Reino Unido anuncia suspensão de comércio com Israel após ofensiva em Gaza

Nesta terça-feira (20), o governo britânico anunciou a suspensão das negociações de livre comércio com Israel, após nova ofensiva na Faixa de Gaza. Além disso, o Reino Unido também sancionou assentamentos da Cisjordânia, onde as ações de Israel também estão sendo pressionadas. 

Nos últimos dias, líderes da França e Canadá, junto ao primeiro-ministro, Keir Starmer, já pressionavam a forma como Israel está conduzindo a guerra, destacando a falta de ajuda humanitária em Gaza.

A nova ofensiva terrestre foi o que desencadeou a decisão britânica, anunciada pelo secretário de Relações Exteriores, David Lammy. 


Matéria da CNN Internacional (Foto: reprodução/ X/ @cnni)

França, Canadá e Reino Unido pressionam Israel 

Nesta segunda-feira (20), o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o premiê do Canadá, Mark Carney, divulgaram uma declaração em conjunto, na qual condenaram as “ações escandalosas” de Israel na condução do confronto em Gaza. 

Na declaração eles ainda acusam a violação do direito internacional humanitário, devido aos excessivos deslocamentos forçados de civis, e reforçam a necessidade de permissão da entrada da ajuda comunitária no território. 

Participação da ONU

Enquanto Israel segue avançando sob o território palestino, com investidas terrestres e aéreas, a Organização das Nações Unidas (ONU) tenta a autorização para a entrada da ajuda comunitária. 

Segundo a própria ONU, Gaza precisa de ao menos 500 caminhões por dia para ajudar uma população de cerca de 2,3 milhões de pessoas. O porta-voz do escritório humanitário da ONU, Jens Laerke, disse durante uma coletiva em Genebra que os caminhões contém suprimentos essenciais para crianças e recém-nascidos, que correm risco de morte. 

A autorização foi concedida por Israel para que cerca de 100 caminhões da ajuda comunitária entrassem na faixa de Gaza. Porém, a ONU afirma que apenas 5 caminhões puderam entrar em Gaza na segunda-feira. 

De acordo com o mais recente relatório do Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas, a ofensiva israelense já causou mais de 53.486 mortes na região. Esse dado foi considerado confiável pela ONU. 

Países pressionam Israel e ameaçam sanções caso ofensivas em Gaza permaneçam

Líderes de França, Canadá e Reino Unido pediram o fim das ofensivas de Israel na Faixa de Gaza. Caso a ofensiva militar não seja interrompida, ‘medidas concretas’ serão tomadas pelos países em defesa de Gaza. Os líderes dos três países prometem não ficar de braços cruzados enquanto o governo de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, continua com essas ações escandalosas.

A posição dos líderes

Emmanuel Macron, presidente da França e os primeiros-ministros Mark Carney, do Canadá, e Keir Starmer, do Reino Unido, realizaram uma declaração conjunta condenando a linguagem de ódio utilizada pelo governo israelense e advertem sobre a violação do direito internacional humanitário. Os líderes reforçam a pressão sob o governo de Israel para a entrada de ajuda humanitária no país. Nesta segunda-feira (19) foi permitida a entrada de caminhões em Israel, mas a Organização das Nações Unidas considera a quantidade insuficiente.

“Israel sofreu um atentado atroz em 7 de outubro. Sempre apoiamos o direito de Israel de defender os israelenses contra o terrorismo, mas esta escalada é totalmente desproporcional. Se Israel não puser fim à nova ofensiva militar nem interromper suas restrições à ajuda humanitária, adotaremos outras medidas concretas em resposta.”


Vídeo detalha a história do conflito desde os primórdios. (Vídeo: Reprodução/YouTube/Toda Matéria)

No dia 18 de junho, uma convenção em Nova Iorque está marcada para a resolução do conflito entre os dois estados. Os líderes prometeram trabalhar com as autoridades e parceiros para alcançarem um consenso sobre o futuro de Gaza, baseado no plano árabe.

Estamos decididos a reconhecer um Estado palestino como contribuição para a realização de uma solução de dois Estados, e estamos dispostos a trabalhar com outros para tal fim.

