Senado articula proposta para tirar Bolsonaro do regime fechado

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) e aliados articulam a tramitação de um projeto de lei (PL) que visa livrar o ex-presidente, Jair Bolsonaro, da prisão em regime fechado. A proposta desconsidera as condenações por abolição do Estado Democrático de Direito e  tentativa de golpe de Estado

Nesse contexto, para acelerar a tramitação do PL, o senador, Carlos Viana, autor do projeto, e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), articulam a votação com caráter de urgência, para que, se aceito, o projeto não passe pelas comissões e seja diretamente votado no plenário do Senado.

O que diz o texto

Caso a proposta seja aprovada, Bolsonaro pode deixar o regime fechado. Isso porque, o novo PL visa desconsiderar suas condenação pelos crimes de abolição do Estado Democrático de Direito e  tentativa de golpe de Estado, nos quais sentenciaram o ex-presidente à 27 anos e três meses de prisão. 


Bolsonaro é flagrado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília no último domingo (23) (Foto: Reprodução/ Sergio Lima / AFP via Getty Images Embed)


Nesse sentido, de acordo com o texto, restaria à Bolsonaro apenas as condenações por dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, somando a pena máxima de seis anos de detenção. 

Desse modo, na tentativa de evitar a prisão do ex-presidente em regime fechado, o novo projeto se apoia na Constituição brasileira, que diz que o réu tem obrigação de cumprir a pena na prisão caso condenado por crimes de dosimetria superior a oito anos. 

Prisão de Bolsonaro

No último sábado (22), Jair Bolsonaro foi levado à prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília pela tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, medida cautelar utilizada pelo ex-presidente desde agosto deste ano. No entanto, apesar de estar preso desde o final de semana, o cumprimento da sua pena pela trama golpista passou a ser contada a partir desta última terça-feira (25).

Caso cumpra toda a condenação, Bolsonaro deve ficar preso em regime fechado por 27 anos e três meses. No entanto, o senador responsável pelo projeto de lei que visa diminuir a pena do ex-presidente, Carlos Viana (PL-MG), garante que a proposta não se trata de uma anistia. 

“Importante ressaltar que a presente iniciativa não configura anistia, indulto ou qualquer forma de extinção seletiva de punibilidade. Trata-se de medida de caráter geral e abstrato, compatível com o sistema constitucional penal, destinada a aperfeiçoar a técnica legislativa e reforçar os limites adequados para responsabilização criminal”, endossou o senador. 

De acordo com Viana, o PL visa beneficiar, além de Bolsonaro, todos os brasileiros que, segundo ele, foram injustamente condenados pelos episódios do 8 de janeiro de 2022.

Defesa não detalha tornozeleira violada e afirma que Bolsonaro não fugiria

Detido de forma preventiva no último sábado (22) por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em operação da Polícia Federal (PF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viu sua defesa ter de justificar por que ele teria tentado violar a tornozeleira eletrônica que usa desde julho. Bolsonaro passará por audiência de custódia neste domingo (23), ao meio-dia.

Segundo os advogados, a tentativa de violar o equipamento não é motivo suficiente para a prisão. Eles argumentam que, mesmo que a tornozeleira fosse danificada, a residência do ex-presidente é vigiada 24 horas por dia, o que impediria qualquer tentativa de fuga.

Prisão preventiva

A prisão de Jair Bolsonaro foi determinada a partir de um pedido da Polícia Federal ao Supremo, no qual os investigadores apontaram risco de fuga do ex-presidente, especialmente após a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio onde o pai mora. Esse entendimento foi acompanhado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, em manifestação enviada ainda na madrugada de sábado.

No mandado de prisão, o ministro Alexandre de Moraes estabeleceu condições específicas: que o ex-chefe do Planalto, em prisão domiciliar desde 4 de agosto, não fosse exposto publicamente e que não fossem usadas algemas. Os agentes da PF seguiram essas orientações.


