diz que governo Lula acionou OMC contra tarifaço de Trump

Nesta quarta-feira (6), o Ministério das Relações Exteriores informou que o governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), por ser contra a sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump em relação aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

O governo brasileiro entrou com um pedido de formalização chamado “pedido de consulta” na OMC, a qual se situa em Genebra, na Suíça.

A entidade possui um mecanismo de julgamento, utilizado na eventualidade da abertura de um painel. A consulta é precedente a tais etapas.

O que a medida prevê

Aproximadamente 35,9% das exportações brasileiras aos EUA poderão ser afetadas, a estimativa foi feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).


Organização Mundial do Comércio (OMC), deve avaliar o caso (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


A lista é longa, mas a medida prevê exceções, tais quais suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos. Todavia, a carne e o café fazem parte dos produtos afetados.


O que esperar da OMC

O que se sabe é que o processo de avaliação pode ser longo e demorado, e sem garantia de sucesso. A organização tem tido sua atuação esvaziada, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entende que a entidade precisa ser fortalecida de modo a poder voltar a mediar divergências entre nações.


Governo brasileiro aciona OMC contra sobretaxa de Trump, mas não há garantias de sucesso (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


O governo brasileiro publicou na última terça-feira resolução no “Diário Oficial da União” que permitia que o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) acionasse o mecanismo de solução de controvérsias (SSC) da OMC.

O objetivo do mecanismo utilizado pela OMC visa assegurar que as nações cumpram os acordos comerciais, para que as medidas consideradas incompatíveis possam ser contestadas. Ao agir dessa maneira, o governo brasileiro tem como objetivo se posicionar a favor do multilateralismo.

Tarifa extra de Trump contra Brics gera reação do bloco com declaração no Rio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (6), que vai cobrar uma taxa extra de 10% de qualquer país que apoiar as políticas do Brics contra os EUA. Ele fez o anúncio em sua rede social, a Truth Social. Trump não explicou o que considera como “políticas antiamericanas” e também não revelou quais países pretende taxar com a nova medida.

Em outra postagem, o presidente Donald Trump afirmou que começará a enviar as cartas e os acordos com as novas tarifas a partir das 12h desta segunda-feira (7), no horário de Washington, ou 13h no horário de Brasília.

Brics divulga “Declaração do Rio de Janeiro”

Mais cedo, no domingo, o bloco econômico Brics divulgou a “Declaração do Rio de Janeiro”. No documento, o grupo defende o multilateralismo, ou seja, a cooperação entre vários países. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, defende, ainda, o fortalecimento de instituições multilaterais, como a ONU, e o respeito ao direito internacional. Também rejeita ações unilaterais que enfraquecem o sistema global, embora não cite diretamente o tarifaço anunciado por Donald Trump.

Outro trecho trata da segurança global e condena ataques recentes ao Irã, sem mencionar diretamente os Estados Unidos ou Israel. Também condena ataques contra a Rússia, mas não faz o mesmo em relação à Ucrânia, a Rússia é membro do Brics e o presidente Vladimir Putin participou do encontro por videoconferência.

O grupo, ainda, apresenta uma posição conjunta sobre as crises no Oriente Médio, incluindo os conflitos em Gaza e a tensão entre Irã e Israel. Os líderes reafirmam apoio à solução de dois Estados como caminho para resolver o conflito entre Israel e Palestina, defendendo a criação de um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Oriental.

O texto também pede que a comunidade internacional atue para garantir o fim da violência em Gaza e proteger os civis palestinos, além de reforçar a defesa por soluções pacíficas, diplomáticas e baseadas no direito internacional.


Imagens do BRICS no Brasil com os líderes do países representantes (Vídeo: reprodução/X/@LulaOficial)

Reunião do Brics

O Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil, publicou a declaração. Os líderes dos países do Brics continuam reunidos no Rio de Janeiro até esta segunda-feira.

O BRICS é um grupo formado por cinco grandes países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esses países se uniram para fortalecer a cooperação econômica, política e social entre eles, buscando maior influência global e colaboração em temas como desenvolvimento, comércio e segurança internacional.