Números do conflito

Israel busca controlar território palestino para derrotar o grupo terrorista Hamas, que foi responsável por realizar um ataque no dia 7 de outubro de 2023, vitimando 1.218 pessoas e sequestrando outros 251 civis, de acordo com dados oficiais israelenses. Dentre o número de reféns, 34 foram declarados mortos pelo exército israelense, e outras 57 pessoas continuam em cativeiro. Desde o início das ofensivas israelenses, a ONU registra pouco mais de 53 mil mortos no território.

Israel bombardeia Gaza e deixa 80 mortos 

Israel aumentou os bombardeios na Faixa de Gaza nesta semana. Segundo a Defesa Civil, os ataques ocorreram entre terça-feira (13) e quarta-feira (14), e ao menos 80 pessoas foram mortas, entre elas 22 crianças.

O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo grupo Hamas, divulgou nesta quarta-feira, às 7h da manhã, pelo horário de Brasília, que há 70 mortos. No entanto, revelou que há vítimas sob os escombros e nas ruas que ainda não receberam atendimento. Também foi comunicado que mais de cem pessoas ficaram feridas devido aos bombardeios ocorridos nas últimas horas.

Ainda de acordo com os médicos, a maioria dos feridos são crianças e mulheres, que faleceram em decorrência dos ataques aéreos israelenses registrados recentemente na região de Jabalia, no norte de Gaza.

Falas polêmicas do primeiro-ministro israelense

Após a libertação do refém americano-israelense Edan Alexander — que estava sob domínio do grupo terrorista desde outubro de 2023 — o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, revelou que seu exército “completará a ofensiva” para combater o Hamas com “força total”.

Até o momento, o exército israelense não se pronunciou sobre os ataques aéreos ocorridos nesta quarta-feira. Além das explosões de quarta, os bombardeios aéreos de terça-feira atingiram o Hospital Europeu em Khan Younis, no sul da Palestina. Conforme as informações, 16 pessoas foram mortas e mais de 70 ficaram feridas. As artilharias foram ouvidas na mesma região. Segundo as forças militares, os ataques tinham como alvo um “centro de comando do Hamas” que ficaria embaixo do hospital. Porém, as alegações foram desmentidas pelo grupo.


Benjamin Netanyahu conversando com o jovem que foi libertado pelo Hamas (Foto: reprodução/x/@netanyahu)


Benjamin Netanyahu

Por meio de um vídeo publicado no Telegram, Benjamin Netanyahu garantiu que, nos próximos dias, as forças armadas entrarão em Gaza “com toda a força”, mesmo que o grupo terrorista liberte novos reféns.

“Nos próximos dias, entraremos com todas as nossas forças para completar a ofensiva e subjugar o Hamas. O Hamas pode dizer: ‘Chega! Queremos libertar mais dez’. Ok, tragam-nos. Nós os capturaremos e então entraremos. Mas não haverá como impedir a guerra. Podemos fazer um cessar-fogo por um tempo determinado, mas iremos até o fim”, revelou.

Após libertar o refém americano-israelense, o Hamas informou que está de acordo com um cessar-fogo abrangente. Mas o premiê comentou que não permitiu o cessar-fogo nem a troca de detentos para libertar o jovem americano. O grupo afirmou que só autorizou o retorno de Edan Alexander como forma de apaziguar a relação, devido à influência do presidente dos Estados Unidos, e solicitou que o governo americano continuasse com suas medidas para acabar com a guerra.

No entanto, em razão das últimas declarações de Benjamin Netanyahu, os esforços para um possível cessar-fogo frustram as medidas de negociação que vêm sendo realizadas pelas autoridades mundiais.

Minutos antes de publicar o vídeo, o primeiro-ministro compartilhou, em sua conta na rede social X (antigo Twitter), a conversa entre ele e o jovem Edan Alexander, que ficou um ano como refém do grupo Hamas.

Israel faz nova proposta de cessar-fogo nos conflitos em Gaza

Uma emissora afiliada ao governo do Egito trouxe uma informação de que Israel havia dado uma nova proposta de cessar-fogo ao conflito realizado na Faixa de Gaza. O grupo terrorista Hamas, considerou a oferta, porém um alto funcionário afirmou que pelo menos dois dos elementos do acordo eram inviáveis. Esta medida de cessar-fogo se une a várias outras, como a que ocorreu no final de janeiro, terminando no mês de março.