Advogado de Jair Bolsonaro demonstra indignação com a decisão de prisão preventiva (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)


Em conversa com jornalistas, concedida ao deixar a sede da Superintendência da Polícia Federal, o advogado Paulo Cunha Bueno disse que o episódio da tornozeleira estaria sendo usado para “tentar justificar o injustificável”. Na visão dele, Bolsonaro não teria como deixar a própria casa sem ser visto e o dispositivo eletrônico acabou se transformando, nesse caso, em uma espécie de pena infamante, servindo apenas para expô-lo à humilhação.

Tornozeleira eletrônica

Na decisão, Moraes mencionou que Bolsonaro tentou adulterar a tornozeleira eletrônica. No início da tarde, o ministro retirou o sigilo das imagens em vídeo em que o ex-presidente admite ter usado um ferro de solda para queimar o dispositivo preso ao tornozelo.

O ex-presidente relatou a uma agente que havia usado um “ferro de solda” para tentar abrir a tornozeleira eletrônica. A conversa foi registrada em vídeo e também descrita em um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.

“Meti um ferro quente aí… curiosidade”, disse Bolsonaro à servidora. Quando ela perguntou: “Que ferro foi? Ferro de passar?”, ele respondeu: “Ferro de soldar, solda”.


Bolsonaro admite ter usado um “ferro de solda” para tentar abrir a tornozeleira eletrônica (Vídeo: reprodução/X/@g1)


Segundo o documento da secretaria, o alerta de violação do equipamento foi disparado às 0h07 deste sábado, momento em que uma equipe foi imediatamente deslocada até o endereço. Inicialmente, a informação repassada à administração penitenciária era de que o ex-presidente teria batido a tornozeleira na escada. A perícia, porém, concluiu que não havia marcas de impacto ou choque em nenhuma superfície.

Bolsonaro permanece preso em um cômodo de cerca de 12 metros quadrados na Superintendência da PF, que foi recentemente adaptado para recebê-lo. O espaço conta com ar-condicionado, frigobar, cama de solteiro, televisão e banheiro privativo.

Cime relata dano em tornozeleira de Bolsonaro e STF mantém prisão preventiva

O Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime) informou ao ministro Alexandre de Moraes que a tornozeleira de Jair Bolsonaro tinha marcas de queimadura. A princípio, a equipe registrou o problema após vistoriar o equipamento na residência do ex-presidente durante a madrugada deste sábado (22/11).

Ainda segundo o Cime, Bolsonaro primeiro disse que havia batido a tornozeleira na escada. Porém, após nova pergunta, ele admitiu que usou um ferro de solda para tentar abrir o dispositivo. As autoridades trocaram o equipamento imediatamente. Horas depois, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente.


Bolsonaro admite usar ferro quente em tornozeleira (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


Movimentações no STF e avanços do processo

Anteriormente, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou de forma unânime o pedido de revisão feito pela defesa. Assim, o processo do plano golpista avançou para a fase final. A decisão mostrou o entendimento de que os elementos reunidos sustentam a continuidade da ação.

Além disso, o tribunal havia tomado outra decisão recente ligada ao caso. Em momento anterior, o STF suspendeu o uso obrigatório da tornozeleira eletrônica por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência. O colegiado fixou pena de dois anos de prisão em regime aberto. Também anteriormente, Cid já havia cumprido duas prisões temporárias, cada uma com duração inferior a seis dias.

Defesa tenta domiciliar e Moraes rejeita pedido

Mesmo assim, a defesa de Bolsonaro enviou uma nova petição ao Supremo. Os advogados pediram que ele permanecesse em prisão domiciliar por razões humanitárias. Eles citaram problemas de saúde, como fragilidades físicas e o diagnóstico recente de câncer de pele. Segundo a defesa, o ex-presidente precisaria de acompanhamento contínuo.


Advogado do ex-presidente critica prisão (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)


Apesar disso, Moraes negou o pedido após analisar os documentos. Em suma, o ministro afirmou que não encontrou elementos que justificassem a mudança do regime. A decisão manteve a prisão preventiva e ampliou a tensão política. Enquanto isso, apoiadores do PL iniciaram articulações em Brasília. Eles planejam montar um acampamento diante da sede da Polícia Federal. Como resultado, o grupo pretende demonstrar apoio a Bolsonaro e intensificar críticas ao Supremo.

Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica durante saída para procedimento médico

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos por liderar uma tentativa de golpe, sairá de casa pela primeira vez para um procedimento cirúrgico simples na pele, neste domingo (14), no hospital DF Star, na Asa Sul, em Brasília.

Segurança e medidas cautelares para a saída de Bolsonaro

Antes de sair do condomínio, o carro dele será vistoriado, e ele será acompanhado por uma escolta da Polícia Penal do Distrito Federal à paisana. Bolsonaro também usará tornozeleira eletrônica, e o entorno do hospital terá reforço da Polícia Militar. Apoiadores já programaram uma manifestação em solidariedade ao ex-presidente na manhã de domingo.

No fim de agosto, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou ações para reduzir o risco de fuga do ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma avaliação da Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF) apontou “pontos cegos” nos fundos e na lateral da residência dele.

Ao autorizar a saída de Bolsonaro, Moraes ressaltou que ele continua obrigado a cumprir medidas cautelares, como a proibição de usar redes sociais, o uso da tornozeleira eletrônica e a vistoria nos porta-malas dos veículos que saírem de sua casa.


Bolsonaro deixando o Hospital (Vídeo: reprodução/X/@CNNBrasil)

No despacho, Moraes ainda pediu que a Secretaria de Segurança Pública do DF adotasse as providências necessárias. O esquema montado pela SSP-DF é mantido em sigilo. Em nota, a Polícia Penal do DF afirmou: “Está cumprindo as ordens judiciais em conformidade com as decisões expedidas e não comenta ou detalha operações em curso”.

Procedimentos médicos e histórico de cirurgias de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro passará por dois procedimentos médicos no hospital DF Star: um para retirar um nevo melanocítico (pinta) no tronco, geralmente benigno, e outro para recolher material cutâneo que será enviado para biópsia. Segundo o pedido médico anexado ao processo no STF, ele ficará em regime ambulatorial, com previsão de alta no mesmo dia, e precisará entregar um atestado médico detalhando os procedimentos em até 48 horas.

Na última sexta-feira, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por cinco crimes: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, sendo a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente é condenado por tentativa de derrubar o governo eleito. Como a pena é em regime fechado, a defesa já prepara pedido de prisão domiciliar, alegando o quadro de saúde delicado de Bolsonaro, que inclui crises de soluço e sequelas da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.


Explicação sobre a condenação de Bolsonaro e a possível entrada de Tarcísio na corrida presidencial (Vídeo: reprodução/X/@Metropoles)

Desde então, ele passou por diversas cirurgias: em 6 de setembro de 2018, cirurgia de emergência em Juiz de Fora–MG; em 12 de setembro de 2018, cirurgia de desobstrução do intestino em São Paulo; em 28 de janeiro de 2019, retirada da bolsa de colostomia; em 8 de setembro de 2019, correção de hérnia na cicatriz; e em 12 de setembro de 2023, cirurgia para correção de hérnia de hiato relacionada a refluxo.

Em 13 de abril de 2025, Bolsonaro passou por cirurgia de 12 horas no DF Star para extensa lise de aderências e reconstrução da parede abdominal, realizada sem intercorrências e sem necessidade de transfusão de sangue. A obstrução intestinal causada por uma dobra do intestino delgado foi resolvida, e o ex-presidente segue estável na UTI, sem dor, recebendo suporte clínico, nutricional e medidas de prevenção de infecções.

Prisão de Bolsonaro gera divisão política e repercussão internacional

A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou intensa repercussão tanto no cenário político nacional quanto internacional. A medida foi tomada após Bolsonaro descumprir determinações judiciais que o proibiam de publicar conteúdos em redes sociais, além de impor restrições como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição do uso de celulares.