Conforme lei brasileira Itamaraty não poderá pagar pelo traslado do corpo da Juliana

Após nesta terça-feira(24), terem confirmado o falecimento da Juliana, informaram que o Itamaraty não poderá arcar com as despesas relacionadas ao transporte e os familiares teriam que cuidar dessa parte, pois conforme lei criada em 1997, quando se trata de situações que envolvem sepultamentos com translado, não são arcados pela assistência consular, os custos teriam que ser arcados por pessoas próximas a ela, isso é uma questão da legislação brasileira, apesar disso eles estão contribuindo no que podem para poder prestar solidariedade aos que precisam nesse momento.

Apoio aos pais e amigos

Apesar de não poderem arcar com os custos que envolvem essa situação, ainda assim o Itamaraty tem prestado apoio aos mais próximos de Juliana, e ainda estaria concluindo o resgate. Quanto às questões que envolvem eventuais negligências e responsabilidades, ainda irão apurar em outro momento. Houve um deslocamento de três funcionários da embaixada do Brasil para fazer o acompanhamento no local, numa distância de 1,2 mil km de Jacarta, onde se localiza a unidade.

Recomendações a brasileiros

Devido ao ocorrido, a uma avaliação para se dar recomendações para turistas brasileiros que gostam de se aventurar no exterior que falam sobre a decisão de uma pessoa de percorrer áreas de risco é de “responsabilidade do cidadão” e que a assistência do consulado do Brasil seria muito limitada, eles estão buscando revisar e avaliar uma atualização as orientações nesses casos. Disseram ainda que o tempo da diplomacia diverge das redes sociais, local onde circulam diversas pessoas naturais das terras brasileiras. Em 2023, algumas pessoas ficaram presas no Oriente Médio por conta de conflitos da guerra do Irã.


Foto do Itamaraty localizado em Brasília (Foto: reprodução/DircinhaSW/Getty Images Embed)


Dificuldades para apoiar

Conforme a família de Juliana informou, no domingo (22), a equipe que estava a cargo do resgate não havia nem conseguido levar água e nem comida para ela, pois as cordas à disposição não tinham corda suficiente para chegar até ela. O Itamaraty ressaltou que não houve sequer comida para a brasileira, pois as cordas à disposição poderiam não ter tamanho suficiente para se chegar até ela, os integrantes do Itamaraty falaram ainda que, se fosse necessário verificar se a corda seria insuficiente, foi uma falha.

Brasil condena atentado na igreja de Damasco e reforça solidariedade ao povo sírio

O Itamaraty manifestou neste domingo (22), sua condenação ao ataque terrorista ocorrido no mesmo dia, que matou mais de 25 pessoas e feriu várias outras na Igreja de Mar Elias, em Damasco, na Síria. Também enviou apoio e solidariedade às famílias das vítimas.

Fala do Ministério das Relações Exteriores

Em nota, o governo brasileiro afirmou que condena qualquer tipo de violência e que manifesta suas condolências aos familiares das vítimas, além de demonstrar solidariedade ao povo e ao governo da Síria.

Conforme informações, um homem-bomba entrou na igreja enquanto ocorria uma celebração com dezenas de pessoas. Primeiro, ele atirou contra os fiéis e depois detonou um colete explosivo que usava.

Esse foi o primeiro ataque desse tipo na Síria em vários anos e acontece justamente quando o governo de Damasco tenta ganhar mais apoio das minorias religiosas.

Segundo a imprensa local, o presidente Ahmad al-Sharaa tem enfrentado dificuldades para manter controle total do país, e as autoridades estão preocupadas com possíveis ações de grupos extremistas que ainda atuam em segredo.

Até agora, nenhum grupo assumiu a autoria do atentado. Porém, o porta-voz do Ministério do Interior da Síria, Noureddine Al-Baba, afirmou que as primeiras investigações indicam que, possivelmente, o grupo Estado Islâmico esteja por trás do ataque. Além disso, as autoridades seguem investigando para confirmar essa suspeita.


Guga Chacra comentando o ataque em igreja na Síria que matou mais de 20 pessoas (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

Por que o nome é Itamaraty?