A nova proposta de Israel

A emissora egípcia Al Qahera News TV, que é associada ao governo do Egito, apresentou uma nova proposta de Israel para criar um novo cessar-fogo contra a organização terrorista Hamas, na região de Gaza. O grupo terrorista foi informado do acordo, porém uma figura de autoridade afirmou que não concordavam e não cederiam a pelo menos duas cláusulas do acordo

O grupo palestino disse em um comunicado que a proposta estava em análise, e uma resposta seria entregue assim que possível. Um representante do Hamas, Sami Abu Zuhri, declarou à Reuters que dentro da proposta dada por Israel não era considerado a sua principal exigência que seria um fim às medidas ofensivas de Israel. Outro elemento da proposta era que houvesse, pela primeira vez, o desarmamento do Hamas, na próxima etapa das negociações. Sami Abu Zuhri, no entanto, negou essa medida, afirmando que isso estava fora de cogitação e não seria discutido e nem considerado pelo grupo. Israel não fez comentários imediatamente sobre o acordo.


Destroços de prédios , devido aos conflitos em Gaza (Foto: reprodução/OMAR AL-QATTAA/AFP/Getty Images Embed)


O Hamas está pronto para entregar os reféns de uma só vez em troca do fim da guerra e da retirada das forças militares israelenses de Gaza”, informou Abu Zuhri.

Fontes egípcias e palestinas informaram que a última rodada de negociações, feita no Cairo, para restaurar cessar-fogo e libertar reféns israelenses, terminou sem avanços. O Hamas insiste que para acabarem com o conflito, Israel deve se comprometer a terminar a guerra e a retirar suas forças da Faixa de Gaza, conforme o último cessar-fogo, que ocorreu no final de janeiro, tendo seu fim em meados de maio. Israel, porém, disse que não acabará com a guerra a não ser que o Hamas seja eliminado e que reféns mantidos em Gaza sejam devolvidos.

Consequências de guerra

De acordo com autoridades de saúde de Gazas, as forças militares israelenses, desde o mês anterior, ceifaram a vida de mais de 1.500 palestinos. O grupo terrorista Hamas moveu centenas de milhares de pessoas e impôs um bloqueio a qualquer suprimento que entrar nos limites do território.


Médico cuidando de cidadão palestino ferido (Foto: reprodução/Mahmoud Issa/Anadolu/Getty Images Embed)


Em meio a essa situação, 59 reféns israelenses continuam com os militantes. Israel ainda crê que 24 desses reféns ainda permanecem vivos.

Após seis semanas de bloqueio palestinos em gaza enfrentam falta de comida

Após Israel cortar completamente, o fornecimento de 2,3 milhões de moradores que residem na faixa de Gaza, os alimentos já estão se esgotando, e a preocupação começa a pairar na região. As distribuições que eram feitas de maneira emergencial, estão chegando ao seu fim, tendo em vista ainda que as padarias e os mercados estão sem nada para poder fornecer aos moradores do local. O país liderado por Benjamin Netanyahu bloqueou os envios de alimentos, entre outras coisas, há cerca de seis semanas.

Situação

Algumas famílias estão tentando se virar da sua forma, Rehab Akhras e sua família, usaram papelão para acender fogueira e poder ferver o feijão, ela demonstra uma certa preocupação com o que pode ocorrer aos seus familiares, se caso ficarem sem alimentação nos próximos dias, segundo a mesma são 13 pessoas que precisam de alimentos, para não passarem fome, informou ainda que apesar de ter sobrevivido a guerras e atentados, não conseguiria sobreviver caso haja falta de comida para eles.


