Na última terça-feira (13), Donald Trump declarou, em tom de ameaça, que poderia adotar “medidas muito duras” contra o Irã, caso o regime do aiatolá Ali Khamenei começasse a executar os manifestantes iranianos.
Isso porque, em dezembro do último ano, por insatisfação com a situação econômica do país, ondas de protestos populares se intensificaram em território iraniano, principalmente na capital Teerã. Nesse sentido, retaliações do regime contra a população local impulsionaram o presidente americano a fazer declarações que aumentaram o clima de tensão entre os dois países.
Sinais de tensão
Após organizações dos direitos humanos oficializarem que mais de 500 manifestantes iranianos foram mortos nos protestos contra a ditadura do aiatolá Ali Khamenei, Donald Trump fez uma série de declarações apoiando a população local que luta contra o regime.
Tensões entre Irã e EUA aumentam em meio a protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
No último sábado (10), Trump afirmou que o Irã está “buscando liberdade” e, além disso, enfatizou que os Estados Unidos poderiam colaborar com os manifestantes. Nesse sentido, conforme os veículos de imprensa americanos, há uma chance considerável das tropas estadunidenses serem convocadas para interferir nos protestos.
Além disso, na última terça-feira (13), a Casa Branca emitiu um comunicado solicitando que todos os americanos deixassem o território iraniano urgentemente. França, Polônia e Canadá também emitiram alerta similares aos seus respectivos cidadãos. Já o Reino Unido, fechou temporariamente a embaixada britânica em Teerã, capital iraniana.
Na última quarta-feira (14), segundo o site FlightRadar24, uma aeronave da Marinha dos EUA apareceu sobrevoando uma área próxima à costa do Irã. Diante disso, o país chegou a fechar o espaço aéreo por quase 5 horas para voos internacionais, com exceção dos voos com destino à capital do país.
Nesse sentido, os últimos acontecimentos revelam um clima de tensão para possíveis ataques contra o território iraniano. No entanto, segundo a agência de notícias Reuters, o Irã mantém conversas com países vizinhos para que os mesmos tentem impedir um possível ataque estadunidense.
Conforme o jornal americano The Wall Street Journal, noticiou países rivais do regime do aiatolá Ali Khamenei no Oriente Médio pressionam os EUA para evitar possíveis ataques sob território iraniano, uma vez que poderiam afetar o preço do petróleo e aumentar a instabilidade da região.
O regime
A República Islâmica do Irã vive sob uma ditadura teocrática, ou seja, a legislação do país segue dogmas religiosos. Como chefe no cargo desde 1989, Ali Khamenei é o líder supremo que administra o território, conhecido como aiatolá.
Khamenei foi eleito presidente do país em 1981, com 95% dos votos. No entanto, apenas em 1989, com a morte do aiatolá Khomeini, Ali Khamenei ocupou a posição de líder religioso e político do Irã.
Nesse sentido, o descontentamento da população iraniana com o regime cresceu devido à crise econômica que assola o país, com os altos preços dos produtos básicos e a desvalorização da moeda local, o rial.
Diante dos protestos crescentes, a administração Khamenei adotou uma política de forte repressão contra os opositores que lutam contra o regime, desde o início das manifestações, somam mais de 500 mortes. Além disso, a rede de internet chegou a ser cortada por mais de 72 horas em todo o território iraniano.