O Itamaraty é o nome informal do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, responsável por conduzir a política externa do país. Ele cuida das relações do Brasil com outros países e organizações internacionais, representa o país no exterior por meio de embaixadas e consulados, negocia acordos internacionais, promove os interesses brasileiros em áreas como comércio, meio ambiente e direitos humanos, e oferece apoio a brasileiros que vivem ou estão fora do país.

O nome “Itamaraty” vem do palácio onde o ministério funcionava no Rio de Janeiro, antiga capital do Brasil, e continua sendo usado mesmo após a mudança da sede para Brasília.

Itamaraty denuncia “clara violação à soberania” iraniana por Israel em bombardeio

O Itamaraty, por meio de nota enviada à imprensa nesta tarde de sexta-feira (13), criticou os ataques feitos por Israel às instalações iranianas na última madrugada. Conforme a declaração, a ofensiva demonstra uma “clara violação à soberania” do Irã e ao “direito internacional”. Ainda, segundo o ministério, o conflito configura-se como um risco elevado para a “paz, segurança e economia mundial” e, por isso, solicita o fim imediato das hostilidades.

ONU se manifesta

Na mesma linha do Itamaraty, a Organização das Nações Unidas (ONU) também demonstrou preocupação com a ofensiva israelense contra o Irã e um possível revide. Em comunicado, o secretário-geral, António Guterres, pediu “contenção máxima” aos envolvidos, demonstrando preocupação com uma escalada do conflito na região.


Declaração do Secretário-Geral da ONU sobre os ataques de Israel contro o Irã (Foto: reprodução/X/@UN_News_Centre) 



A preocupação da ONU, deve-se não só ao fato de ocorrer uma maior desestabilização no Oriente Médio, como a um possível envolvimento de países aliados dos dois lados, onde o conflito assumirá proporções consideráveis, afetando tanto a segurança e a economia destes países quanto de países não participantes. 

Instalações nucleares 


Os ataques israelenses ao Irã geraram grande preocupação, também, por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O diretor-geral da Agência, Rafael Mariano Grossi, informou que mantém contato com líderes iranianos a fim de verificar se as instalações nucleares do país foram afetadas. 

Conforme relatou Grossi, o governo do Irã informou que a usina de enriquecimento de urânio, na cidade de Natanz, “não apresenta níveis elevados de radiação”. Segundo a declaração, as instalações na cidade de Esfahan e a instalação subterrânea de Fordow, não foram afetadas.

Para o diretor-geral da AIEA, independente do contexto, jamais instalações nucleares devem ser atacadas, uma vez que uma possível contaminação por radiação nuclear afeta pessoas e meio ambiente, colocando em risco a segurança local e internacional.


Discurso de Rafael Mariano Grossi, diretor geral da AIEA (Vídeo: reprodução/X/@UN_News_Centre)

Nas últimas horas, o Irã tem investido contra o Estado de Israel como represália aos ataques sofridos nesta madrugada. As Forças de Defesa de Israel (IDF), juntamente com o Mossad, Serviço de Inteligência israelense, têm monitorado essa ofensiva interceptando drones e mísseis iranianos e realizando novos ataques ao país.

Apesar dos pedidos de trégua e acordos, por parte de vários líderes e organizações multilaterais, tanto Israel quanto o Irã, até o momento, não demonstram interesse em um cessar-fogo. Fazendo com que a comunidade internacional fique em alerta e volte suas atenções ao Oriente Médio, importante região geopolítica dentro do contexto global. 

Zambelli: Ministério da Justiça pede extradição e aciona Itamaraty

O Ministério da Justiça solicitou formalmente o pedido de extradição da deputada federal licenciada, Carla Zambelli, às autoridades italianas. A solicitação feita ontem, quarta-feira (11), será encaminhada ao país europeu por meio do Itamaraty, apto a realizar este tipo de procedimento devido aos trâmites diplomáticos necessários à situação. 

Carla Zambelli, que teve sua prisão preventiva decretada em 04 de junho (2025), devido à sua saída do Brasil sem comunicar às autoridades, é considerada foragida pela justiça brasileira. Por esse motivo, o ministro Alexandre de Moraes, no último sábado (07), converteu a prisão da parlamentar em definitiva. 