Palestinos andando pelas ruas de Gaza no dia 8 de abril (foto:reprodução /Madji/fathi/Getty Images Embed)


Fornecimento

Grande parte do fornecimento de comida, era feito pelo mundial de alimentos (PMA), eles forneciam cerca de 25 padarias localizadas na faixa de Gaza. No momento os estabelecimentos comerciais em que recebiam essa ajuda com suprimentos, se encontram fechadas, e, além disso, terá que ser encerrado a distribuição de cestas básicas, que eram feitas em porções reduzidas. Conforme Juliette Touma da UNRWA, agência pertencente a ONU que está designada a ajudar a Palestina, informou.


Acusação

Homens do Hamas estão sendo acusados pelo exército israelense de explorarem da ajuda humanitária. Segundo as Forças de defesa de Israel(FDI), eles não irão fornecer ajuda para os que eles chamam de terroristas, informou os militares de Israel. O Ministério das relações exteriores falou que 25 mil caminhões haviam entrado em Gaza nos últimos 42 dias enquanto ocorria o cessar-fogo entre os países, antes de acontecer o fechamento da fronteira nos primeiros dias de março.

Ainda não se sabe quando Israel voltara a fornecer alimentação para a Palestina.

Unidos por Ballal: diretores criticam o Oscar

Durante esses últimos dias, diversos cineastas se manifestaram em repúdio a forma indiferente, a qual, o Oscar reagiu a um de seus premiados. Na madrugada entre a segunda-feira (24) e a terça-feira seguinte, o diretor palestino Hamdam Ballal sofreu uma série de ataques e foi levado ao cárcere. Os episódios, gravados pelo co-diretor de sua obra vencedora, repercutiram mundialmente e após uma gama de cobranças a academia, a resposta finalmente chegou, porém, não é a resposta esperada.

Segundo o portal da “Uol” o jornalista israelense, também co-diretor do documentário “No Other Land, Yuval Abraham, foi o primeiro a se pronunciar em uma denúncia feita no X (ex-Twitter). Alegando que infelizmente a Academia dos Estados Unidos, que os deu o Oscar há três semanas, se recusou a apoiar Hamdan Ballal publicamente enquanto ele era agredido, torturado e mantido preso por soldados israelenses.


— O Jornalista israelense se pronuncia sobre a resposta da Academia aos ataques sofridos pelo colega palestino premiado pela categoria do Oscar (Postagem: Reprodução/X (ex-Twitter)/@yuval_abraham)


Abraham ainda afirmou que o Oscar não sentiu necessidade de se pronunciar por conta de outros palestinos, também agredidos no ataque dos colonos, e por tanto o ataque sofrido poderia não ter relação com o filme. Porém, Hamdan afirmou ter ouvido os soldados fazendo piada sobre o Oscar.

Uma desculpa para se calar

Segundo o co-diretor de “Sem Chão” o ataque foi claramente escolhido por conta do documentário e o fato de Ballal ser palestino.

Aparentemente, isso deu à Academia uma desculpa para ficar calada quando um cineasta que eles homenagearam, que vive sob uma ocupação israelense, mas precisava dela”, desabafou o jornalista.

O cineasta ainda ressalta que outras organizações se pronunciaram dando apoio ao colega, destacando o papel da Academia Europeia de Ciências e Artes e uma gama de profissionais do audiovisual que sentiram a dor da vítima.

Quebra de confiança

O portal “Omelete” trouxe a revolta de mais vozes do mundo artístico e apontou como consequência outros cineastas, inclusive votantes da própria premiação, como o documentarista AJ Schnack (Kurt Cobain: Retrato de uma Ausência), que escreveram uma resposta ao CEO da Academia, Bill Kramer, e à presidente, Janet Yang.


AJ Schnack em um jogo de basebol em Los Angeles (foto: reprodução/Instagram/@Ajschnack)

O diretor independente começou pontuando a dificuldade para se expressar adequadamente e a decepção, mesclada com a raiva, pela péssima declaração enviada aos membros da academia. Seguindo chocado e furioso pela sensação de abandono do Oscar, o cineasta afirma que a organização da premiação norte-americana deixou uma brecha para que os membros vejam:

“Vocês (Oscar) veem o sequestro e espancamento de um premiado recente como algo sobre o qual os membros terão ‘muitos pontos de vista únicos’. Com todo respeito, é uma sugestão verdadeiramente hedionda”, disse Schnack.