No Brasil, a decisão provocou reações polarizadas. Aliados de Bolsonaro, como o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), classificou a prisão como uma “vingança política”, enquanto o senador Ciro Nogueira (PP-PI) lamentou o ocorrido, afirmando que ainda acredita na prevalência da Justiça. Já opositores, como o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), elogiaram a medida, considerando-a proporcional à gravidade dos atos atribuídos ao ex-presidente. A deputada Duda Salabert (PDT-MG) destacou que Bolsonaro começa a pagar por seus ataques à democracia, e o presidente do PT, Edinho Silva, relembrou o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa atentados contra autoridades como Lula, Alckmin e o próprio Moraes.

Mídia Global Destaca Acusações Contra Bolsonaro

A repercussão internacional também foi significativa. Veículos como o Washington PostReutersAssociated Press e Al Jazeera noticiaram amplamente a prisão, destacando que Bolsonaro é acusado de liderar uma organização criminosa que tentou anular o resultado das eleições de 2022 e planejou atentados contra figuras públicas

O jornal espanhol El País e o argentino Todo Notícias também deram destaque à decisão, ressaltando o contexto das investigações e as restrições impostas ao ex-presidente.


Visitas dos filhos de Bolsonaro a prisão domiciliar precisa ser autorizada pelo STF (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


Crise institucional e economia

Além do impacto político, a medida teve reflexos econômicos. O ETF brasileiro EWZ caiu após o anúncio da prisão, refletindo preocupações do mercado sobre o agravamento das tensões políticas internas e externas, especialmente com o governo dos Estados Unidos 

A prisão domiciliar de Bolsonaro marca um novo capítulo na crise institucional brasileira, evidenciando o embate entre o Judiciário e setores da extrema-direita, e reacendendo debates sobre os limites da liberdade de expressão, responsabilidade política e respeito às instituições democráticas.

Jair Bolsonaro é alvo de medidas do STF e recebe apoio de Trump em meio a investigações por tentativa de golpe

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se tornou alvo de novas ações da Justiça. Na última sexta-feira (12), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em locais ligados a ele, como sua casa e o escritório político na sede do PL, em Brasília. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou três medidas restritivas: Bolsonaro deve usar tornozeleira eletrônica, está proibido de usar redes sociais e também de ter contato com o filho Eduardo Bolsonaro.

PF cumpriu ordens de mandado na casa de Bolsonaro e na sede do PL

Essas decisões fazem parte do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo o STF, há suspeitas de que Bolsonaro e seus aliados tenham planejado um movimento para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Conversas, documentos e ações que indicariam uma estratégia para desacreditar o sistema eleitoral e convocar as Forças Armadas estão entre as provas analisadas pela Corte.

Na manhã de sexta-feira, a Polícia Federal realizou buscas em locais ligados a Jair Bolsonaro. Entre os alvos estavam a residência do ex-presidente e seu escritório político, que funciona na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília.

Logo após as medidas, Bolsonaro foi levado para instalar a tornozeleira eletrônica. A decisão de Moraes causou forte reação política e movimentou os bastidores em Brasília. Muitos aliados do ex-presidente classificaram as medidas como exageradas.

Trump acusa de “caça as bruxas” condenação de Bolsonaro

Em meio à repercussão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa de Bolsonaro. Em uma postagem nas redes sociais, Trump criticou a atuação da Justiça brasileira e disse que Bolsonaro está sendo perseguido por motivos políticos. Para o republicano, seu aliado brasileiro está sendo alvo de um sistema que quer calar vozes conservadoras.


Trump publicou na noite de ontem (17) uma carta em apoio a Bolsonaro (Foto: reprodução/X/@TrumpDailyPosts)

As falas de Trump reforçam a ligação entre os dois políticos, que já haviam se apoiado mutuamente em outros momentos. Ambos enfrentam acusações relacionadas a ataques contra a democracia: Trump por sua tentativa de reverter o resultado das eleições de 2020 nos EUA, e Bolsonaro por suspeita de tentar impedir a posse de Lula em 2023.