Em maio (2025), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), condenou a deputada por unanimidade no processo relacionado à invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), juntamente com o hacker Walter Delgatti. A condenação prevê multa, perda de mandato e 10 anos de prisão, inicialmente em regime fechado.

Tratado de Extradição 

Em 1989, o Brasil e a Itália firmaram acordo de extradição que entrou em vigor através do Decreto nº 863/93. Conforme o Tratado, os países têm obrigação de entregar à parte requerente “pessoas que se encontrem em seu território e que sejam procuradas pelas autoridades judiciárias”. No entanto, a recusa da extradição pode ocorrer se o país entender que o condenado sofre perseguição e discriminação, inclusive política. 

Importante ressaltar que Zambelli, ao sair do país, declarou ser inocente dos crimes imputados a ela e é  perseguida devido à sua posição política. Esta perseguição, segundo a deputada, é tanto por parte da oposição quanto das autoridades brasileiras. Discurso respaldado por seus advogados de defesa, familiares e apoiadores parlamentares. 


João Zambelli, filho da deputada federal licenciada Carla Zambelli, em declaração a favor da parlamentar e contra a condenação (Vídeo: reprodução/Instagram/@gustavo.gayer)


Zambelli, que possui dupla cidadania, busca, junto à extrema-direita italiana, não ser extraditada e, se necessário o cumprimento da pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que seja cumprida no país europeu. De acordo com declarações da parlamentar, ela não conseguiria cumprir a pena no Brasil, se fizer, “morreria na prisão”.

Outros casos de extradição

O deputado italiano Angelo Bonelli, desde que soube que Carla Zambelli buscaria refúgio na Itália para o não cumprimento da pena a que foi imposta pela Primeira Turma do STF, tem recorrido ao governo e autoridades italianas solicitando a extradição da deputada para o Brasil. Em suas falas, Bonelli, declara que a Itália não pode ser refúgio para condenados de outros países sob o argumento de perseguição política.


Declaração do deputado italiano Angelo Bonelli, sobre Carla Zambelli (Vídeo: reprodução/X/@AngeloBonelli1)

Nas últimas décadas, a Itália acatou pedidos de extradição feitos pelo Itamaraty às autoridades italianas. Em 2015, Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, envolvido em casos de corrupção, mesmo tendo dupla cidadania foi extraditado para o Brasil, onde cumpriu pena em regime fechado por dois anos. 

Outro caso de extradição foi de Salvatore Cacciola, italiano condenado no Brasil por crimes de desvio de recursos públicos e fraude financeira em 2008. Cacciola foi extraditado para o Brasil e por três anos cumpriu pena no Instituto Penal Plácido Sá Carvalho, em Gericinó, na cidade do Rio de Janeiro.

Itamaraty condena uso da fome como arma e pede investigação sobre ataques em Gaza

O Ministério das Relações Exteriores— Itamaraty solicitou, nesta quarta-feira (4/6), uma investigação independente sobre os recentes ataques de Israel à Faixa de Gaza. Além disso, o governo brasileiro reafirmou sua crítica à ação militar israelense no território palestino.

Em nota, o Itamaraty destacou que o governo brasileiro condena os ataques israelenses contra a Palestina nos últimos dias. As ações militares resultaram em centenas de civis mortos e feridos. Apenas nas últimas 24 horas, o território palestino registrou 95 mortes, segundo o comunicado oficial.

No domingo (1º/6), um ataque israelense perto de um centro de distribuição de ajuda humanitária causou mais de 30 mortes e deixou 150 feridos. As informações vêm do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, administrada pelo Hamas.


Nota do Itamaraty sobre ataques israelenses na Palestina (Foto: reprodução/X/@ItamaratyGovBr)

Uso da fome como ‘estratégia de guerra

Ainda no comunicado, o Itamaraty considera inaceitável o uso da fome como estratégia ou arma de guerra. “É absolutamente inaceitável o uso da fome como arma, ou estratégia de guerra, e o emprego da violência contra civis em busca de alimentos.” Usando dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o órgão afirmou que Israel tem permitido a entrada de poucos caminhões com farinha no território palestino.