Ainda com um sentimento de quebra de confiança por parte dos jurados, já que segundo o artista essa declaração deixou claro que a presidência do festival reconhecido mundialmente não usará sua voz caso algo assim aconteça a outro membro no futuro, mesmo que, segundo AJ, seja algo feito por um governo norte-americano ou outro.

União e apoio entre os membros

Com questionamentos de outros cineastas indagando se a Academia realmente se importa com a liberdade artística e os direitos desses artistas do audiovisual, com consequência diversos nomes prestigiados da categoria utilizaram as redes sociais para apoiarem as falas de Yuval Abraham e AJ Schnack.

A votante Jehane Noujaim, indicada ao Oscar em 2014 pelo documentário The Square, apoiou o colega e agradeceu aos depoimentos de AJ pontuando que também escreverá uma carta. Em seguida, a produtora Ina Fichman, indicada em 2023, afirmou que todo o departamento de documentários deveria assinar essa carta e torná-la pública e escrever tanto para o Presidente quanto para a SEO da academia.

A diretora vencedora do Emmy, Rachel Leah Jones, por “Advocate”, deu uma resposta polêmica seguindo a premissa de que essa resposta do Oscar é errada, mas é também um aviso aos membros, incluindo “os preguiçosos e confortáveis predominantemente brancos, sob o regime de Trump” que isso não é sobre “pontos de vista únicos”, mas, é sobre certo e errado.

Diretor palestino é agredido e preso por militares em Israel

Nesta segunda-feira (24), o diretor palestino Hamdan Ballal, que participou na direção do documentário ganhador do Oscar, “Sem Chão”, sofreu um ataque de colonos israelenses e foi detido por militares das Forças de Defesa de Israel, que atuam na Cisjordânia.

O ataque ao cineasta

O Palestino diretor do documentário vencedor do Oscar, que aborda a vivência de palestinos na região da Cisjordânia, que possui opressão e violência das forças armadas de Israel, foi vítima de um ataque, feito por colonos israelenses e em seguida foi detido por militares das Forças de Defesa de Israel.


Hamdan Ballal e seus companheiros vencedores do Oscar (Foto: reprodução/Mike Coppola/Getty Images Embed)


Os atentados ocorreram nesta segunda-feira (24), em uma região próxima ao assentamento israelense de Susya. As Forças de Defesa de Israel informaram que estão investigando o caso, porém não se aprofundaram em nenhum detalhe.

Yuval Abraham, jornalista israelense que também foi responsável pela direção do documentário, fez um relato em seu X (antigo Twitter) dizendo que Hamdan foi ferido na cabeça e na barriga, e ficou sangrando. Ele então disse que quando uma ambulância veio para socorrê-lo, os militares o retiraram do veículo, enquanto estava sendo tratado.

Colonos invadiram casas, atiraram pedras, quebraram janelas e veículos e agrediram violentamente moradores e ativistas de solidariedade. Várias pessoas ficaram feridas”, afirmou Ihab Hassan, um ativista palestino, que foi uma das testemunhas do ataque, por meio do X.

De acordo com a Associated Press, as testemunhas disseram que um grupo que tinha entre 10 e 20 colonos mascarados atacou Ballal e outros ativistas judeus, que estavam no local, com pedras e bastões, além de danificar seus carros, quebrando os vidros e furando os pneus.

As tensões da guerra

Os conflitos na Cisjordânia têm se intensificado recentemente. Mesmo após a trégua já quebrada, no início do ano, os conflitos emergiram e continuam em cenário de tensão. As forças de Israel conduzem uma grande operação na Cisjordânia, dizendo que tem como alvo grupos terroristas e extremistas. Milhares de palestinos foram forçados a deixar suas habitações em campos de refugiados, após a infraestrutura ser destruída. E pela primeira vez em mais de 20 anos, Israel enviou tanques de guerra para a cidade de Jenin, no final de janeiro.


Veículo reforçado de Israel, na Cisjordânia (Foto: reprodução/Issam Rimawi/Anadolu/Getty Images Embed)


No mês de fevereiro, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, informou que havia ordenado seus militares a realizar uma estadia mais prolongada na Cisjordânia, intensificando suas operações. Apesar de ser considerado um território palestino, a Cisjordânia é controlada pelas forças militares de israelenses, portanto impõem suas leis aos residentes palestinos e podem julgá-los por seus tribunais militares.

Israel aprova proposta para transferência voluntária de Palestinos da Faixa de Gaza

Uma nova proposta aprovada pelo gabinete de segurança de Israel possibilitaria a saída de palestinos da Faixa de Gaza em direção a países terceiros. Anunciada no último final de semana, a decisão gerou reações adversas de especialistas e organizações de direitos humanos. O ministro das finanças, Bezalel Smotrich, afirmou que a medida foi aprovada após sugestão do ministro da defesa, Israel Katz, e tem como objetivo permitir “uma transferência voluntária para moradores de Gaza que expressam interesse em se mudar”, respeitando a legislação israelense e internacional, além de alinhar-se com a visão do presidente do EUA, Donald Trump.

Riscos de deslocamento forçado

Entretanto, essa proposta levanta sérias preocupações entre especialistas. Críticos e entidades humanitárias apontam que, apesar do discurso de voluntariedade, a iniciativa pode ser vista como uma tentativa de expulsão forçada. Isso, por sua vez, poderia configurar um crime de guerra. No contexto atual de conflito, qualquer movimento que resulte em deslocamento em massa é considerado uma forma de limpeza étnica, de acordo com o direito internacional.


Ataques Israelenses em Gaza deixa ao menos 7 mortos Foto: (Reprodução/Instagram/perfilcombrasil)


As condições de vida em Gaza, que se deterioram significativamente devido aos ataques militares, reforçam essas preocupações. Organizações de ajuda relatam que a situação se tornou insustentável, e o secretário-geral adjunto da ONU para assuntos humanitários, Martin Griffths descreveu o território como “inabitável”, com civis enfrentando “ameaças diárias à sua própria existência”.

Posicionamento da autoridade Palestina oposta a Israel

Em resposta à proposta, a autoridade Palestina expressou uma firme oposição. A ministra de estado para Relações Exteriores, Varsen Aghabekian Shaheen, declarou à CNN no mês passado que os palestinos “estão firmes em permanecer em suas terras e não se mudarão”. Por outro lado, as autoridades israelenses sustentam que a adesão à proposta será inteiramente voluntária. Para isso, planejam criar uma estrutura interna que facilitará o movimento seguro de moradores que desejarem migrar, planejando rotas de saída, pontos de controle e a necessária infraestrutura para essa migração.

Manifestações contra a extrema-direita na França mobilizam milhares de pessoas

Milhares de pessoas protestaram neste sábado (22), em Paris e em outras cidades da França, contra o racismo e a ascensão da extrema-direita. Segundo o Ministério do Interior, foram contabilizados cerca de 91 mil manifestantes que agitaram bandeiras da Palestina e cartazes contra o governo de Donald Trump nos Estados Unidos. 


Contexto do avanço da extrema-direita na França (Vídeo: Reprodução/YouTube/G1 Globo)

As manifestações acontecem no contexto da guinada para a direita na política francesa. Os protestos ocorreram como uma resposta às promessas do governo em endurecer as políticas migratórias e aumentar o controle nas fronteiras. 

Protestos nas diferentes cidades da França 

Em Paris, capital do país, foram registradas 21 mil pessoas e as manifestações resultaram em momentos de confronto entre manifestantes e agentes das forças de segurança. 

Em Marselha, cidade da região da Provence, no sul da França, a polícia divulgou que o número de pessoas nas manifestações era de 3.300, enquanto que o sindicato CGT contabilizou 10 mil manifestantes. No norte, a cidade de Lille, de acordo com a polícia, contou com 2.600 pessoas nos protestos. 

Extrema-direita na Europa e nos EUA 

A maior parte dos manifestantes destacou a tendência de discursos e práticas de políticas reacionárias na Europa e nos Estados Unidos. Muitos cartazes denunciavam a islamofobia promovida pelo Estado e apontavam a proximidade da política americana e francesa com o fascismo. 