Além disso, apenas uma quantidade limitada de suprimentos essenciais, como medicamentos e alimentos para bebês, tem chegado à região. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), cerca de 2,2 milhões de pessoas em Gaza enfrentam grave insegurança alimentar, e a escassez de recursos continua a agravar a crise humanitária.

Lula acusa Israel de genocídio e critica “vitimismo

Essa declaração do governo brasileiro ocorreu um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusar Israel de genocídio e afirmar que o país precisa abandonar a postura de “vitimismo”. Em entrevista a jornalistas, o presidente brasileiro respondeu a uma nota da Embaixada de Israel em Brasília, que alegou que autoridades internacionais “compram mentiras” do grupo palestino Hamas.

Segundo Lula, Israel classifica frequentemente as críticas como antissemitismo, mas ele enfatizou a necessidade de reavaliar a situação. Segundo o presidente, “o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio”, lembrando mortes de mulheres e crianças que não estão participando de guerras.


Presidente Lula faz duras críticas a Israel (Vídeo: reprodução/X/@rtnoticias_br)

Itamaraty reforça posição do governo brasileiro

Essa posição foi reforçada na nota divulgada pelo Itamaraty hoje (4). O comunicado pede o fim imediato dos ataques israelenses contra a Palestina e sua população civil. Além disso, defende o cumprimento do Direito Internacional, com a retirada total das forças israelenses da área ocupada, o fim das restrições à entrada e à distribuição de ajuda humanitária e a libertação dos reféns remanescentes.

Brasil e 19 países discutem reconhecimento da Palestina em encontro na Espanha

Delegações de 20 países se encontraram neste domingo (25), em Madri, na Espanha, para reconhecer oficialmente o Estado da Palestina. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares Bueno, divulgou essa informação. O Brasil esteve representado na reunião pelo chanceler Mauro Vieira.

Albares ressaltou a necessidade urgente de uma solução para o conflito na Faixa de Gaza. A princípio, em uma publicação nas redes sociais, ele enfatizou que a guerra precisa chegar ao fim, classificando a situação como desumana e cruel. Além disso, o ministro defendeu o direito do povo palestino à esperança e reforçou que a coexistência pacífica entre Palestina e Israel, por meio da solução de dois Estados, é o caminho viável.


Ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, define a situação em Gaza como “desumana e cruel” (Foto: Reprodução/X/@jmalbares)

Mauro Vieira reafirma apoio ao reconhecimento da Palestina

Dessa forma, ainda durante encontro na Espanha, Mauro Vieira condenou a falta de ação da comunidade internacional diante da violência contra civis em Gaza e alertou que a história não aceitará justificativas para essa postura. Durante o encontro, o ministro brasileiro se reuniu com o primeiro-ministro palestino, Mohammad Mustafa, e reforçou a necessidade do reconhecimento da Palestina como Estado. Além disso, ele também destacou que a admissão plena do país na ONU é essencial para viabilizar a solução de dois Estados.

Entretanto, o chanceler brasileiro ressaltou a importância de iniciativas internacionais para pôr fim à invasão e ao desrespeito ao direito internacional na região. Desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023, o Brasil tem defendido um cessar-fogo permanente e a garantia de ajuda humanitária contínua aos palestinos.

Conflito em Gaza é “carnificina”, diz ministro

Mauro Vieira também alertou sobre a gravidade da situação em Gaza durante audiência no Senado, em abril, classificando o cenário como uma “carnificina”. Ele destacou o número elevado de mortes, incluindo muitas crianças, e condenou a inação da comunidade internacional.

“Acredito que é uma situação terrível o que está acontecendo. Há uma carnificina. É uma coisa terrível o que está acontecendo. Há um número elevadíssimo de mortes de crianças. É algo que a comunidade internacional não pode ver de braços cruzados”, afirmou.

Por fim, Vieira também reafirmou o compromisso histórico do Brasil com a solução de dois Estados, defendendo a coexistência pacífica entre Israel e Palestina.