Aurélie Trouvé, deputada do partido de esquerda França Insubmissa (LFI na sigla em francês) apontou para o crescimento e adesão do discurso de extrema-direita pela popularidade do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional (RN na sigla em francês), da líder da direita radical francesa Marine Le Pen. 

Além da França, países como Portugal, Espanha e Alemanha, que possuem um histórico de atuação social e ideologia humanista, também se encontram no contexto de maior adesão da extrema-direita. De acordo com o jornalista Jamil Chade, a onda da extrema-direita na Europa reflete uma “crise existencial” no continente, decorrente da crise financeira de 2008.






Israel lança grandes ataques à Gaza e quebra a trégua assinada no início do ano

Na madrugada desta terça-feira (18), foi informado pelas próprias Forças Armadas de Israel, que eles estavam realizando ataques extensivos na Faixa de Gaza, quebrando o cessar-fogo que ocorreu no meio de janeiro de 2025. Os bombardeios acabaram levando a vida de pelo menos 330 pessoas.

Os ataques de Israel

As Forças Armadas de Israel fizeram um anúncio, em seu Telegram, na madrugada desta terça-feira (18), sobre grandes ataques que estavam fazendo na região da Faixa de Gaza. Os ataques foram os maiores desde o cessar-fogo, feito no dia 19 de janeiro, em que foi proposto uma trégua temporária na região de Gaza, até o início deste mês. Os bombardeios, promovidos nas regiões da Cidade de Gaza, Khan Younis, Rafah e Deir al-Balah, deixaram pelo menos 330 mortos.


Pessoas com corpos dos mortos em Gaza, durante os ataques de Israel (Foto: reprodução/Doaa Albaz/Anadolu/Getty Images Embed)


Mais de 330 mártires, a maioria menores de idade, mulheres e idosos, são o saldo inicial da agressão”, disse Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza.

Foi especificado por ele que mais de 82 mortes ocorreram na cidade de Khan Younis, localizada ao sul de Gaza, e as outras foram espalhadas por Nuseirat, centro do território, Cidade de Gaza e o norte da região.

O acordo de cessar-fogo, realizado em meados de janeiro, tinha como objetivo interromper os conflitos no território de Gaza até um novo acordo ser firmado no início deste mês de março. Desta vez, a proposta era de uma trégua permanente, em que haveria a libertação dos reféns em Gaza, assim como a devolução dos corpos, e a retirada completa das forças israelenses do território palestino – acordo esse que foi rejeitado por Israel.

Segundo o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ele, juntamente com o Ministro da Defesa, Israel Katz, informou às Forças Armadas para agir com força contra o Hamas, organização terrorista da Palestina, alegando que eles teriam se recusado a libertar seus reféns. Para corroborar com a informação dos ataques intensos, foram canceladas as aulas em escolas nos arredores de Gaza.

Steve Witkoff, o enviado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma proposta de estender a primeira fase da trégua até abril, porém as autoridades do Hamas rejeitaram a proposta, declarando que não teriam uma moeda de troca com Israel, caso libertassem seus reféns.

O conflito continua

Os conflitos em Gaza ainda não estão pertos do fim, muito pelo contrário, pois foi declarado por Israel que eles irão agir contra o Hamas com força militar cada vez maior.


Escombros de região atacada por Israel, em Gaza (Foto: reprodução/Hamza Z. H. Qraiqea/Anadolu/Getty Images Embed)


O Hamas, portanto, entende que ao realizar estas ações, Israel pôs um fim ao cessar-fogo, iniciado no meio de janeiro. O grupo que controla o Hamas desde 2007, cobrou os mediadores do conflito, Egito, Catar e EUA, a responsabilizarem Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, pela violação da trégua.

Segundo a Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, que tem a função de porta-voz, o governo de Donald Trump foi consultado por Israel antes de começarem os ataques em Gaza.

Na última sexta-feira (14), o Hamas fez um anúncio, citando que estaria disposto a libertar um refém israelense-americano e entregar os corpos de outras quatro pessoas com dupla nacionalidade, algo que seria parte das novas negociações sobre o cessar-fogo. O governo israelense recusou e a imprensa do país afirmou que Netanyahu não está interessado em encerrar a guerra e irá continuar firme em suas ações.